Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Níveis de Dificuldade


Vou assumir, para o efeito deste texto, que o leitor já jogou algum jogo de computador.

E se não jogou, em que buraco é que andou metido estes anos todos?
Vá já a correr jogar alguma coisa, que isso é uma vergonha, nem se atreva a dizer em público que nunca jogou um jogo de computador senão os outros meninos vão achar que você é um tótó.

Ora...

O leitor estará certamente familiarizado com o conceito de níveis de dificuldade.
Quando começa um jogo de computador, geralmente é-lhe dada a opção de escolher se quer jogar em "Fácil", "Normal" ou "Difícil".
Por vezes até há mais níveis de dificuldade por onde escolher.

A primeira vez que me lembro de me deparar com a situação que vos vou relatar foi com o Unreal Tournament.
O Unreal é um First Person Shooter, daqueles em que só se vê a mãozinha da nossa personagem a segurar a pistola (ou lança-rockets, como costumava ser o caso) e joga-se em arenas enquanto matamos inimigos controlados pelo computador.

Ora estava eu a jogar, e aconteceu uma coisa muito curiosa: perdi.
"Não é nada de mais" pensei eu "é a primeira vez que pego nesta coisa, isto com prática vai lá!"
Mas depois aconteceu outra coisa curiosa: voltei a perder.
E não só mais uma, mas muitas vezes!!!
O computador estava a dar-me porrada de criar bicho!

Naturalmente que isto entristeceu-me, porque eu não andava ali para perder.

O que é que fiz então?

Fui ao menu principal do jogo, e com um simples clique do rato, diminuí a dificuldade do jogo.

E maravilha das maravilhas, alegria e satisfação! Comecei a ganhar desalmadamente! Era como dar tiros a peixes num barril! Eles caíam que nem tordos!
E eu fiquei muito satisfeito comigo mesmo.

Caro leitor, você sabe que já passou por isto. Tenha sido com outro FPS, tenha sido com um jogo de estratégia, até pode ter sido com o Tetris.

O que você (eu) faz quando começa a perder demasiado para seu gosto, e vai diminuir a dificuldade é basicamente o seguinte: vira-se para o computador e diz-lhe assim "Olha, e que tal se fosses um bocadinho mais estúpido para eu te ganhar com mais facilidade?" e ele, sendo um computador, obedece.
E lá vai você poder pensar que tem uma pontaria do caraças ou que as suas estratégias militares rivalizam com as do Sun Tzu.

Não, meu amigo... não.

A única coisa que você (eu) fez foi tornar o computador ainda mais estúpido que você, para lhe poder ganhar!

É mais ou menos o equivalente a estar no parque, numa tarde de domingo, a jogar às damas com os velhinhos que lá estão e, para sua grande surpresa, levar a abada da sua vida às damas (porque você se esqueceu que são velhinhos e não têem mais nada para fazer senão jogar às damas).

Então, insatisfeito com isso, você vai buscar uma criança com Síndrome de Down, e joga às damas com ela.
E quando ganha acha-se o maior!
E se calhar ainda lhe chama uns nomes pelo meio!!!

O que acontece actualmente é que as pessoas que desenvolvem os jogos sabem que ninguém gosta de perder. Por isso cada vez menos os jogos têm um nível de dificuldade chamado "Fácil".
Ninguém quer admitir que só consegue ganhar no "Fácil".

Por isso em vez da sequência habitual, os jogos hoje em dia já costumam ter os níveis de dificuldade "Normal", "Difícil", "Impossível" e "Pesadelo"
Dessa maneira você já se pode gabar aos seus amigos de que ganhou o tal jogo no "Difícil"!
Mas desengane-se, caro leitor, na realidade o "Difícil" corresponde ao "Fácil"... E não caia na asneira de dizer que o jogou no "Normal" porque toda a gente sabe que "Normal" significa, na realidade, "Atrasado Mental".

Depois existem aqueles jogos que são mesmo difíceis, e cujo nível de dificuldade "Normal" significa, para as pessoas que criaram o jogo, "Horas-e-horas-de-tentativa-e-erro-contra-bosses-com-múltiplos-estágios-que-dão-mais-dano-do-que-sequer-era-permitido-no-jogo-até-essa-altura-e-com-personagens-que-parece-que-têm-tuberculose-e-artrite"

Por exemplo o Devil May Cry e o Demon's Souls.

Eu entretanto vou dar tiros a bots que têm a inteligência de um repolho numa cadeira de rodas, e sentir-me o maior do mundo.



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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Incompetência vs Ditadura



Eu costumo queixar-me que a maioria dos funcionários da função pública (sobretudo os políticos) é extremamente incompetente.
Também já disse muitas vezes que enquanto não se resolver o problema da corrupção, qualquer outra medida de reforma social ou legal é completamente inútil.

No entanto apercebi-me há pouco tempo que é exactamente a ganância e incompetência dos nossos governantes que nos garante que dificilmente cairemos num estado ditatorial ou totalitarista.

Uma ditadura dá muito trabalho a organizar. Custa dinheiro e tempo e recursos.

Porquê fazer uma ditadura quando é muito mais fácil simplesmente chegar ao governo, aproveitar a incompetência e desorganização gerais, e sem grande dificuldade roubar tudo o que se quiser?

Não vale a pena ser-se totalitarista! Isso só dá dores de cabeça.

Quando aparecem pessoas com mania de controlo e organização, que querem pôr ordem nisto tudo, é que surgem as ditaduras.

Portanto eu digo que venha a corrupção e a desorganização! Mais ainda!

Se já vimos que governantes honestos e liberais são impossíveis de acordo com as leis da física (assim como viajar mais depressa que a luz), então prefiro governantes gananciosos e incompetentes qualquer dia da semana, se a alternativa são governantes totalitaristas!
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sábado, 4 de setembro de 2010

Inception Cat

Isto era demasiado bom para deixar passar...

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Creation



AhA!!!

Sim, cá estou eu de volta com mais do mesmo!!! Críticas a filmes!
Não se preocupem, minhas legiões silenciosas de fãs, porque desta vez não vou falar só de cinema. Prometo partilhar convosco a demência que me assola diariamente.

Mas, por enquanto: Creation!

Eu sabia que este filme existia já há algum tempo. Lembro-me de ter pensado quando vi o trailer (como penso invariavelmente sempre que vejo algum trailer) "Tenho de ver isto quando aparecer no cinema"

Como quase sempre, o filme não apareceu no cinema e eu acabei por me esquecer dele.

Ontem estava na Fnac e fui torturar-me um bocadinho olhando para televisões LED de fazer água na boca que eu nunca poderei comprar, e um dos trailers que estavam a passar era o do Creation! Vim para casa, tirei o filme da internet (!) e sentei-me a vê-lo.

Eu estava à espera de um filme cheio de intriga política, discussões inteligentes de ciência vs religião, drama familiar causado pelo conflito de ideias e muitos discursos apaixonados sobre a beleza da evolução.

E vejam lá se o trailer não dá a entender isso mesmo:



E se o filme fosse o que parece no trailer, se fosse a intriga política e as discussões e o drama e os discursos apaixonados, teria sido bom!

Eu teria gostado do filme.

No entanto o filme não é nada disso.

Cuidado!!!

THERE BE SPOILERS AHEAD!!!


Creation é a história de um homem a quem morreu uma filha, e de como isso alterou a sua vida.

O filme começa com Darwin velho e doente, claramente afastado da sua mulher, sem ser capaz de se relacionar com os filhos, e é-nos dado a entender que isso se deve ao facto de ele estar a trabalhar na Teoria da Evolução.

Aparece um bocadinho da intriga política e do conflito de ideias entre Darwin o cientista e a sua mulher crente.

São-nos mostradas sequências em que Darwin está a explicar de uma forma muito simples os princípios da evolução aos filhos, como se revolta quando o padre da aldeia castiga a filha dele por ela dizer que existiram dinossauros.

É dado a entender, e é isso que a maioria das outras personagens assume, que os problemas de saúde de Darwin se devem ao seu conflito interno e à exerção pelo trabalho.

Mas de uma forma muito calma, muito sub-reptícia, o filme vai-nos mostrando como a personagem do Darwin amava os seus filhos, como amava a sua mulher, como a sua paixão pela natureza o ligava a eles, como eles eram uma família.

Lentamente, a intriga política passa para segundo plano (e eventualmente desaparece de todo) e cada vez mais entramos na cabeça de Darwin que é perseguido pelo fantasma da morte da filha.

De uma forma incrivelmente dolorosa, o filme mostra como este homem está lentamente a ser comido por dentro pela culpa que sente, pela ideia de que poderá ter sido responsável pela morte da filha.

Assistimos ao processo que o leva a recompôr-se, a aceitar a morte da filha, até ao confronto com a mulher.

Este filme não é sobre religião, ou sobre evolução, ou sobre intriga política ou qualquer tema mundano desses.
Essas coisas estão lá, mas a história não é sobre isso. É a história de um homem a quem morreu a filha, e de como ele lida com isso, de como ele tem de lidar com isso para se salvar a si, à sua mulher e à sua família.

É uma história extremamente poderosa, muito muito bem contada e profundamente credível.

Que é, obviamente, a razão pela qual eles tiveram de a vender como se fosse sobre intriga política, ciência vs religião, drama familiar e discursos apaixonados.


Como notas finais, o filme foi realizado por Jon Amiel, que se redime com este filme de uma carreira bastante vergonhosa como realizador de cinema.
Darwin é interpretado por Paul Bettany, um dos actores mais subvalorizados da sua geração, que por acaso já tinha interpretado uma personagem muito Darwinesca no filme Master and Commander: The Far Side of the World.
A mulher de Darwin é interpretada de uma forma soberba pela Jennifer Connely, que constrói uma personagem de uma forma tão brilhante que só nos apercebemos que é brilhante mesmo no fim do filme.
A fotografia do filme é linda, parecendo que tudo saiu de uma fotografia antiga (não é por acaso que isto estava a passar numa televisão LED para fazer boa figura).

E não posso deixar de fazer notar a deliciosa escolha do título Creation para um filme acerca de evolucionismo.

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domingo, 29 de agosto de 2010

Um Blog Novo!!!!

E porquê um blog novo?

Porque eu nunca tive um blog só meu!

E aparentemente ainda não é desta, porque este é partilhado com mais duas pessoas!

Pessoas essas que eu espero que se dignem a aparecer por aqui em pouco tempo para começarem a postar coisas, para não ser sempre eu sozinho a escrever aqui!

E porquê escrever de todo?

A maioria dos outros bloguistas provavelmente dirá que tem algo de válido a dizer, algo de útil a contribuir, algo de interessante a partilhar com o mundo.

Eu estou aqui pelos lulz!

Portanto despedi-me oficialmente do outro blog e agora vou passar a escrever aqui permanentemente!

Que a insanidade comece!!!
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