Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

domingo, 10 de agosto de 2014

Animus Vox - The Glitch Mob

E desta forma o Pataniscas Satânicas se torna num blog de música.

Cheguei a estes gajos, os Glitch Mob, começando na banda sonora do Blade Runner, para a banda sonora do Deus Ex, para a banda sonora do Tron, para a banda sonora do Portal 2.



E já agora, porque descobri que era possível fazer isto, uma playlist de música Cyberpunk.

Read More »

sábado, 9 de agosto de 2014

MCU & comentários ao Guardians of the Galaxy



Sou fã de bandas-desenhadas. 
Dois dos melhores livros que já li na minha vida são banda desenhada (Watchmen e The Sandman, para quem está a contar), e tenho dificuldade em ver filmes dos X-Men porque eles mudam pequeninos pormenores acerca das personagens e da continuidade para facilitar a escrita dos screenplays.

Da mesma forma sou um grande fã dos filmes da Marvel, geralmente chamados de Marvel Cinematic Universe (MCU), que apresentam de uma forma global estas pequenas alterações e desvios do material original. Estes filmes são de uma forma geral muito bem feitos, consistentemente divertidos e com personagens fortes.
Não são filmes com profundos significados ou devaneios estilísticos revolucionários, não são obras de arte da produção cinematográfica, mas daqui a 20 ou 30 anos vamos ter uma geração cujas bases cinematográficas serão fortemente baseadas nos filmes da MCU da mesma maneira que gerações anteriores foram influenciadas pelo Star Wars, pelo Indiana Jones ou o Back to the Future.
E isso é uma coisa boa, porque estes filmes são muito bons.

Mas a Disney/Marvel está a fazer uma coisa especial, que nunca foi feita antes na história do cinema: está a construir o maior e mais complexo universo cinemático/televisivo desde sempre.

O MCU já conta com 17 títulos entre filmes, curtas metragens e uma série televisiva, e estão planeados mais 13 filmes até 2019. Todos estes filmes tomam lugar dentro do mesmo universo, com as personagens de uns a aparecerem nos filmes dos outros, com os eventos de uns a condicionarem os eventos dos outros, com as narrativas todas de alguma forma interrelacionadas.

Uma nota aparte só para dizer que o grande obstáculo a que isto seja ainda maior é o facto de que muitas das personagens do universo da banda desenhada pertencem a produtoras difrentes, o que dificulta a integração das narrativas.

Até a série televisiva Agents of Shield, com 22 episódios, tem a sua narrativa intimamente ligada aos eventos dos filmes que vão sendo lentamente estreados no cinema. Mas o Agents of Shield merece um post só para falar da série, e não é este.

Todo este universo cinemático, que vai buscar alguns dos melhores aspectos das bandas-desenhadas, está lentamente a crescer, a evoluir. Os primeiros filmes eram mais fraquinhos, mas não podiam deixar de o ser. Serviram apenas para construir as bases do que viria a seguir, para introduzir personagens que vão crescer e para nos apresentar uma narrativa que está consistemente e inexoravelmente a ganhar velocidade, ritmo e a avançar para eventos que parecem vir a ser climáticos.

O Guardians of the Galaxy é só mais um destes filmes.

Comentários ao Guardians of the Galaxy:

- a história começa demasiado depressa, temos pouco tempo para nos habituarmos às personagens, muitas das quais, sobretudo o vilão, têm motivações quase inexistentes.

- apesar disso é uma história sólida, com um ritmo fantástico, muito muito divertida e satisfatória

- as personagens centrais são fabulosamente divertidas e interessantes, e apesar de serem quase completamente desconhecidas, tornam-se imediatamente gostáveis

- os diálogos são cómicos, estranhos e invulgares para este tipo de filme, 

- tem algum do melhor CGI que eu já vi no cinema, o filme é visualmente lindo e impressionante

- a banda sonora é fantástica e ajuda a tornar familiar um filme em que quase todos os elementos são bizarros/desconhecidos

- foi realizado pelo James Gunn, que já há anos anda a realizar coisas associadas à Troma e filmes estranhos de super-heróis, e isso nota-se


Vão ver o filme, é bom.

Read More »

terça-feira, 5 de agosto de 2014

E agora para qualquer coisa completamente diferente - Hip Hop Introvertido

Read More »

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Guerra dos Livros

Há uma guerra a acontecer de que provavelmente não se aperceberam, e é uma coisa razoavelmente grande, e com consequências razoavelmente importantes.

Nada de realmente importante dadas outras questões mais importantes, mas ninguém vem a este blog para questões importantes.
Ninguém vem a este blog [ponto final]

Estou a falar do conflito entre a Amazon e a Hachette.

VS

Provavelmente já ouviram falar da Amazon, gigante das vendas online, mas provavelmente nunca ouviram falar da Hachette, uma das cinco maiores editoras dos EUA, pertencente à maior editora francesa que é a terceira maior editora do mundo, que detém os direitos de livros de autores como Stephen Colbert, Emiliy Dickinson, Christopher Hitchens, Martin Luther King, Nelson Mandela, Stephenie Meyer, J.D. Salinger e Nicholas Sparks.

O que é que acontece, então?

Acontece que os e-books são o futuro.

Sim, sim, eu sei, vocês gostam de mexer nas páginas e ter o livro nas mãos e gostam do cheiro do papel, e essa snobice pretensiosa toda.
Não estou a dizer que estão enganados, essas coisas são de facto agradáveis.
Mas eu sou um snob pretensioso e sei reconhecer snobice pretensiosa quando a ouço e isso são tretas snobs e pretensiosas, portanto calem-se.

Os e-books são o futuro. E a Amazon vende muitos e-books.

E, ao que parece, é muito muito fácil vender produtos digitais online. Basta ter um único ficheiro de meia dúzia de kilobytes guardado num servidor qualquer, as pessoas transferem uma quantidade relativamente enorme de dinheiro e podem fazer download do ficheiro.
Sem custos de impressão, de transporte, nada. Depois de comprar o direito de vender o livro, tudo o resto é quase 100% lucro.

Outra vantagem muito grande de ter uma plataforma online de venda de produtos digitais, é que é muito muito fácil brincar com preços e promoções e saldos. Basta ir à base de dados e alterar os preços. Tão simples como isso.
Isso permite uma grande flexibilidade e um grande poder de manipulação do mercado, permite adaptar com grande fineza os preços às procuras dos compradores.
Tem funcionado ás mil maravilhas para a Steam, por exemplo.

O problema foi que a Hachette não achou piada que a Amazon andasse a brincar assim com os preços dos seus livros. Exigiram mais controlo sobre os preços. Provavelmente exigiram uma maior percentagem dos lucros.
Imagino que a conversa tenha corrido mais ou menos assim:

Hachette - vocês não podem mexer assim nos preços dos nossos livros!
Amazon - claro que podemos! somos a Amazon, fazemos o que quisermos! voltem para as vossas prensas móveis, imprimir bíblias do Gutenberg, enquanto nós definimos o futuro.
Hachette - ai é? olhem que se não fizerem o que mandamos, não vos deixamos mais vender os nossos livros!
Amazon - ok, vamos deixar de vender os vossos livros.
Hachette - óptimo! Isso - não! esperem, o quê?

E não foi só tornarem indisponíveis para venda livros da Hachette, porque a Amazon percebe como as pessoas na internet funcionam. A amazon tornou mais lenta a expedição de livros da Hachette, tirou o botão de pré-venda dos livros da Hachette. Basicamente começou a irritar os compradores.

Perderam dinheiro, mas a Hachette perdeu ainda mais.

Outro grupo de pessoas que ficou irritado foram os autores. Aquelas pessoas que precisam que os seus livros sejam vendidos para comerem ao fim do mês.

Até o Neil Gaiman veio dizer umas coisas muito poéticas e profundas acerca de como os livros são sagrados e não devem servir de arma de arremesso numa batalha económica entre duas superpotências das vendas de livros.

Foi aí que a Amazon deu o seu golpe de génio.

A Amazon fez a seguinte proposta: enquanto durasse esta disputa legal entre a Amazon e a Hachette, os autores da Hachette receberiam 100% dos lucros da venda dos seus livros.

KA-BLAM!!!

A Amazon acabou de oferecer aos autores mais lucro do que alguma vez eles tiveram com a Hachette.
Obviamente alguns autores não gostaram, vieram dizer que não querem ser usados na guerra, mas isso é inconsequente. 
Alguns autores, muitos, provavelmente, vão aceitar. Porque dinheiro.
E vão passar a escrever directamente para a Amazon, cortando um intermediário, que lhes vai dar mais dinheiro do que eles recebiam antes, o que os vai motivar a escrever mais livros.
E isso é bom.

A não ser é claro que a Amazon consiga um monopólio da venda de livros, e os monopólios nunca são coisas agradáveis, mas isso, mais uma vez, também é provavelmente inevitável.
Read More »

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dos benefícios inesperados de vestir um pijama horroroso

Fui hoje operado. Não se preocupem as minhas legiões de fãs, estou bem, de tal maneira que estou de perna cruzada na minha cama de hospital a escrever acerca do assunto.

Nota: a melhor maneira de convencerem os enfermeiros e os médicos de que estão bem e que vos devem dar alta é estar de pernas cruzadas na cama durante a visita.

Valorizo sempre imenso qualquer oportunidade de experienciar o Serviço Nacional de Saúde, ou qualquer serviço de saúde, porque é sempre fácil perder a perspectiva das coisas.

Tive uma experiência engraçada, e que não foi partirem ossos dentro da minha cabeça. Foi o seguinte:

Muitas vezes ouço ou leio acerca da despersonalização ou desumanização que acontece dos doentes nos hospitais.
Quando me despi completamente, vesti aquele pijama horroroso de hospital e me sentei numa cadeira de rodas com um saco de soro ao colo e fui arrastado corredor fora, consegui perceber bem essa despersonalização. Estava vulnerabilizado, nem a dignidade de andar pelo meu próprio pé me restava.

Não sabia bem o que dizer à enfermeira, que estava a tentar ser simpática. Senti-me particularmente embaraçado quando entrámos para o elevador apinhado de gente, e a cadeira de rodas em que eu estava ficou numa posição estranha, desconfortável para as outras pessoas. Senti vontade de lhes pedir desculpa.

Mas depois, e porque tenho o benefício da perspectiva, lembrei-me de uma coisa muito importante: eu era subitamente um doente!
Tinha um pijama horroroso e uma cadeira de rodas para prová-lo!
E os doentes ficam imediatamente despersonalizados e desumanizados!
Portanto que é que eu tinha para me preocupar?
A enfermeira não queria que eu lhe dissesse nada de especial. O dia dela ia correr tanto melhor quanto menos comentários e conversa da treta eu fizesse. O melhor que eu lhe podia fazer era ser um doente inexigente, silencioso e cordial.
As pessoas olhavam para mim e ignoravam-me ou, na pior das hipóteses, tinham pena. Eu estava desumanizado, era completamente invisível.

O meu embaraço e ansiedade social  desvaneceram-se tão rapidamente como tinham surgido.

Depois drogaram-me e deram-me umas marteladas dentro da cabeça, mas se falarem com as pessoas certas eu provavelmente estava a merecê-las.

Read More »

terça-feira, 22 de julho de 2014

Cuecas de Ouro

Em condições estranhamente específicas, um dia num café, fiz uma afirmação igualmente específica e estranha que era muito tola mas que também exemplificava de alguma forma a maneira fútil como os recursos são usados. 
Mas sobretudo tola.

A afirmação era a seguinte:

O Orçamento de Defesa dos EUA é grande o suficiente para pagar uma Missão a Marte, Resolver o Problema da Fome no Mundo, e ainda restava o suficiente para dar umas Cuecas de Ouro a todas as pessoas do planeta.

Não ofereço nenhuma justificação que me possa redimir.

Portanto...
- Aparentemente, o custo de uma Missão a Marte, varia entre 6 e 30 biliões de dólares (30x10^9)
- Aparentemente, o custo de resolver o Problema da Fome no Mundo, é de aproximadamente 30 a 70 biliões de dólares (por ano) (70x10^9)
- O orçamento de defesa dos EUA em 2012 foi de 729 biliões de dólares (729x10^9)

Calcular quanto custa um Par de Cuecas de Ouro é ligeiramente mais complicado.
Obviamente que já houve pessoas que fizeram roupa interior feita de ouro, mas eu acho que mais valia pegar em todas as pessoas pobres do mundo e simplesmente cagar-lhes em cima.

Mas não, nós não queremos roupa interior feita de ouro desenhada por um estilista qualquer. 
Bastam-nos umas simples cuecas feitas de ouro sólido.
Para o efeito vou considerar cuecas de algodão, em que apenas o algodão é substituído por ouro. Os elásticos ou outras substâncias não são substituídas por ouro. Vou fazer as contas por cima porque a maioria das fontes que encontrei foram para cuecas de mulheres.

- Um par de cuecas necessita entre 0,5 yards a 1 yard de tecido (para tamanhos maiores). Vamos arredondar para 0,75yd de tecido

- 1 pound de algodão dá para 3 a 4,5 yards de tecido, dependendo da qualidade do algodão. Vamos assumir um algodão de qualidade média e dizer que 1 pound = 3,75 yards. 
O que nos diz que um par de cuecas leva 0,2 pounds de algodão, ou seja, aproximadamente 90g de algodão.
Temos de ver a que volume de ouro isto corresponde (porque para fazer cuecas precisamos é de volume de ouro e não peso de ouro)

- a densidade do algodão é de 1.540 g/cm^3, portanto um par de cuecas leva 138cm^3 de algodão

- a densidade do ouro é de 19.650 g/cm^3, portanto um par de cuecas leva 2711g de ouro. (um par de cuecas que pesa dois quilos e setecentos!)

- O ouro vale, no momento da escrita deste post, 1307,2,4 dólares por oz, o que faz com que um par de cuecas de ouro custe 124 968 dólares.

- Existem 7,177 biliões de pessoas no planeta, portanto 7,177x10^9 pessoas
Portanto... fazendo as contas por cima: 124968 x 7,177x10^9 = 897 x 10^12
Ou seja, umas cuecas de ouro para cada pessoa no planeta custaria 897 triliões de dólares.
É assim falsa a minha proposta original de que o Orçamento da Defesa dos EUA seria suficiente para pagar uma Missão a Marte E Resolver o Problema da Fome no Mundo E dar umas Cuecas de Ouro a toda a gente no planeta.

Infelizmente o Orçamento de Defesa dos EUA durante 1 Ano serviria apenas para pagar uma Missão a Marte E Resolver o Problema da Fome no Mundo E dar cerca de 5 milhões de Cuecas de Ouro às pessoas do mundo.

Que, quanto a mim, é um número vergonhosamente baixo de pessoas cuja roupa interior é feita de ouro sólido.


Read More »

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Vegetarianismo II

Eu compreendo. A sério que sim. Compreendo mesmo.

Um dia uma pessoa pensa um bocado na vida de uma forma um pouco mais profunda que o habitual, ou lê qualquer coisa um bocadinho mais científica que o costume e tem uma revelação.

Descobre que os seres humanos são criaturas biológicas como as outras todas, percebe que os humanos lá por saberem andar sobre dois pés ou escrever ou masturbarem-se intelectualmente mais do que as galinhas, não são inerentemente melhores. Não tem nenhum valor acrescido verdadeiro. Não são nem mãos nem menos do que qualquer outro animal. Somos todos animais de igual forma e os nossos feitos enquanto humanos não são mais do que meras inevitabilidades biológicas sem mais ou menos valor que uma torre de lama construída por formigas.
Isto é rigorosamente verdade. Não é uma opinião, é um facto científico.
Compreendem de uma forma muito profunda e intensa a que somos todos animais e que é tão monstruoso fazer sofrer um animal quanto seria fazer sofrer uma criança.

Esta é a deixa para todas as tretas empáticas.
Salvem as baleias, não abandonem os animais no Verão, não comam carne, tratem bem os cãezinhos...
E eu compreendo, até concordo em grande medida!
A maioria destas pessoas até esse momento sentiam um vazio nas suas vidas e subitamente têm uma causa pela qual lutar. Tem uma coisa sem ambiguidade moral nenhuma que dê um sentido às suas vidas até então bastante desprovidas de propósito.
Têm um motivo para se sentirem moralmente superiores às outras pessoas, e isso sabe sempre bem.

Eu compreendo. Tenho um gato. Gosto dele. Ele tolera-me.

Mas pensem no seguinte, e vamos dar aqui alguns saltos de lógica, que é para não perder tempo.
O corpo humano é composto sobretudo de hidrogénio, oxigénio, azoto e carbono, muito cálcio, fósforo, potássio e sódio, mais alguns elementos residuais como o ferro e o magnésio, etc, vocês percebem.
O carbono que compõe o nosso código genético, a base de toda a vida como a conhecemos, sem excepções, é mesmo só isso. Carbono.

Ou seja se pegássemos num átomo de carbono do nosso ADN e o puséssemos ao lado de um átomo de carbono vindo de um grão de areia da praia, seriam indistinguíveis.
São exactamente iguais. Tal como todos os outros átomos do nosso corpo. Exactamente iguais.
São as mesmas substâncias, sem tirar nem pôr. Só estão organizadas de uma maneira diferente.

Somos todos elementos químicos organizados de forma peculiar, e os nossos feitos enquanto seres vivos não mais do que meras inevitabilidades físico-quimicas sem mais ou menos valor que uma duna num deserto.
Não somos melhores ou piores que uma pedra, é o que eu estou a dizer.
Isto é rigorosamente verdade. Não é uma opinião, é um facto científico.

E se isto vos faz sentir desvalorizados ou desmotivados e com a sensação de que havia muitas coisas às quais estavam a dar demasiada importância, não se preocupem. Essa é a reacção normal e expectável e até saudável. Nunca é bom ser-se comparado a uma pedra seja em que termos for. Não faz bem ao ego ouvir que não somos nada de especial quando comparados a qualquer sopa química.

Mas não deixa de ser uma discussão interessante, quando é que uma coisa passa a ser vida; se a vida é um fenómeno mecanisticamente inevitável dadas as condições certas que se calhar até nem são assim tão raras quanto isso.
Ainda nem sequer está bem decidido se os vírus estão vivos ou não.
O que acontece é que qualquer razão pela qual se queira argumentar que a vida ou os seres humanos são de qualquer maneira mais valorosos do que a radiação cósmica, será uma razão baseada num sistema de valores inventado por humanos. Curioso.

Mas o verdadeiro ponto é que se estamos a discutir que os humanos não são melhores que areia, os cãezinhos já ficaram muito lá para trás, e a empatia e a moralidade do da questão já ficou irremediavelmente relativizada quase ao ponto do irrelevante.

Mas eu compreendo. A sério que sim. Tenho um gato. Gosto dele. Só que um dia descobri que não sou melhor que uma pedra, e isso retira um bocado a importância a tudo o resto.

Read More »

domingo, 13 de julho de 2014

Coisas Horríveis II

Sinto que um dos meus momentos coroantes de maior misantropia e crueldade despropositada seria o seguinte:

Um dia hei-de convencer alguém que tenha um casalinho de filhos adoráveis e loirinhos a dar-lhes os nomes "Tenesmo" e "Melena".

Read More »

sábado, 12 de julho de 2014

American Pie - Parte II

Continuando a minha interpretação pessoal, que não é definitivamente over-reading porque o texto suporta as interpretações e que não é uma interpretação dogmática como a que as professoras de português faziam do Gil Vicente >glares<

Se ainda não leram a Parte I, devem fazê-lo agora, a não ser que sejam o tipo de pessoas que gosta de ler as coisas fora da ordem prevista, e nesse caso estejam à vontade.




Helter skelter in a summer swelter
The birds flew off with a fallout shelter
Eight miles high and falling fast

A música remete-nos de seguida para as convulsões sociais que mexeram com a América no fim dos anos '60 e a grande desilusão dos anos '70.
"Helter Skelter" é uma expressão anglófona que significa confusão ou desordem, caracterizante dos verões quentes americanos marcados pelo movimento dos direitos civis e estudantis. Não por coincidência, é também uma das músicas mais atípicas dos Beatles, também famosa por ter sido referenciada por Charles Manson a propósito dos seus famosos assassinatos.
Os Byrds lançam em 1966 uma canção chamada Eight Miles High, que fazia referências não só a drogas (high), mas que neste contexto serve mais como referência a uma fuga à queda da esperança que tinha nascido nos anos '60, e que agora cai que nem uma bomba (McLean até o canta com um som de bomba a cair - faaaaaAAAAST)
It landed foul on the grass
The players tried for a forward pass
With the jester on the sidelines in a cast

A mistura de imagens americanas, agora com os desportos, continua um duplo sentido da palavra foul que significa simultâneamente algo grosseiramente ofensivo ou uma falta desportiva quando essa esperança cai no relvado.
Os players, podem ser interpretados como a força política/governamental/policial que tentou combater e controlar os movimentos civis, e levar a sua avante, enquanto que o ex-símbolo desses movimentos, o Bob Dylan, está parado nos camarotes com um gesso.
Now the half-time air was sweet perfume
Durante o intervalo do jogo o ar estava cheio do cheiro adocicado da marijuana a ser fumada
While sergeants played a marching tune 
Os Beatles (Sergeant Pepper's), tocavam uma melodia de marcha, de liderança
We all got up to dance

Toda a gente se levantou para dançar e para os seguir
Oh, but we never got the chance

Mas nunca tiveram essa hipótese
Cause the players tried to take the field

Porque as forças políciais tentaram controlar os campus universitários e os espaços de revolução
The marching band refused to yield
Mas ainda assim os Beatles e os movimentos recusaram-se a desistir.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

E o narrador urge a que nos lembremos da realidade feia que foi revelada quando a música e o espírito idílico e dourado dos anos cinquenta morreu com Buddy Holly.
We started singin'
[Chorus]



Oh, and there we were all in one place
A generation lost in space
With no time left to start again

McLean, o trovador, remete-nos agora para mais um evento específico que terá sido o culminar da morte do sonho americano e da sua música.
Portanto todos os jovens idealistas das estrofes anteriores estavam num único lugar (provavelmente Altamont devido a referências que vêem a seguir) perdidos nas suas drogas, e tendo já perdido a sua oportunidade.
So come on Jack be nimble, Jack be quick
Jack Flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil's only friend

A música dos Rolling Stones, com um som mais agressivo e letras com um tom niilista e violento começa a ganhar peso. É paradigmática a canção Jumpin' Jack Flash, sobre brincar com o fogo, sendo fácil identificar Mick Jagger como o diabo nesta famosa fotografia dele no seu concerto em Altamont.

And as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage
No angel born in Hell
Could break that Satan's spell

As tensões eram grandes em Altamont, e o gang de motociclistas Hell's Angels tinham sido contratados para serem seguranças no concerto, se bem que fomentaram mais violência do que a que preveniram, tendo até violado mulheres.
O homem de chapéu branco que se vê na fotografia tinha em sua posse uma pistola, que revelou à medida que se aproximava do palco, enquanto Mick Jagger cantava. Foi rapidamente morto por uma facada de um membro dos Hell's Angels. Os Stones não se aperceberam e continuaram a cantar.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite

A imagética satânica e demoníaca, que contrasta com a imagética religiosa do início da canção, atinge assim o seu pico com a figura do sacrifício ritual (o homem de chapéu branco) envolto em chamas.
I saw Satan laughing with delight
The day the music died

Mick Jagger e a sua música personificam assim a antítese da ingenuidade doce da música dos anos '50, e riem-se enquanto esta morre finalmente.
He was singin'
[Chorus]


I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news
But she just smiled and turned away

A música no seu epílogo toma um tom mais triste, com o Narrador a ir procurar os últimos resquícios da música de que gostava.
Encontra uma rapariga que cantava blues, possivelmente Janis Joplin, e pergunta-lhe por boas notícias, mas ela sorri, e morre de uma overdose em 1970.
I went down to the sacred store
Where I'd heard the music years before
But the man there said the music wouldn't play

Retorna a imagética religioso/sagrada, equacionando as lojas de venda de discos a lugares sagrados. Mas, e no seguimento do resto da canção, o narrador descobre que a música já não é tocada.
And in the streets the children screamed
The lovers cried, and the poets dreamed
But not a word was spoken
The church bells all were broken

Apesar da perda da música, a vida continuou como normalmente, com as crianças a gritar e os poetas a sonhar. Mas a morte da música dos anos '50 fez com que o verdadeiro significado, aquele que inicialmente fazia as pessoas sentirem-se felizes e dançar, já não está presente. Os sinos da igreja, eventualmente os artistas originais dessa música, estão todos quebrados pela inexorável marcha do tempo.
And the three men I admire most-
the Father, Son, and the Holy Ghost-
They caught the last train for the coast
The day the music died

O narrador menciona mais uma vez os três grandes nomes da música dos anos '50, Buddy Holly, Ritchie Valens, e Tthe Big Bopper, equacionando-os directamente à Santíssima Trindade do catolicismo e pondo-os definitivamente num pedestal divino. Interessantemente não diz que eles morreram, mas que simplesmente se foram embora, no dia em que a música, o espírito, da idade dourada dos E.U.A. morreu.

And they were singing



Read More »

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Hipermetropia de Especialista

Encontrei um pedaço de cadáver numa patanisca. ou pelo menos uma gótica/bruxa. Pessoas sobre as quais vale a pena tentar escrever...

Escrevia com determinação contrafeita e resignada. Batia nas teclas, exalava impacientemente quando tinha que apagar parte do texto. A indignação escapava-lhe por entre os dentes, juntamente com um liturgia de sílabas, que ficavam marteladas no teclado. Frequentemente reconhecemos que estamos a ser engrupidos e não podemos fazer muito sobre isso.
O rosto dela irradiava de um nariz pequeno, com duas sobrancelhas rasgadas, que sublinhavam rugas horizontais, muito proeminentes. O sobrolho dela fazia lembrar gaivotas em voo coordenado que dançavam de acordo com a excentricidade da situação, impondo respeito com voos cerrados simultâneos com pergunta desconfiadas, cuspidas de maneira seca e impaciente.
E este era o outro lado. O fim do caminho. E agora tinha mais liberdade! Era assistente. Finalmente podia assumir todas as posições que antes calava. Defender convicções, opinar... mas os batráquios regurgitados por alguém ex-impotente, fazem-se acompanhar de bílis suficiente para afogar quase todos os tipos de empatia, que ela podia ter granjeado.
Na hora do café em cochichos cúmplices com o chefe de serviço, confessava que achava os colegas invejosos e subservientes. O chefe de serviço sabia que ela não estava errada... mas apesar dos seus olhos rasgados, das sobrancelhas exponenciais de gavião em voo picado, não conseguia enxergar-se. Hipermetropia de especialista.
Agora eu tinha que a ouvir a descrever uma interacção que ela tinha tido com o chefe, em tom embevecido e sonhador...
Ele tinha-lhe pedido um favor, e ela salientava a própria independência, enquanto tomava a atitude que ela tinha escolhido, de acordo com o que percepcionava que seriam as preferências do chefe. Tapava as lacunas neste raciocínio com ''muita intimidade'', e um suposto ''respeito recíproco'', tipicamente atribuídos a figuras paternais.
Eu concordava efusivamente, colocava dúvidas de acordo com a minha percepção dos gostos dela, e bajulava-lhe os estados de espírito magnânimos. As reverberações da auto congratulação da cadeia de comando terminavam em mim... e como todos os rebentos de estetoscópio e bata branca, eu ficava calado. Apanágio do elo mais fraco. Os internos que tentassem passar este tipo de peneiras para as enfermeiras, tinham hipóteses iguais de ouvirem um elogio sarcástico, ou de apanhar com um escarro no olho.
Read More »

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Live, LIVE, LIIIIIIVE!!!!!


Read More »

domingo, 20 de outubro de 2013

Musica para a alma

Existem momentos incoerentes. Momentos em que a mente divaga do mundo e se isola num local onde a dor não atinge, onde deixamos de ser sencientes. Existem lugares assim.
E existem músicas que nos acompanham nestes momentos. Esta música é baseada no Folk do século XVIII. Originalmente cantada, sobre um soldado que gastava o seu dinheiro em prostitutas e que morre de doença venérea. Eu voto em sífilis. Louis Amstrong reavivou-a nos anos 30 e tornou-a intemporal. Eu deixo a versão instrumental de Pete Fountain dos anos 60.

E sim, ando numa de revivalismo….


Read More »

terça-feira, 19 de março de 2013

Divagações sobre Peixe

Estava a pensar em queijo...

Não!

Peixe!

Sim, peixe, era isso.

É raro as pessoas gostarem de peixe. A maioria das pessoas gosta de carne.
Mas agora que penso nisso, a maioria das pessoas não gosta realmente de carne. A maioria das pessoas gosta de hamburgers do McDonalds e de bifes bem passados, isso não é gostar de carne.


Carne bem passada sabe a sal e a gordura e o hamburger do McDonald's sabe a madeira.
Isto é um bife:


Mas estamos aqui para falar de peixe.

Ora peixe.

A maioria das pessoas prefere a carne ao peixe, e porquê, pergunto eu?
Porque o peixe não sabe a nada!

Vamos fazer aqui um parêntesis e assumir que estamos a falar da maioria das receitas normais que por aí andam. A maioria das pessoas que cozinha carne ou peixe, cozinha-os ao ponto em que deixam de ter sabor, e depois substitui o sabor natural da carne ou do peixe pelos temperos.
Pela minha vida nunca compreenderei porque é que as pessoas cozem carne até ela ficar cinzenta:


Mas peixe.

O peixe, quando cozinhado, sabe a muito pouco, e no geral não tem uma textura lá muito boa.
É ligeiramente esponjoso, molhado e gorduroso.
Não admira que as pessoas não gostem.

Mas toda a gente se sente na obrigação de comer peixe. Porque é Saudável!
E obrigam as crianças a comerem peixe, outra vez porque é Saudável!
Mas o peixe saudável não sabe a nada! Parece esferovite cozida!

E depois nasce toda uma indústria cujo único objectivo é fritar o peixe cozido, de maneira a que as crianças o comam, porque as crianças comem o que quer que seja, se estiver frito.


E os paizinhos ficam todos de consciência tranquila porque os filhos estão a comer peixe, que é Saudável, mesmo que tenha sido coberto em pão, gordura e depois frito.

Mas não foi sempre assim...
Lá muito para trás, quando éramos todos homens das cavernas e pescávamos, sabem o que é que comíamos?
Isto:


Este peixe tem sabor! Este peixe tem textura!
Quando éramos primitivos comíamos o peixe cru! E gostávamos!

Onde é que nos perdemos pelo caminho?
Aposto que houve um padre qualquer que achou que o peixe era demasiado saboroso, e que tínhamos demasiado prazer com o peixe, e então obrigou-nos a cozer o peixe para o tornar "saudável".

Mas não tenham medo, porque podemos recuperar o peixe!



Sushi!
Sim, sushi!

O Peixe Cru deixou de ser uma coisa normal para passar a ser uma iguaria! E é uma iguaria exótica! Vinda do oriente!
No sushi a textura e o sabor do peixe são realçados pelo sabor suave e subtil do arroz, com um toque ligeiramente salgado do molho de soja e o paladar indescritível do wasabi.
>salivação<

E o sushi é uma iguaria tão alienígena! É o que eu imaginaria diplomatas alienígenas a comerem, enquanto discutem planos para invadir a terra!


E não se esqueçam de ovas e caviar.
São, de facto, células reprodutoras de peixe, gâmetas de peixe.
É uma noção tão estranha! Comemos gâmetas de peixe.
Como é que se obtêm gâmetas de peixe?
Há pessoas cuja profissão é arranjar gâmetas de peixe. Que fazem a vida disso.

- Qual é a sua profissão?
- Eu masturbo peixes e depois recolho as suas células reprodutoras para você comer.

E se pensam que ele o faz de maneira aborrecida, com umas luvas de borracha azuis, não...
Ele fá-lo com carinho...

...

That's it, crossed the line, i'm out!
Read More »

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Connect the dots in this scribble


We are going to play a game and see if you can connect the dots. 

Some dots seem weirdly away from each other, but that is because the trails were lost. Supply lines, that diminish and vane away, left then without manner to communicate with the next tower. The next dot.
That is somewhat silly. How awkward he felt, when found that the waves were travelling south somehow. To bad country. The dots were becoming sparser. The dot was a people that inhabited the vacant slots in the slums in new guinea. Which is the main exporter of documentaries. An industry that is source of the rising documentary stars in that country, after boxoffice hits like ‘’Rwanda: An ode to the holocaust.’’, ‘’Humanity’s sins: There are millions of citizen, in congo without access to fresh water’’, ‘’The Mugabe dictatorship reaction to the political turmoil of ‘93‘’, ‘’Tuberculosis: the silent killer’’, ‘’Disentery: the loud killer, ‘’The vaccine shortage in Ethiopia made my family die of cholera’’ and who could forget, ‘’Crazy scrawny bitches with their tits hanging, while covered in flies.’’ This news might reach you in a bit of a harsh way. Because as the dots got sparser, the game grew difficult.  But that just how the game is played. Without care for taste or any other criteria. There are no criteria. There are only dots. We should not linger here. This is bad country.

Birds flew over the market. She knew her time was up.
Wild west high noon. Childish curiosity.

You are one of us, or none of them. And being one of them was also not nice, because of the crazy nymphos that rode the salad bar through the difficult and perilous mountains of domesticated house pets stored in the exorcism. The Freudian crisscrossed and mismatched information conveyer spluttered that the truth lived in the sidelines. Life was the search of a piece of glory ribbon in yellow, like a flower that majestically stood over the fields of france’s warmonger Jules le Pierre Marçou de Junot Manet le Maricon du France.

Insanity flowed like a river though him. Tearing the sureties out of his brain. Replacing them with new viewpoints, in a mind hungry for time. It consumed time, raged through time, like an accelerated chemical reaction lighting the darkness for a few moments of glorious visions, beautiful, yet sudden, too sudden for complete recollection. All that was left was the illusion of brilliancy.

Insane is what insane does.
Insane is what insane does.

The clows entertain the mob. The insane entertain only themselves.

 I’ve got to lie down now. For I fell a bit lightheaded. Maybe you should drive.
Read More »

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Cebola de preconceitos


Um cigano chega a casa e encontra o filho na cama com um homem, fica completamente fora de si e começa imediatamente a gritar com o filho:
"ah que vergonha, não acredito, tu não és meu filho!! Não pode ser, quê queu vou fazer agora, ainda ontem eras uma criança a brincar com a tua barbie e a ver o goucha, e agora andas paqui nesta javardice! Eu mato-te, tas a ouvir, eu mato-te! Não quero saber se és meu filho, arrebento-te essa foçinha toda, meu filho do diabo! Parto-te o gasganete ás postas, seu mão de vaca, seu bacalhau aprumado! Queres andar a abafar a palhinha? Eu já te abafo a ti, que eu é que sou teu pai!! A culpa disto é minha, que eu é que te deixei fazer tudo! Mas já vais aprender duas coisas, como os homens de antigamente faziam!"

Sai porta fora, de cabeça perdida.

O cigano fica com expressão preocupada. Olha para o lado e vê o amante a vestir as calças em pânico: "que estás a fazer?", ao que o amante responde: "Vou fugir daqui, o teu pai vai matar-nos!"
"ãh!.?? Não, ele não era capaz... nós somos ciganos modernos, ele é professor numa escola e tudo! Está sempre com as conversas da pedagogia... Não pode ser,..." diz ele, mas tem uma expressão preocupada...

Quando volta pai, vem acompanhado por 5 ciganos gordos de vestidos de cores berrantes, com bigode, plumas à volta do pescoço, a mascar pastilha elástica, com sapatos de salto, e meias de vidro com ligas, cada um com ar mais homossexual que o outro...

"Agora vou ficar aqui a ver-te a ter sexo gay com estes rabilós todos! Qué pa ver se no fim inda gostas de fazer essas javardices com homens! Vais levar uma dose que te fica pa vida toda! Vá toca a despachar antes que a tua mãe volte do trabalho e veja esta merda toda, que se ela te vê assim, ainda te dá um tiro nos cornos! Sabes como ela é! Vá, vá, tira as cuecas, e começa pelo Chico barbudo, que é o que custa mais!"
Read More »

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

(nós somos) O Público


Em Portugal temos cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. E depois temos o público. Ou seja, todas as pessoas que, se cometerem um crime, vão presas. Se quiserem saber a que grupo pertencem, perguntem a vocês mesmos: ‘’se eu cometer um crime vou preso? ou posso fugir para o estrangeiro, pagar a testemunhas e pedir favores a pessoas poderosas?’’ Se a resposta for sim, que vão presos, então é provável que vocês façam parte do público.

O público é constituído pelas pessoas que assistem à destruição progressiva do seu emprego, condições de habitação, sistema de educação, sistema de saúde, futuro do filhos, e outros direitos humanos inalienáveis. O filme já dura há 3 anos e meio, e nós apupamos e pedidos que o projeccionista passe qualquer coisa do Manoel de Oliveira, que é capaz de ser mais divertido. O projeccionista ignora-nos, e manda um arrumador de discurso lentificado e olhos de São Bernardo tirar-nos o resto das pipocas, sentarmos no chão, e estarmos muito caladinhos a ver o filme. Senão, chama a polícia que vem, e corre a sala toda a bastonada, com o bastão da legitimidade democrática pela fuça adentro dos maltrapilhos todos que compraram os óculos 3D a crédito.

E para nossa incredulidade, alguns dos maltrapilhos aplaudem o filme! Gostam da tourada! São estes catequistas que se viram para nós, os ignorantes, e nos explicam o filme, que é falado em alemão. Falam de arrependimento e de contrição, de como vivemos acima das nossas possibilidades e temos que pagar por isso. Dizem-nos que não podemos comer bife todos os dias, e que temos que começar a jejuar. Dizem-nos que é tempo das vacas magras, por isso é melhor comer e calar. Pedem desculpa e reformulam: ‘não comer, e calar’.

Ouvem atentamente os críticos da 7ª arte, enquanto eles falar de produtividade e competitividade, de como as greves só fazem mal à saúde, e as manifestações provocam merecidas dores no lombo. Prometem-nos que  para o ano é que é. Para o ano a economia vai dar a volta por cima, o desemprego vai diminuir. E a sequela vai ser espectacular, com recibos verdes para toda a gente, e subsídio de natal, licença de maternidade e casamento, para ninguém.

Melhor ainda, vai ser o terceiro filme da saga, o fim da trilogia. Nesse vamos poder contracenar todos! Vai ser um porno, uma história de 3 tarados pederastas que sodomizam uma população inteira, com a conivência do governo de chulos escolhido pela população. Infelizmente os papéis de sodomitas já estão atribuídos, mas ainda há muitos papéis para ser sodomizado! Estejam atentos, porque o argumento foi aprovado o mês passado, e o casting começa em Abril de 2014, quando tivermos que pagar IRS.
Read More »

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Rabos vs Vaginas

Depois de discussão acessa com colega ginecologista/obstetra, chego a corrente de pensamento sobre age old question.
Eu: ''epa, isso dos partos é nojento, passas os dias com líquido amniótico até às orelhas. E depois as vaginas doentes, todos os dias, não deve ser nada agradável...''
Ela: ''como? como é que isso é pior que um toque rectal? E tirar fecalomas manualmente? e objectos estranhos? O rabo é muito pior do que a vagina!''

Ao que se segue debate acesso e celeuma irresolúvel sobre as várias faces da questão. Incluíndo o busílis. O busílis é aquela parte da questão que fica mais no meio, entre o fulcro e o cerne da questão. Que são duas partes muito importantes, se estivermos a tratar uma questão essencial, como esta é.

Mas esquecendo a epistemologia, que tarda em ser útil, lembrar que, como em tantas àreas disciplinas do conhecimento humano, as expectativas são muito importantes. Quando se imagina uma vagina, uma pessoa imagina uma estrela brilhante, um prado de rosas plantadas a perder de vista, um golo da àgua depois de atravessar o deserto. Pronto, no mínimo, meia hora de actividades lúdicas muito interessantes, para as quais estamos instintivamente vocacionados. Uma pessoa não imagina um carreiro de pús amarelo-esverdeado, com cheiro a bacalhau retardado, numa gorda de curvas parecidas com um animal mitológico que apanhou gonorreia mítica. Uma pessoa não imagina um útero descaído até ao joelho, dando a ideia que a senhora escolheu a pós menopausa para mudar de sexo, e agora, meta-me isto para dentro, sr dr...

Já no que toca ao rabo, na prática, a pessoa já sabe para o que vai. Sabe o que esperar.
O rabo não engana. Não promete maravilhas. Promete cócó. E, salvo variações na consistência, raramente desaponta. Claro que temos que estar preparados para as coisas que se podem alojar no rabo, garrafas de plástico, lanternas, vegetais cilíndricos, leitores de mp3... Porquê estes objectos, não sei especificar... mas não são piores de encontrar do que fezes, no exame objectivo. Porque as fezes são tão desagradáveis, e as expectativas partem de tão baixo, o rabo pode ser menos desagradável do que algumas vaginas... Aliás, algumas pessoas até podem querer dar uma pequena gratificação aos desgraçados que as têm que observar.... ''olha o doutor está sempre a falar em comer vegetais, vou levar esta cenoura escondida, para ver se ele encontra o brinde...''...
Read More »

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Lamento entre dentes

Deu-me vontade de escrever sobre o ambiente que sinto fazer pesar o ar que se respira em Portugal . Todos os dias pela televisão, rádio, jornais, newsfeeds na internet, mas infelizmente, não só. Todas as conversas de café, cochichos com o colega do cubículo do lado, desabafos com o funcionário que está atrás do balcão da repartição cada vez mais kafkiana. O País inteiro resigna-se, entre dentes, impotente. Dizem que a azia cresce, que já se queimaram sofás e mostraram-se rabos em frente ao parlamento.  Os mais esperançosos dizem que isto precisa de uma revolução, de uma vaga de fundo.

A sociologia diz-nos que o ambiente define os seres humanos. Mas nós não precisamos dessa racionalização para saber o que sentir. Os salários baixam, os preços sobem, as pessoas trabalham mais, ou são despedidas. Os pais vêem os filhos sem emprego. Com uma vida à frente deles que se perspectiva pior do que a da geração anterior. Sem trabalho, nem rendimentos para ajudar a família. Aqueles que trabalham, não têm certezas sobre o dia de amanhã. A única certeza que têm é que o esforço que sai do corpo, não é, não pode ser igual, a tão pouco dinheiro ao fim do mês. Mais horas a trabalhar, também significa menos horas a ajudar a família. Quer seja apoiar os seu idosos, ou educar as suas crianças.
Mandam-nos emigrar. Os filhos, o seu maior investimento do seu afecto, do seu tempo, e também do seu dinheiro, saem do país, para procurar trabalho. Quem sabe, fixarem-se noutra terra, construírem outra família, num lugar melhor. Os filhos não vão estar aqui durante a velhice dos pais.
E depois dizem-nos que há dezenas de milhar de idosos a morar sozinhos, e  que este é um flagelo que temos que combater. Nem dá vontade de levantar os braços.

Não é só o dinheiro que mingua. São as relações entre as pessoas que se degradam. É o chefe que quer o seu negócio parecido com uma sweatshop chinesa, é o empregado que pensa, 'por estes tostões, para que é que me hei de dar ao trabalho?', e mede constantemente o trabalho do colega, do conhecido, e se perde numa espiral de crítica, inveja e intriga, que só gera azia e indigestão. Porque o ambiente favorece isso. Para quê ser ambicioso, procurar o mérito? Isso tudo paga impostos. E se não paga, deixa, espera, que eles ainda se vão lembrar.

Podem deixar de estar atentos aos dias de nevoeiro... Não vai haver nenhuma revolução....e vocês sabe-no. Sabem-no.
E sabem o que vai acontecer. É isto: O PSD/CDS vão destruir o estado e baixar salários, até ninguém os aguentar mais, e depois são demitidos, a malta vota toda no PS, que com PDS/CDS ou sem ele, continua a fazer exactamente o mesmo. Com a cassete da troika, dos mercados, da situação internacional, da Carochinha e do João Ratão.
É tão óbvio que nem merece que se fale mais nisso. Se a democracia subitamente começasse a defender os interesses da generalidade da população, em vez dos interesses dos ricos, deixava de ser necessária, e era substituída por um sistema que o fizesse.

Portanto, é comer e calar. E de vez em quando ir a umas manifestações, lembrar aos representantes dos filhos da puta que hoje podemos estar na mó de baixo, mas a História está do nosso lado, e podemos ainda não ter percebido como acabar com à miséria que nos querem impôr, mas os anos vão passando, e a necessidade aguça o engenho.
Read More »

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Good Catholic Fun

Jesus curte a noite -  um novo conceito importado do Brasil - as Cristotecas - que o Pataniscas vem por meio deste post aplaudir e incentivar. Que se espalhem por todo o país!

Há um novo conceito em Fátima, as Cristotecas, mais uma tentativa risível da igreja católica se aproximar dos jovens, de maneira imbecil. As Cristotecas, passam música tecno, efeitos de luzes, fumo e flashes constantes, e tudo acompanhado por imagens de Jesus e Maria em ecrãs grandes. Acho uma ideia genial. Os jovens podem com facilidade consumir psicotrópicos em barda, e quando forem interpelados, dizer simplesmente que estão a em transe religioso, e que Jesus está a falar com eles. E também, que querem ser canonizados, ter uma caixa de esmolas em cada igreja da região, e já agora, uma insenção de impostos. Cheguem-se para lá Pastorinhos de Fátima! Eu vi Jesus, e ele pede mais uma cerveja.  Aleluia!

Já foi encomendado um grande crucifixo de espelhos, para rodar durante o remix do Ave Verum Corpus, e versões trance de outros trechos renascentistas, em canto gregoriano. Os vigários vão começar a ir ao ginásio, e a tomar esteróides, para poderem ser bouncers competentes. Imaginem um Vigário, com mais músculos que o incrível Hulk, de t-shirt preta justinha e sotaque de Viseu, a barrar-vos a entrada por terem decote, ou a vossa saia mostrar mais que o tornozelo!

Na sala VIP vamos encontrar imagens de Bispos a abençoar coros de crianças de terna idade, e representações do muito conhecido milagre de Jesus Cristo, a transformação do trinaranjus em vodka laranja. As Madres Superiores vão abrir a pista, enquanto lançam olhares atrevidos aos Diáconos locais e os convidam a dançar descoordenadamente. Os padres vão estar descontraidamente encostados ao bar a abanar a cabeça ao som da música, enquanto seguram um gin tónico sagrado na mão. Para quem não sabe, - duas partes de água benta gaseificada e uma parte de gin sagrado. Custam 3 pais nossos e meio ave maria, antes da meia noite, por isso cheguem cedo.

Nas casas de banho, as freiras retocam a maquilhagem, e avisam as gajas que tomar a pílula dá direito ao inferno. Há máquinas de preservativos em todas as casas de banho, e quem as usar, será imediatamente condenado à Danação Eterna. Personificada por um Vigário todo inchado a dár-vos uma tareia, e a atirár-vos porta fora!
Pensem nas potencialidades! Todos os encontros carnais originários nas casas de banho das cristotecas, ou ‘’evangelização corpo a corpo’’, como lhes chamam os missionários(!), são automaticamente consideradas concepções imaculadas! Sem pecado!  Abençoadas por crucifixos colocados em cima de todos os urinóis, e uma grande pomba branca no tecto a simbolizar a semente de Deus.

No fim da noite, vamos todos comer um corpo de Deus com chouriço, e um caldo verde a acompanhar. Já têm que fazer na próxima sexta feira à noite?
Read More »

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Lavagens cerebrais revisitadas (segundo Elaine)


Hoje em dia toda a gente tem uma teoria da conspiração. Já se inventou de tudo. Há pessoas que acreditam que o Papa é um robot travesti, criado por uma raça de alienígenas parecidos com patos. Há uma seita que manda os seus acólitos usarem ceroulas de malha para honrar o deus das tampas de esgoto. E há mesmo aí gente que pensa que o Governo de Portugal é uma cambada de fantoches do estrangeiro, e que anda empenhado em pôr o país todo na miséria...
Mas malucos, há em todo lado.

A minha teoria da conspiração, é que os semáforos lavam o cérebro dos condutores. São colocados propositadamente pelo governo para isso. Melhor, os semáforos de Portugal detectam quem é que só tem porcaria na cabeça, e precisa de uma boa faxina mental, para tirar as teias de aranha do sotão.
Próxima vez que virem uma fila de trânsito, confirmem se não acontece.
O sinal fica vermelho, e, lentamente, sob a influência do semáforo, os condutores que precisam de uma lavagem cerebral, assumem uma expressão típica, que inclui a boca entreaberta e uma expressão vaga de espanto misturado com estupidez.
Depois, sob a influência dos poderosos raios mesmerizantes do semáforo, os condutores começam a lavagem, espetando o dedo indicador no nariz, para tentar alcançar o encéfalo.
Sacar carochas do nariz! É isso que Portugal faz no sinal luminoso! Enquanto está em animação suspensa, com a cassete do tony carreira à flor da consciência, num BMW comprado a leasing, olhando de maneira ausente o horizonte.
Há vários tipos de vítimas:
Temos o casual, com o polegar. Usa blusão Timberland e calças Sacoor e é descontraído. ‘’eu estou só a coçar o nariz, só a coçar, só a coçar, Oi, macaquinho, já está! Lança para longe, que nunca aqui esteve!’’. É assim que o James Bond tira macacos do nariz. Se for apanhado, diz logo que tem é alergias, por isso é que coça o nariz. Está em crescente identificaçao, esta doença da modernidade, a alergia ao macaco do nariz, junto com a fibromialgia ou o sick building sindrome.
Temos também o Mineiro, que sabe que o instrumento rombo que é o indicador humano foi desenhado por Deus para escarafunchar a narina. Geralmente tem franja, a boca entreaberta, e os dentes da frente afastados. Tem olhar manso, mas perdido, e massaja o lobo frontal com o dedo indicador para  facilitar o fluxo de pensamento. Tem alguma coisa de contemplação filosófica, e tenho a certeza que grandes progressos, em graves questões epistemológicas, foram alcançados durante o árduo trabalho do mineiro. Não sei até que ponto não devemos a Crítica da Razão Pura à congestão nasal de Immanuel Kant.
Por fim, temos o Cirurgião. O cirugião é preciso e metódico. O seu dedo mínimo tem anos de experiência a excisar cagaitas. Trabalha de maneira tenaz, com pequenos movimentos basculantes, de olhos semi cerrados, enquanto mordisca a língua. Sabemos que a cirurgia está perto do fim, quando o seu cotovelo sobe, e num movimento brusco, mas exacto, faz a última incisão. Mede-se a experiência do cirurgião, pelo grau de hemorragia que ele tem que lidar no fim da intervenção. Há aí muito cirurgião de 8 anos de idade que desata a chorar e vai a correr para as saias da mãe, com uma lista vermelha na frente da shirt, que ameaça complicar-se para as calças.

E vocês, quando virem alguém nesta marmelada, façam o que eu faço, buzinem ao gajo! Para ver se ele sai do transe, tira o dedo do nariz, vê que a porra do sinal ja está verde, e anda com aquela merda de carro, antes que os gajos do banco o venham buscar, porque ele deixou de pagar as prestações em 2010!
E se por acaso, vocês forem hipnotizados pelo semáforo, não fiquem chateados, aproveitem! É para aproveitar! Eu sei que aproveito! Tirem aqueles macacos que nunca conseguiram tirar! Aqueles chatos, que estão lá atrás, que só se apanha uma pontinha, e um gajo tem que ir lá com a unha, e sacas, e iiiih, até trás sangue agarrado! Eeeeeh! Vocês voltam com a mão ao nariz para ver se sangra e já sentem o sabor a ferro na boca... Esse tipo de macaco é que é para tirar no sinal!

Claro que depois de tirado o macaco, há a questão do que fazer com ele. Várias soluções são populares!
Pode-se colar no volante, sempre um clássico, e divertido se partilharem o carro com outra pessoa que faz o mesmo! Vocês têm de facto de ir à procura de um espaço na parte de trás do volante que ainda não contenha macacos de outros semáforos, de outras pessoas, de outras eras! A vossa selva pessoal! Não contrariem este instinto! Estruturem-no! Organizem os vossos macacos por semáforos! Juntem-nos em aldeias na parte de trás do volante!! ‘’Esta é a aldeia dos restauradores, esta é a da rotunda do relógio, e esta aqui, grandalhona, é do marquês de pombal, que eu agora tenho lá passado em hora de ponta!

A não ser que sejam do sexo feminino. As senhoras não tiram macacos do nariz. Nunca tiraram. E se tirassem, não eram macacos, eram póneis ou unicórnios, cor de rosa, ou com todas as cores do arco íris! Cada senhora tem um filão de unicórnios dentro de cada narina. Unicórnios de ranho seco em quantidades industriais, crostas e crostas de muco, agarradas aos cornetos, num ecossistema que fica imperturbado durante toda uma vida. Prados imensos a perder de vista, onde unicórnios vivem livres e felizes, nos afazeres mitológicos que são permitidos dentro de umas fossas nasais.
As senhoras não tiram macacos do nariz. E quando tiram, põem num lencinho. As senhoras esterilizam todas as funções corporais, através desta invenção: o lencinho. Tosse para o lencinho. Limpa a boca ao lencinho. Assoa-te ao lencinho!
Porra, o que é que aconteceu a um gajo assoar-se aos dedos e limpar às meias? Já ninguém faz? Passou de moda? Sou eu o único?

Mas, mas, digam o que disserem, eu acho que o ser humano está geneticamente programado para transformar os macacos do nariz em pequenas esferas!! Ah, que giro. Pequenas bolinhas. E para as atirar pela janela! Ou tentar…  atirar um macaco pela janela é dificil, porque fica colado ao dedo, e temos que trocar de mão e tentar outra vez. Frustrados, agitamos a mão toda sem sucesso, e por fim dizemos: olha mais um para trás do volante.

Existem pessoas que não admitem que tiram macacos do nariz. Pensam que são melhores do que isso. Pensam que tiram macacos do nariz é coisa de porcalhão. Pois, eu acho que uma versão de vocês com 12 anos, discorda desse ponto de vista. Quando vocês eram miúdos, metade do que vocês punham na boca, vinha do andar de cima. Estavam no recreio e reparavam que a mãe se tinha esquecido de vos mandar o lanche... Era logo, um macaquinho para acalmar a fome. E nos dias em que a mãe se lembrava, vocês comiam um macaquinho na mesma, para acompanhar o leite com chocolate. Por isso deixem-se de puritanismos e não venham com tretas. Aliás, entre as gomas, os bolicaus, as batatas fritas e os trinaranjus, um macaco do nariz era a coisa mais saudável que vocês comiam! O vosso corpo agradecia! Era o mais parecido com um vegetal que vos passou pelo estreito entre os 5 e os 12 anos!

Ps: Obrigado Elaine pela contribuição inestimável na elaboração deste post. O teu contínuo apoio (chamares-me estúpido muitas vezes), é o vento debaixo das minhas asas.
Read More »