Mas eu sou um snob pretensioso e sei reconhecer snobice pretensiosa quando a ouço e isso são tretas snobs e pretensiosas, portanto calem-se.
When the zombie apocalypse starts, go to the graveyard to play the best game of whack-a-mole ever!
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Guerra dos Livros
Mas eu sou um snob pretensioso e sei reconhecer snobice pretensiosa quando a ouço e isso são tretas snobs e pretensiosas, portanto calem-se.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Dos benefícios inesperados de vestir um pijama horroroso
Fui hoje operado. Não se preocupem as minhas legiões de fãs, estou bem, de tal maneira que estou de perna cruzada na minha cama de hospital a escrever acerca do assunto.
Nota: a melhor maneira de convencerem os enfermeiros e os médicos de que estão bem e que vos devem dar alta é estar de pernas cruzadas na cama durante a visita.
Valorizo sempre imenso qualquer oportunidade de experienciar o Serviço Nacional de Saúde, ou qualquer serviço de saúde, porque é sempre fácil perder a perspectiva das coisas.
Tive uma experiência engraçada, e que não foi partirem ossos dentro da minha cabeça. Foi o seguinte:
Muitas vezes ouço ou leio acerca da despersonalização ou desumanização que acontece dos doentes nos hospitais.
Quando me despi completamente, vesti aquele pijama horroroso de hospital e me sentei numa cadeira de rodas com um saco de soro ao colo e fui arrastado corredor fora, consegui perceber bem essa despersonalização. Estava vulnerabilizado, nem a dignidade de andar pelo meu próprio pé me restava.
Não sabia bem o que dizer à enfermeira, que estava a tentar ser simpática. Senti-me particularmente embaraçado quando entrámos para o elevador apinhado de gente, e a cadeira de rodas em que eu estava ficou numa posição estranha, desconfortável para as outras pessoas. Senti vontade de lhes pedir desculpa.
Mas depois, e porque tenho o benefício da perspectiva, lembrei-me de uma coisa muito importante: eu era subitamente um doente!
Tinha um pijama horroroso e uma cadeira de rodas para prová-lo!
E os doentes ficam imediatamente despersonalizados e desumanizados!
Portanto que é que eu tinha para me preocupar?
A enfermeira não queria que eu lhe dissesse nada de especial. O dia dela ia correr tanto melhor quanto menos comentários e conversa da treta eu fizesse. O melhor que eu lhe podia fazer era ser um doente inexigente, silencioso e cordial.
As pessoas olhavam para mim e ignoravam-me ou, na pior das hipóteses, tinham pena. Eu estava desumanizado, era completamente invisível.
O meu embaraço e ansiedade social desvaneceram-se tão rapidamente como tinham surgido.
Depois drogaram-me e deram-me umas marteladas dentro da cabeça, mas se falarem com as pessoas certas eu provavelmente estava a merecê-las.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Cuecas de Ouro
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Vegetarianismo II
Eu compreendo. A sério que sim. Compreendo mesmo.
Um dia uma pessoa pensa um bocado na vida de uma forma um pouco mais profunda que o habitual, ou lê qualquer coisa um bocadinho mais científica que o costume e tem uma revelação.
Descobre que os seres humanos são criaturas biológicas como as outras todas, percebe que os humanos lá por saberem andar sobre dois pés ou escrever ou masturbarem-se intelectualmente mais do que as galinhas, não são inerentemente melhores. Não tem nenhum valor acrescido verdadeiro. Não são nem mãos nem menos do que qualquer outro animal. Somos todos animais de igual forma e os nossos feitos enquanto humanos não são mais do que meras inevitabilidades biológicas sem mais ou menos valor que uma torre de lama construída por formigas.
Isto é rigorosamente verdade. Não é uma opinião, é um facto científico.
Compreendem de uma forma muito profunda e intensa a que somos todos animais e que é tão monstruoso fazer sofrer um animal quanto seria fazer sofrer uma criança.
Esta é a deixa para todas as tretas empáticas.
Salvem as baleias, não abandonem os animais no Verão, não comam carne, tratem bem os cãezinhos...
E eu compreendo, até concordo em grande medida!
A maioria destas pessoas até esse momento sentiam um vazio nas suas vidas e subitamente têm uma causa pela qual lutar. Tem uma coisa sem ambiguidade moral nenhuma que dê um sentido às suas vidas até então bastante desprovidas de propósito.
Têm um motivo para se sentirem moralmente superiores às outras pessoas, e isso sabe sempre bem.
Eu compreendo. Tenho um gato. Gosto dele. Ele tolera-me.
Mas pensem no seguinte, e vamos dar aqui alguns saltos de lógica, que é para não perder tempo.
O corpo humano é composto sobretudo de hidrogénio, oxigénio, azoto e carbono, muito cálcio, fósforo, potássio e sódio, mais alguns elementos residuais como o ferro e o magnésio, etc, vocês percebem.
O carbono que compõe o nosso código genético, a base de toda a vida como a conhecemos, sem excepções, é mesmo só isso. Carbono.
Ou seja se pegássemos num átomo de carbono do nosso ADN e o puséssemos ao lado de um átomo de carbono vindo de um grão de areia da praia, seriam indistinguíveis.
São exactamente iguais. Tal como todos os outros átomos do nosso corpo. Exactamente iguais.
São as mesmas substâncias, sem tirar nem pôr. Só estão organizadas de uma maneira diferente.
Somos todos elementos químicos organizados de forma peculiar, e os nossos feitos enquanto seres vivos não mais do que meras inevitabilidades físico-quimicas sem mais ou menos valor que uma duna num deserto.
Não somos melhores ou piores que uma pedra, é o que eu estou a dizer.
Isto é rigorosamente verdade. Não é uma opinião, é um facto científico.
E se isto vos faz sentir desvalorizados ou desmotivados e com a sensação de que havia muitas coisas às quais estavam a dar demasiada importância, não se preocupem. Essa é a reacção normal e expectável e até saudável. Nunca é bom ser-se comparado a uma pedra seja em que termos for. Não faz bem ao ego ouvir que não somos nada de especial quando comparados a qualquer sopa química.
Mas não deixa de ser uma discussão interessante, quando é que uma coisa passa a ser vida; se a vida é um fenómeno mecanisticamente inevitável dadas as condições certas que se calhar até nem são assim tão raras quanto isso.
Ainda nem sequer está bem decidido se os vírus estão vivos ou não.
O que acontece é que qualquer razão pela qual se queira argumentar que a vida ou os seres humanos são de qualquer maneira mais valorosos do que a radiação cósmica, será uma razão baseada num sistema de valores inventado por humanos. Curioso.
Mas o verdadeiro ponto é que se estamos a discutir que os humanos não são melhores que areia, os cãezinhos já ficaram muito lá para trás, e a empatia e a moralidade do da questão já ficou irremediavelmente relativizada quase ao ponto do irrelevante.
Mas eu compreendo. A sério que sim. Tenho um gato. Gosto dele. Só que um dia descobri que não sou melhor que uma pedra, e isso retira um bocado a importância a tudo o resto.
domingo, 13 de julho de 2014
Coisas Horríveis II
Sinto que um dos meus momentos coroantes de maior misantropia e crueldade despropositada seria o seguinte:
Um dia hei-de convencer alguém que tenha um casalinho de filhos adoráveis e loirinhos a dar-lhes os nomes "Tenesmo" e "Melena".
sábado, 12 de julho de 2014
American Pie - Parte II
Se ainda não leram a Parte I, devem fazê-lo agora, a não ser que sejam o tipo de pessoas que gosta de ler as coisas fora da ordem prevista, e nesse caso estejam à vontade.
Helter skelter in a summer swelter
The birds flew off with a fallout shelter
Eight miles high and falling fast
A música remete-nos de seguida para as convulsões sociais que mexeram com a América no fim dos anos '60 e a grande desilusão dos anos '70.
"Helter Skelter" é uma expressão anglófona que significa confusão ou desordem, caracterizante dos verões quentes americanos marcados pelo movimento dos direitos civis e estudantis. Não por coincidência, é também uma das músicas mais atípicas dos Beatles, também famosa por ter sido referenciada por Charles Manson a propósito dos seus famosos assassinatos.
Os Byrds lançam em 1966 uma canção chamada Eight Miles High, que fazia referências não só a drogas (high), mas que neste contexto serve mais como referência a uma fuga à queda da esperança que tinha nascido nos anos '60, e que agora cai que nem uma bomba (McLean até o canta com um som de bomba a cair - faaaaaAAAAST)
It landed foul on the grass
The players tried for a forward pass
With the jester on the sidelines in a cast
A mistura de imagens americanas, agora com os desportos, continua um duplo sentido da palavra foul que significa simultâneamente algo grosseiramente ofensivo ou uma falta desportiva quando essa esperança cai no relvado.
Os players, podem ser interpretados como a força política/governamental/policial que tentou combater e controlar os movimentos civis, e levar a sua avante, enquanto que o ex-símbolo desses movimentos, o Bob Dylan, está parado nos camarotes com um gesso.
Now the half-time air was sweet perfume
Durante o intervalo do jogo o ar estava cheio do cheiro adocicado da marijuana a ser fumada
While sergeants played a marching tune
Os Beatles (Sergeant Pepper's), tocavam uma melodia de marcha, de liderança
We all got up to dance
Toda a gente se levantou para dançar e para os seguir
Oh, but we never got the chance
Mas nunca tiveram essa hipótese
Cause the players tried to take the field
Porque as forças políciais tentaram controlar os campus universitários e os espaços de revolução
The marching band refused to yield
Mas ainda assim os Beatles e os movimentos recusaram-se a desistir.
Do you recall what was revealed
The day the music died?
E o narrador urge a que nos lembremos da realidade feia que foi revelada quando a música e o espírito idílico e dourado dos anos cinquenta morreu com Buddy Holly.
We started singin'
[Chorus]
Oh, and there we were all in one place
A generation lost in space
With no time left to start again
McLean, o trovador, remete-nos agora para mais um evento específico que terá sido o culminar da morte do sonho americano e da sua música.
Portanto todos os jovens idealistas das estrofes anteriores estavam num único lugar (provavelmente Altamont devido a referências que vêem a seguir) perdidos nas suas drogas, e tendo já perdido a sua oportunidade.
So come on Jack be nimble, Jack be quick
Jack Flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil's only friend
A música dos Rolling Stones, com um som mais agressivo e letras com um tom niilista e violento começa a ganhar peso. É paradigmática a canção Jumpin' Jack Flash, sobre brincar com o fogo, sendo fácil identificar Mick Jagger como o diabo nesta famosa fotografia dele no seu concerto em Altamont.
And as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage
No angel born in Hell
Could break that Satan's spell
As tensões eram grandes em Altamont, e o gang de motociclistas Hell's Angels tinham sido contratados para serem seguranças no concerto, se bem que fomentaram mais violência do que a que preveniram, tendo até violado mulheres.
O homem de chapéu branco que se vê na fotografia tinha em sua posse uma pistola, que revelou à medida que se aproximava do palco, enquanto Mick Jagger cantava. Foi rapidamente morto por uma facada de um membro dos Hell's Angels. Os Stones não se aperceberam e continuaram a cantar.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite
A imagética satânica e demoníaca, que contrasta com a imagética religiosa do início da canção, atinge assim o seu pico com a figura do sacrifício ritual (o homem de chapéu branco) envolto em chamas.
I saw Satan laughing with delight
The day the music died
Mick Jagger e a sua música personificam assim a antítese da ingenuidade doce da música dos anos '50, e riem-se enquanto esta morre finalmente.
He was singin'
[Chorus]
I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news
But she just smiled and turned away
A música no seu epílogo toma um tom mais triste, com o Narrador a ir procurar os últimos resquícios da música de que gostava.
Encontra uma rapariga que cantava blues, possivelmente Janis Joplin, e pergunta-lhe por boas notícias, mas ela sorri, e morre de uma overdose em 1970.
I went down to the sacred store
Where I'd heard the music years before
But the man there said the music wouldn't play
Retorna a imagética religioso/sagrada, equacionando as lojas de venda de discos a lugares sagrados. Mas, e no seguimento do resto da canção, o narrador descobre que a música já não é tocada.
And in the streets the children screamed
The lovers cried, and the poets dreamed
But not a word was spoken
The church bells all were broken
Apesar da perda da música, a vida continuou como normalmente, com as crianças a gritar e os poetas a sonhar. Mas a morte da música dos anos '50 fez com que o verdadeiro significado, aquele que inicialmente fazia as pessoas sentirem-se felizes e dançar, já não está presente. Os sinos da igreja, eventualmente os artistas originais dessa música, estão todos quebrados pela inexorável marcha do tempo.
And the three men I admire most-
the Father, Son, and the Holy Ghost-
They caught the last train for the coast
The day the music died
O narrador menciona mais uma vez os três grandes nomes da música dos anos '50, Buddy Holly, Ritchie Valens, e Tthe Big Bopper, equacionando-os directamente à Santíssima Trindade do catolicismo e pondo-os definitivamente num pedestal divino. Interessantemente não diz que eles morreram, mas que simplesmente se foram embora, no dia em que a música, o espírito, da idade dourada dos E.U.A. morreu.
And they were singing
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Hipermetropia de Especialista
Escrevia com determinação contrafeita e resignada. Batia nas teclas, exalava impacientemente quando tinha que apagar parte do texto. A indignação escapava-lhe por entre os dentes, juntamente com um liturgia de sílabas, que ficavam marteladas no teclado. Frequentemente reconhecemos que estamos a ser engrupidos e não podemos fazer muito sobre isso.
O rosto dela irradiava de um nariz pequeno, com duas sobrancelhas rasgadas, que sublinhavam rugas horizontais, muito proeminentes. O sobrolho dela fazia lembrar gaivotas em voo coordenado que dançavam de acordo com a excentricidade da situação, impondo respeito com voos cerrados simultâneos com pergunta desconfiadas, cuspidas de maneira seca e impaciente.
E este era o outro lado. O fim do caminho. E agora tinha mais liberdade! Era assistente. Finalmente podia assumir todas as posições que antes calava. Defender convicções, opinar... mas os batráquios regurgitados por alguém ex-impotente, fazem-se acompanhar de bílis suficiente para afogar quase todos os tipos de empatia, que ela podia ter granjeado.
Na hora do café em cochichos cúmplices com o chefe de serviço, confessava que achava os colegas invejosos e subservientes. O chefe de serviço sabia que ela não estava errada... mas apesar dos seus olhos rasgados, das sobrancelhas exponenciais de gavião em voo picado, não conseguia enxergar-se. Hipermetropia de especialista.
Agora eu tinha que a ouvir a descrever uma interacção que ela tinha tido com o chefe, em tom embevecido e sonhador...
Ele tinha-lhe pedido um favor, e ela salientava a própria independência, enquanto tomava a atitude que ela tinha escolhido, de acordo com o que percepcionava que seriam as preferências do chefe. Tapava as lacunas neste raciocínio com ''muita intimidade'', e um suposto ''respeito recíproco'', tipicamente atribuídos a figuras paternais.
Eu concordava efusivamente, colocava dúvidas de acordo com a minha percepção dos gostos dela, e bajulava-lhe os estados de espírito magnânimos. As reverberações da auto congratulação da cadeia de comando terminavam em mim... e como todos os rebentos de estetoscópio e bata branca, eu ficava calado. Apanágio do elo mais fraco. Os internos que tentassem passar este tipo de peneiras para as enfermeiras, tinham hipóteses iguais de ouvirem um elogio sarcástico, ou de apanhar com um escarro no olho.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
domingo, 20 de outubro de 2013
Musica para a alma
terça-feira, 19 de março de 2013
Divagações sobre Peixe
Não!
Peixe!
Sim, peixe, era isso.
É raro as pessoas gostarem de peixe. A maioria das pessoas gosta de carne.
Mas agora que penso nisso, a maioria das pessoas não gosta realmente de carne. A maioria das pessoas gosta de hamburgers do McDonalds e de bifes bem passados, isso não é gostar de carne.
Carne bem passada sabe a sal e a gordura e o hamburger do McDonald's sabe a madeira.
Isto é um bife:
Mas estamos aqui para falar de peixe.
Ora peixe.
A maioria das pessoas prefere a carne ao peixe, e porquê, pergunto eu?
Porque o peixe não sabe a nada!
Vamos fazer aqui um parêntesis e assumir que estamos a falar da maioria das receitas normais que por aí andam. A maioria das pessoas que cozinha carne ou peixe, cozinha-os ao ponto em que deixam de ter sabor, e depois substitui o sabor natural da carne ou do peixe pelos temperos.
Pela minha vida nunca compreenderei porque é que as pessoas cozem carne até ela ficar cinzenta:
Mas peixe.
O peixe, quando cozinhado, sabe a muito pouco, e no geral não tem uma textura lá muito boa.
É ligeiramente esponjoso, molhado e gorduroso.
Não admira que as pessoas não gostem.
Mas toda a gente se sente na obrigação de comer peixe. Porque é Saudável!
E obrigam as crianças a comerem peixe, outra vez porque é Saudável!
Mas o peixe saudável não sabe a nada! Parece esferovite cozida!
E depois nasce toda uma indústria cujo único objectivo é fritar o peixe cozido, de maneira a que as crianças o comam, porque as crianças comem o que quer que seja, se estiver frito.
E os paizinhos ficam todos de consciência tranquila porque os filhos estão a comer peixe, que é Saudável, mesmo que tenha sido coberto em pão, gordura e depois frito.
Mas não foi sempre assim...
Lá muito para trás, quando éramos todos homens das cavernas e pescávamos, sabem o que é que comíamos?
Isto:
Este peixe tem sabor! Este peixe tem textura!
Quando éramos primitivos comíamos o peixe cru! E gostávamos!
Onde é que nos perdemos pelo caminho?
Aposto que houve um padre qualquer que achou que o peixe era demasiado saboroso, e que tínhamos demasiado prazer com o peixe, e então obrigou-nos a cozer o peixe para o tornar "saudável".
Mas não tenham medo, porque podemos recuperar o peixe!
Sushi!
Sim, sushi!
O Peixe Cru deixou de ser uma coisa normal para passar a ser uma iguaria! E é uma iguaria exótica! Vinda do oriente!
No sushi a textura e o sabor do peixe são realçados pelo sabor suave e subtil do arroz, com um toque ligeiramente salgado do molho de soja e o paladar indescritível do wasabi.
>salivação<
E o sushi é uma iguaria tão alienígena! É o que eu imaginaria diplomatas alienígenas a comerem, enquanto discutem planos para invadir a terra!
E não se esqueçam de ovas e caviar.
São, de facto, células reprodutoras de peixe, gâmetas de peixe.
É uma noção tão estranha! Comemos gâmetas de peixe.
Como é que se obtêm gâmetas de peixe?
Há pessoas cuja profissão é arranjar gâmetas de peixe. Que fazem a vida disso.
- Qual é a sua profissão?
- Eu masturbo peixes e depois recolho as suas células reprodutoras para você comer.
E se pensam que ele o faz de maneira aborrecida, com umas luvas de borracha azuis, não...
Ele fá-lo com carinho...
...
That's it, crossed the line, i'm out!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Connect the dots in this scribble
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Cebola de preconceitos
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
(nós somos) O Público
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Rabos vs Vaginas
Eu: ''epa, isso dos partos é nojento, passas os dias com líquido amniótico até às orelhas. E depois as vaginas doentes, todos os dias, não deve ser nada agradável...''
Ela: ''como? como é que isso é pior que um toque rectal? E tirar fecalomas manualmente? e objectos estranhos? O rabo é muito pior do que a vagina!''
Ao que se segue debate acesso e celeuma irresolúvel sobre as várias faces da questão. Incluíndo o busílis. O busílis é aquela parte da questão que fica mais no meio, entre o fulcro e o cerne da questão. Que são duas partes muito importantes, se estivermos a tratar uma questão essencial, como esta é.
Mas esquecendo a epistemologia, que tarda em ser útil, lembrar que, como em tantas àreas disciplinas do conhecimento humano, as expectativas são muito importantes. Quando se imagina uma vagina, uma pessoa imagina uma estrela brilhante, um prado de rosas plantadas a perder de vista, um golo da àgua depois de atravessar o deserto. Pronto, no mínimo, meia hora de actividades lúdicas muito interessantes, para as quais estamos instintivamente vocacionados. Uma pessoa não imagina um carreiro de pús amarelo-esverdeado, com cheiro a bacalhau retardado, numa gorda de curvas parecidas com um animal mitológico que apanhou gonorreia mítica. Uma pessoa não imagina um útero descaído até ao joelho, dando a ideia que a senhora escolheu a pós menopausa para mudar de sexo, e agora, meta-me isto para dentro, sr dr...
Já no que toca ao rabo, na prática, a pessoa já sabe para o que vai. Sabe o que esperar.
O rabo não engana. Não promete maravilhas. Promete cócó. E, salvo variações na consistência, raramente desaponta. Claro que temos que estar preparados para as coisas que se podem alojar no rabo, garrafas de plástico, lanternas, vegetais cilíndricos, leitores de mp3... Porquê estes objectos, não sei especificar... mas não são piores de encontrar do que fezes, no exame objectivo. Porque as fezes são tão desagradáveis, e as expectativas partem de tão baixo, o rabo pode ser menos desagradável do que algumas vaginas... Aliás, algumas pessoas até podem querer dar uma pequena gratificação aos desgraçados que as têm que observar.... ''olha o doutor está sempre a falar em comer vegetais, vou levar esta cenoura escondida, para ver se ele encontra o brinde...''...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Lamento entre dentes
A sociologia diz-nos que o ambiente define os seres humanos. Mas nós não precisamos dessa racionalização para saber o que sentir. Os salários baixam, os preços sobem, as pessoas trabalham mais, ou são despedidas. Os pais vêem os filhos sem emprego. Com uma vida à frente deles que se perspectiva pior do que a da geração anterior. Sem trabalho, nem rendimentos para ajudar a família. Aqueles que trabalham, não têm certezas sobre o dia de amanhã. A única certeza que têm é que o esforço que sai do corpo, não é, não pode ser igual, a tão pouco dinheiro ao fim do mês. Mais horas a trabalhar, também significa menos horas a ajudar a família. Quer seja apoiar os seu idosos, ou educar as suas crianças.
Mandam-nos emigrar. Os filhos, o seu maior investimento do seu afecto, do seu tempo, e também do seu dinheiro, saem do país, para procurar trabalho. Quem sabe, fixarem-se noutra terra, construírem outra família, num lugar melhor. Os filhos não vão estar aqui durante a velhice dos pais.
E depois dizem-nos que há dezenas de milhar de idosos a morar sozinhos, e que este é um flagelo que temos que combater. Nem dá vontade de levantar os braços.
Não é só o dinheiro que mingua. São as relações entre as pessoas que se degradam. É o chefe que quer o seu negócio parecido com uma sweatshop chinesa, é o empregado que pensa, 'por estes tostões, para que é que me hei de dar ao trabalho?', e mede constantemente o trabalho do colega, do conhecido, e se perde numa espiral de crítica, inveja e intriga, que só gera azia e indigestão. Porque o ambiente favorece isso. Para quê ser ambicioso, procurar o mérito? Isso tudo paga impostos. E se não paga, deixa, espera, que eles ainda se vão lembrar.
Podem deixar de estar atentos aos dias de nevoeiro... Não vai haver nenhuma revolução....e vocês sabe-no. Sabem-no.
E sabem o que vai acontecer. É isto: O PSD/CDS vão destruir o estado e baixar salários, até ninguém os aguentar mais, e depois são demitidos, a malta vota toda no PS, que com PDS/CDS ou sem ele, continua a fazer exactamente o mesmo. Com a cassete da troika, dos mercados, da situação internacional, da Carochinha e do João Ratão.
É tão óbvio que nem merece que se fale mais nisso. Se a democracia subitamente começasse a defender os interesses da generalidade da população, em vez dos interesses dos ricos, deixava de ser necessária, e era substituída por um sistema que o fizesse.
Portanto, é comer e calar. E de vez em quando ir a umas manifestações, lembrar aos representantes dos filhos da puta que hoje podemos estar na mó de baixo, mas a História está do nosso lado, e podemos ainda não ter percebido como acabar com à miséria que nos querem impôr, mas os anos vão passando, e a necessidade aguça o engenho.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Good Catholic Fun
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Lavagens cerebrais revisitadas (segundo Elaine)
quinta-feira, 19 de julho de 2012
American Pie - Parte I
Já há muito tempo que ando para escrever este post, e sinceramente aquilo que me tem impedido é sentir-me intimidado pela enormidade da tarefa, pelo medo de não estar à altura do desafio:- interpretar a canção American Pie, de Don McLean.
Já há anos que obceco com esta canção, já a ouvi dezenas de vezes, já li a letra uma quantidade igual de vezes e ainda assim encontro coisas novas.
Inevitavelmente fiz batota e fui ler coisas à internet e obviamente descobri que já muitas pessoas tinham feito exactamente o mesmo que eu queria fazer, mas melhor. Um dos melhores sites que encontrei é este. É uma análise detalhada e maravilhosa, e o que quer que eu escreva não vai ser de todo original.
Faço-o para me divertir, como a maioria das coisas.
Esta é uma canção de amor à música dos anos 60. É uma trova (e o Don McLean é o trovador) acerca da história da música, usando metáforas para representar as principais personagens, e contar uma epopeia de como a música mudou tanto e tão depressa naqueles anos musicalmente fantásticos.
É inevitavelmente também uma história da América, de como cresceu e perdeu sua inocência do pós-guerra.
A long long time ago
O Narrador, que podemos assumir seja o próprio Don McLean, começa mesmo com o clássico "há muito, muito tempo", reforçando a ideia de que está a contar uma Estória.
I can still remember how
That music used to make me smile
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And maybe they'd be happy for a while
O Narrador relembra nostalgicamente um tempo em que a música o fazia sorrir, em que a música era alegre e as pessoas eram felizes com ela. Há um saudosismo assumido. O Narrador refere-se aos anos '50, que passará a descrever na segunda estrofe.
But February made me shiver
With every paper I'd deliver
Bad news on the doorstep
I couldn't take one more step
Há menção a más notícias que que chegam em Fevereiro, e que afectam profundamente o Narrador. A imagem profundamente americana do jovem a entregar jornais de porta em porta.
When I read about his widowed bride
But something touched me deep inside
**The day the music died**
So
A noiva enviuvada, acerca de quem o Narrador lê nos jornais que entrega, indica-nos de quem terá sido a morte que tanto o transtorna. Buddy Holly, um dos mais importantes nomes do Rythm n' Blues (o precursor do Rock n' Roll) e figura incontornável da música dos anos '50, morre no dia 3 de Fevereiro de 1959, num acidente de avião no qual viajavam também Ritchie Vallens e o The Big Bopper. Este dia ficaria conhecido na altura e para a posteridade como o Dia Em Que A Música Morreu.
[Chorus]
Bye, bye Miss American Pie
Drove my Chevy to the levee but the levee was dry
Them good ole boys were drinking whiskey in Rye
Singin' this'll be the day that I die
This'll be the day that I die
O Refrão dá-nos informação importante acerca do tema da música. As imagens tipicamente americanas da tarte, do chevrolet, os bons velhos rapazes a beberem à saúde de Buddy Holly e a parafrasearem o título de uma das suas canções "That'll be the day that i die".
And do you have faith in God above
If the Bible tells you so?
Nesta estrofe o Narrador mostra-nos a época dourada da qual se sente tão saudosista: a América dos anos '50. Um lugar cheio de religião e amor, povoado por uma crença quase ingénua em Deus, só porque a Bíblia assim o diz.
Now do you believe in rock and roll?
Can music save your mortal soul?
And can you teach me how to dance real slow?
Nesta América o Rock And Roll surgia como algo em que se podia acreditar com o mesmo fervor, e era ainda algo de puro, capaz de salvar a alma de quem acreditasse. Era uma época das danças lentas, de adolescentes castos e infantis. A linguagem e o simbolismo religioso surgem na canção, não pela última vez.
Cause I saw you dancin' in the gym
You both kicked off your shoes
Man, I dig those rhythm and blues
Mais imagética Americana dourada dos anos '50. Era um tempo de romances adolescentes, de danças nos ginásios das escolas, onde os dançarinos tinham de dançar de meias para não riscar o pavimento encerado, ao som do Rythm and Blues.
With a pink carnation and a pickup truck
But I knew I was out of luck
The day the music died
I started singin'[Chorus]
O Narrador identifica-se a si mesmo como tendo vivido nesses tempos áureos, usando imagens de sexualidade (o cravo rosa e a carrinha pick-up). No entanto sabia que esses símbolos iam deixar de lhe valer no dia em que a música morresse.
Now, for ten years
Aqui o Narrador coloca-nos muito claramente no ano de 1969 (tendo anteriormente dado a referência de 1959) e é dessa perspectiva que conta o resto da história.
Estamos sozinhos desde a morte dos ícones do Rythm and Blues. Numa brincadeira de palavras com a expressão "o musgo não cresce numa pedra rolante" o Narrador identifica o cantor Bob Dylan, herói popular e discutivelmente o inventor e revolucionador do Folk Rock, música de intervenção do início dos anos '60 e a primeira pedrada no charco de uma música que corria o risco de não evoluir depressa o suficiente. No entanto essa Pedra Rolante fica gorda e o musgo cresce-lhe em cima. Mas nem sempre as coisas foram assim.
In a coat he borrowed from James Dean
And a voice that came from you and me
Aqui o "jester" ou o "bobo da corte" identifica Dylan, o Rei não pode ser senão o Rei do Rock and Roll Elvis Presley. A rainha não tinha na altura um equivalente (talvez a Aretha Franklin).
O casaco que Bob Dylan usa é uma referência a um dos seus albuns que propositadamente referencia uma famosa foto de James Dean, e cimenta a imagem de Dylan como um rebelde e um revolucionador que canta com a voz do povo e da sua geração.
Oh and while the king was looking down
The jester stole his thorny crown
The courtroom was adjourned
No verdict was returned
Reforçando a ideia de uma Corte Real da música, o Narrador diz-nos que Bob Dylan roubou a coroa espinhosa da fama a Elvis Presley. Dylan viria a destronar Elvis como impulsionador do Rock, numa verdadeira luta de gerações. Luta essa que não tinha resolução fácil.
The quartet practiced in the park
And we sang dirges in the dark
The day the music died
We were singin'[Chorus]
Num jogo de palavras brilhante, o Narrador diz-nos que o panorama musical e cultural se estava a tornar politicamente complexo. As obras de Karl Marx foram influências importantes na revolução social de Vladimir Lenine. "Lenin" é, interessantemente, homófono de "Lennon", o que reflecte também a crescente politização de John Lennon e a complexificação musical que os Beatles sofreram durante a primeira metade dos anos '60.

