Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Fins de tarde pretensiosos em Agosto

O eco de fim de uma tarde de Verão é feito de gritos estridentes de grupos de crianças a brincar excitadas na distância. Uma vaga alucinação, um sonho a desfazer-se na memória, à medida que o calor desiste, os corações aceleram, a dopamina liberta-se com a perspectiva da noite, a adolescência do dia avizinha-se.

O fim de tarde de Verão salpica as cidades costeiras com grupos de crianças nómadas bronzeadas, vozes indistintas e risos desinibidos, caóticos, mas homogéneos de alguma maneira. Como os primeiros sons nos ouvidos de um viajante que acorda na gare de babel de uma cidade nova, num itinerário sonhado durante um ano de trabalho.

As brincadeiras dos grupos de miúdos num fim de tarde de Verão têm alguma coisa de cósmico, são a radiação fóssil de Verões câmbricos sedimentados na nossa memória colectiva. Por isso, quando atravesso o parque às sete da tarde, uma centelha de melancolia acende o crepúsculo, porque lembro-me dos fins de tarde que passei em Tróia, a correr e a brincar. Sem conseguir perceber porque é que os adultos perdiam tempo, lânguidos, a escorrer nas cadeiras das esplanadas. Como é que eles conseguiam estar sempre parados no mesmo lugar, quando existiam tantos espaços para explorar, tantos recantos a ficarem obscurecidos, a transpirar mistério.

Lembro-me de ter 8 anos, e percorrer Tróia inteira com os meus amigos, a brincar às Tartarugas Ninja. Cada um de nós, (depois de escolher e disputar as personagens que íamos ser), subimos a todas as torres de Tróia, a derrotar vilões imaginários, numa das melhores brincadeiras do Verão.

Estivemos desaparecidos durante horas, e quando voltamos apanhei um ralhete e um tabefe do meu pai, porque não avisamos que íamos brincar às Tartarugas Ninja. Também me informaram que teriam chamado a polícia para ir à nossa procura. O que mete medo a um miúdo.
A polícia estar à nossa procura são más notícias. Ainda hoje, qualquer de nós acharia inconveniente, se outra pessoa enviasse homens armados no nosso rasto. Começamos logo a sentir-nos culpados de coisas.

Foi um evento na linha do que aconteceu quando tínhamos 6 anos, e roubámos, repetidamente, ímanes nos supermercados.

O equivalente da altura disto:

Estavam a dar brindes destes com os iogurtes. E para mim, a marca que fizesse isso, era a minha marca de iogurtes. Queria lá saber que sabor o iogurte tinha, compra-me o o dos ímanes. Mas só davam um íman com cada 8 iogurtes... E nós começamos a roubá-los. Miúdos sem nada para fazer no corredor dos lacticínios, enquanto a mãe escolhe a marca do queijo, começam a mexer nas coisas... Não é como se nos orgulhássemos disso.... Mas queríamos os ímanes. E há um limite para a quantidade de iogurte que um corpo de 6 anos consegue tolerar.

Estes eventos deixaram os nossos pais perplexos, que pensaram que estavam a criar pequenos ladrões...

Nós não parávamos quietos, e as tardes eram feitas de jogos de tabuleiro e de brincadeiras ao ar livre.

Até ao meu pai me assobiar para jantar, e eu ir contrafeito para o apartamento a coçar as pernas da relva húmida, saltar o muro que dava acesso à varanda, tomar banho.

Porque é que idealizamos a nossa infância? Porque já aconteceu. Porque o que podia ter corrido mal, correu, e lembramos-nos do que tínhamos, e que era bom. Pelo mesmo motivo que idealizamos relações passadas. Gostamos do que conhecemos, e o que tem pouco potencial para nos surpreender dá-nos segurança, e nós gostamos disso.

Além de que a nossa infância foi um tempo controlado (mais controlado que a idade adulta). E tínhamos alguém a olhar por nós. A validar-nos com atenção e controlo.

Por isso, quando me sinto inseguro por ter trinta anos, e ter pensamentos que para todos os efeitos têm que ser considerados infantis, vou ouvir uma conversa entre adolescentes.

Não percebo nada do que eles dizem, não percebo nada do que eles gostam, e tenho noção que à medida que o tempo for passando, esta impressão se vai aprofundar.

Até eu começar a dizer que eles não prestam e não vão a lado nenhum. E se me quiser sentir velho, oiço a musica de que eles falam.


Para mim, isto é um jovem gago que oxigenou o cabelo, e que gosta mais de dinheiro que o tio patinhas. E deixou-se filmar a gaguejar, enquanto se esfregava em notas de dolar, por um amigo que estava a ter uma crise convulsiva. Além de que alguém o devia informar que o dinheiro pode servir para comprar telefones, mas não é possível fazer chamadas com maços de notas.

Estou certo que há uma metáfora brilhante que me escapa.

Acho que esta música podia ser usada para fazer com que os clientes se despachassem a arrear o calhau numa casa de banho de um restaurante com muita afluência. Mas 35 milhões de pessoas discordam.

O que é que eu sei?
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domingo, 6 de setembro de 2015

Uma Ode às Árvores

Perguntem a uma criança que ande na escola porque é que as árvores são tão importantes.

As crianças mais queridas vão responder que é por causa da sombra (awwww), mas aquelas que forem espertalhonas vão dizer que é porque as árvores dão oxigénio!


E isso não é falso! É absolutamente verdade, sim, as árvores dão oxigénio!
Mas não é por isso que as árvores são importantes.

De que é que é feita uma árvore?

Uma árvore é feita de luz, ar, água e alguns micronutrientes inorgânicos (pouquinhos).

De onde é que vêm aquelas toneladas todas de madeira, então?



Por surpreendente que possa parecer (ou não) não vem das raízes.

Se aquela massa toda tivesse sido retirada pelas raízes da árvore, então cada árvore estaria lentamente a criar uma cratera à sua volta de material absorvido.


Mas obviamente não é isso que acontece.

Acontece que há 3,4 biliões de anos aconteceu uma das primeiras e mais importantes divisões na história da evolução da vida. Surgiram as primeiras células capazes de fazerem fotossíntese, as cianobactérias.

Só para termos de referência, as células só aprenderam a tornar-se multicelulares há cerca de 1 bilião de anos.

A fotossíntese faz uma coisa muito simples, mas que ainda não conseguimos simular perfeitamente.
A fotossíntese permite usar a energia da luz para transformar dióxido de carbono gasoso em açúcares sólidos.

Ou seja, as árvores captam o dióxido de carbono do ar e transformam-no em madeira.



Nesse processo as Árvores tiram CO2 da atmosfera, e prendem-no na madeira.

É por isso que as Árvores são importantes, porque reduzem o CO2 atmosférico.

Isto é importante por causa do ciclo do carbono.

Lembram-se quando na escola primária vos ensinaram como a água evaporava dos mares, ia para as nuvens e depois voltava a descer sob a forma líquida para o mar? Esse é o ciclo da água, não tem nada a ver com este.

Este é um ciclo diferente e questiono-me porque é que não nos ensinaram acerca deste na escola.

Basicamente:
O carbono está sob a forma sólida no solo, nas pedras, na terra. Depois os vulcões em erupção atiram imenso carbono sob a forma de dióxido de carbono para a atmosfera.
O conteúdo de carbono gasoso na atmosfera cresce, captando calor e fazendo aumentar a temperatura, e dissolve-se parcialmente na água do mar, captando calor e fazendo aumentar a temperatura.

Depois as árvores, e plantas e outros seres vivos captam esse carbono atmosférico, transformam-no em matéria orgânica, voltando a prendê-lo sob a forma sólida.

Essa matéria orgânica toda rica em carbono concentrado morre, decompõe-se volta a fazer parte do solo, arrastando consigo o carbono que até há pouco tempo estava na atmosfera. A determinada altura, por causa dos movimentos tectónicos, esse carbono preso no solo acaba por se afundar outra vez para o fundo da terra.

As Árvores estão a tirar o dióxido de carbono da atmosfera e estão a prendê-lo em matéria orgânica, e a depositá-lo outra vez no solo.

O que é bom porque um efeito de estufa descontrolado pode transformar a Terra no planeta Vénus, o que não seria de todo agradável.

Temperaturas de 462ºC, ventos de ácido sulfúrico
É por isso que as árvores são importantes.

O que é uma chatice, porque desde que andamos por cá, o número de árvores reduziu para metade.


Sabem para onde é que foram essas árvores todas?

Queimámo-las.

Pegámos no carbono que elas tinham preso dentro de si e voltámos a soltá-lo na atmosfera.

Não contentes com isso, fomos buscar o carbono de árvores mortas há milhões de anos no subsolo (o carvão e o petróleo) e também o atirámos para a atmosfera.

Atiramos 30 biliões de toneladas de CO2 para a atmosfera, todos os anos. Mais ou menos a mesma quantidade de carbono presente nos Penhascos de Dover.


A terra está a aquecer, e não estamos a arrefecê-la rápido o suficiente.
Já sabemos isto tudo há mais tempo do que pensaríamos que fosse necessário para fazermos alguma coisa acerca disso.

É possível que até já seja tarde demais.

Eu sempre tive curiosidade sobre como seria estar em Vénus, de qualquer maneira.

Há, no entanto por aí uns estúpidos que acham que não, que isto é tudo mentira, uma conspiração dos cientistas liberais que querem deixar os homossexuais casarem-se e dar o direito de voto às mulheres!

Estúpidos...

Toda a gente os avisa, vêm pessoas supostamente espertas avisar de que isto pode tudo correr mal, mas eles acham que não. Vai tudo correr bem. Estão a exagerar.


Isto é um cenário de apocalipse, não sei se estão bem a perceber.
Isto pode bem ser o início do fim!
O que isto significa é que pode agora ser inevitável que a atmosfera mude de forma tão radical que seja impossível para a espécie humana continuar a viver cá, num futuro previsível.

Porque é que não está ninguém a entrar em pânico por causa disto?!

Naturalmente que as extinções acontecem, e faz tudo parte do ciclo da vida na terra. Mais tarde ou mais cedo lá vem um calhau celestial e isto recomeça tudo outra vez.


Mas apesar de tudo, levarmos com um cometa na cabeça é mais cósmicamente inevitável e fácil de aceitar do que a sensação de culpa-embaraçada com que vamos ficar quando percebermos que fomos nós que provocámos a nossa própria extinção.

Ah, sim, porque não sei se leram, já a começámos.

Começámos por limpar o sebo aos Mamutes e ao resto da Megafauna.


Depois passámos a tudo o resto.


Raio para os choanoflagelados, devia ter ficado tudo nas cianobactérias e pronto... plantinhas verdes por todo o lado...

Era mais bonito.

Não haveriam gatos, mas haviam mais árvores...

E pronto, é por isso que as árvores são importantes.
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sábado, 5 de setembro de 2015

Tunes with Tangerine - Let it Happen, Tame Impala



Let it Happen, Tame Impala

Chosen by Tangerine.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Silly season diagonal

As Pataniscas Satânicas orgulham-se em apresentar umas tolices que escrevi na praia, depois de ter lido uns jornais.

António Costa promete ''não prometer nada''

Entrevistado pelas Pataniscas Satânicas, o líder do PS recusa comprometer-se com o que quer que seja. Ou melhor, recusa prometer empregos, tal como os patrões que vão buscar estagiários do Instituto de Formação Profissional. O líder do PS foi cauteloso nas suas declarações:
'' Não prometo 207.000 postos de trabalho. Não prometo crescimento económico. Não prometo que vou aos debates. Não prometo nada.
Há uma diferença entre comprometer-me e prometer-vos coisas. E não tem nada a ver com o Sócrates! Comprometo-me com umas medidas muito boas! Se essas medidas afundarem o país, a culpa não é minha. Agora deixem-me ligar à Merckel, que ela não tem atendido os meus telefonemas, e já vos faço um resumo do programa do PS para a década. É Tempo de Confiança!''


Ministério Público, Correio da Manhã e Advogados de Sócrates concordam: ''Há aqui dinheiro a Mais''

Ministério Público conseguiu com que os advogados de Sócrates admitissem que ele andava a morar em apartamentos em França, com dinheiro vindo do Correio da Manhã. O periódico, envolvido numa cabala negra contra o Ex Primeiro Ministro, descobriu que este recebeu dinheiro do próprio jornal para se manter nas notícias com diligências legais de utilidade duvidosa. Neste caso de contornos tortuosos e reviravoltas inesperadas, descobriu-se que José Sócrates e o Correio da Manhã financiaram-se mutuamente para nos aborrecer de morte com mais dois ou três pedidos de 'Habeas Corpus', antes das férias judiciais, e umas intrigas no mercado imobiliário, durante as mesmas.
O jornal Correio da Manhã aproveita para lembrar valores integrais e eternos do jornalismo como a imparcialidade, o pluralismo, e o ''José Sócrates é um bandido que levou isto para a bancarrota'', e José Sócrates aproveita para lembrar que ''isto é tudo uma cabala negra para o PSD ganhar as eleições. Ah, e se alguém quiser comprar um apartamento de um amigo meu, é deixar uma mensagem na porta da casa de banho.''


Médicos sujeitos a testes diários para o resto da vida

A Ordem dos Médicos avança com a medida, segundo a qual os médicos vão ter que fazer testes de escolha múltipla a descontar, depois de cada consulta que façam. As perguntas vão ser tiradas da edição de 1978 do Trivial Pursuit, e os médicos que acertarem vão ganhar um triângulo de queijo da ''Vaca que Ri da tua cara.''
As médicas vão fazer testes de gravidez diários, os médicos cubanos vão fazer testes de Português B do décimo ano (podem começar a ler os lusíadas).
O Ministério da Saúde diz que a medida é de vistas curtas, e admite avançar com testes barométricos, para avaliar a pressão intestinal dos médicos portugueses. Paulo Macedo diz que ''pela maneira como alguns médicos olham para mim, podem ter um alguma coisa encravada no cólon. Ah, e enquanto tenho a palavra, olha, o Ano Comum acabou! Façam-se à vida. Viva o estado social.''


Reino Unido quer fugir da Europa a nado

Com os conservadores no poder durante a maior crise migratória da década, David Cameron telefonou a Donald Trump para pedir conselhos sobre como lidar com o problema. Cameron respondeu às Pataniscas Satânicas: ''O problema são os mexicanos que nos querem violar, e as mulheres que são porcas gordas, preguiçosas e animais nojentos, como me disse o Sr Trump. Vamos construir um muro à volta do nosso país, fazer um referendo para sair da União Europeia.
Além de que temos equipas de cientistas a ler a Jangada de Pedra do Saramago, para tentar perceber a maneira mais fácil de fazer a Grã Bretanha boiar para o meio do Atlântico, onde estará a salvo desta gentalha. Tenho ido ao parque atirar alpista, para ver se atraio estorninhos, e continuo a atirar pedras grandes, para ver se consigo fazer como o Diogo Infante no filme.

Pataniscas Satânicas: ''E os seus esforços já deram frutos?''

David Cameron: ''Bem, estou cheio de fezes de pombo, mas a minha mulher já teve relações com um velhote parecido com o Saramago, por isso acho que é uma questão de tempo.''


China tomba e pernas de Passos tremem

Provavelmente no fim de escrever este parágrafo, já a bolsa Chinesa recuperou, e Pequim está cada vez mais pronto a invadir o Mundo Civilizado com charters de esbanjadores porcalhões, prontos a ignorar o nosso racismo provinciano, e a adquirirem mais uma empresa que os nossos antepassados construíram.
Os investidores asiáticos aguardam (a salivar) que Passos Coelho comece a dizer que vende coisas, porque ''gostaram do que viram no negócio da TAP''.
O CEO da empresa Chinesa Anbang avançou com uma proposta de 250 euros e meia dose de galinha com amêndoas, em troca do Metropolitano do Porto.

Contactado pelas Pataniscas Satânicas: Passos Coelho diz que aceita o negócio, e oferece-se para ir fazer horas na Asia Megastore da Amadora. (Pergunta se pode receber por baixo da mesa, porque diz que descontar para a Segurança Social é pior investimento do que dar dinheiro ao Ricardo Salgado).

Enquanto o Primeiro Ministro trabalha no retalho, toda a Esquerda torce pela queda da bolsa na China Comunista. Caso isso aconteça, e os Chineses não tiverem virados para desembolsar 3.500 milhões pelo NovoBanco, os arautos da esquerda caviar vão começar a destilar retórica bota abaixista suficiente para deixar os leitores da esquerda.net (mais meia festa do avante) com azia suficiente para esgotar o stock de Kompensan das farmácias portuguesas.

A Ministra das Finanças diz que a diferença entre o empréstimo do estado ao BES, e o preço da venda na privatização do NovoBanco, será reposta pelo Fundo de Resolução financiado pela Banca, pelo que os contribuintes estão salvaguardados.
A Ministra das Finanças diz também que a esquerda é um monte de bêbados e ganzados que acreditam no Pai Natal, e querem é usar os impostos dos portugueses para o Príncipe da Nigéria e a fada dos dentes fazerem uma orgia de despesismo irresponsável, estilo ''Eyes wide shut''.
Perante isto, os contribuintes respiraram de alívio, porque se há entidades que conhecem e confiam, é o Ministério das Finanças e a Banca portuguesa.

Em notícias não relacionadas, o seu banco (qualquer que seja) aumentou as comissões e taxas de manutenção da sua conta. Deve ser para ajudar a Caritas...



Vox Populi:

''O que acha desta rubrica das Pataniscas Satânicas?''

''Eu não acho graça nenhuma a estas merdas. Deixei de ler o Inimigo Público quando eles noticiaram em 2010, que o Presidente do Sporting ia ser um hooligan de facebook e que ia contratar o Jorge Jesus ao Benfica, porque admirava a maneira como ele falava Português.
Essa malta fica com complexo de Cassandra, começa a falar das singularidades e da consciência, e depois ninguém os atura.''
 - gajo do Benfica

''Se vocês contrataram o chefe de redacção do Inimigo Público, para desestabilizar o adversário e tentar reproduzir uma fórmula campeã de outra publicação, então só posso aplaudir as vossas técnicas de gestão e linha editorial. Mas cuidado com os Russos, não gozem com eles. Especialmente de forem do CSKA.''
- gajo do Sporting

''Por mim, enquanto os mouros do sul andarem pegado uns com os outros, o Pinto da Costa pode vender a equipa do Porto toda que somos campeões na mesma. Acho que os Chineses podiam comprar tudo o que estivesse abaixo do Mondego.''
- gajo do Porto

''Eu acho que estas coisas do Futebol são infantilidades reminiscentes do nosso passado bélico, e não passam de uma manifestação da mentalidade in group/out group, no entretenimento de massas avessas à alta cultura. Agora cala-te que nesta cena o Capitão América dá uma tareia aos Russos, e eu já perdi um bocado do filme para te aturar.''
- Gui Santos
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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Memes, ou a Existência Fractal de Código Auto-Replicante

Pensem num Vírus.

Num daqueles vírus que vos provocam tosse e febre e diarreia.

Agora pensem numa bactéria.

Já falei várias vezes sobre como as bactérias são robots proteicos. Reproduzem-se, têm metabolismo energético, homeostase, resposta a estímulos, e uma data de outras características que as definem como seres vivos.

E a vida como a conhecemos baseia-se no código genético.
O Código Genético escreve-se com ácidos nucleicos, moléculas orgânicas com 4 formas possíveis: Adenina, Timina, Guanina, e Citozina.
Estas quatro letras (ATGC) servem para escrever um código.
Esse código codifica instruções para como construir proteínas, que servem para construir o organismo, para realizar o metabolismo e a resposta a estímulos e essas coisas todas.
Codifica ainda instruções para como usar essas proteínas para fazerem mais cópias do código para a geração seguinte.



As bactérias são compostas por proteínas codificadas no seu código genético, e muito obedientemente, muito roboticamente, vão fazendo cópias do seu código genético para as próximas bactérias.
As pequenas variações no código genético são o que permite a variabilidade de proteínas e organismos sobre os quais vai actuar a selecção natural.
Dessa forma a evolução consegue transformar um ser vivo unicelular num gato.

Um vírus não é um gato.

Um vírus nem sequer está bem vivo.

Um vírus é só um pedacinho de código genético que codifica a instrução simples "faz mais cópias de mim mesmo".
Um vírus é uma sequência de ATGCs relativamente curta, que simplesmente diz para ser copiada.

Não codifica proteínas para metabolismo energético, não codifica proteínas para resposta a estímulos, nem sequer codifica proteínas para se copiar a si mesmo, não faz quase nada.
Só "faz mais cópias de mim mesmo".

Quando um vírus infecta uma célula, ela vai, muito obedientemente, simplesmente seguir a instrução do vírus, e copiar esse pedaço de código milhares de vezes, e as milhares de cópias vão elas ser copiadas milhares de vezes, e por aí fora, até a célula rebentar e os vírus poderem ir infectar outras células.
Desta maneira os vírus provocam tosse, e febre e diarreia.



É doentiamente mecânico. Porque os vírus não estão vivos, são só... código.

Código que é muito muito bom a replicar-se.

Um sistema que dependa da cópia e transmissão precisa de código é vulnerável a pequenos pedaços de código que sejam muito bons a replicar-se. É inevitável.

Podemos observar este mesmo fenómeno com outra coisa menos viva ainda.

Priões.

Os Priões são proteínas defeituosas.

As proteínas são compostas por um código sequencial de aminoácidos (20 aminoácidos, à semelhança das 4 letras do código genético) que determina a configuração tridimensional específica da proteína que lhe confere as suas características individuais.
Cada proteína individual tem o seu código específico de aminoácidos, diferente das outras proteínas.


Os Priões são proteínas cujo código de aminoácidos está alterado, o que faz com que se comportem de forma diferente.
Quando um Prião entra em contacto com uma proteína normal, induz alterações na sua estrutura que fazem com que esta também se transforme num Prião.

Este novo Prião vai entrar em contacto com outras proteínas normais, transformando-as em mais priões, e por aí fora, numa reacção em cadeia.
Estas proteínas inúteis, mal-formadas, acumulam-se dentro das células matando-as e provocando doenças desagradáveis como a Doença das Vacas Loucas ou a Doença de Creutzfeldt-Jakob.


Ou seja, temos um pedaço de código (de aminoácidos, nem sequer é o código genético que associamos à vida) que é extremamente bom a replicar-se, a proliferar de forma descontrolada num sistema baseado em código preciso.


Podemos observar este mesmo fenómeno de forma ainda mais abstracta.


Pensem de novo num vírus, mas agora num vírus informático.

Num daqueles vírus que vos tornam o computador lento, e instalam programas que não querem, e se enviam por e-mail a todos os vossos contactos.

Todos os programas informáticos estão escritos numa linguagem de zeros e uns. Longas sequências de 0001101010100101 que codificam instruções para como os programas devem funcionar.
O computador só segue as instruções no código dos programas para obter o resultado que esses programas é suposto fazerem.

Temos um sistema baseado em código que nem é físico. As letras deste código não são moléculas de DNA ou aminoácidos, são entidades matemáticas abstractas que permitem um código matemáticamente perfeito e extremamente complexo.


Um vírus informático é simplesmente um pedacinho de código que diz "faz mais cópias de mim mesmo". Também faz outras coisas como transmitir os vossos dados pessoais a companhias publicitárias, mas o que o define é ter a capacidade de se replicar, inserindo cópias de si mesmo noutros programas ou ficheiros.

Quando um vírus informático infecta um computador, ele vai muito obedientemente seguir as instruções no código do vírus e fazer vários milhares de cópias desse código e passá-lo a todos os outros computadores.



Mesmo um sistema baseado em código electrónico, abstracto, é extremamente vulnerável à proliferação de pedacinhos de código que se conseguem replicar muito bem.

Conseguem lembrar-se de algum outro código abstracto extremamente complexo que pudesse ser vulnerável a pedaços de código auto-replicantes?

Sim?

Que tal este? Este que estão a ler neste preciso momento?

Nem estou a falar da língua portuguesa propriamente dita, ou sequer nas letras do alfabeto, isso são só maneiras de representar o código.
Estou a falar de linguagem, aquilo que organiza os nossos pensamentos e sobre o qual conseguimos construir uma consciência secundária.

A linguagem é um código para os nossos pensamentos. Um código extremamente abstracto, que não compreendemos na totalidade, que tem regras de semântica, e de sintaxe, e que serve para comunicar ideias e instruções de pessoa para pessoa.


Agora pensem num Meme.

Provavelmente quando pensam num meme, pensam nisto:


Bonecos, desenhos, ou piadas, que andam por todo o lado na internet.
São populares, propagam-se, pegam-se, tornam-se moda. A maioria é rapidamente esquecida.

Se calhar, mas menos provavelmente, pensam no fenómeno do Harlem Shake, há uns anos...



Na realidade a definição de Meme é um pouco mais abrangente:

"Um Meme age como uma unidade que transporta ideias culturais, símbolos ou práticas que podem ser transmitidas de mente para mente através da escrita, língua, gestos, rituais ou outros fenómenos imitáveis (...). Podem ser melodias, frases-feitas, modas ou a tecnologia de construir arcos.
(...) Os Memes são um fenómeno viral que pode evoluir por selecção natural de uma forma análoga à evolução biológica. Os memes sofrem processos de variação, mutação, competição, e hereditariedade que afectam o sucesso reprodutivo do meme. (...) Memes que se propagam menos prolificamente podem extinguir-se, enquanto que outros podem sobreviver, espalhar-se e sofrer mutações.
Memes que se replicam de forma mais eficaz têm mais sucesso, e alguns podem replicar-se eficientemente mesmo quando são detrimentais para os seus hospedeiros."


Os Memes são pedacinhos de código linguístico que se replicam com muita facilidade e que por isso proliferam num sistema baseado em código.

Mas os Memes não causam doenças... Ou causam?

Leiam esta notícia. Eu espero...


No episódio de Morangos com açúcar algumas personagens estavam com alergias e comichões e com a pele vermelha.
Alguns adolescentes viram isso e começaram a acreditar que tinham comichões e pele vermelha, que depois se verificaram MESMO!
Ao falarem uns com os outros, a ideia tornou-se contagiosa, passando de adolescente em adolescente até atingir cerca de 200!

Uma ideia, um pedacinho de código linguístico, muito contagioso, com excelentes capacidades para se replicar, que proliferou num sistema baseado e código.

O mais impressionante é que isto foi um caso evidente de uma doença física, com sintomas observáveis, causada por um Meme! Uma doença provocada por uma ideia contagiosa.

Naturalmente que fenómenos de Histeria de Massas já são conhecidos há séculos, desde as Pragas de Dança Contagiosa na Europa do Séc. XVI até aos Julgamentos de Bruxas de Salem  na América do Séc. XVII.


Agora pensem na Religião.

Não, não pensem na Religião, não vamos entrar por aí!

Pensem nos Alemães a enviarem o Lenine para a Rússia em 1917 para ele espalhar lá as ideias do Socialismo e derrubar o Tzar!

Não, não pensem nisso.

Pensem em Fractais!


Fractais são conjuntos matemáticos ou fenómenos naturais que exibem um padrão repetitivo que é aparente a todas as escalas.

Ou seja, um fenómeno simples que ocorre da mesma maneira em várias ordens de grandeza, quer no muito pequenino, quer no muito grande.


Temos código viral auto-replicante a proliferar num sistema de código genético.

Temos código proteico auto-replicante a proliferar num sistema de código de amino-ácidos.

Temos código informático auto-replicante a proliferar num sistema de código de zeros e uns.

Temos código memético auto-replicante a proliferar num sistema de código linguístico.

...

It's turtles all the way down!!!

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domingo, 30 de agosto de 2015

Cat Tax

O meu gato tem uma atitude para comigo e com a minha comida, de alguém que está a jantar com outra pessoa, e lhe tira qualquer coisa do prato.
Ele olha para mim a desempenhar uma tarefa, com uma sandes ao lado, e pensa: ''Ele não está a comer aquilo. Posso ficar com a sandes.''
Eu sei isto, porque quando lhe dou qualquer coisa que ele gosta para comer, ele come-o imediatamente. Devora, antes que fuja.

Se eu tiver um prato com um hambúrguer ao lado, enquanto faço outra coisa qualquer, ele pensa que é um desperdício. Ele vai tentar todas as estratégias até chegar à sandes. Aborda a questão cada vez mais lentamente, à medida que eu o impeço. Com uma atitude quase surpreendida e inocente. ''Olha, já que tu estás ai tão compenetrado a escrever no computador, de certeza que não te importas que eu.... o quê... não? não posso comer a sandes...?  Mas tu não estás a comê-la? Posso cheirá-la só? Só cheirar?... ''
É o que ele pensa enquanto tenta. E não é agressivo. Aliás, ronrona, enquanto se aproxima da sandes, e tenta roçar-se na minha mão.

Eu empurro-o vezes sem conta, devagar e com paciência, e faço-lhe festas e digo: ''Não....''. Mas ele não desiste. Tenta de outro ângulo, depois de miar meia dúzia de vezes.
Eu empurro-o mais duas ou três vezes com a mão, mas agora ele já me dá dentadas amistosas, e patatas com as patas traseiras. Com pouca convicção. Depois levanta-se a ronronar, e vai tentar comer a sandes.

Ele continua a tentar, porque sabe que ser chato, no passado, já deu frutos. E por isso, persevera. E tenta de várias maneiras diferentes, interagindo comigo de maneira cada vez mais refinada.

Até me fartar, interromper o que estava a fazer, e comer a sandes de uma vez. Ele mia alto e fica lixado quando faço isto. Porque de alguma maneira sabe que eu não a teria comido daquela maneira, se não fosse ele. E pior, ele desenvolveu uma expectativa, que eu frustrei.

Se não comer a sandes imediatamente, não consigo fazer mais nada, senão defendê-la do gato.
E tenho que despachar tudo, porque o gato vai tentar beber do meu copo, se me distrair.

Por isso tenho que pagar imposto ao gato, cada vez que quero comer com calma! Tenho que lhe dar um bocado do que está no meu prato! Porque já tentei dar-lhe wiskas dos especiais, e ele prefere o meu arroz com atum.


Aliás, acho que o atum é cocaína para gatos. O gato perde as estribeiras com o atum. Se eu conseguisse comunicar melhor com ele, acho que conseguia que ele lavasse a loiça, se lhe prometesse uma lata de atum ramirez, ou mesmo da marca e. Se bem que ele prefere tenório. Foi assim que descobri a minha marca de atum. Tenório. Aprovada pelo gato.

Tenho é que o comer logo... ou então pagar imposto.


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sábado, 29 de agosto de 2015

Tunes with Tangerine - High By The Beach, Lana Del Rey


High By The Beach, by Lana Del Rey

Chosen by Tangerine.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O que é a Consciência - Parte III

Bem vindos à terceira e última parte da nossa viagem pela toca do coelho que é a consciência humana!

Sugiro que leiam a Parte I e a Parte II uma vez que lá introduzo muitos dos conceitos necessários para compreender a Parte III.

Se forem preguiçosos, algo com que eu me identifico muito, basicamente na Parte I concordamos em definir a Consciência como o estado mental que permite não só percepcionar subjectivamente a informação que nos chega do exterior através dos sentidos, mas também percepcionar estados internos como emoções e ideias, e integrar toda essa informação numa experiência fluida de pensamento interior caracterizada por um sentimento de "eu" que permite interpretar, aprender e interagir com o mundo.

Ainda na Parte I compreendemos que a consciência é composta por ferramentas cognitivas, onde é que essas ferramentas se localizam no cérebro e como interagem entre si; na Parte II compreendemos de que maneira essas interacções dão origem a uma Consciência Primária, e de que maneria os estímulos externos ganham estas qualidades subjectivas que lhes atribuímos, como o vermelho e o calor.

No entanto, até agora estamos só a falar de sensações e percepções subjectivas. Elementos que, apesar de complexos, continuam a ser bastante distintos uns dos outros, e que mesmo unidos levam apenas a uma consciência episódica, momentânea, sensorial e Primária.

Como é que todas estas ferramentas cognitivas, percepções sensoriais e sensações subjectivas se organizam para criar isto que parece ser o filme fluido que vemos e sentimos e pensamos sempre que estamos acordados?

Imaginem a seguinte metáfora:

No "Teatro da Consciência" há um foco de luz que ilumina uma zona no palco. Essa zona iluminada revela os conteúdos da consciência, os actores a entrarem e a saírem, a fazerem discursos ou a interagirem uns com os outros.
Os espectadores deste teatro não estão iluminados - estão no escuro (inconscientes) a ver a peça.
Atrás do cenário, também no escuro, estão os encenadores, escritores, carpinteiros, maquilhadores, etc. Eles ajudam a construir as actividades visíveis na zona iluminada, mas são eles próprios invisíveis.


Por outras palavras, o foco da nossa atenção/consciência é reduzido e limitado a uma porção muito pequena do que realmente é percepcionado. Há inúmeras ferramentas cognitivas inconscientes que constantemente ajudam a construir/interpretar essas percepções que são o foco da atenção.

O foco da atenção muda constantemente de lugar, as coisas que se tornam conscientes vão sendo diferentes à medida que aspectos entram e saem da nossa consciência (sem no entanto deixarem de existir - simplesmente vão para a zona escurecida).

Esta Teoria do Global Workspace é muito adequadamente suportada pela Teoria do Núcleo Dinâmico (complexo Córtico-Talâmico) de que falámos na Parte I.
Quando dirigimos a nossa atenção para determinado aspecto da realidade, inúmeras zonas do cérebro, responsáveis por codificarem ferramentas cognitivas, são todas activadas em conjunto para interpretarem o que está a ser percepcionado em determinado momento.
No momento seguinte, quando a atenção mudar o seu foco, outras zonas do cérebro com outras ferramentas cognitivas serão activadas para tornar consciente o que quer que seja que esteja no foco da atenção.



Este processo acontece constantemente, muito rapidamente, com integração de sinais dentro do Núcleo Dinâmico a ocorrer com uma frequência de 10Hz.
A utilização de diferentes ferramentas cognitivas inconscientes de forma sequencial e muito rápida, para traduzir conscientemente uma pequena porção do que se passa à nossa volta, cria este Fluxo de Consciência que é a nossa experiência do mundo.


Portanto já conseguimos explicar de que maneira as estruturas do cérebro, contendo ferramentas cognitivas, interagem para produzir este fluxo de consciência que é a base do que entendemos como consciência.

Mas quem é que está a percepcionar este fluxo de consciência? Exactamente "quem" é que está a sentir os qualia num determinado corpo?
Melhor ainda, o que é o "eu"? (self)

Como temos estado a dizer até agora, a Consciência evoluiu de maneira a permitir aos organismos terem respostas mais adaptadas ao seu ambiente.
A diferenciação do "eu" desta sopa de sensações, emerge das respostas cerebrais aos sinais sensoriomotores do corpo.
Ou seja, as ordens motoras que o cérebro envia aos músculos em resposta ao que está a ser percepcionado servem para distinguir o próprio do ambiente. Esta capacidade de agir, e os modelos internos que comparam essa vontade de acção com os movimentos do corpo, geram a noção de individualidade, de "eu sou diferente do mundo", "eu existo".

O "eu" nasce da experiência de que o corpo consegue agir de forma independente do meio, sobre o meio e em resposta ao meio.


Esta noção de que a vontade consciente, o "eu", possa surgir DEPOIS de as acções acontecerem parece estranha. Parece ser um caso de pôr a carroça à frente dos bois, as acções antes da vontade de as fazer.

No entanto está perfeitamente de acordo com a teoria do Global Workspace, na qual a nossa consciência é de facto uma coisa razoavelmente limitada, com imensos processos a acontecerem inconscientemente.
Existe até um Modelo de Consciência que põe em causa grande parte da nossa capacidade de tomada de decisão, remetendo-a para estes processos que acontecem atrás das cortinas.

Esta capacidade de avaliar e reavaliar as acções, mesmo depois de elas terem acontecido tem por base o mecanismo dos Neurónios Espelho.
Neurónios espelho são neurónios que se activam quando uma acção é tomada mas também quando a mesma acção é meramente observada, mesmo que o observador esteja a observar a acção a acontecer noutra pessoa.
Ao permitirem um playback dos processos mentais mesmo depois de estes acontecerem. permitem um fenómeno de introspecção e de "pensar sobre pensar" ou aquilo que sentimos como auto-consciência.


Acredita-se que estes Neurónios Espelho são igualmente importantes no desenvolvimento da linguagem.

É a organização do pensamento sob a forma de linguagem que permitiu aos humanos atingir um grau mais elevado de consciência.
Recorrendo à semântica e a unidades linguísticas, a consciência humana é capaz de organizar o pensamento de uma forma narrativa, interpretando experiências passadas e planeando para o futuro, bem como a abilidade de se tornar consciente de ser consciente (mais uma vez o fenómeno da auto-consciência).
É através da linguagem e da auto-consciência que a Consciência Humana se liberta das Presente Lembrado da Consciência Primária, e consegue começar a fazer coisas muito mais complexas.

Desta forma atingimos aquilo a que se pode chamar uma Consciência Secundária, que finalmente é aquilo que reconhecemos como sendo a nossa Consciência Humana, e que corresponde à nossa definição inicial de Consciência.


Resumindo e concluindo:

A Consciência Humana é composta por ferramentas cognitivas individuais que estão presentes em zonas distintas do cérebro.
Quando somos expostos a um estímulo novo, essas ferramentas cognitivas são usadas para interpretar o estímulo. Isso é possível porque as zonas distintas do cérebro, onde estão essas ferramentas cognitivas, são todas activadas de forma síncrona, tendo por base a estrutura do Núcleo Dinâmico, composto pelo Córtex-Tálamo.
Os estímulos tornam-se conscientes em tempo real devido à interação entre o Córtex-Tálamo e o Límbico-Tronco Cerebral, gerando uma forma de Presente Lembrado.
As características subjectivas desses estímulos (como o azul do céu, ou o calor do quente, chamados qualia) não são mais do que uma forma da Consciência discriminar entre os vários estímulos que lhe são apresentados.
Esta Consciência Primária, sensorial e emocional, é toda unificada através da Teoria do Global Workspace, de acordo com a qual existem imensas ferramentas cognitivas inconsciente todas a trabalharem em conjunto para tornar apenas uma pequenina porção de todos os estímulos consciente e facilmente interpretáveis.
Isto é possível porque, em tempo real, várias zonas diferentes do cérebro vão sendo recrutadas sequencialmente, através do Núcleo Dinâmico, para gerarem um único Fluxo de Consciência fluido e coerente.
O "Eu" que experiencia este Fluxo de Consciência emerge a partir da capacidade que a Consciência tem de actuar sobre o meio, criando a distinção entre o próprio e o resto do mundo.
Este "Eu", ou sensação de auto-consciência, têm por base o fenómeno do Neurónios Espelho, que permitem uma espécie de "pensar sobre pensar" que por sua vez facilita a aprendizagem da Linguagem.
O código semântico da linguagem permite por sua vez organizar o pensamento de forma lógica e assim fugir ao Presente Lembrado da Consciência Primária, permitindo uma Consciência Secundária muito mais complexa, que é a que conhecemos.


Whew!!!

Conseguimos explicar a Consciência Humana!

Obviamente que cada um destes mecanismos de que estivemos imenso tempo a falar é extremamente interessante por si mesmo, e espero que daqui tenham conseguido pelo menos ficar com a ideia de como a Consciência Humana surge.

Para mim, pessoalmente, o mais enriquecedor disto tudo foi ter percebido que a minha própria consciência não era uma coisa impenetrável, mas que em vez disso é sim composta por uma data de ferramentas pequeninas todas a interagirem, e que isto que eu sinto como uma experiência fluida é na realidade composta por muitas pecinhas pequeninas.

A vasta maioria das coisas que eu escrevi são baseadas em teorias de Gerald Edelman que desenvolveu a Teoria do Núcleo Dinâmico, e Bernard Baars que desenvolveu a Teoria do Global Workspace.
Em 2011 juntaram-se e escreveram um artigo que une ambas as teorias, e no qual eu me baseei fortemente para escrever isto que acabaram de ler.

Se tiverem dúvidas não hesitem em escrever nos comentários e farei o meu melhor por tentar responder!

Obrigado!




Ps: no meio disto tudo li ainda imensas coisas sobre Consciência Animal e Consciência Artificial, sobre as quais hei-de escrever quando me conseguir recompor deste empreendimento épico!
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Praias Galácticas

Sabemos os números e os números são impressionantes.

100 a 400 biliões de estrelas na galáxia.
Pelo menos 100 biliões de planetas na galáxia.
170 biliões de galáxias no universo observável.

Os números são incompreensíveis.


Eles tentam dar exemplos para tornar os números mais identificáveis, mais relativamente quantificáveis na nossa cabeça.

Dizem-nos que existem tantos planetas no Universo como grãos de areia em todas as praias da Terra.

Isso impressiona! 

Temos claramente a noção que existem milhões de grãos areia numa praia, e isso é definitivamente mais do que o número incerto que tínhamos imaginado para os planetas.

Até podemos ler mais um bocadinho e perceber que não são milhões, são milhões de milhões de milhões de milhões de milhões de milhões. Um sextilião!


E aí pensamos que agora sim, sei realmente quantos planetas existem por aí. É um número gigantesco! Maior do que o que eu consigo compreender, mas ao menos tenho um número na cabeça.

Mas depois chego a uma praia. E lembro-me que existem mais planetas no Universo quantos grãos de areia numa praia.

E a praia é imensa e os grãos de areia são incontáveis.
Não são milhões ou biliões, são incontáveis.


Há incontáveis planetas na galáxia. Como é que eu queria compreender o número se nem quando ele está representado sob a forma de grãos de areia debaixo dos meus pés eu consigo começar a encaixá-lo na minha cabeça.

Há ASSIM tantos planetas na galáxia.

Mas o número torna-se real quando me apercebo do seguinte:

No meio de incontáveis planetas, há outro que tem uma praia como esta.


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domingo, 23 de agosto de 2015

Painel MCE - Super-Heróis: da BD ao Cinema

Portanto fui convidado pelas excelentes pessoas do Cubo Geek, para onde às vezes também escrevo, a participar com eles num painel organizado no Manga and Comic Event 2015.
Foi com imenso gosto que aceitei, porque estavam a dar-me a oportunidade de explicar em público estas tolices todas pelas quais eu me entusiasmo imenso, e isso é uma oportunidade que não aparece muitas vezes na vida de uma pessoa.

Pediram-me para fazer um resumo interessante da evolução ao longo dos anos dos filmes de super-heróis da Marvel e da DC.

O que se segue são as notas que eu escrevi com base na investigação que fiz, e que usei para me guiar na minha apresentação:


Painel DC vs Marvel - Filmes
MCE 2015 - 22 de Agosto, 14:00

A história dos filmes de super-heróis começa não com filmes mas com Serials, que eram uma espécie de filmes episódicos que passavam nos cinemas aos Sábados, e que tinham como público alvo as crianças.

Pelo interesse histórico não posso deixar de mencionar que o primeiro Super-Herói a aparecer o grande ecran foi o Mandrake, no seu serial chamado Mandrake the Magician, em 1939.
Foi seguido no ano seguinte pelo Adventures of Captain Marvel em 1941.

O primeiro super-herói da DC a aparecer no grande ecrân foi o Batman em 1943. Este The Batman and The Electrical Brain teve a particularidade de introduzir a ideia da Bat-Caverna, que só depois seria adoptada pela banda desenhada.


Quando a Marvel ainda não era a Marvel mas sim a Timely Comics, a personagem do Capitão América foi licenciada em 1944 à Republic Pictures só pela publicidade de borla, para fazerem o filme intitulado simplesmente Captain America.
Como a Timely não entregou à Republic Pictures nenhum desenho do Capitão América com o seu escudo e nem sequer nenhum tipo de background da personagem, a Republic simplesmente inventou o que lhe apeteceu e deu uma pistola à personagem.

Este seria o primeiro e único filme da Marvel durante cerca de 40 anos.




Depois durante os anos 50 a DC lança dois filmes do Super-Homem.

O primeiro, chamado Superman and the Mole Men de 1951, foi filmado inteiramente em 12 dias, e conta a história de como o Super-Homem impediu o conflito entre a população de uma pequena aldeia onde o poço de petróleo mais fundo do mundo foi inaugurado, e atingiu a casa subterrânea dos Homens Toupeira, que quando saem para explorar a superficie, matam um guarda de susto.




O segundo, Stamp Day for Superman, de 1954, conta a história de como o Super-Homem impede um roubo de um homem que rouba porque nunca se deu ao trabalho de poupar comida.
Era assim tão moralista!


Em 1966 é lançado o primeiro filme do Batman, Batman: The Movie, que se viria a tornar um filme de culto. O seu estilo deliciosamente camp, um Batman interpretado pelo inimitável Adam West (que se viria a tornar um meme ele próprio) e um conjunto de vilões extremamente bem interpretados fariam deste filme um marco na história do cinema de super-heróis, para o bem e para o mal.



Em 1978 viria o filme que realmente cria o género de filme de super-heróis que conhecemos hoje, Superman.
Foi o filme mais caro feito até essa altura, com um orçamento de 55 milhões de dólares. Tinha também um cast de estrelas, incluindo Christopher Reeve, Marlon Branco, Gene Hackman como o vilão Lex Luthor, Terence Stamp e Ned Beatty.
O filme viria a receber 3 nomeações para os óscares, e ganhar o Óscar para melhor montagem.



Os anos 80 foram definitivamente os anos do Super-Homem, com mais três sequelas, Superman II (1980), que teve uma produção muito complicada e que acabaria por ter um Director's Cut lançado em 2006, Superman III (1983) com o Comediante Richard Pryor, Superman IV (1987) que foi um falhanço de bilheteiras de tão mau que era, e até um filme da Supergirl (1984), com a Helen Slater e a Faye Dunaway.



Em 1986 a Marvel lança o seu primeiro filme em mais de 40 anos, Howard the Duck.
Baseado numa personagem original da marvel cujas histórias eram habitualmente sátiras sociais, misturando paródias de ficção científica e mostrando sempre uma auto-consciência do género, em aventuras quase existenciais.


O filme foi produzido pela Lucasfilm, mas em vez da paródia satírica que se poderia esperar, o filme conta a história de um pato alienígena que está a tentar voltar a casa, com muita bebedeira e ordinarice pelo meio. Este filme foi o Ted antes de haver o Ted e com um pato.
Foi criticado por ter pouca piada, ser aborrecido, más interpretações e maus efeitos especiais, foi um flop comercial e o filme com menos lucro da Lucasfilm.

É o Howard the Duck que aparece na cena pós-créditos do Guardiões da Galáxia.



Durante os anos 80 a DC lança ainda mais dois filmes razoavelmente desconhecidos baseados noutra personagem razoavelmente desconhecida. Swamp Thing (1982) é baseado na personagem do mesmo nome, e é o primeiro filme de ficçã/científica do realizador Wes Craven, clássico realizador de filmes de terror, conhecido pelos filmes do Freddy Krueger.
O filme tem boas críticas, mas provavelmente por ter sido lançado no meio de tantos filmes do Super-Homem não conseguiu ser mais conhecido.
Foi seguido em 1987 por uma sequela muito pobrezinha.





1989 é outro ano decisivo na corrida entre a Marvel e a DC.

A DC lança o primeiro Batman (1989).
Realizado pelo Tim Burton, o filme é gótico, icónico, apresenta um Batman com uma caracterização interessante feita pelo Michael Keaton (até então associado a filmes de comédia), um vilão fantástico com o Joker do Jack Nicholson. O papel de Joker tinha sido originalmente oferecido a Robin Williams.
O filme vai buscar o tom pesado e temas sérios a bandas desenhadas como a Killing Joke do Alan Moore e o Dark Knight Returns do Frank Miller.
Um filme que viria a ganhar um óscar e tornar-se um filme de culto.

A New World Pictures, nessa altura dona da Marvel, lança o The Punisher (1989), um filme australiano, thriller de acção com o canastrão do Dolph Lundgren convencido que é o Exterminador Implacável, a matar pessoas e a fazer explodir coisas, com maus efeitos especiais.
O Punisher não tem a típica caveira branca na t-shirt
A Marvel não voltaria a ter nenhum filme outra vez durante quase mais 10 anos.



A DC, aproveitando o sucesso e popularidade de Batman, domina os anos 90 e lança 3 sequelas do Batman.
Batman Returns (1992), volta a ser realizado por Tim Burton que desta vez tem muito mais controlo criativo e isso nota-se. Gotham está mais gótica que nunca e o Penguin é completamente creepy. O filme é nomeado para 2 óscares.

Exactamente por causa disso o filme não tem assim tanto sucesso nas bilheteiras, e a sequela Batman Forever (1995) é muito mais colorida e amigável, e é nomeado para 3 óscares. O papel de Riddler interpretado pelo Jim Carrey foi oferecido a Robin Williams que recusou por não ter sido aceite no primeiro filme.

Com o sucesso de Batman Forever, a Warner Bros decide que quer uma sequela rapidamente e volta a contratar Joel Shumacher para realizar. Batman and Robin (1997) tenta capturar o mesmo estilo camp dos anos 60, mas falha redondamente e arrasado pela crítica.


Durante os anos 90 a Marvel tenta refazer o Capitão América (1990), e apesar de um suposto bom guião, a produção do filme é extremamente complicada e o resultado final é péssimo, e o filme acaba por ser lançado directamente para vídeo.
Um filme dos Fantastic Four (1994), produzido pelo lendário Roger Corman é filmado, mas de acordo com os rumores, os executivos da Marvel não gostam do resultado final e fazem força para o filme não ser lançado, com medo que isso fosse estragar a franchise.


Em 1997 a DC ainda tenta lançar um herói obscuro da Marvel, John Henry Irons um herói de suporte do Super-Homem, interpretado pelo Shaquille O’Neil, e acho que todos percebemos que isso nunca iria funcionar. Steel (1997) recebe péssimas críticas, sendo comparado a um "desenho animado de sábado de manhã".


O que aconteceu foi que durante a década desgraçada para a Marvel que foram os anos 90, eles ficaram quase à beira da falência imensas vezes, e então começaram a vender licenças dos seus superheróis a outras companhias.
É neste momento que os heróis Marvel começam realmente a chegar aos ecrâns, se bem que ainda não pela mão da Marvel, e a DC começa a ficar para trás na corrida.

Pela New Line Cinema temos a adaptação do Blade, com duas sequelas.
O Blade (1998) sofreu atrasos no lançamento devido ao guião ter de ser reescrito e várias cenas refilmadas por más reacções de audiências teste, mas depois viria a ter um bom resultado nas bilheteiras.
O Blade II (2002) foi realizado por Guilermo del Toro, que tentou fazê-lo parecer-se mais às suas origens de banda desenhada, mas com tons de anime, e o filme viria a ser o mais bem sucedido da trilogia.
Blade Trinity (2004) teve vários problemas durante a produção, com o actor principal Wesley Snipes a recusar-se a filmar cenas, e o filme seria aquele com menos sucesso e piores críticas.


A 20th Century Fox tinha comprado a licença dos X-Men e pegando num guião que já andava a ser escrito e reescrito desde 1984, escolhe o realizador Bryan Singer que inicialmente recusa realizar o filme. A primeira escolha do realizador para a personagem de Wolverine teria sido o actor Russel Crowe, mas numa decisão de última hora, escolhem Hugh Jackman, nessa altura um novato em Hollywood.
X-Men (2000) viria a ter excelentes resultados nas bilheteiras e boas críticas, o que permitiu à Fox lançar as suas outras franchises.

A sequela, X2 (2003), começaria produção quase depois da estreia do primeiro filme, e conseguiu reunir um cast de personagens ainda maior que o primeiro filme e ainda assim ter mais sucesso do que o primeiro filme.

O realizador Bryan Singer deixa a franchise para realizar o Superman Returns, e X-Men: The Last Stand (2006) é realizado por Brett Ratner. O filme viria a ser o filme mais caro de 2006, e apesar de uma história que tem dificuldade em gerir as explosões e a trama política, o filme teria imenso sucesso nas bilheteiras.


A 20th Century Fox tenta ainda lançar as personagens do Daredevil e da Elektra.

Ben Affleck, o actor principal de Daredevil (2003), apesar de ser um fã da personagem, não gostou da experiência de retratar um super-herói, e terá afirmado que não queria voltar a fazê-lo, o que agora sabemos que não é verdade. Apesar de críticas mistas que critivacam o filme pala sua falta de originalidade e de desenvolvimento de personagens o filme teria um sucesso razoável de bilheteiras.

Apesar de tudo o filme tem sucesso suficiente para justificar o spinoff Elektra (2005). Este filme teve péssimas críticas e foi o pior flop comercial da Marvel desde o Howard the Duck.

Ambas as personagens já foram resgatadas pela Marvel, e a Elektra supostamente será uma personagem na próxoma temporada de Daredevil.


A 20th Century Fox também tenta lançar os Fantastic Four. O Fantastic Four (2005) sofre imensos rewrites do guião, e apesar de ter sucesso nas bilheteiras, recebe más críticas. O 4: Rise of the Silver Surfer (2007) foca-se no Silver Surfer e no Galactus (que não chega a aparecer) e tem ligeiramente mais sucesso nas bilheteiras, apesar de continuar a ser arrasado pelos críticos.


A Sony compra a licença do Spiderman e escolhe o realizador Sam Raimi para pegar num guião com 25 anos de revisões.

Spider-Man (2002), com um cast de estrelas incluindo Tobey Maguire, Willem Dafoe e Kirsten Dunst, teria dificuldades durante as filmagens porque cenas contendo as Torres Gémeas tiveram de ser refilmadas depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro.
O filme teria imenso sucesso, sendo o primeiro filme a atingir 100 milhões de dólares no primeiro fim de semana, a interpretação de Tobey maguire seria comparada à de Christopher Reed no Super-homem de 1978 e o filme seria nomeado para 2 óscares.

Spider-Man 2 (2004) consegue superar o primeiro filme em lucros de bilheteiras, introduz o vilão Doctor Octopus e volta a ter excelentes críticas, ganhando o óscar para melhores efeitos especiais.

O Spider-Man 3 (2007) começa a ser filmado imediatamente depois do segundo, e introduz o vilão Venom. Apesar de ser o filme com mais sucesso financeiro dos 3, este teve piores críticas, talvez pela tolice do Emo Tobey Maguire.


A Sony tenta também lançar o Ghost Rider (2007), que já estava em vias de ser feito desde 1992, e são considerados para o papel principal Johnny Depp e Eric Bana, sendo escolhido no fim o Nicholas Cage. O filme é um fracasso tanto nas bilheteiras como nas críticas. O Ghost Rider: Spirit of Vengeance (2011) teria críticas ainda piores, apesar de ter mais sucesso nas bilheteiras.


A universal por sua vez lança o Hulk (2003) do Ang Lee, com Eric Bana a fazer de Bruce Banner. O realizador Ang Le faria várias alterações ao guião original, o que pareceu ter bons resultados dado que as melhroes críticas ao filme focaram-se nos aspectos psicológicos da personagem. Por estranho que possa parecer os efeitos especiais do filme não têm bom aspecto e foram um dos principais motivos pelos quais o filme não teve assim tanto sucesso.

A Artisan pictures lança outra tentativa do Punisher (2004), inspirada em filmes clássicos de policial/acção como Dirty Harry e Bonnie and Clyde. O filme tem pouco sucesso nas bilheteiras e é arrasado pela crítica.


Entretanto a DC esforça-se por acompanhar, quanto mais fazer filmes bons.

Depois do filme Batman Forever, a Warner Brothers tinha planeado um spinoff da Catwoman com a Michelle Pfeiffer, mas o filme esteve no Inferno de Desenvolvimento durante anos, até que  um projecto completamente novo é iniciado, com uma personagem que nem é a Catwoman original.
Catwoman (2004) é famosamente considerado um dos piores filmes de sempre.

Superman Returns (2006) é realizado por Bryan Singer, que tinha deixado a franchise dos X-Men para filmar o Superman. Inspirando-se fortemente nos filmes dos anos 80, o filme obtém bom sucesso comercial, mas críticas mistas, sendo por um lado considerado uma excelente adaptação do Herói para audiências modernas, mas com uma má história a suportá-lo.


Quando pensávamos que a DC estava a perder a batalha, surge com um peso pesado.
Um reboot do Batman, pelo realizador Christopher Nolan. 

Com Batman Begins (2005) Nolan conseguiu criar um ambiente realista, noir, muito mais pesado e introspectivo, com uma paleta de cores escuras, um Bruce Wayne interessante com Christian Bale, e um vilão apelativo com o Scarecrow.
O filme tem uma boa recepção por parte do público e sucesso nas bilheteiras, estabelecendo um padrão de filme de Super-Heróis mais realista do que antes, e sendo nomeado


A DC aposta na personagem do Batman, e em 2008 lança o The Dark Knight (2008), mais uma vez realizado pelo Christopher Nolan e que pelo seu ambiente pesado, paleta de cores escuras, urbanamente gótico e com o que deve ser o melhor vilão do Batman até agora, o Joker interpretado pelo Heath Ledger, o filme mostra ao público que os filmes de Super-Heróis podem ser sérios, maduros e extremamente artísticos.


Em 2008 os Estúdios Marvel propriamente ditos são fundados, e é neste momento que a Marvel começa a ter mais controlo sobre os filmes que saem e sobre a maneira como as suas personagens são representadas.

Em resposta ao sucesso que a DC está a ter com o Batman, a Marvel lança a sua própria versão do Playboy milionário que quer salvar o mundo, mas na personagem diametralmente oposta do Iron Man (2008).
Enquanto que o Bruce Wayne é soturno e torturado, o Tony Stark (maravihosamente interpretado pelo Robert Downy Jr.) é extrovertido e espalhafatoso. Enquanto que o Batman veste-se de negro o Iron Man é vermelho e dourado.


O filme do Iron Man tem tanto sucesso que isso permite aos Estúdios Marvel iniciarem a sua longa e até agora extremamente bem sucedida epopeia de filmes, todos ligados por uma narrativa subjacente.
A Fase 1 começa em 2008 com o Iron Man e termina em 2012 com o primeiro The Avengers (2012).

Por estranho que pareça, e para mim foi uma surpresa, os Estúdios Marvel produziram mais um filme do Punisher (Punisher: Warzone (2008)), que só foi lançado na América e na Inglaterra, e que foi destruído pela crítica.


A DC ainda tenta diversificar os seus heróis durante os anos de 2010 para a frente, mas com sucesso muito variável. O Watchmen (2009) teve muito boas críticas, mas sucesso mediano nas bilheterias, o Jonah Hex (2010) é arrasado pelas críticas e um flop comercial, bem como o Green Lantern (2011).


A 20th Century Fox volta a pegar no Wolverine, e faz a desgraça que foi o X-Men Origins: Wolverine (2009), e depois lança o The Wolverine (2013) que é só ligeiramente melhor.
O grande sucesso da 20th Century Fox é definitivamente o reboot do X-men, com o X-Men: First Class (2011) e o X-Men Days of Future Past (2014), ambos muito bons, muito evocativos e com excelentes itnerpretações.




Muito recentemente tentam fazer outro reboot aos Fantastic Four (2015), e ficamos todos a pensar como é que é possível falhar tantas vezes com os Fantastic Four.


A Sony faz também um reboot ao Spider-Man, em dois filmes que apesar de terem sucesso nas bilheteiras tiveram críticas mistas, The Amazing Spider-Man (2012) e The Amazing Spider-Man 2 (2014). Eu pessoalmente gostei muito mais destes dois do que dos primeiros do Tobey Maguire, mas conheço muitas pessoas que acham o oposto.


A DC termina durante esta fase a trilogia de Batmans do Christopher Nolan, com o The Dark Knight Rises (2012), e que volta a ser um sucesso. Nolan já anunciou que não vai fazer mais filmes do Batman, o que significa que a WB/DC tem de  arranjar outro actor para fazer de Batman, e já arranjou o Ben Affleck.

Lança em 2013 o Man of Steel (2013), o seu mais recente reboot do Super-Homen, que acabou por não ter tanto sucesso como se esperava, sendo criticado ser monocromático, por ter um ritmo lento e no fim demasiada destruição gratuita, com pouca profundidade de personagens.


Entre 2013 e 2015 os Estúdios Marvel lançam a Fase 2 do Marvel Cinematic Universe, que começa com o Iron Man 3 (2013) e acaba com o Antman (2015).


Resultados desta corrida?

A DC/WB domina o mercado do cinema durante quase 60 anos, desde os anos 40 até ao fim dos anos 90.
A partir dos anos 2000 a Marvel começa a recuperar, e nunca mais pára.
No fim há 26 filmes baseados em heróis da DC, e 40 filmes baseados em filmes da Marvel. 
No entanto, se formos a ver por estúdios, então a Warner Brothers (DC) produziu 18 filmes e os Estúdios Marvel só produziram 13.

Em termos de Lucros, e apesar de só ter começado a fazer filmes durante os últimos 15 anos, os super-heróis da Marvel já geraram cerca de 18 biliões de dólares enquanto que a DC gerou apenas 5.

Esta competição está longe de estar acabada, como demonstra o facto de que em 2016 tanto a Marvel como a DC lançam quase ao mesmo tempo filmes em que põem os seus principais heróis a competirem um com o outro.


Se quiserem ler mais sobre estes assuntos, deixo-vos aqui a lista de links que usei para fazer a minha pesquisa:

História da Marvel
História dos Estúdios Marvel
Lista de Filmes baseados em Heróis da Marvel

História da DC
Lista de Filmes baseados em Heróis da DC

Lista resumo de todos os filmes mencionados

Por fim, e mais uma vez, quero agradecer ao Cubo Geek e à organização do Manga and Comic Event por me terem dado esta oportunidade.

Continuem a ver filmes e a divertirem-se!
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