Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

domingo, 13 de julho de 2014

Coisas Horríveis II

Sinto que um dos meus momentos coroantes de maior misantropia e crueldade despropositada seria o seguinte:

Um dia hei-de convencer alguém que tenha um casalinho de filhos adoráveis e loirinhos a dar-lhes os nomes "Tenesmo" e "Melena".

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sábado, 12 de julho de 2014

American Pie - Parte II

Continuando a minha interpretação pessoal, que não é definitivamente over-reading porque o texto suporta as interpretações e que não é uma interpretação dogmática como a que as professoras de português faziam do Gil Vicente >glares<

Se ainda não leram a Parte I, devem fazê-lo agora, a não ser que sejam o tipo de pessoas que gosta de ler as coisas fora da ordem prevista, e nesse caso estejam à vontade.




Helter skelter in a summer swelter
The birds flew off with a fallout shelter
Eight miles high and falling fast

A música remete-nos de seguida para as convulsões sociais que mexeram com a América no fim dos anos '60 e a grande desilusão dos anos '70.
"Helter Skelter" é uma expressão anglófona que significa confusão ou desordem, caracterizante dos verões quentes americanos marcados pelo movimento dos direitos civis e estudantis. Não por coincidência, é também uma das músicas mais atípicas dos Beatles, também famosa por ter sido referenciada por Charles Manson a propósito dos seus famosos assassinatos.
Os Byrds lançam em 1966 uma canção chamada Eight Miles High, que fazia referências não só a drogas (high), mas que neste contexto serve mais como referência a uma fuga à queda da esperança que tinha nascido nos anos '60, e que agora cai que nem uma bomba (McLean até o canta com um som de bomba a cair - faaaaaAAAAST)
It landed foul on the grass
The players tried for a forward pass
With the jester on the sidelines in a cast

A mistura de imagens americanas, agora com os desportos, continua um duplo sentido da palavra foul que significa simultâneamente algo grosseiramente ofensivo ou uma falta desportiva quando essa esperança cai no relvado.
Os players, podem ser interpretados como a força política/governamental/policial que tentou combater e controlar os movimentos civis, e levar a sua avante, enquanto que o ex-símbolo desses movimentos, o Bob Dylan, está parado nos camarotes com um gesso.
Now the half-time air was sweet perfume
Durante o intervalo do jogo o ar estava cheio do cheiro adocicado da marijuana a ser fumada
While sergeants played a marching tune 
Os Beatles (Sergeant Pepper's), tocavam uma melodia de marcha, de liderança
We all got up to dance

Toda a gente se levantou para dançar e para os seguir
Oh, but we never got the chance

Mas nunca tiveram essa hipótese
Cause the players tried to take the field

Porque as forças políciais tentaram controlar os campus universitários e os espaços de revolução
The marching band refused to yield
Mas ainda assim os Beatles e os movimentos recusaram-se a desistir.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

E o narrador urge a que nos lembremos da realidade feia que foi revelada quando a música e o espírito idílico e dourado dos anos cinquenta morreu com Buddy Holly.
We started singin'
[Chorus]



Oh, and there we were all in one place
A generation lost in space
With no time left to start again

McLean, o trovador, remete-nos agora para mais um evento específico que terá sido o culminar da morte do sonho americano e da sua música.
Portanto todos os jovens idealistas das estrofes anteriores estavam num único lugar (provavelmente Altamont devido a referências que vêem a seguir) perdidos nas suas drogas, e tendo já perdido a sua oportunidade.
So come on Jack be nimble, Jack be quick
Jack Flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil's only friend

A música dos Rolling Stones, com um som mais agressivo e letras com um tom niilista e violento começa a ganhar peso. É paradigmática a canção Jumpin' Jack Flash, sobre brincar com o fogo, sendo fácil identificar Mick Jagger como o diabo nesta famosa fotografia dele no seu concerto em Altamont.

And as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage
No angel born in Hell
Could break that Satan's spell

As tensões eram grandes em Altamont, e o gang de motociclistas Hell's Angels tinham sido contratados para serem seguranças no concerto, se bem que fomentaram mais violência do que a que preveniram, tendo até violado mulheres.
O homem de chapéu branco que se vê na fotografia tinha em sua posse uma pistola, que revelou à medida que se aproximava do palco, enquanto Mick Jagger cantava. Foi rapidamente morto por uma facada de um membro dos Hell's Angels. Os Stones não se aperceberam e continuaram a cantar.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite

A imagética satânica e demoníaca, que contrasta com a imagética religiosa do início da canção, atinge assim o seu pico com a figura do sacrifício ritual (o homem de chapéu branco) envolto em chamas.
I saw Satan laughing with delight
The day the music died

Mick Jagger e a sua música personificam assim a antítese da ingenuidade doce da música dos anos '50, e riem-se enquanto esta morre finalmente.
He was singin'
[Chorus]


I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news
But she just smiled and turned away

A música no seu epílogo toma um tom mais triste, com o Narrador a ir procurar os últimos resquícios da música de que gostava.
Encontra uma rapariga que cantava blues, possivelmente Janis Joplin, e pergunta-lhe por boas notícias, mas ela sorri, e morre de uma overdose em 1970.
I went down to the sacred store
Where I'd heard the music years before
But the man there said the music wouldn't play

Retorna a imagética religioso/sagrada, equacionando as lojas de venda de discos a lugares sagrados. Mas, e no seguimento do resto da canção, o narrador descobre que a música já não é tocada.
And in the streets the children screamed
The lovers cried, and the poets dreamed
But not a word was spoken
The church bells all were broken

Apesar da perda da música, a vida continuou como normalmente, com as crianças a gritar e os poetas a sonhar. Mas a morte da música dos anos '50 fez com que o verdadeiro significado, aquele que inicialmente fazia as pessoas sentirem-se felizes e dançar, já não está presente. Os sinos da igreja, eventualmente os artistas originais dessa música, estão todos quebrados pela inexorável marcha do tempo.
And the three men I admire most-
the Father, Son, and the Holy Ghost-
They caught the last train for the coast
The day the music died

O narrador menciona mais uma vez os três grandes nomes da música dos anos '50, Buddy Holly, Ritchie Valens, e Tthe Big Bopper, equacionando-os directamente à Santíssima Trindade do catolicismo e pondo-os definitivamente num pedestal divino. Interessantemente não diz que eles morreram, mas que simplesmente se foram embora, no dia em que a música, o espírito, da idade dourada dos E.U.A. morreu.

And they were singing



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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Hipermetropia de Especialista

Encontrei um pedaço de cadáver numa patanisca. ou pelo menos uma gótica/bruxa. Pessoas sobre as quais vale a pena tentar escrever...

Escrevia com determinação contrafeita e resignada. Batia nas teclas, exalava impacientemente quando tinha que apagar parte do texto. A indignação escapava-lhe por entre os dentes, juntamente com um liturgia de sílabas, que ficavam marteladas no teclado. Frequentemente reconhecemos que estamos a ser engrupidos e não podemos fazer muito sobre isso.
O rosto dela irradiava de um nariz pequeno, com duas sobrancelhas rasgadas, que sublinhavam rugas horizontais, muito proeminentes. O sobrolho dela fazia lembrar gaivotas em voo coordenado que dançavam de acordo com a excentricidade da situação, impondo respeito com voos cerrados simultâneos com pergunta desconfiadas, cuspidas de maneira seca e impaciente.
E este era o outro lado. O fim do caminho. E agora tinha mais liberdade! Era assistente. Finalmente podia assumir todas as posições que antes calava. Defender convicções, opinar... mas os batráquios regurgitados por alguém ex-impotente, fazem-se acompanhar de bílis suficiente para afogar quase todos os tipos de empatia, que ela podia ter granjeado.
Na hora do café em cochichos cúmplices com o chefe de serviço, confessava que achava os colegas invejosos e subservientes. O chefe de serviço sabia que ela não estava errada... mas apesar dos seus olhos rasgados, das sobrancelhas exponenciais de gavião em voo picado, não conseguia enxergar-se. Hipermetropia de especialista.
Agora eu tinha que a ouvir a descrever uma interacção que ela tinha tido com o chefe, em tom embevecido e sonhador...
Ele tinha-lhe pedido um favor, e ela salientava a própria independência, enquanto tomava a atitude que ela tinha escolhido, de acordo com o que percepcionava que seriam as preferências do chefe. Tapava as lacunas neste raciocínio com ''muita intimidade'', e um suposto ''respeito recíproco'', tipicamente atribuídos a figuras paternais.
Eu concordava efusivamente, colocava dúvidas de acordo com a minha percepção dos gostos dela, e bajulava-lhe os estados de espírito magnânimos. As reverberações da auto congratulação da cadeia de comando terminavam em mim... e como todos os rebentos de estetoscópio e bata branca, eu ficava calado. Apanágio do elo mais fraco. Os internos que tentassem passar este tipo de peneiras para as enfermeiras, tinham hipóteses iguais de ouvirem um elogio sarcástico, ou de apanhar com um escarro no olho.
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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Live, LIVE, LIIIIIIVE!!!!!


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domingo, 20 de outubro de 2013

Musica para a alma

Existem momentos incoerentes. Momentos em que a mente divaga do mundo e se isola num local onde a dor não atinge, onde deixamos de ser sencientes. Existem lugares assim.
E existem músicas que nos acompanham nestes momentos. Esta música é baseada no Folk do século XVIII. Originalmente cantada, sobre um soldado que gastava o seu dinheiro em prostitutas e que morre de doença venérea. Eu voto em sífilis. Louis Amstrong reavivou-a nos anos 30 e tornou-a intemporal. Eu deixo a versão instrumental de Pete Fountain dos anos 60.

E sim, ando numa de revivalismo….


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terça-feira, 19 de março de 2013

Divagações sobre Peixe

Estava a pensar em queijo...

Não!

Peixe!

Sim, peixe, era isso.

É raro as pessoas gostarem de peixe. A maioria das pessoas gosta de carne.
Mas agora que penso nisso, a maioria das pessoas não gosta realmente de carne. A maioria das pessoas gosta de hamburgers do McDonalds e de bifes bem passados, isso não é gostar de carne.


Carne bem passada sabe a sal e a gordura e o hamburger do McDonald's sabe a madeira.
Isto é um bife:


Mas estamos aqui para falar de peixe.

Ora peixe.

A maioria das pessoas prefere a carne ao peixe, e porquê, pergunto eu?
Porque o peixe não sabe a nada!

Vamos fazer aqui um parêntesis e assumir que estamos a falar da maioria das receitas normais que por aí andam. A maioria das pessoas que cozinha carne ou peixe, cozinha-os ao ponto em que deixam de ter sabor, e depois substitui o sabor natural da carne ou do peixe pelos temperos.
Pela minha vida nunca compreenderei porque é que as pessoas cozem carne até ela ficar cinzenta:


Mas peixe.

O peixe, quando cozinhado, sabe a muito pouco, e no geral não tem uma textura lá muito boa.
É ligeiramente esponjoso, molhado e gorduroso.
Não admira que as pessoas não gostem.

Mas toda a gente se sente na obrigação de comer peixe. Porque é Saudável!
E obrigam as crianças a comerem peixe, outra vez porque é Saudável!
Mas o peixe saudável não sabe a nada! Parece esferovite cozida!

E depois nasce toda uma indústria cujo único objectivo é fritar o peixe cozido, de maneira a que as crianças o comam, porque as crianças comem o que quer que seja, se estiver frito.


E os paizinhos ficam todos de consciência tranquila porque os filhos estão a comer peixe, que é Saudável, mesmo que tenha sido coberto em pão, gordura e depois frito.

Mas não foi sempre assim...
Lá muito para trás, quando éramos todos homens das cavernas e pescávamos, sabem o que é que comíamos?
Isto:


Este peixe tem sabor! Este peixe tem textura!
Quando éramos primitivos comíamos o peixe cru! E gostávamos!

Onde é que nos perdemos pelo caminho?
Aposto que houve um padre qualquer que achou que o peixe era demasiado saboroso, e que tínhamos demasiado prazer com o peixe, e então obrigou-nos a cozer o peixe para o tornar "saudável".

Mas não tenham medo, porque podemos recuperar o peixe!



Sushi!
Sim, sushi!

O Peixe Cru deixou de ser uma coisa normal para passar a ser uma iguaria! E é uma iguaria exótica! Vinda do oriente!
No sushi a textura e o sabor do peixe são realçados pelo sabor suave e subtil do arroz, com um toque ligeiramente salgado do molho de soja e o paladar indescritível do wasabi.
>salivação<

E o sushi é uma iguaria tão alienígena! É o que eu imaginaria diplomatas alienígenas a comerem, enquanto discutem planos para invadir a terra!


E não se esqueçam de ovas e caviar.
São, de facto, células reprodutoras de peixe, gâmetas de peixe.
É uma noção tão estranha! Comemos gâmetas de peixe.
Como é que se obtêm gâmetas de peixe?
Há pessoas cuja profissão é arranjar gâmetas de peixe. Que fazem a vida disso.

- Qual é a sua profissão?
- Eu masturbo peixes e depois recolho as suas células reprodutoras para você comer.

E se pensam que ele o faz de maneira aborrecida, com umas luvas de borracha azuis, não...
Ele fá-lo com carinho...

...

That's it, crossed the line, i'm out!
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Connect the dots in this scribble


We are going to play a game and see if you can connect the dots. 

Some dots seem weirdly away from each other, but that is because the trails were lost. Supply lines, that diminish and vane away, left then without manner to communicate with the next tower. The next dot.
That is somewhat silly. How awkward he felt, when found that the waves were travelling south somehow. To bad country. The dots were becoming sparser. The dot was a people that inhabited the vacant slots in the slums in new guinea. Which is the main exporter of documentaries. An industry that is source of the rising documentary stars in that country, after boxoffice hits like ‘’Rwanda: An ode to the holocaust.’’, ‘’Humanity’s sins: There are millions of citizen, in congo without access to fresh water’’, ‘’The Mugabe dictatorship reaction to the political turmoil of ‘93‘’, ‘’Tuberculosis: the silent killer’’, ‘’Disentery: the loud killer, ‘’The vaccine shortage in Ethiopia made my family die of cholera’’ and who could forget, ‘’Crazy scrawny bitches with their tits hanging, while covered in flies.’’ This news might reach you in a bit of a harsh way. Because as the dots got sparser, the game grew difficult.  But that just how the game is played. Without care for taste or any other criteria. There are no criteria. There are only dots. We should not linger here. This is bad country.

Birds flew over the market. She knew her time was up.
Wild west high noon. Childish curiosity.

You are one of us, or none of them. And being one of them was also not nice, because of the crazy nymphos that rode the salad bar through the difficult and perilous mountains of domesticated house pets stored in the exorcism. The Freudian crisscrossed and mismatched information conveyer spluttered that the truth lived in the sidelines. Life was the search of a piece of glory ribbon in yellow, like a flower that majestically stood over the fields of france’s warmonger Jules le Pierre Marçou de Junot Manet le Maricon du France.

Insanity flowed like a river though him. Tearing the sureties out of his brain. Replacing them with new viewpoints, in a mind hungry for time. It consumed time, raged through time, like an accelerated chemical reaction lighting the darkness for a few moments of glorious visions, beautiful, yet sudden, too sudden for complete recollection. All that was left was the illusion of brilliancy.

Insane is what insane does.
Insane is what insane does.

The clows entertain the mob. The insane entertain only themselves.

 I’ve got to lie down now. For I fell a bit lightheaded. Maybe you should drive.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Cebola de preconceitos


Um cigano chega a casa e encontra o filho na cama com um homem, fica completamente fora de si e começa imediatamente a gritar com o filho:
"ah que vergonha, não acredito, tu não és meu filho!! Não pode ser, quê queu vou fazer agora, ainda ontem eras uma criança a brincar com a tua barbie e a ver o goucha, e agora andas paqui nesta javardice! Eu mato-te, tas a ouvir, eu mato-te! Não quero saber se és meu filho, arrebento-te essa foçinha toda, meu filho do diabo! Parto-te o gasganete ás postas, seu mão de vaca, seu bacalhau aprumado! Queres andar a abafar a palhinha? Eu já te abafo a ti, que eu é que sou teu pai!! A culpa disto é minha, que eu é que te deixei fazer tudo! Mas já vais aprender duas coisas, como os homens de antigamente faziam!"

Sai porta fora, de cabeça perdida.

O cigano fica com expressão preocupada. Olha para o lado e vê o amante a vestir as calças em pânico: "que estás a fazer?", ao que o amante responde: "Vou fugir daqui, o teu pai vai matar-nos!"
"ãh!.?? Não, ele não era capaz... nós somos ciganos modernos, ele é professor numa escola e tudo! Está sempre com as conversas da pedagogia... Não pode ser,..." diz ele, mas tem uma expressão preocupada...

Quando volta pai, vem acompanhado por 5 ciganos gordos de vestidos de cores berrantes, com bigode, plumas à volta do pescoço, a mascar pastilha elástica, com sapatos de salto, e meias de vidro com ligas, cada um com ar mais homossexual que o outro...

"Agora vou ficar aqui a ver-te a ter sexo gay com estes rabilós todos! Qué pa ver se no fim inda gostas de fazer essas javardices com homens! Vais levar uma dose que te fica pa vida toda! Vá toca a despachar antes que a tua mãe volte do trabalho e veja esta merda toda, que se ela te vê assim, ainda te dá um tiro nos cornos! Sabes como ela é! Vá, vá, tira as cuecas, e começa pelo Chico barbudo, que é o que custa mais!"
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

(nós somos) O Público


Em Portugal temos cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. E depois temos o público. Ou seja, todas as pessoas que, se cometerem um crime, vão presas. Se quiserem saber a que grupo pertencem, perguntem a vocês mesmos: ‘’se eu cometer um crime vou preso? ou posso fugir para o estrangeiro, pagar a testemunhas e pedir favores a pessoas poderosas?’’ Se a resposta for sim, que vão presos, então é provável que vocês façam parte do público.

O público é constituído pelas pessoas que assistem à destruição progressiva do seu emprego, condições de habitação, sistema de educação, sistema de saúde, futuro do filhos, e outros direitos humanos inalienáveis. O filme já dura há 3 anos e meio, e nós apupamos e pedidos que o projeccionista passe qualquer coisa do Manoel de Oliveira, que é capaz de ser mais divertido. O projeccionista ignora-nos, e manda um arrumador de discurso lentificado e olhos de São Bernardo tirar-nos o resto das pipocas, sentarmos no chão, e estarmos muito caladinhos a ver o filme. Senão, chama a polícia que vem, e corre a sala toda a bastonada, com o bastão da legitimidade democrática pela fuça adentro dos maltrapilhos todos que compraram os óculos 3D a crédito.

E para nossa incredulidade, alguns dos maltrapilhos aplaudem o filme! Gostam da tourada! São estes catequistas que se viram para nós, os ignorantes, e nos explicam o filme, que é falado em alemão. Falam de arrependimento e de contrição, de como vivemos acima das nossas possibilidades e temos que pagar por isso. Dizem-nos que não podemos comer bife todos os dias, e que temos que começar a jejuar. Dizem-nos que é tempo das vacas magras, por isso é melhor comer e calar. Pedem desculpa e reformulam: ‘não comer, e calar’.

Ouvem atentamente os críticos da 7ª arte, enquanto eles falar de produtividade e competitividade, de como as greves só fazem mal à saúde, e as manifestações provocam merecidas dores no lombo. Prometem-nos que  para o ano é que é. Para o ano a economia vai dar a volta por cima, o desemprego vai diminuir. E a sequela vai ser espectacular, com recibos verdes para toda a gente, e subsídio de natal, licença de maternidade e casamento, para ninguém.

Melhor ainda, vai ser o terceiro filme da saga, o fim da trilogia. Nesse vamos poder contracenar todos! Vai ser um porno, uma história de 3 tarados pederastas que sodomizam uma população inteira, com a conivência do governo de chulos escolhido pela população. Infelizmente os papéis de sodomitas já estão atribuídos, mas ainda há muitos papéis para ser sodomizado! Estejam atentos, porque o argumento foi aprovado o mês passado, e o casting começa em Abril de 2014, quando tivermos que pagar IRS.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Rabos vs Vaginas

Depois de discussão acessa com colega ginecologista/obstetra, chego a corrente de pensamento sobre age old question.
Eu: ''epa, isso dos partos é nojento, passas os dias com líquido amniótico até às orelhas. E depois as vaginas doentes, todos os dias, não deve ser nada agradável...''
Ela: ''como? como é que isso é pior que um toque rectal? E tirar fecalomas manualmente? e objectos estranhos? O rabo é muito pior do que a vagina!''

Ao que se segue debate acesso e celeuma irresolúvel sobre as várias faces da questão. Incluíndo o busílis. O busílis é aquela parte da questão que fica mais no meio, entre o fulcro e o cerne da questão. Que são duas partes muito importantes, se estivermos a tratar uma questão essencial, como esta é.

Mas esquecendo a epistemologia, que tarda em ser útil, lembrar que, como em tantas àreas disciplinas do conhecimento humano, as expectativas são muito importantes. Quando se imagina uma vagina, uma pessoa imagina uma estrela brilhante, um prado de rosas plantadas a perder de vista, um golo da àgua depois de atravessar o deserto. Pronto, no mínimo, meia hora de actividades lúdicas muito interessantes, para as quais estamos instintivamente vocacionados. Uma pessoa não imagina um carreiro de pús amarelo-esverdeado, com cheiro a bacalhau retardado, numa gorda de curvas parecidas com um animal mitológico que apanhou gonorreia mítica. Uma pessoa não imagina um útero descaído até ao joelho, dando a ideia que a senhora escolheu a pós menopausa para mudar de sexo, e agora, meta-me isto para dentro, sr dr...

Já no que toca ao rabo, na prática, a pessoa já sabe para o que vai. Sabe o que esperar.
O rabo não engana. Não promete maravilhas. Promete cócó. E, salvo variações na consistência, raramente desaponta. Claro que temos que estar preparados para as coisas que se podem alojar no rabo, garrafas de plástico, lanternas, vegetais cilíndricos, leitores de mp3... Porquê estes objectos, não sei especificar... mas não são piores de encontrar do que fezes, no exame objectivo. Porque as fezes são tão desagradáveis, e as expectativas partem de tão baixo, o rabo pode ser menos desagradável do que algumas vaginas... Aliás, algumas pessoas até podem querer dar uma pequena gratificação aos desgraçados que as têm que observar.... ''olha o doutor está sempre a falar em comer vegetais, vou levar esta cenoura escondida, para ver se ele encontra o brinde...''...
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Lamento entre dentes

Deu-me vontade de escrever sobre o ambiente que sinto fazer pesar o ar que se respira em Portugal . Todos os dias pela televisão, rádio, jornais, newsfeeds na internet, mas infelizmente, não só. Todas as conversas de café, cochichos com o colega do cubículo do lado, desabafos com o funcionário que está atrás do balcão da repartição cada vez mais kafkiana. O País inteiro resigna-se, entre dentes, impotente. Dizem que a azia cresce, que já se queimaram sofás e mostraram-se rabos em frente ao parlamento.  Os mais esperançosos dizem que isto precisa de uma revolução, de uma vaga de fundo.

A sociologia diz-nos que o ambiente define os seres humanos. Mas nós não precisamos dessa racionalização para saber o que sentir. Os salários baixam, os preços sobem, as pessoas trabalham mais, ou são despedidas. Os pais vêem os filhos sem emprego. Com uma vida à frente deles que se perspectiva pior do que a da geração anterior. Sem trabalho, nem rendimentos para ajudar a família. Aqueles que trabalham, não têm certezas sobre o dia de amanhã. A única certeza que têm é que o esforço que sai do corpo, não é, não pode ser igual, a tão pouco dinheiro ao fim do mês. Mais horas a trabalhar, também significa menos horas a ajudar a família. Quer seja apoiar os seu idosos, ou educar as suas crianças.
Mandam-nos emigrar. Os filhos, o seu maior investimento do seu afecto, do seu tempo, e também do seu dinheiro, saem do país, para procurar trabalho. Quem sabe, fixarem-se noutra terra, construírem outra família, num lugar melhor. Os filhos não vão estar aqui durante a velhice dos pais.
E depois dizem-nos que há dezenas de milhar de idosos a morar sozinhos, e  que este é um flagelo que temos que combater. Nem dá vontade de levantar os braços.

Não é só o dinheiro que mingua. São as relações entre as pessoas que se degradam. É o chefe que quer o seu negócio parecido com uma sweatshop chinesa, é o empregado que pensa, 'por estes tostões, para que é que me hei de dar ao trabalho?', e mede constantemente o trabalho do colega, do conhecido, e se perde numa espiral de crítica, inveja e intriga, que só gera azia e indigestão. Porque o ambiente favorece isso. Para quê ser ambicioso, procurar o mérito? Isso tudo paga impostos. E se não paga, deixa, espera, que eles ainda se vão lembrar.

Podem deixar de estar atentos aos dias de nevoeiro... Não vai haver nenhuma revolução....e vocês sabe-no. Sabem-no.
E sabem o que vai acontecer. É isto: O PSD/CDS vão destruir o estado e baixar salários, até ninguém os aguentar mais, e depois são demitidos, a malta vota toda no PS, que com PDS/CDS ou sem ele, continua a fazer exactamente o mesmo. Com a cassete da troika, dos mercados, da situação internacional, da Carochinha e do João Ratão.
É tão óbvio que nem merece que se fale mais nisso. Se a democracia subitamente começasse a defender os interesses da generalidade da população, em vez dos interesses dos ricos, deixava de ser necessária, e era substituída por um sistema que o fizesse.

Portanto, é comer e calar. E de vez em quando ir a umas manifestações, lembrar aos representantes dos filhos da puta que hoje podemos estar na mó de baixo, mas a História está do nosso lado, e podemos ainda não ter percebido como acabar com à miséria que nos querem impôr, mas os anos vão passando, e a necessidade aguça o engenho.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Good Catholic Fun

Jesus curte a noite -  um novo conceito importado do Brasil - as Cristotecas - que o Pataniscas vem por meio deste post aplaudir e incentivar. Que se espalhem por todo o país!

Há um novo conceito em Fátima, as Cristotecas, mais uma tentativa risível da igreja católica se aproximar dos jovens, de maneira imbecil. As Cristotecas, passam música tecno, efeitos de luzes, fumo e flashes constantes, e tudo acompanhado por imagens de Jesus e Maria em ecrãs grandes. Acho uma ideia genial. Os jovens podem com facilidade consumir psicotrópicos em barda, e quando forem interpelados, dizer simplesmente que estão a em transe religioso, e que Jesus está a falar com eles. E também, que querem ser canonizados, ter uma caixa de esmolas em cada igreja da região, e já agora, uma insenção de impostos. Cheguem-se para lá Pastorinhos de Fátima! Eu vi Jesus, e ele pede mais uma cerveja.  Aleluia!

Já foi encomendado um grande crucifixo de espelhos, para rodar durante o remix do Ave Verum Corpus, e versões trance de outros trechos renascentistas, em canto gregoriano. Os vigários vão começar a ir ao ginásio, e a tomar esteróides, para poderem ser bouncers competentes. Imaginem um Vigário, com mais músculos que o incrível Hulk, de t-shirt preta justinha e sotaque de Viseu, a barrar-vos a entrada por terem decote, ou a vossa saia mostrar mais que o tornozelo!

Na sala VIP vamos encontrar imagens de Bispos a abençoar coros de crianças de terna idade, e representações do muito conhecido milagre de Jesus Cristo, a transformação do trinaranjus em vodka laranja. As Madres Superiores vão abrir a pista, enquanto lançam olhares atrevidos aos Diáconos locais e os convidam a dançar descoordenadamente. Os padres vão estar descontraidamente encostados ao bar a abanar a cabeça ao som da música, enquanto seguram um gin tónico sagrado na mão. Para quem não sabe, - duas partes de água benta gaseificada e uma parte de gin sagrado. Custam 3 pais nossos e meio ave maria, antes da meia noite, por isso cheguem cedo.

Nas casas de banho, as freiras retocam a maquilhagem, e avisam as gajas que tomar a pílula dá direito ao inferno. Há máquinas de preservativos em todas as casas de banho, e quem as usar, será imediatamente condenado à Danação Eterna. Personificada por um Vigário todo inchado a dár-vos uma tareia, e a atirár-vos porta fora!
Pensem nas potencialidades! Todos os encontros carnais originários nas casas de banho das cristotecas, ou ‘’evangelização corpo a corpo’’, como lhes chamam os missionários(!), são automaticamente consideradas concepções imaculadas! Sem pecado!  Abençoadas por crucifixos colocados em cima de todos os urinóis, e uma grande pomba branca no tecto a simbolizar a semente de Deus.

No fim da noite, vamos todos comer um corpo de Deus com chouriço, e um caldo verde a acompanhar. Já têm que fazer na próxima sexta feira à noite?
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Lavagens cerebrais revisitadas (segundo Elaine)


Hoje em dia toda a gente tem uma teoria da conspiração. Já se inventou de tudo. Há pessoas que acreditam que o Papa é um robot travesti, criado por uma raça de alienígenas parecidos com patos. Há uma seita que manda os seus acólitos usarem ceroulas de malha para honrar o deus das tampas de esgoto. E há mesmo aí gente que pensa que o Governo de Portugal é uma cambada de fantoches do estrangeiro, e que anda empenhado em pôr o país todo na miséria...
Mas malucos, há em todo lado.

A minha teoria da conspiração, é que os semáforos lavam o cérebro dos condutores. São colocados propositadamente pelo governo para isso. Melhor, os semáforos de Portugal detectam quem é que só tem porcaria na cabeça, e precisa de uma boa faxina mental, para tirar as teias de aranha do sotão.
Próxima vez que virem uma fila de trânsito, confirmem se não acontece.
O sinal fica vermelho, e, lentamente, sob a influência do semáforo, os condutores que precisam de uma lavagem cerebral, assumem uma expressão típica, que inclui a boca entreaberta e uma expressão vaga de espanto misturado com estupidez.
Depois, sob a influência dos poderosos raios mesmerizantes do semáforo, os condutores começam a lavagem, espetando o dedo indicador no nariz, para tentar alcançar o encéfalo.
Sacar carochas do nariz! É isso que Portugal faz no sinal luminoso! Enquanto está em animação suspensa, com a cassete do tony carreira à flor da consciência, num BMW comprado a leasing, olhando de maneira ausente o horizonte.
Há vários tipos de vítimas:
Temos o casual, com o polegar. Usa blusão Timberland e calças Sacoor e é descontraído. ‘’eu estou só a coçar o nariz, só a coçar, só a coçar, Oi, macaquinho, já está! Lança para longe, que nunca aqui esteve!’’. É assim que o James Bond tira macacos do nariz. Se for apanhado, diz logo que tem é alergias, por isso é que coça o nariz. Está em crescente identificaçao, esta doença da modernidade, a alergia ao macaco do nariz, junto com a fibromialgia ou o sick building sindrome.
Temos também o Mineiro, que sabe que o instrumento rombo que é o indicador humano foi desenhado por Deus para escarafunchar a narina. Geralmente tem franja, a boca entreaberta, e os dentes da frente afastados. Tem olhar manso, mas perdido, e massaja o lobo frontal com o dedo indicador para  facilitar o fluxo de pensamento. Tem alguma coisa de contemplação filosófica, e tenho a certeza que grandes progressos, em graves questões epistemológicas, foram alcançados durante o árduo trabalho do mineiro. Não sei até que ponto não devemos a Crítica da Razão Pura à congestão nasal de Immanuel Kant.
Por fim, temos o Cirurgião. O cirugião é preciso e metódico. O seu dedo mínimo tem anos de experiência a excisar cagaitas. Trabalha de maneira tenaz, com pequenos movimentos basculantes, de olhos semi cerrados, enquanto mordisca a língua. Sabemos que a cirurgia está perto do fim, quando o seu cotovelo sobe, e num movimento brusco, mas exacto, faz a última incisão. Mede-se a experiência do cirurgião, pelo grau de hemorragia que ele tem que lidar no fim da intervenção. Há aí muito cirurgião de 8 anos de idade que desata a chorar e vai a correr para as saias da mãe, com uma lista vermelha na frente da shirt, que ameaça complicar-se para as calças.

E vocês, quando virem alguém nesta marmelada, façam o que eu faço, buzinem ao gajo! Para ver se ele sai do transe, tira o dedo do nariz, vê que a porra do sinal ja está verde, e anda com aquela merda de carro, antes que os gajos do banco o venham buscar, porque ele deixou de pagar as prestações em 2010!
E se por acaso, vocês forem hipnotizados pelo semáforo, não fiquem chateados, aproveitem! É para aproveitar! Eu sei que aproveito! Tirem aqueles macacos que nunca conseguiram tirar! Aqueles chatos, que estão lá atrás, que só se apanha uma pontinha, e um gajo tem que ir lá com a unha, e sacas, e iiiih, até trás sangue agarrado! Eeeeeh! Vocês voltam com a mão ao nariz para ver se sangra e já sentem o sabor a ferro na boca... Esse tipo de macaco é que é para tirar no sinal!

Claro que depois de tirado o macaco, há a questão do que fazer com ele. Várias soluções são populares!
Pode-se colar no volante, sempre um clássico, e divertido se partilharem o carro com outra pessoa que faz o mesmo! Vocês têm de facto de ir à procura de um espaço na parte de trás do volante que ainda não contenha macacos de outros semáforos, de outras pessoas, de outras eras! A vossa selva pessoal! Não contrariem este instinto! Estruturem-no! Organizem os vossos macacos por semáforos! Juntem-nos em aldeias na parte de trás do volante!! ‘’Esta é a aldeia dos restauradores, esta é a da rotunda do relógio, e esta aqui, grandalhona, é do marquês de pombal, que eu agora tenho lá passado em hora de ponta!

A não ser que sejam do sexo feminino. As senhoras não tiram macacos do nariz. Nunca tiraram. E se tirassem, não eram macacos, eram póneis ou unicórnios, cor de rosa, ou com todas as cores do arco íris! Cada senhora tem um filão de unicórnios dentro de cada narina. Unicórnios de ranho seco em quantidades industriais, crostas e crostas de muco, agarradas aos cornetos, num ecossistema que fica imperturbado durante toda uma vida. Prados imensos a perder de vista, onde unicórnios vivem livres e felizes, nos afazeres mitológicos que são permitidos dentro de umas fossas nasais.
As senhoras não tiram macacos do nariz. E quando tiram, põem num lencinho. As senhoras esterilizam todas as funções corporais, através desta invenção: o lencinho. Tosse para o lencinho. Limpa a boca ao lencinho. Assoa-te ao lencinho!
Porra, o que é que aconteceu a um gajo assoar-se aos dedos e limpar às meias? Já ninguém faz? Passou de moda? Sou eu o único?

Mas, mas, digam o que disserem, eu acho que o ser humano está geneticamente programado para transformar os macacos do nariz em pequenas esferas!! Ah, que giro. Pequenas bolinhas. E para as atirar pela janela! Ou tentar…  atirar um macaco pela janela é dificil, porque fica colado ao dedo, e temos que trocar de mão e tentar outra vez. Frustrados, agitamos a mão toda sem sucesso, e por fim dizemos: olha mais um para trás do volante.

Existem pessoas que não admitem que tiram macacos do nariz. Pensam que são melhores do que isso. Pensam que tiram macacos do nariz é coisa de porcalhão. Pois, eu acho que uma versão de vocês com 12 anos, discorda desse ponto de vista. Quando vocês eram miúdos, metade do que vocês punham na boca, vinha do andar de cima. Estavam no recreio e reparavam que a mãe se tinha esquecido de vos mandar o lanche... Era logo, um macaquinho para acalmar a fome. E nos dias em que a mãe se lembrava, vocês comiam um macaquinho na mesma, para acompanhar o leite com chocolate. Por isso deixem-se de puritanismos e não venham com tretas. Aliás, entre as gomas, os bolicaus, as batatas fritas e os trinaranjus, um macaco do nariz era a coisa mais saudável que vocês comiam! O vosso corpo agradecia! Era o mais parecido com um vegetal que vos passou pelo estreito entre os 5 e os 12 anos!

Ps: Obrigado Elaine pela contribuição inestimável na elaboração deste post. O teu contínuo apoio (chamares-me estúpido muitas vezes), é o vento debaixo das minhas asas.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

American Pie - Parte I

Já há muito tempo que ando para escrever este post, e sinceramente aquilo que me tem impedido é sentir-me intimidado pela enormidade da tarefa, pelo medo de não estar à altura do desafio:
- interpretar a canção American Pie, de Don McLean.

Já há anos que obceco com esta canção, já a ouvi dezenas de vezes, já li a letra uma quantidade igual de vezes e ainda assim encontro coisas novas.

Inevitavelmente fiz batota e fui ler coisas à internet e obviamente descobri que já muitas pessoas tinham feito exactamente o mesmo que eu queria fazer, mas melhor. Um dos melhores sites que encontrei é este. É uma análise detalhada e maravilhosa, e o que quer que eu escreva não vai ser de todo original.
Faço-o para me divertir, como a maioria das coisas.

Esta é uma canção de amor à música dos anos 60. É uma trova (e o Don McLean é o trovador) acerca da história da música, usando metáforas para representar as principais personagens, e contar uma epopeia de como a música mudou tanto e tão depressa naqueles anos musicalmente fantásticos.
É inevitavelmente também uma história da América, de como cresceu e perdeu sua inocência do pós-guerra.

A long long time ago
O Narrador, que podemos assumir seja o próprio Don McLean, começa mesmo com o clássico "há muito, muito tempo", reforçando a ideia de que está a contar uma Estória.

I can still remember how
That music used to make me smile
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And maybe they'd be happy for a while

O Narrador relembra nostalgicamente um tempo em que a música o fazia sorrir, em que a música era alegre e as pessoas eram felizes com ela. Há um saudosismo assumido. O Narrador refere-se aos anos '50, que passará a descrever na segunda estrofe.

But February made me shiver
With every paper I'd deliver
Bad news on the doorstep
I couldn't take one more step

Há menção a más notícias que que chegam em Fevereiro, e que afectam profundamente o Narrador. A imagem profundamente americana do jovem a entregar jornais de porta em porta.


I can't remember if I cried
When I read about his widowed bride
But something touched me deep inside
**The day the music died**
So

A noiva enviuvada, acerca de quem o Narrador lê nos jornais que entrega, indica-nos de quem terá sido a morte que tanto o transtorna. Buddy Holly, um dos mais importantes nomes do Rythm n' Blues (o precursor do Rock n' Roll) e figura incontornável da música dos anos '50, morre no dia 3 de Fevereiro de 1959, num acidente de avião no qual viajavam também Ritchie Vallens e o The Big Bopper. Este dia ficaria conhecido na altura e para a posteridade como o Dia Em Que A Música Morreu.


[Chorus]
Bye, bye Miss American Pie
Drove my Chevy to the levee but the levee was dry
Them good ole boys were drinking whiskey in Rye
Singin' this'll be the day that I die
This'll be the day that I die

O Refrão dá-nos informação importante acerca do tema da música. As imagens tipicamente americanas da tarte, do chevrolet, os bons velhos rapazes a beberem à saúde de Buddy Holly e a parafrasearem o título de uma das suas canções "That'll be the day that i die".



Did you write the book of love
And do you have faith in God above
If the Bible tells you so?

Nesta estrofe o Narrador mostra-nos a época dourada da qual se sente tão saudosista: a América dos anos '50. Um lugar cheio de religião e amor, povoado por uma crença quase ingénua em Deus, só porque a Bíblia assim o diz.
Now do you believe in rock and roll?
Can music save your mortal soul?
And can you teach me how to dance real slow?

Nesta América o Rock And Roll surgia como algo em que se podia acreditar com o mesmo fervor, e era ainda algo de puro, capaz de salvar a alma de quem acreditasse. Era uma época das danças lentas, de adolescentes castos e infantis. A linguagem e o simbolismo religioso surgem na canção, não pela última vez.



Well, I know that you're in love with him
Cause I saw you dancin' in the gym
You both kicked off your shoes
Man, I dig those rhythm and blues

Mais imagética Americana dourada dos anos '50. Era um tempo de romances adolescentes, de danças nos ginásios das escolas, onde os dançarinos tinham de dançar de meias para não riscar o pavimento encerado, ao som do Rythm and Blues.


I was a lonely teenage broncin' buck
With a pink carnation and a pickup truck
But I knew I was out of luck
The day the music died
I started singin'
[Chorus]

O Narrador identifica-se a si mesmo como tendo vivido nesses tempos áureos, usando imagens de sexualidade (o cravo rosa e a carrinha pick-up). No entanto sabia que esses símbolos iam deixar de lhe valer no dia em que a música morresse.


Now, for ten years 

Aqui o Narrador coloca-nos muito claramente no ano de 1969 (tendo anteriormente dado a referência de 1959) e é dessa perspectiva que conta o resto da história.

we've been on our own, And moss grows fat on a rolling stone
But, that's not how it used to be
Estamos sozinhos desde a morte dos ícones do Rythm and Blues. Numa brincadeira de palavras com a expressão "o musgo não cresce numa pedra rolante" o Narrador identifica o cantor Bob Dylan, herói popular e discutivelmente o inventor e revolucionador do Folk Rock, música de intervenção do início dos anos '60 e a primeira pedrada no charco de uma música que corria o risco de não evoluir depressa o suficiente. No entanto essa Pedra Rolante fica gorda e o musgo cresce-lhe em cima. Mas nem sempre as coisas foram assim. 


When the jester sang for the king and queen
In a coat he borrowed from James Dean
And a voice that came from you and me

Aqui o "jester" ou o "bobo da corte" identifica Dylan, o Rei não pode ser senão o Rei do Rock and Roll Elvis Presley. A rainha não tinha na altura um equivalente (talvez a Aretha Franklin).
O casaco que Bob Dylan usa é uma referência a um dos seus albuns que propositadamente referencia uma famosa foto de James Dean, e cimenta a imagem de Dylan como um rebelde e um revolucionador que canta com a voz do povo e da sua geração.

Oh and while the king was looking down
The jester stole his thorny crown

The courtroom was adjourned
No verdict was returned
Reforçando a ideia de uma Corte Real da música, o Narrador diz-nos que Bob Dylan roubou a coroa espinhosa da fama a Elvis Presley. Dylan viria a destronar Elvis como impulsionador do Rock, numa verdadeira luta de gerações. Luta essa que não tinha resolução fácil.


And while Lenin read a book on Marx
The quartet practiced in the park
And we sang dirges in the dark
The day the music died
We were singin'
[Chorus]
Num jogo de palavras brilhante, o Narrador diz-nos que o panorama musical e cultural se estava a tornar politicamente complexo. As obras de Karl Marx foram influências importantes na revolução social de Vladimir Lenine. "Lenin" é, interessantemente, homófono de "Lennon", o que reflecte também a crescente politização de John Lennon e a complexificação musical que os Beatles sofreram durante a primeira metade dos anos '60.

Dada a referência de John Lennon, o Quarteto refere-se obviamente aos Beatles, e o Parque será provavelmente Candlestick Park, onde dariam o seu último concerto.
Enquanto tudo isso acontecia, o Narrador e a sua geração, cantavam canções de pesar pelo dia em que a música morrera.



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domingo, 27 de maio de 2012

Coisas Horríveis I

O Avô João é um membro muito querido da Família Sousa. É aquele velhinho rechonchudo, amigável e afável que nas festas de anos dos netos lhes mete uma nota de 20 na mão e diz-lhes que é para irem comprar pastilhas elásticas, piscando-lhes o olho.
É aquele Avô que nas festas bebe sempre um bocadinho demais, ficando com a cara e o nariz vermelho, mas mesmo assim a única coisa que acontece é que ri-se mais alto que o habitual.

A Joana é uma das netas mais velhas, que acabou recentemente a faculdade e conseguiu, apesar da situação, arranjar um emprego estável. A Joana sempre foi uma das netas preferidas, e todos os natais fazia um cartão cheio de corações para o avô, mesmo até ser adolescente. Depois arranjou um namorado, o Pedro. Um rapaz decente que trabalhava na mesma empresa que ela, e começou a levá-lo às festas de Natal da Família, e o Avô João fazia-o sempre sentir-se bem vindo.

Um ano houve dois acontecimentos importantes. Ninguém na família é capaz de dizer ao certo qual aconteceu primeiro, mas toda a gente concorda que foram mais ou menos ao mesmo tempo.

O primeiro foi a Joana e o Pedro anunciarem que se iam casar, e que a Joana estava grávida.
O segundo foi a notícia chocante de que o Avô João tinha cancro testicular.

Ambas as notícias vieram mobilizar a família, que, como sempre, se disponibilizou para dar todo o apoio possível.

A gravidez da Joana acabou por ser seguida no mesmo hospital onde o Avô João foi fazer os seus tratamentos de quimio e radioterapia.

Com o passar dos meses, à medida que a barriga da Joana crescia, também crescia em tamanho o testículo esquerdo do Avô João, cada vez mais ingurgitado com uma massa tumoral de difícil controlo.
Apesar disso o Avô João manteve o seu bom-humor e boa disposição.

Quando a Joana soube pela primeira vez que ia ter uma menina, saiu da sala de ecografia directamente para o Hospital de Dia de Oncologia onde o Avô João estava a fazer a sua sessão de quimioterapia, para que ele fosse o primeiro a saber a notícia.

Mas com o passar do tempo o estado do Avô João inevitavelmente degradou-se, perdeu peso, perdeu o cabelo, perdeu muita da energia jovial que tinha.
Apesar disso a família ainda o conseguiu levar a casa para o Natal da Família, já a Joana estava a semanas de ter o seu parto.

O Avô João manteve-se sentado durante a maior parte do jantar, comeu pouco, perdera o apetite, e não bebeu, mas riu-se para tranquilizar os outros.

Na hora da troca das prendas, depois de todos terem oferecido as lembranças uns aos outros, o Avô João levantou-se solenemente e fez-se silêncio na sala.

"Minha querida neta" começou ele "Não sei se estarei cá quando a tua linda menina nascer, mas queria oferecer-te isto" e retira de detrás das costas um pequeno embrulho colorido.
De forma quase reverente, por sobre um silêncio expectante, o embrulho é passado de mão em mão até Joana, cujos olhos começam a ficar brilhantes de lágrimas.
Abre lentamente o embrulho, e tira de lá o que parece um casaquinho de bébé, tricotado à mão, um pouco tosco, feito de um tecido que ela não consegue identificar de imediato. Sentindo-se um pouco agoniada, observa que parecem fibras duras e encaracoladas, pretas e cinzentas que aparentemente foram duramente trabalhadas para fazerem o tecido que compõe o casaquinho.

"Durante a radioterapia" continuou o Avô João "foi-me caindo o pêlo púbico todo. Então fui recolhendo-o todo. Guardei-o durante meses, à medida que caía. Quando tinha suficiente, aprendi a tricotar com as enfermeiras do hospital.
"Durante meses fui tricotando, e isso ajudava-me a distrair-me das dores e das longas horas na quimioterapia, e mantive sempre em mente a nova vida que viria ao mundo.
"Fiz esse casaquinho para a tua bébé. Assim, bem depois de eu partir, estarei sempre com ela, de certa forma"
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Uma demonstração prática da Teoria do Hedonium

Hoje é dia de Pizza.



Pizza épica, maravilhosa.

Com tanto queijo que devia ser proibido, que quebra não sei quantas leis da física.

Comprei queijo castelinhos, queijo mozzarella, queijo de são jorge, queijo mozarella fresco e queijo feta.

Tenho pepperoni, bacon, tomate, azeitonas, cogumelos, pimentos.

Simultâneamente estou a fazer listas de Warmachine com as quais fazer sujar os kilts de qualquer troll (HA! piadas pessoais num blog público vão certamente tornar-me mais intrigante e popular entre a demografia feminina - pensou ele, ingenuamente).

Os níveis de Hedonium começaram a acumular-se perigosamente.
Eu sentia-o.

As leis da física começaram a tornar-se lentas e esbatidas, a realidade começava a desfiar-se pelas costuras, a lógica e a proporção estava a cair desleixadamente moribundas.



Não querendo provocar o colapso do frágil tecido do espaço-tempo e começando já a cheirar o ozono que vinha da fusão espontânea de átomos de oxigénio à minha volta, provocado pela acumulação de partículas de Hedonium, decidi que devia fazer alguma coisa acerca do assunto.

Então, abri rapidamente o Censos 2011 no site do INE, esperando assim poder contrabalançar o equilíbrio de forças do meu universo pessoal.

Em pouco tempo os meus cabelos deixaram de procurar electrões na humidade atmosférica, e consegui evitar ser esparguetificado por uma miríade de micro buracos-negros que começavam a surgir à minha volta.

QED


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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pensamentos sobre Epidemiologia

Estou a ter um curso de epidemiologia.

Eu devia gostar de epidemiologia.

Gosto de ciência, e a epidemiologia é uma meta-ciência.
É uma ciência que estuda ciência. Procura padrões, sistemas, erros.

Devia ser interessante.

No entanto quando estou a ter aulas de epidemiologia sinto que alguém pôs a minha alma numa prensa e está lentamente a esmagá-la enquanto me falam de reversões lineares qui-quadráticas em testes de wald com valores-p pouco significativos.

Porque, e isto é interessante, a Epidemiologia não devia existir.

E não digo que não deva existir, acho muito bem que exista. Mas é estranho que continue a existir.

Um tema, à medida que sabemos mais acerca dele, à medida que o estudamos, tende a suscitar mais interesse acerca dele mesmo. O interesse que gera é uma medida de sobrevivência da ideia.
Uma ideia mais interessogénica tem mais probabilidade de sobreviver ao longo do tempo do que uma ideia menos interessogénica.

A Epidemiologia é interessolítica.

Não me interpretem mal! Eu acho que a Epidemiologia é de suprema importância, extremamente útil e essencial para o avanço do conhecimento humano.

Mas existe um limiar de interesse que qualquer ideia tem de ultrapassar para se manter viva. E a maioria das ideias tem tendência a aumentar lentamente o seu interesse e assim manter-se acima desse limiar.

A Epidemiologia é das poucas ideias que de facto activamente diminui o seu próprio interesse abaixo do limiar de interesse.
É uma ideia auto-destrutiva.

Daí surpreender-me que continue a existir.

E existem pessoas que gostam!!! Como!?

Mais uma vez, estas pessoas são extremamente inteligentes, determinadas, zelosas do seu trabalho, investidas. Tenho a certeza que se as conhecesse melhor ia descobrir que são pessoas maravilhosas e de todo não tão aborrecidas como imagino que só possam ser.

Mas o problema é que a Epidemiologia É interessante...

Tenho uma relação de amor/tédio-destruidor-da-mente com a Epidemiologia.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Situções Bizarras _parte 1


Existem momentos em que me lembro de ti e de teres dito que Deus te odeia. Recordo-me então de me ter rido e de ter afirmado que Ele nos odeia a todos. Não fosse ter criado os 7 Aneis do Inferno. Não fosse eu acreditar que, se Ele de facto existir, tu e o R. estarão destinados a um anel bem inferior ao meu. Mas agora que começo a juntar as minhas pequenas experiências bizarras que se repentem a uma velocidade e grandeza variáveis, começo a tecer uma nova teoria. Não, Deus não me odeia. Deus, se existir como entidade Omnipotente e Omnipresente, goza comigo. Tem com certeza uma foto minha no seu belo quarto e cada vez que me envia mais uma situação bizarra ri-se que nem um perdido. E porque faz Ele isso? Claramente devido à sua situação solitária e familiar, mas acima de tudo, faz porque pode.

Então num belo dia, Ele levantou-se e reparou na minha foto. Sorriu com o seu ar venenoso e começou a magicar. Nesse dia recebi um telefonema da Direcção do Internato. “ Bom dia Dra C., estou a telefonar-lhe para lhe dar conta dos seus próximos estagios. Ora, nos próximos 3 meses irá fazer Cardiologia em Torres Vedras.” E isto até mete a sua piada, o gajo tem um humor negro desenvolvido. Tem a sua piada porque me mudei de Mafra para Cascais há uma semana. Porque deixei a minha casa que ficava a 1 hora de distancia do meu trabalho em Cascais para uma que fica a 5 minutos; e no proximo mês graças a esta mudança vou ficar a 2 horas do trabalho durante 3 meses (a pagar mais gasolina e portagens). E sabem o que torna isto ainda mais delicioso? Não tenho hipotese de mudar!

Por isso, se Deus existir, espero bem um dia encontrá-lo. Porque toda a situação é desiquilibrada. Ele pode gozar e brincar com a minha vida e eu limito-me a dizer mal d’Ele.

Raios.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Londres

Londres...

Durante muito tempo não compreendia o hard-on colectivo que a maioria das pessoas parece nutrir por Londres.
Para mim sempre foi só mais uma cidade.
Quer dizer, eu compreendia que era uma cidade porreira e tal, mas nunca partilhei do deslumbramento que as pessoas à minha volta pareciam ter.

Fui a Londres.
Percebo o deslumbramento.

Londres é uma cidade com imensa coisa, e sobretudo com imensa história.
É uma cidade com uma alma velha e carregada com o peso de imensos acontecimentos. Cada canto, cada rua tem um significado histórico.
E quando digo histórico não é só antigo.
Oh, claro, há as estátuas e os palácios e as igrejas que são todos mais velhos que cuspir na sopa. Mas estão perfeitamente bem ao lado dos teatros da Broadway e da Abbey Road.

Há toda esta história, e a história pesa sobre a cidade. Os Londrinos têm uma atitude herdada de quem já viu tudo.

Depois há o tempo, que contribui imenso para a cidade.
Houve de facto momentos em que fez sol, mas durante esses momentos a cidade não era ela mesma. Era como se estivesse quase embaraçada por se mostrar ao sol.
Eu odeio chuva e frio e mesmo assim achei que a cidade só era ela mesma quando estava chuva e frio.

Tive oportunidade de passar várias noites num Pub meio perdido em Wembley. Foi giro ver os nativos no seu ambiente selvagem.
Estava lá durante um jogo de futebol (Barcelona-Chelsea) e os ânimos estavam elevados. Foi extremamente interessante.

Estar na Abbey Road, onde os Beatles tiraram a fotografia para a capa do Album foi quase religioso. Havia mais uma data de pessoas lá, todas a tirarem a mesma fotografia. Havia um sentimento partilhado, não expresso por ninguém. Não era preciso, todos os que lá estávamos sabíamos porque é que lá estávamos e compreendíamos o que nos tinha levado lá.

Por outro lado é uma cidade desconjuntada, demasiado grande, demasiado espalhada. A mesma história que lhe pesa e lhe dá carácter, dificulta-lhe a organização.
A maioria das ruas ainda tem uma distribuição quase medieval, tornando difícil a orientação.
A desolação urbana da revolução industrial ainda se nota em alguns lugares, os bairros sociais do início do século, com as suas chaminés características tornam a paisagem agressiva e fria.

É fácil perceber os londrinos, basta olhar para a cidade. Têm tanto com que se sentir orgulhosos como com que se sentir oprimidos.


Compreendo a fascinação pela cidade, mas não a consigo partilhar.
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pensamentos sobre Londres

- Em Londres chove muito

- O Metro de Londres é o melhor em que já estive, e só redobra o meu ódio ao Metro de Lisboa

 - Os Ingleses gostam muito de futebol

 - Comida de Pub é a melhor comida do mundo

 - Londres seria uma cidade fantástica se não chovesse tanto

 - Os arredores de Londres são terrivelmente feios. Quase tão feios como os arredores de Lisboa

 - Comida de Pub torna-se a coisa mais enjoativa do mundo se for comida durante mais do que três dias seguidos

- O Fish and Chips são as pataniscas de bacalhau britânicas.

 - Londres ainda mais do que Paris, transmite a sensação de ser uma cidade muito muito antiga. Não digo isto por ter edifícios antigos, mas pela própria disposição das ruas e da organização da cidade.

 - Londres é demasiado grande para seu próprio bem. Amesterdão, por exemplo, é muito mais visitável.

 - Londres não é um bom lugar para lojas de jogos e wargaming

 - Estou farto de chuva
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