Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

sábado, 11 de julho de 2015

Casar os Homossexuais e Moralizar o Aborto

Finalmente todos concordamos! Os Homossexuais devem poder casar! Boa! De resto, desde 2010 que isto é uma realidade em Portugal. Mas agora os americanos chegaram à mesma conclusão, portanto está na altura de eu mudar a minha foto de perfil do facebook para um arco íris alegre.


Nem toda a gente concordou com a legalização dos casamentos homossexuais na altura.

That was so 2010.... Mas agora que estamos em 2015, há ideias novas!

Esta gente progressista que é contra o estado intervir na vida das pessoas de qualquer maneira, a não ser para dizer aos cidadãos o que podem ou não podem fazer com os seus órgãos genitais e reprodutivos, anda com uma ideia metida na cabeça desde há algum tempo... Querem veicular ideologia através de restrições orçamentais.

Será que o estado deve cobrar 60 euros para as mulheres com gravidezes não desejadas poderem abortar em segurança?

Sem querer parecer tocado por ideias conspiratórias, chamo a atenção para esta página do Público, onde várias entidades trocam argumentos contra ou a favor as taxas moderadoras. Temos figuras 'de monta' (Pun!) a defender as taxas moderadoras com o Bastonário da Ordem dos médicos, o Prof Dr Luís Graça de Santa Maria e o Dr Miguel Oliveira e Silva (ex presidente da comissão de ética da universidade de lisboa). Contra as taxas moderadoras temos instituições das quais nunca tinha ouvido falar, não pessoas.

O relatório da Inspecção Geral de Actividades em Saúde, dizia em 2012:

''seria de equacionar o pagamento de uma taxa moderadora no caso das interrupções voluntárias de gravidez “recidivadas”. Esta medida, justificavam, teria “um efeito moralizador” no acesso à IVG'' (Público)

Fico um pouco com a impressão que a comunicação social, e a maior parte da população será pela introdução de taxas moderadoras.

Pergunto-me porque é que isto não tinha sido tido em conta antes? O que mudou?

Para mim mudaram estas coisas: A crise começou e continua (apesar de suavizada em 2015 em tons pré eleitorais), o escrutínio paranóico das despesas veio para ficar, e a solidariedade entre camadas da população tem desaparecido com cada apontar de dedo: ''Não quero que os meus impostos sirvam para isso!''

Além de que é um facto que vemos muitas mulheres abortarem várias vezes, repetidamente. E não gostamos disso. Ninguém gosta. Alguns de nós começam a pensar que elas são irresponsáveis, lascivas, descuidadas, e pior que tudo, não querem saber do erário público. Andam a abortar como se fossemos um país rico, quando somos um país pobre. Continua o ''regabofe''.

É uma visão pateta das mulheres que se vêem forçadas a abortar.


Acho que faz falta lembrar que a razão pela qual há tantos abortos talvez seja precisamente o facto de Portugal ser um País pobre. Um país pobre com um estado rico.

Eu assisti a muitas consultas de IVG. Ninguém lá está satisfeito. Não é uma actividade agradável. Talvez um factor importante seja o facto de muitas mulheres viverem em condições de pobreza, e naturalmente, são as faixas populacionais mais pobres que se vêm forçadas mais frequentemente a abortar. Vi mulheres jovens, dependentes financeiramente dos pais, e que queriam uma IVG, serem pressionadas pelos pais para não abortarem. E vi o contrário.

Ensinaram-me a não me meter nas decisões das pessoas nestas questões. E eu não me meto. Tento influenciar o mínimo. E acho que deve ser uma decisão tomada em consciência, sem influências externas. Isto faz sentido. 60 euros são uma influência externa. Não me levem a mal, mas quem não concorda, tem mais dinheiro que senso.

Se eu tiver dinheiro suficiente, criar um filho é muito mais fácil. Isso dá-me uma perspectiva enviesada sobre a questão.... como não gosto do aborto, posso com facilidade começar a achar que o direito ao aborto deve ser limitado. Posso com facilidade começar a achar: ''se querem abortos paguem!''.


Isto é estúpido. Não estamos assim tão desesperados de dinheiro. Não devemos ver o aborto com julgamento moral, não devemos achar que as pessoas que o praticam precisam de castigo. Terem que abortar é castigo suficiente. Obrigar mulheres a andar aflitas a tentar arranjar dinheiro antes das 10 semanas não parece muito humano.

E sendo prático, não acho que a perspectiva futura de pagar 60 euros por um eventual aborto vá mudar o que quer que seja, nos comportamentos dos seres humanos, que 'na hora da verdade' se descuidam com os métodos contraceptivos. Não acho que pagar 60 euros vai ''moderar'' o acesso ao aborto. Ninguém vai pensar:'' epa, vou ter um filho, que é barato, porque senão vou ter que pagar 60 euros.'' Não. O que vai acontecer é um acesso mais difícil ao aborto para quem tem menos dinheiro.

Temos que ser mais espertos do que: ''descuidaste-te, paga!'', se queremos diminuir a gravidez não desejada, que é o verdadeiro problema aqui.

Portugal é um país católico, de mentalidade crime-castigo, mas isso não significa que tenhamos que ser precipitados e estúpidos.

Sendo claro, não gosto do aborto. Mas acho que quando acontece é sempre um menor de dois males. Acho que uma mulher só deve ser mãe se quiser. Para o bem dos filhos dela.

A sexualidade e a maternidade são, discutivelmente os impulsos mais fortes da humanidade. São a razões pela qual nos existimos, e poucas coisas são tão pessoais como a relação que temos com esses impulsos. No mínimo dos mínimos, vamos pôr esta discussão acima de questões económicas.

Justin Bieber a caminho de Ibiza! (acho que ele abortou lá!)


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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Eu não sei espirrar

Não sei espirrar, e isso é uma vergonha

É o tipo de coisa que não imaginariam que fosse possível uma pessoa não saber fazer.
Que fosse uma coisa que tivesse de ser aprendida.

Mas a verdade é que não sei espirrar.

Sinto que nunca realmente lhe apanhei o jeito.
É como se começasse a espirrar mas depois a meio caminho mudasse de ideias.
Eu engulo os meus espirros.



Lembro-me de ser tão tímido em criança que me sentia embaraçado por ter qualquer tipo de atenção virada para mim, e por isso espirrava para dentro para ninguém reparar.

O que era chato, porque eu tinha muitas alergias, então passava o tempo a espirrar.

Mas não me devia parecer tão estranho quanto isso.
Uma vez numa urgência de pediatria vi uma miúda que não sabia tossir.

Se pesquisarem fotografias de pessoas a tossir,
parece sempre que estão a fazer sexo oral a um pénis invisível.
A sério, experimentem
Devia ter cerca de 12 anos, e estava a ser levada à urgência pela mãe, muito assustada, porque a menina estava engripada, e quando ficava engripada ficava sempre sem conseguir respirar.
Algo que do ponto de vista médico não faz assim muito sentido, à partida. Só se houver uma asma muito agravada é que a gripe pode provocar broncoconstrição grave. E nesse caso estes pais estariam há muito tempo capacitados para lidar com crises dessas, e não estariam a vir à urgência em pânico.
Portanto é o tipo de história que a partir do primeiro momento faz disparar alarmes dentro da cabeça médica de que há qualquer coisa de estranho a acontecer, e que a história que nos está a ser contada provavelmente não é bem assim.

Chamou-se a pneumologia.
A pneumologista observou a miúda.
A miúda não sabia tossir.

Experimentem pesquisar pessoas a tossir,
não fazerem sexo oral a um pénis invisível.
A não ser que seja isso que gostem de fazer!
Mas boa sorte a encontrarem um pénis invisível.
Em vez de inspirar e depois contrair a garganta para obrigar o ar a sair com força, ela contraía a glote com tanta força que o ar não saía, e depois voltava a inspirar. Um mecanismo ineficiente que falha em remover o estímulo que o provocou em primeiro lugar.
E ela inspira, e inspira, sem conseguir nunca reduzir o estímulo para a tosse, até desmaiar.

Sempre que tinha uma gripe, ou qualquer coisa que pudesse provocar inflamação ou irritação da garganta, acabava na urgência por não conseguir respirar.

Chamou-se uma enfermeira especialista em ginástica respiratória, Daquelas que ajudam os doentes com doenças neurológicas degenerativas a usarem os poucos músculos respiratórios que ainda lhes restam, e ela ensinou a miúda a tossir.
Passou uma hora com ela a fazer meia dúzia de exercícios. Ensinou-lhe umas ginásticas para ela praticar em casa.
Foi-se embora curada.

Eu nunca tinha pensado que era possível não saber espirrar, mas aparentemente é uma coisa.

Agora que penso nisso, também uma vez encontrei um homem idoso, internado por uma coisa qualquer, que não sabia inspirar.

O Odie também demorou 3 anos a aprender a respirar

Não é que não inspirasse, obviamente que sim, senão não estava vivo.
Mas quando lhe pedíamos para inspirar, ou respirar para dentro, ele em vez disso começava a engolir ar.
Nesta situação acho que é mais porque ele não compreendia bem o sentido da palavra inspirar. O que por si só é um feito razoavelmente impressionante, chegar aos 68 anos sem saber inspirar.

Mas sim, é verdade.
Eu não sei espirrar.



O que é uma pena, porque há um prazer animalesco em espirrar. É como coçar uma comichão difícil de chegar.
Numa época primitiva, dava-se grande valor ao acto de espirrar, e as pessoas carregavam consigo caixinhas, por vezes muito artisticamente elaboradas, que continham rapé, uma forma pulverizada de tabaco, inalavam para ter uma dose rápida de nicotina, e para provocar o espirro.

Naturalmente que espirrar é um mecanismo reflexo e automático, mas aparentemente pode ser aprendido mal. E eu diria que o prazer animalesco associado ao espirro está associado a isso de alguma maneira.

Sinto-me roubado desse prazer, porque não sei espirrar.


É semelhante à fase anal dos bébés, entre os 18 meses e os 3 anos, durante a qual parte do processo de desenvolvimento cognitivo e de consciência do Eu está intimamente relacionado com a aprendizagem do controlo dos esfíncteres, e grande parte disso está associado a sensações de prazer ligadas aos esfíncteres.
Perturbações durante esta fase, que interfiram com esta aprendizagem, podem levar a situações complexas e difíceis de resolver de
Daí a preocupação geral com o ânus, que parece ser razoavelmente transversal à espécie humana.

Pergunto-me se não se poderia estabelecer igualmente uma fase do espirro.
Para mim pelo menos o espirrar era um momento de auto-consciência. Um momento no qual um mecanismo reflexo, protector, fazia com que eu me tornasse mais auto-consciente de mim mesmo, e isso motivava-me a exercer um controlo premeditado sobre esse mesmo mecanismo reflexo.

Uma fase do espirro é uma tolice, naturalmente, mas ainda assim.

Não sei espirrar.


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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Queremos todos pertencer à tribo

O biólogo social Desmond Morris escreveu em 1981 'a tribo do futebol', a propósito da ritualização do jogo chamado 'desporto rei', que dominava o panorama do desporto mundial. O livro centra-se em muitos aspectos que não mudaram muito e continuam actuais.


But we have come a long way since then... 

O futebol serve de veículo para a nossa agressividade, permite-nos expressar rivalidades, modernamente ganha à religião em adeptos e movimenta milhares de milhões. Como o EuroMilhões. E como o EuroMilhões e a religião, o futebol captura os nossos sonhos, manipula as nossas emoções, galvaniza cidades e regiões, eleva homens a heróis nacionais, projecta marcas em mercados internacionais.

A informação cabe no formato 'softnews', 3 jornais diários exclusivamente dedicados ao futebol, nada têm de isento, a tribo está sempre sedenta do continuar da narrativa. A narrativa do futebol, como todas as religiões, trata de uma história do bem contra o mal, moralidade preto e branco.  Os bons somos nós, e todos os adeptos da nossa equipa. Os maus são todos os outros. 


As discussões sobre futebol dividem-se entre discussões técnico tácticas, que interessam a quase ninguém, e a análise de jogos e da narrativa por protagonistas afectos aos vários clubes. Isso é que nos interessa. Queremos torcer pelo comentador do nosso clube, queremos que chame à atenção as injustiças que o nosso clube têm sofrido, e a maneira desavergonhada como os outros clubes têm sido beneficiados. Tal como queremos torcer pelo nosso clube. Queremos ficar com a impressão subjectiva que o nosso comentador deu 'uma abada' aos outros.


O que é divertido. O futebol faz parte dos temas transversais dos quais é sempre apropriado falar com qualquer pessoa, é um desbloqueador de conversa inultrapassável. Porque é que isto acontece? Acho que tem a ver com a narrativa do futebol. As vitórias da tribo estão cheias de orgulho e alegria, as derrotas cheias de pathos e drama humano. Os jogadores são os guerreiros da tribo em quem depositamos as nossas esperanças. E é literalmente assim que são vistos hoje.


Mas é um jogo em que, como na guerra, a vitória depende muito de expedientes, de manhas às vezes pouco legítimas que mudam a história do jogo. E é muito por isso que gosto do jogo. É um jogo de macacos espertalhões a tentar enganar outros macacos espertalhões.
Mergulhadores em terra firme...


Lesões incómodas que gastam tempo útil de jogo (quando estamos a ganhar...)


Queimar tempo quando estamos a ganhar, não tem só o valor de nos aproximar da vitória diminuindo os lances de perigo que a equipa adversária pode aproveitar... Também enerva o adversário!


Avançados que falham carreiras impressionantes no basketball (o que não invalida que sejam lendas no futebol)...


Jogadores que precisam de... vou dizer ''apoio extra''...


'Técnicas' para desconcentrar o adversário...


A emoção que vem da injustiça por vezes transborda em comportamentos violentos (muitas vezes depois de provocações repetidas com o objectivo implícito de desencadear violência)...


Tudo isto são coisas que não acontecem no xadrez, por exemplo. Pelo menos com a mesma frequência. E não são de todo a base do jogo, não me interpretem mal.... Não acontecem assim tantas vezes. Mas por algum motivo ficam na nossa memória. Lembramos-nos das vezes que fomos prejudicados, e somos lembrados pelos adeptos de outros clubes das vezes que fomos beneficiados.

Existe um 'desporto' nos EUA que captura a imaginação e as paixões do público (e das crianças) da mesma maneira, se bem que com nenhuma competição real, neste caso. Mas os expedientes pouco legítimos, a teatralidade está lá... O público fica com a mesma sensação de injustiça se o guerreiro perde a batalha com recurso do adversário a deslealdade.


É contrastante o facto de pensarmos o futebol através de moralidade preto e branco, com a quantidade de expedientes, de manhas a que o jogo se presta. É óbvio e gritante que a nossa equipa não é pior nem melhor do que as outras, mas nós acreditamos que é diferente na mesma. SABEMOS que vamos ganhar. Quando não ganhamos, de alguma maneira os nossos jogadores estão mal intencionados, não se esforçaram o suficiente, não têm ''amor à camisola'', não ''dignificaram o clube'' magoaram-nos. Assim, magoamos-los de volta.



Insultar os jogadores da nossa equipa. Isso é que levanta o moral. But we can't help it.... we are hardwired like that...

O conceito do ''amor à camisola'' é um anacronismo interessante. Se eu trabalhar para o MEO, e a ZON me propuser um contrato de trabalho mais vantajoso, até me chamam estúpido se eu não aceitar. Mas o mesmo pode não ser válido para quem quer mudar de tribo. Porquê?
O que é uma SAD, senão uma empresa? Interessante verificar que as comichões com esta questão só aparecem com transferências para outros clubes portugueses. O mesmo não acontece com os jogadores/treinadores que vão para o estrangeiro.

As figuras mais frequentemente alvo de descontentamento são os feiticeiros da tribo. Quasi Profetas, os treinadores são a quem se dirigem as perguntas difíceis sobre o futuro. Eles têm um conhecimento especial e mais ou menos profundo sobre futebol. Mas valorizamos mais os que são bafejados pela sorte, ou os que têm cronicamente azar aos nossos olhos, e usamos mais isso para definir os nossos eleitos, do que propriamente um conjunto de competências que mal sabemos definir.

Queremos ter, como eles dizem a 'estrelinha da sorte' para ganhar. E se acreditamos que se alguém sabe o futuro, é super competente, joga mind games com a mente do adversário, esse alguém pode ter sido 'escolhido'. Podemos dizer que é especial.
Almost like a... Special One. Alguém que aponta o caminho investido dessa mística consegue mover montanhas, acreditamos. E acreditar é metade do caminho. A motivação faz-se de profecias auto concretizadas. Assim como a vitória.


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quarta-feira, 8 de julho de 2015

of Anti-Vaxxers and Pine Cones

Há por aí uns estúpidos que andam a tentar fazer a humanidade voltar para a idade média.

Há alguns anos, e não eram assim muitos, morriam milhões e milhões de pessoas todos os anos por causa de epidemias de doenças.
Milhões delas.
Porque começámos a viver em cidades, muitos de nós a vivermos uns em cima dos outros, e as bactérias e os vírus fizeram um dia de festa!



Subitamente doenças que de outra forma estariam razoavelmente isoladas, apesar de serem mortíferas, viram-se com comida às toneladas toda a conviver junta.
E as bactérias e os vírus multiplicaram-se abundantemente.

Os vírus e as bactérias são coisas engraçadas. São pouco mais do que robots construídos com maquinaria molecular proteica.
Têm capacidades e programas de acção muito simples.
As regras pelas quais operam são pouco mais complicadas do que "Consumir açúcar" e "Divisão Celular". Não fazem mais nada.

Nem chegam a ser animais a sério. São as unidades básicas de funcionamento dos animais, antes de aprenderem a organizar-se e a fazer coisas mais complicadas.



E no entanto conseguem matar-nos aos milhares de milhões, como aliás já falei anteriormente.
As bactérias e vírus foram os primeiros seres vivos deste planeta, e a única coisa que fazem é comer e reproduzir-se.
E comer-nos a nós, infectando-nos.

E volto a frisar, fazem um excelente trabalho!

Podemos falar da Peste Negra.
Porquê ir à procura de exemplos curiosos e pequeninos e caricatos quando podemos ir directamente para a maior delas todas?



Yersinia pestis, trazida pelos mongóis e pela Rota da Seda para uma Europa com cidades sobrelotadas, em 1346, e que matou, estima-se, entre 75 e 200 milhões de pessoas, ou cerca de 25% da população europeia.

A Peste Negra não era agradável.
Dou-me à liberdade de traduzir uma descrição colorida:

"A peste negra vinha em três formas: bubónica, pneumónica e septicémica.

A primeira, a peste bubónica, era a mais comum: pessoas com esta doença tinham bubões, ou glândulas linfáticas aumentadas, que se tornavam negros (por causa do apodrecimento da pele enquanto a pessoa ainda estava viva). Sem tratamento a peste bubónica mata cerca de metade das pessoas infectadas em 3 a 7 dias.


Na peste pneumónica, gotículas de Y. pestis aerossolizada são transmitidas de humano para humano através da tosse. Se não for tratada com antibióticos (que na altura não existiam) nas primeiras 24 horas, quase 100% das pessoas infectadas morrem em 2 a 4 dias.


A peste septicémica acontece quando as bactérias entram no sangue através do sistema linfático ou respiratório. Doentes com peste septicémia desenvolvem gangrena nos dedos das mãos e pés, que tornam a pele preta. Apesar de rara, esta forma da doença é quase sempre fatal, frequentemente matando as vítimas no próprio dia em que aparecem os sintomas"



Portanto imaginem uma população medieval, que quase de um dia para o outro começa a ver a morte a espalhar-se pelas pessoas sob a forma de uma doença incompreensível, imparável e extremamente chocante. Pessoas que começavam com bolas negras no pescoço, ou com os dedos a caírem, a morrerem pelas aldeias e pelas cidades aos milhões.
Imaginem o pânico.
Imaginem o cheiro.

Mais recentemente temos a Varíola, que é um dos vírus mais bem adaptados aos Humanos, com mais ferramentas para fugir ao sistema imunitário, e que também não é nada simpática.


Tem uma mortalidade de 20-60%, sendo que nas crianças é de 80%, e estima-se que só no século XX tenha morto entre 300 a 500 milhões de pessoas.

A Varíola tem uma particularidade. Foi a primeira doença que conseguimos, efectivamente, erradicar.
Erradicámos a varíola.
Deixou de existir.
Conseguimos, efectivamente, ganhar uma guerra contra um inimígo invisível, mortífero, que nos andava a matar desde há dez mil anos antes de cristo.
Ganhámos uma guerra contra um vírus.



Conseguimos compreender o suficiente a etiopatogenia do vírus, encontrar um método para impedir a sua propagação e contágio, aplicámos essa solução a TODA A GENTE NO MUNDO AO MESMO TEMPO e numa geração eliminámos uma doença.

Actualmente existem vacinas para mais de 14 doenças, e a Organização Mundial de Saúde estima que evitem entre 2 a 3 milhões de mortes todos os anos, sobretudo em crianças.


O problema é que as pessoas deixaram de ter medo das doenças infecciosas.
Deixaram de ter medo das Pestes.
Esqueceram-se que o primeiro cavaleiro do apocalipse, o Cavalo Branco, era a Pestilência.



E por causa disso há pessoas que acham que as vacinas são uma coisa má.
E pronto, as pessoas têm direito a serem estúpidas. As pessoas que acham que as vacinas são uma coisa má têm direito a serem estúpidas. Quem sou eu para negar a estupidez de uma pessoa.

O problema é que a estupidez delas mata crianças.
As pessoas que não vacinam os filhos deviam ser acusadas judicialmente de negligência infantil e do homicídio involuntário de toda e qualquer criança que morresse por doenças que poderiam ter sido evitadas pela vacinação.

É absolutamente ridículo que no séc. XXI tenhamos de voltar a fazer campanhas para convencer as pessoas de que as vacinas são uma boa ideia!

Esperar-se-ia que depois de vermos crianças em pulmões de ferro porque ficaram com os músculos respiratórios paralisados porque um vírus lhes destruiu as vias neurológicas motoras, teríamos aprendido que as vacinas são uma boa ideia.




Mas não.
Esses estúpidos da anti-vacinação, que mereciam ser obrigados a engolir uma pinha (esterilizada, para não apanharem doenças infecciosas), acham-se superiores. Acham que é mais "natural" não vacinar, e acham que as vacinas são uma conspiração para provocar autismo às crianças.

Se fosse só uma ignorância honesta, eu era capaz de aceitar. Se fosse só um equívoco motivado pela vontade de fazer o melhor pelos filhos, eu era capaz de aceitar.
Mas estes estúpidos, mesmo quando confrontados com provas científicas, continuam a rejeitar as vacinas.

[Inserir aqui chorrilho longo de insultos e palavrões, o mais ofensivo e agressivo que consigam imaginar, dirigidos a pessoas que não vacinam os seus filhos]
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Trendy trends that are trending like a MoFo!

Yo, bitches and thugs, here's your favourite pimp going beast mode for your exclusive convenience!

Get here all your know-how on the trendy trends that are trending like a MoFo!

You know what I talk about! You know what I means! What u want? Cute cats?


Nude celebrities?
We have them all!!!

Be it clickbait, call it ambush marketing, this blog is going all up in your face, spitting flavor left and right, we will Buzzfeed your tastebuds like indian curry lava!

Pataniscas will drone your brain with so much hot trending info-juice, you will think Princess Charlotte is a third rate slovenian celebrity, 'cause your brain doing laps around the mental house!

We will steroid inject your mind with so many meme variations, so much culture trivia, you will start shitting Trival Pursuit Boardgames! Full Millenium Edition, hard cardboard boxes!

Today we are gonna talk about 5 superfoods that will grant you immortality within a week, after describing 10 ways to lose weight while injecting pure hog fat into your bloodstream!
You can also use these 3 dumb tricks that will turn you into the HulK, gym owners do not want you to know! And while the real soccer star Hulk has shot a ball into orbit.... OF JUPITER, watch a seven year old child wrestle a 30 foot Great White Shark!!

Afterwards, we will show you everything that is blowing up insanely, in world news: GERMANY IS INVANDING GREECE! (with rating agencies downgrades), and vampire fish are falling from he sky!!!

As it turns out chocolate cures cancer in haste, while eating vegetables gives you fulminant ass cancer instantly!!!

Also, a tiny cute hamster rode on a cat's back to the county fair.

Click here for more!!!!!!!!! MOREEEEE!!!!!!!!!!

#Grexitnownownow
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Black and White through Orange Goggles

No outro dia levantei os olhos do computador (gasp!) e voltei a olhar para dois posteres que tenho presos na minha parede.

A cultura tende a desenvolver-se das coisas mais simples para as mais complexas. Vemos uma sofisticação nas ferramentas narrativas ao longo do tempo.
Com o cinema isso é razoavelmente fácil de detectar, sobretudo no início da história do cinema quando essas ferramentas eram detectáveis de forma distinta em cada filme novo que aparecia.

Como por exemplo com o The Great Train Robbery (1903), que é um dos primeiros filmes a usar a técnica do cross-cutting, usada para mostrar acção que ocorre simultâneamente mas em locais diferentes.



As histórias mais antigas tendem a usar uma moralidade preto-e-branca, mais simples, do bem contra o mal, com personagens razoavelmente unidimensionais, sem grandes ambiguidades morais.
São histórias nas quais é muito fácil perceber quem são os bons e quem são os maus.
Não estou a dizer de todo que este tipo de moralidade leva a más narrativas. Nem pensar nisso. Mas são narrativas que, do ponto de vista moral, são bastante simplistas.



É a luta clássica do bem contra o mal.

Temos o Darth Vader, a personificação do mal, vestido de negro, gigantescto a ameaçar dominar todo o espaço do poster e quase a absorver por completo o protagonista em primeiro plano.
O protagonista, o Luke Skywalker, em primeiro plano, vestido de branco imaculado, jovem e bem intencionado, uma figura quase messiânica, com uma espada em forma de cruz, desafia contra todas as probabilidades a ameaça do mal.

É o Herói Protagonista clássico, limpinho e incensurável.
Um poster que tenho preso na minha parede
Não há muito que enganar.

Existem outros tipos de moralidades que representam todas as possíveis variações possíveis dentro do espectro do branco-e-preto e que são adequadamente chamadas de moralidade cinza-e-cinzento, moralidade preto-e-cinzenta, e moralidade branco-e-cinzenta.

Depois, numa tentativa de demonstrar modelos morais completamente diferentes, alienígenas, quase irreconhecíveis, estabeleceu-se a ideia da moralidade azul-e-laranja.


Este tipo de moralidade tem por objectivo deixar o espectador inseguro, sem saber por onde se orientar, com a sensação de que nada faz sentido.

Como melhor exemplo disto temos o filme Blade Runner (1982).

 

No Blade Runner há humanos frios e assassinos em oposição a réplicas emocionais. Acabamos por nos identificar e torcer pelo vilão, e o herói no fim da história já fez várias coisas que o levam definitivamente para longe do caminho do bem.
Não há heróis ou vilões, todas as personagens são anti-heróis moralmente ambíguos, e não há um compasso moral que nos facilite a vida ou nos facilite a compreensão da história.

Sobretudo as personagens dos replicants, na sua busca por crescimento emocional num mundo que os escraviza e brutaliza, desenvolvem guias morais que parecem alienígenas e tem reacções emocionais bizarras.

Não por acaso a personagem do Rick Deckard está iluminada tanto por azul e por laranja, sendo que é o anti-herói, muito mais desapaixonado do que os Replicants, a cometer actos de violência difíceis de defender. Não é uma personagem com a qual nos identifiquemos com facilidade, é moralmente questionável.



Eu sempre quis ser o Luke Skywalker, ser um herói, lutar por uma causa.
À medida que cresço vejo-me a tomar decisões questionáveis, já não consigo, honestamente, ver-me como um herói.
Começo a compreender o Deckard, a identificar-me com os seus conflitos morais.


Não por acaso, o Star Wars teve o sucesso que teve em parte porque nos apresenta uma narrativa clássica, uma moralidade fácil de interpretar, heróis por quem é fácil torcer e vilões facilmente identificáveis.
O Blade Runner, com a sua narrativa complicada, moralidade ambígua, personagens difíceis de caracterizar, foi inicialmente um flop comercial.

So it goes.
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Oxi


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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Grexit - Everybody loves the underdog

Nas palavras do sábio capitão Haddock a caminho da lua: ''dizem que o álcool é um veneno que mata lentamente, o que é bom, porque não tenho muita pressa''.

Crescer é aprender do que gostamos, alguém me disse. Eu gosto de economia e política. Portanto aguentem-se.

A Grécia permanece à beira do precipício, enquanto os bancos estão fechados, a economia continua em recessão profunda, apesar do surplus primário de 1,5 biliões de euros de janeiro-maio do ano de 2015, cortesia das mais profundas medidas de austeridade que o mundo ocidental já colocou em prática.

No entanto, apesar do país estar à beira do primeiro orçamento equilibrado em décadas, à custa do nível de vida da população, não há acordo à vista com as entidades a quem deve dinheiro. A questão é que a dívida do país é de cerca de 300 biliões de euros, o que ainda são uns trocos.

Esta dívida foi alimentada por generosos empréstimos. With some strings attached....



O facto é que ''while money talks, and bullshit walks'', recentemente, população votou num governo que aparentemente não está muito ligado a interesses instalados, e quer genuinamente melhorar a situação a longo prazo para a população como um todo. Líricos de esquerda. Querem começar a pagar uma dívida impagável, pelo que pedem uma borla temporária. Reestruturação. Haircut. O que seja.

Economicamente, faz sentido, mas o problema é a política. Se a Alemanha começar a dar borlas aos líricos de esquerda da Grécia, e as coisas lá começarem a melhorar, que raio de mensagem é que isso manda a portugal, irlanda, espanha, itália?

''Vocês, carneiros, foram enrabados sem vaselina, porque tinha que ser, mas os gregos votaram em malta teimosa, por isso vamos perdoar-lhes uma parte do que devem (outra vez), para ver se ainda vemos algum?''

Não pode ser. Preferimos ver mais umas dezenas de milhar de gregos a afogarem-se no mediterrâneo, do que correr o risco de ver milhões de portugueses, irlandeses, italianos e espanhóis começarem a ganir sob a forma de votos de protesto em partidos que queiram melhores condições de vida para as populações que representam.

É uma questão de contenção. De gestão de danos. Políticos. Por isso é que as propostas da Europa e do FMI não fazem qualquer sentido prático.


Pelo que me é dado a entender (percebo pouco destas coisas), o governo grego tem gerido a sua derrota inevitável com mestria de chefe de estado veterano. Atrasar as negociações. Exigir melhores condições. Empatar. Ceder. Ceder outra vez. Obrigar os credores a desmascarem as suas verdadeiras intenções.

Deram a entender desespero, e quando a Europa sentiu fraqueza, enviou um ultimato. Confrontados com um armistício de propostas inaceitáveis e humilhantes, convocaram um referendo. Genial. Na prática, disseram: ''Isso é inaceitável, se querem que o governo da Grécia ponha essas medidas em prática, tem que ser com autorização da população''. Colocaram a sra Merkel em contacto directo com a população grega! De certeza que eles têm razões para a adorar de várias maneiras diferentes

E agora temos que aturar idiotas a dizerem que a pergunta do referendo é confusa. jesus....

Toda a gente já percebeu que o que interessa é o significado emocional narrativo do referendo para cada grego. Emocional. Nada mais que isso. Para a Europa (Alemanha), o referendo tem uma narrativa parecida com isto:



Para o governo grego, o referendo parece-se mais com isto:



Não sei o que vai acontecer. Mas o medo tem maneiras de suplantar todas as emoções humanas, que não sejam a fome, pelo que o meu dinheiro está numa derrota do governo grego, e numa vitória do sim a mais austeridade.

Mas congratulo-os pela luta que deram. Vão perder, mas jogaram com tomates, e quem quer que venha a seguir ganha com isso. Ganha uma melhor posição negocial. Além de que fica demonstrado que a Europa se está cagando para a democracia, para as populações e para as suas escolhas de governo.

Isso tende a chatear as pessoas, e a mudar as expectativas.
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