Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Guardians of the Galaxy - a Análise Definitiva

Tenho sempre muito mais dificuldade em escrever acerca de coisas de que gosto muito, do que em escrever coisas de que gosto menos. Isto acontece porque tenho sempre tanta coisa a dizer acerca do que gosto, que se torna difícil escolher o que dizer.

Mas com a aproximação a passos largos do Avengers: Age of Ultron, senti que finalmente tinha de meter mãos à obra e escrever a minha análise definitiva ao Guardians of the Galaxy.



O Guardians of the Galaxy (GotG) foi o meu filme preferido de 2014 (não o melhor, mas o meu preferido), e representa até agora o melhor que a Marvel consegue fazer, usando todas as melhores ferramentas que tem ao seu dispôr.

Em primeiro lugar há algo a ser dito acerca de como a Marvel decidiu ir buscar personagens obscuras (mesmo dentro do universo da banda desenhada) de que ninguém tinha ouvido falar, referentes a storylines pouco populares.
Foi um risco, e haveria todo um artigo sobre porque é que a Marvel decidiu correr esse risco.

Essencialmente a Marvel tem um grande plano de diversificação do seu universo cinemático para além dos super-heróis clássicos que conta com o GotG para abrir as portas para o seu universo Cósmico, e que vai passar pela Espionagem (Agents of Shield) Retro (Agent Carter) e Horror (Doctor Strange).


É uma enorme responsabilidade para um filme.
Quando ainda estávamos em 2008 e o primeiro Iron Man estava a estrear não havia tanto em jogo. O Marvel Cinematic Universe não estava tão cheio, não havia tanta personagens, tantos plotlines, nem tanto dinheiro apostado nesta franchise. 

O GotG propõe-se então a introduzir um universo completamente novo a um público saturado, que já tem dificuldade em manter-se a par de todos os nomes de heróis, vilões, mundos e plotlines, e fazê-lo com personagens de que ninguém ouviu falar.
O GotG carrega em cima de si a responsabilidade de iniciar a plotline que vai terminar com o Avengers: Infinity War em 2018.

É um ponto de partida difícil. Tem tudo para falhar.

Um dos aspectos mais importantes que determinou o sucesso do filme foi a escolha do realizador James Gunn. Com esta escolha, o presidente dos Estúdios Marvel, Kevin Feige, prova mais uma vez o seu génio a escolher talentos improváveis para liderar os projectos do MCU.



James Gunn, um aprendiz de Lloyd Kaufman e da Troma Pictures, começou por realizar filmes gore, passou para os filmes indie, mas sempre dentro do género dos super-heróis. Super é uma desconstrução do género dos super-heróis, e demonstra o quão bem James Gunn compreende o género.
A criatividade, humor e estética invulgar de Gunn seriam fundamentais para a génese de GotG.

Agora, porque é que GotG é tão bom?

Em primeiro lugar, as personagens, de que já falei uma outra vez, encaixam-se perfeitamente na Five-Man Band, o que significa que são imediatamente compreensíveis, o que compensa o facto de serem desconhecidas. Ou seja a novidade e invulgaridade refrescante das personagens está encapsulada em ferramentas de escrita muito familiares e compreensíveis. 


A personagem do Peter Quill, aka Star Lord, é carismática, muito divertida e foge ao estereótipo do super-herói moral e bonzinho. Como explicarei mais à frente, a personagem do Star Lord é uma mistura de Han Solo e Indiana Jones. 
É também significativamente mais velha do que a maioria dos heróis púberes de outros filmes de aventuras que por aí andam (Hunger Games, Divergent, Twilight, etc), apelando a um público mais velho, que é o que cresceu com as referências do filme. 
A escolha de Chris Pratt é perfeita, e consegue trazer uma tolice natural à personagem que a torna extremamente relacionável. Pratt faz a personagem com uma perna às costas, sendo essencialmente o Burt Macklin in SPAAACE.


As outras personagens centrais são excelentes, cada uma com as suas idiossincrasias engraçadas, e extremamente memoráveis.

O Rocket Raccon é a subversão do Plucky Comic Relief Empathy Pet típico da Disney, transformando-se em vez disso no Snarky Non-Human Sidekick com More Dakka, e funciona TÃO bem! É impossível não o adorar.


O Groot é o Groot, e só o facto de se ter tornado uma das personagens mais adoradas do filme devia dizer tudo o que é preciso acerca de como o filme consegue vender o seu mundo e personagens tão bem.

O Drax é talvez a personagem mais simples do grupo, mas nem isso impede que seja muito interessante. Consegue vender muito bem não só a ideia do Big Guy mas ainda misturá-la com Blunt Metaphors Trauma.


Uma das poucas coisas negativas que tenho a dizer acerca do filme tem a ver com a personagem da Gamora. É uma personagem extremamente fixe, uma Assassina Badass, de quem eu quereria saber muito mais. E é isso que o filme não nos dá. Mais informação e construção desta personagem, que poderia facilmente ser uma das melhores.
Poder-se-ia fazer o argumento de que o filme já tem imensa coisa e que não havia espaço, mas ainda assim é uma pena.


A dinâmica entre estas personagens é extremamente divertida e interessante, com alguns diálogos extremamente naturais e divertidos. O tipo de humor quase parvo é invulgar para este tipo de filmes, que habitualmente se levam muito a sério.
Já tenho visto interpretações muito engraçadas sobre o grupo de personagens que o compara a um grupo de personagens de RPG a tentarem resolver problemas, e de facto os diálogos e interacções que surgem têm esse tipo de energia e humor.



Outra crítica que tenho ouvido e que acho que é sobre-valorizada é a superficialidade aparente do vilão, o Ronan.
Eu comparo o Ronan ao Mandarin, o vilão do Iron Man 3. Ambos são terroristas sanguinários, com a intenção de destruírem uma super potência que consideram culpada de crimes contra uma população indefesa e injustiçada.
Até são ambos dados a Badass Boasts e tudo.
No Iron Man 3 isso é suficiente durante cerca de 2/3 do filme, altura em que o vilão é subvertido. No GotG não existe essa subversão, e o vilão é levado a sério durante o resto do filme.
Isso torna necessariamente o vilão mais unidimensional, mas não há nada de necessariamente errado nisso. É só mais uma ferramenta de escrita que faz sentido num mundo já tão rico e preenchido. 



O conflito do filme é simples e directo, e as acções das personagens são razoavelmente racionais, pondo-as em rota de colisão inevitável com os interesses do vilão. 
A história do filme não é a mais complexa ou profunda ou sequer original, mas está construída de modo a ser rápida, cheia de ritmo e com espaço para as personagens esticarem as pernas e para haver worldbuilding de sobra. 
Aliás, já com tanta coisa a acontecer uma história demasiado complexa tornaria o filme sobrecarregado e incompreensível.

Porque o foco deste filme não poderia ser nunca a história, ou os conflitos. 
Como introdução a todo um universo Cósmico extremamente rico e extenso, com mais filmes para vir, este filme teria necessariamente de se focar na apresentação das personagens e do mundo. Se tentasse fazer tudo ao mesmo tempo, falharia a todos os níveis.
Ou seja, estas aparentes faltas do filme não são erros, mas sim decisões propositadas de um realizador experiente que sabe como construir um filme!


E é essencialmente essa mestria de James Gunn que pega num filme que teria imenso contra si, e tudo para falhar, e o torna tão bom. O que faz o GotG tão bom é a aliança perfeita entre conteúdo arriscado, invulgar e desafiante carregado por ferramentas narrativas extremamente eficientes e que garantem divertimento.


Deixem-me exemplificar o que quero dizer explicando a genialidade da abertura do filme.



O filme abre de forma inesperadamente dramática (sobretudo para um filme de super-heróis) com o muito jovem Peter Quill numa sala de espera do hospital, indo visitar a mãe que está a morrer de cancro. Toda a cena, a decoração do hospital, as roupas, a luz, a música (I'm not in Love, 10cc) , colocam-nos claramente no fim dos anos 70, inicio dos anos 80.
Descobrimos que o jovem Peter se meteu numa briga na escola porque os outros miúdos estavam a maltratar um sapinho! 
Empatia Instantânea! É impossível não adorarmos o miúdo e querer dar-lhe um abraço, dizer-lhe que vai correr tudo bem. E a perda pessoal é algo por que todos nós já passámos, sobretudo durante a nossa idade mais jovem, portanto esta é uma empatia carregada de auto-identificação. Gostamos desta personagem e identificamo-nos com ela!

A mãe morre, o miúdo não sabe lidar com isso e foge para a rua e, num momento de dor emocional e confusão, é raptado por alienígenas que parecem saídos do Encontros Imediatos do 3º Grau!




Saltamos de uma cena que é simultâneamente familiar mas dolorosa, para uma que é desconhecida, mas excitante, que é o espaço!
Vemos um planeta abandonado, uma nave espacial a aterrrar e uma personagem com um Badass Longcoat e uma Máscara com olhos brilhantes que parece extremamente fixe!
A personagem está a explorar um planeta abandonado, a usar gadgets tecnológicos para procurar ruínas de uma civilização que bizarramente parece extremamente avançada. A música é ominosa e cheia de suspense.



Portanto não só a personagem é extremamente fixe, tem uma nave espacial, gadgets, e agora transformou-se no Indiana Jones? À procura de ruínas no espaço?
Que se lixe tudo o resto, eu quero SER esta pessoa.
Esta é a personagem pela qual o filme quer que eu esteja a torcer! Está construída para ser o herói que eu quero a admirar.

A personagem agora entra no que parecem ser as ruínas de um templo abandonado. Neste momento o espectador está assoberbado de tantas coisas novas e estranhas e difíceis de integrar.



O que é que acontece?.
A máscara abre-se e vemos a cara da personagem, e instintivamente percebemos que é o jovem Peter Quill!
Portanto a personagem com quem eu inicialmente senti tanta empatia, e com quem me identificava tanto, afinal transformou-se nesta personagem que é uma amálgama de todas as coisas fixes que eu consigo imaginar e que eu quero ser? Isto é ouro! O meu investimento por esta personagem aumentou exponencialmente!



E o que é que acontece a seguir?
A personagem puxa de um Walkman, põe a tocar Come and Get your Love e começa a dançar.


O Walkman e a música puxam o mundo bizarro de ficção científica para um lugar reconhecível e familiar e a personagem distantemente fixe voltou a tornar-se próxima e relacionável e infinitamente mais adorável. 
Toda a fantasia e desconhecimento subitamente transformaram-se numa coisa casual, que o protagonista (com quem nos identificamos) simplesmente trata com a maior das casualidades e do divertimento.
A música dos anos '70 e '80 é transversal a todo o filme e ajuda sistematicamente a manter o filme firmemente familiar e reconhecível, mesmo quando as coisas são mais fantásticas.

Até o facto de ele ao dançar dar pontapés aos ratos estranhos, agarrar num deles e usá-lo como microfone, torna os efeitos de CGI muito mais físicos e realistas, ajudando a integrar toda a estranheza do mundo.

Sobretudo, esta abertura estabelece todo o tom do filme e cria as expectativas e ambiente emocional que melhor levam a que o resto do filme seja fácil de apreciar.

A partir desse momento, com esta abertura, com o trabalho de preparação do tom e do ambiente, o filme consegue fazer tudo o que quiser!

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sábado, 11 de abril de 2015

Sometimes, really weird stuff goes through my mind...

You know what you can do if you want to kill your sex life? GET MARRIED! Ahaha. 
I’m married, and I can tell you one thing: …it’s actually not that bad!

I’ve been married for 3 wonderful years and I get laid every day! Every damn day. Consistently. Blowjobs on a weekly basis!! Occasional even anal! No kidding!

I’ve manage this by following 4 simple rules, which I will now share with you. Because that’s the kind of guy I am. Nice guy, who wants to improve the world. Improve other relationships. Perfect other people’s lovelifes. So, listen carefully:

1. Love and respect your wife. That’s the best advice I can dispense today. Respect the hell out of your woman.

2. Of course, being young and handsome helps. Always has. Always will. Wink!

3. But the most important rule is, never, never, NEVER, forget to lock the cage in the basement where you keep your wife. Because if you do, she might try to escape, and go to the police station with absurd notions.  And you don’t want that. You do not want that. Don’t get me wrong, that shit will get you into the evening news, which is alright and all, but the neighbors, and especially the police might get a bit hostile. You might have to change town, name and job, and all of that avoidable by not forgetting the third and most important rule: ALWAYS lock the basement door.

After that, you can implement a loving, but firm ‘’food for sex’’ policy. And that will get you some results in the long run! It might take a bit of time, but lest you forget the longer you wait, the skinnier she’ll get. And as society tells us, skinny girls are the hottest kind! So, it might be worth the wait!

4. Also, important, but not essential, keep it fresh in the bedroom. Guys, you fail here more often than you think. Don’t always do the same old thing where you beat her to a bloody pulp, then tie her hands behind her back, and force yourself into her against a wall… You have done that a million times! You need to use your creativity… buy her a fancy new cloth to stifle her screaming during your lovemaking, stab her again a couple times during sex, so she’ll remember the day you met, and if you really want to spice things up, put her in the trunk of your car and make a romantic getaway! Just book a cottage in the country, and keep her tied at all times, or she might try and… getaway…

If she does try to getaway, put her in the trunk of your car, and push the car off a cliff. She needs to learn to respect you. As I said in the first rule, RESPECT is of paramount importance to every relationship, and it goes both ways, ladys!

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As is obvious, this is a joke. If you're offended in any way, as an apology, may I suggest that you go fuck yourself?

That might help.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Aim for the moon

People are often afflicted by the sight of the poor in troubled neighborhoods. And they offer advice to their young, who go to substandard schools, with little to no hope of social progression. They say: ‘’aim for the moon, and even if you miss, you might land among the stars’’.

I always say: ‘’don’t aim for the moon, aim for the head. Aiming for the moon is stupid. You will lose your turf war wasting ammunition like that.’’ But what do I know…
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terça-feira, 7 de abril de 2015

Tatuagens e gonorreia existencial

Hoje quero falar sobre Tatuagens.
Para mim, as tatuagens são um parente mal amado das artes de expressão gráfica. E digo mal amado, porque às vezes apanha-se hepatite C.
Que apesar de tudo, é uma doença bué radical.
Um tipo de arte meio ilegal, as tatuagens são os grafitis da pintura corporal. São como os grafitis, porque a miudagem faz essas coisas para ‘’expressar a individualidade’’, ou seja, para chatear o paizinho.

E há mesmo tatuagens que parecem grafitis ilegais. Um gajo apanha uma bebedeira, adormece, e quando acorda pintaram-lhe a fachada do prédio com 7 letras do alfabeto aramaico, e tem uma tatuagem nas costas de uma caveira em chamas, com uma cobra a sair do olho. E o moço, que até gostava de música pop, agora tem o destino traçado.

É assim que nascem os metaleiros. Ninguém é metaleiro por vontade própria. Por isso é que quando eles bebem ficam zangados e começam a fazer cornos e a abanar a cabeça. É para mais ninguém os apanhar distraídos e tatuar-lhes outra coisa qualquer, tipo uma fada, ou um hello kitty.
Nunca se esqueçam crianças - o álcool destrói vidas.

Também me fazia muita confusão, aquela tatuagem no cotovelo, da estrela. Já vi ‘’gajos fixes’’ com uma estrela em cada cotovelo. Depois explicaram-me que era para ‘’o gajo fixe’’ fazer pisca, quando queria virar à esquerda… ou à direita… Quando o gajo fixe abranda subitamente, liga os quatro piscas…. Que é para os ‘’gajos fixes’’ que vêm atrás saberem que é para abrandar…. E também… poderem ligar os quatro piscas.

A próxima vez que forem na rua, e virem vá lá, 7 ou 8 energúmenos do jogging a abrandarem enquanto fazem assim…já sabem que é tudo ‘’gajos fixes’’…… da estrela no cotovelo…. Assim do fitness, do body, do óculo escuro e tipo, da cena…

Mas esses não me fazem tanta confusão como aquelas pessoas que tatuam… a… a mãe… no peito. Epá…. Eu aconselho vivamente toda a gente, a não tatuar a mãe no peito.
Porque um dia, quando cortejares uma menina para dormir contigo, ela vai ter dúvidas. Sobre se quer estar assim tão íntima contigo, com a tua mãe a olhar para ela.
Eu nem imagino como é que isto acontece… Um adolescente quer fazer uma tatuagem, e a mãe não o deixa. Ou melhor, deixa com uma condição: ‘’A mãezinha deixa o menino fazer uma tatuagem, se o menino tatuar a mãezinha no peitinho.’’

Relações familiares práticas. É o que eu vejo em pessoas que tatuam a mãezinha no peitinho. Isso e complexos de édipo muito bem resolvidos.
O que é aborrecido é quando o menino mostra a tatuagem aos outros meninos, que em vez de ficarem impressionados, dão-lhe o número da psicóloga da escola.

Tatuar a mãe no peito é a único argumento ao qual se deve responder: ‘’prefiro pôr um piercing no meu pénis’’. Há inclusive grupos restritos de pessoas que chegam a afirmar: ‘’Epá, eu prefiro um piercing no prepúcio, dois brincos, um em cada testículo unidos por um fio de prata, uma pregadeira em cada nádega, e um broche no…

Colete… que é para pelo menos parecer distinto. Um ornamento na lapela e um colete bonito, jeitoso, com gosto. Como os generais prussianos! Para pelo menos desviar um pouco da atenção da joalharia toda que tenho nos genitais. Assim para me dar ao respeito! 

Eu faço isso.

Mas não me obrigues a tatuar a mãezinha no peitinho.’’
Mas isto são pontos de vista mais radicais, e gostos são gostos, e têm que ser respeitados.
No entanto pessoas que tatuem qualquer familiar, em qualquer parte do corpo, fazem-me confusão. Será que estas pessoas que fazem tatuagens de parentes, quando estão com amigos que tiram uma foto da carteira para mostrar o novo bébé deles, será que que estas pessoas pensam: ‘’Epaaaa…. Uma foto na carteira!!!! Como é que não me lembrei disto!? Porra! Estúpido! Claro!''

Outra coisa que me faz confusão, é aquele jovem que eu encontro no autocarro às 03 da manhã, que tem um dragão tatuado na cara… barbeado de maneira a parecer que o dragão está a cuspir a barba dele… em labaredas  aaa… pilosas… acho que ele devia pôr o dragão a dizer qq coisa como: ‘’desisti de procurar emprego’’, ou ‘’o meu fígado come hepatite C ao pequeno-almoço!’’

Então meti conversa com ele, e o moço lá me contou a vida dele, antes de me roubar a carteira. Tinha vindo de lisboa, onde estava a enganar a namorada com outra mulher. Mas não se sentia nada bem, e estava cheio de comichões…

E eu disse-lhe logo: ‘’isso é a tua consciência com remorsos’’

E ele volta: ’’a sério? E isso da consciência com remorsos é grave? É que ontem comecei a deitar pús pelo pénis. O que é que me vai acontecer a seguir?’’

E eu pensei pois: É esse o problema de partilhar um pénis com a consciência. É como pedir à vossa avó que vos ajude a decorar a sala de estar tem que ser tudo muito elegante e cavalheiresco, além de que vai andar a chatear-nos para plastificar os sofás e os comandos da televisão e da playstation. Por causa dos ácaros, ou da SIDA, ou lá o que é.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Humanos e Macacos

Costumamos falar de macacos.



Falamos da Ópera dos Macacos, dos impulsos dos macacos, dos comportamentos dos macacos no geral, e sempre a referirmo-nos a nós mesmos. Aos Humanos.
Porque somos cínicos e gostamos de mandar as coisas abaixo e uma maneira eficaz de fazer isso é reduzirmo-nos ao nosso estatuto de macacos carecas.

Na realidade é uma imprecisão, mas permite-nos clarificar uma ou outra coisa engraçada.

Há aquela famosa imagem que costuma ser mostrada para exemplificar a evolução que é a das sucessivas formas entre os macacos e os humanos actuais:


Não gosto desta imagem.
É essencialmente errada, e transmite uma ideia errada de como funciona a evolução.

A evolução não é um processo pelo qual os organismos se tornam progressivamente mais complexos ou sofisticados. Ou seja, a evolução não é um crescendo de complexidade ou superioridade biológica. 
É errado dizer que um organismo é mais ou menos evoluído do que o outro. Mais ou menos evoluído é um conceito que não faz sentido.

A evolução faz com que cada organismo se torne progressivamente mais adaptado ao seu meio ambiente actual. Só isso.
Por vezes isto significa que há complexificação, por vezes implica simplificação.
Também significa que as espécies não se transformam umas nas outras. Mais especificamente, significa que os macacos não se transformaram em humanos, como a imagem acima sugere.


A evolução, ou seja a adaptação diferencial ao meio ambiente, implica que uma espécie ancestral, em meios diferentes, vai diferenciar-se em duas espécies novas cada uma delas mais capaz de sobreviver ao seu meio ambiente.

Por exemplo, uma espécie de ursos pretos migra para um lugar cheio de neve e para outro lugar cheio de árvores. Ao longo do tempo vão surgir duas novas espécies, uma de ursos brancos (adaptados à neve) e outra de ursos castanhos (adaptados à floresta). A espécie de ursos pretos ancestral provavelmente extingue-se.

Da mesma forma, os nossos antepassados primatas foram-se diferenciando em várias espécies que se adaptaram às condições impostas pelos seus meios ambientes.
Ou seja, os Humanos não evoluíram dos Macacos. Os Humanos e os Macacos evoluíram ambos de um ancestral comum que se diferenciou em muitas espécies diferentes, algumas das quais se extinguiram e algumas das quais sobreviveram.


Ou seja, existe a noção generalizada (propagada por aquela imagem lá em cima de que eu não gosto) de que os Humanos são mais evoluídos. Isto é errado. 
Os Humanos não são nem mais nem menos evoluídos do que qualquer outro primata que exista actualmente. São todos evoluídos em igual medida porque todos conseguiram adaptar-se e sobreviver no seu meio ambiente.
Por essa mesma lógica não somos nem mais nem menos evoluídos do que as bactérias, mas isso é toda uma outra discussão niilista.

Portanto quando dizemos que os humanos são macacos, não é uma piada. Não estamos a reduzir os humanos a nada. Somos de facto, tecnicamente, macacos.

Ou somos?


Existem 446 espécies de primatas, entre Lemures, Tarsiers, Macacos do Velho Mundo, Macacos do Novo Mundo, Gibões e finalmente os Hominídeos.


Ora os Hominídeos.
Há 7 espécies de Hominídeos, duas de Orangutangos, duas de Gorilas, duas de Chimpanzés e uma de Humanos.


Os Hominídeos não são macacos. Os macacos são macacos, e os Hominídeos não são macacos.

Os Hominídeos são... nós.


Os Humanos não são macacos, são Hominídeos. Mas de igual forma também os Chimpanzés os Gorilas e os Orangutangos não são macacos.

Ou seja, os Chimpanzés, os Gorilas e os Orangutangos são geneticamente mais semelhantes a nós do que à maioria dos outros macacos. Constituímos todos uma única família de espécies muito semelhantes entre nós. Os chimpanzés são mais humanos do que são macacos.


Não é tecnicamente correcto reduzir os Humanos ao epíteto de Macaco. 
Mais correcto do que isso é elevar os Chimpanzés ao epíteto de Humanos.
(E não se ponham com moralismos de que é um insulto aos chimpanzés serem chamados de humanos, porque os chimpanzés são mais semelhantes a nós do que gostaríamos de admitir).

Gostamos de achar que somos muito evoluídos. Até somos, não é isso que está em causa.
O que nos esquecemos é que existem por aí outros animais que estão exactamente no mesmo patamar evolutivo que nós, e a quem falta muito muito pouco para serem iguais a nós.

Daqui a alguns anos ou décadas vamo-nos envergonhar profundamente da barbárie com que tratámos estes seres que são, essencialmente, humanos.


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terça-feira, 24 de março de 2015

Divergent

O Divergent é um filme com uma escrita perfeitamente talhada para servir um propósito. É escrita narrativa no seu expoente máximo, na medida em que o seu poder manipulativo é tanto maior porque se adequa às expectativas e gostos do seu público alvo.



Superficialmente é mais um filme de drama/acção direccionado a adolescentes, feito para competir com o Hunger Games, e nesse aspecto é um filme competente. Não me vou alongar nos aspectos artísticos do filme, porque não é disso que quero falar, mas basicamente é uma história boa, com boa cinematografia, excelente direcção de arte, uma banda sonora fantástica (Woodkid), uma boa actriz principal e um bloco de madeira como actor principal.

Mas essencialmente é um filme de propaganda Republicana/Conservadora, e é disso que quero falar.


Basicamente o mundo do Divergent é um no qual a sociedade está perfeitamente dividida em cinco facções distintas, cada uma associada a valores sociais únicos.
As pessoas de cada facção têm pouco ou nenhum contacto com as das outras, e cada criança pertence à sua facção até ser adolescente, altura em que um teste lhes diz a que facção se adequam mais, e depois podem escolher se ficam na sua facção de origem ou mudar para outra. Se mudarem, nunca mais podem ter contacto com a sua família de origem. 
Depois de escolherem, passam pelo treino e ensinos específicos dessa facção. 

Tudo isto porque houve uma guerra muito grande há muitos anos, e a sociedade teve de se aglomerar numa cidade protegida por uma vedação enorme e esta divisão social era a única maneira de manter a paz.



Há paralelismos claros com o mundo do Harry Potter, com a divisão do meio social em grupos distintos, a cerimónia de escolha do grupo, o treino e educação específico de cada facção, os almoços em mesas grandes e corridas.
Este é um aspecto importante porque da mesma maneira que a divisão de grupos no Harry Potter pretendia de alguma forma reflectir os tipos de grupos e personalidades que se encontram na escola, a divisão em facções do Divergent pretende reflectir as divisões e grupos na nossa sociedade, nomeadamente na sociedade americana. É igualmente importante porque este paralelismo com o Harry Potter facilita a compreensão rápida da estrutura do mundo de Divergent, sobretudo a uma geração que cresceu com os livros do Harry Potter.

Outro paralelismo ainda mais óbvio, sobretudo para quem o conhecer, é com o Magic: the Gathering.



Magic: the Gathering é um jogo de cartas coleccionáveis (o primeiro do seu género, aliás) inventado em 1992 e desde então  com enorme sucesso. Um dos principais factores para esse sucesso é o poder da suas ferramentas narrativas, especialmente a color pie, ou roda de cores.

A Roda de Cores é uma base filosófica de motivações, cada uma delas representada por uma cor, que permite ao Magic ter sempre conflitos internos e ao mesmo tempo manter-se coerente aí longo dos anos. A Roda de Cores é composta então por:
Vermelho: representa a impulsividade, a paixão, a raiva, a alegria, as emoções fortes, o amor e o espírito de luta.
Verde: representa o natural, a natureza, a harmonia, o deixar as coisas crescer sem interferência
Branco: representa a ordem, a estrutura, o equilíbrio, as leis e a justiça
Azul: representa o intelecto, o artificial, a manipulação, a busca por conhecimento, a frieza e a objectividade
Preto: representa o egoísmo, a liberdade individual, o sacrifício dos outros para favorecer o próprio e a busca de poder.



Comparemos com as Facções de Divergent (nas próprias palavras do filme)

Dauntless: "They're our protectors, our soldiers, our police. I always thought they were amazing. Brave, fearless and free". 
Os Dauntless correspondem ao vermelho de Magic, e representam o exército americano e o espírito militarista no geral. O treino de Dauntless que nos é mostrado no filme é exactamente um treino militar fisicamente e psicologicamente violento, e que nunca é criticado.




Amity: "farm the land. They're all about kindness and harmony, always happy"
Correspondem ao Verde de Magic, e representam as comunidades rurais americanas responsáveis pela indústria agrícola.



Candor: "value honesty and order. They tell the truth, even when you wish they wouldn't" corresponde ao Branco de Magic e representa o sistema jurídico americano, os seus tribunais e os seis juízes.



Erudite: "The smart ones, the ones who value knowledge and logic, are in Erudite. They know everything".
Corresponde ao Azul de Magic e representa os cientistas, os académicos e essencialmente os intelectuais.



Abnegation: "lead a simple life, selfless, dedicated to helping others. Because we're public servants, we're trusted to run the government" representa a família tradicional americana, aspirando a virtudes de austeridade, modéstia, solidariedade e auto-sacrificio. Não por coincidência é esta facção que corresponde ao governo.



Curiosamente esta última facção é a única que não corresponde perfeitamente a uma cor de Magic, sendo na realidade o oposto polar da cor que substitui, que é o Preto. Isto não é certamente acidental, e indica uma tentativa de aplicar uma dimensão moral sugerindo que a facção da solidariedade e auto-sacrificio é  claramente "boa".

Portanto o que é que acontece na narrativa, dadas estas facções e o que representam?

*CAUTION: HERE BE SPOILERS*

A história é de uma rapariga Abnegation numa família muito tradicional, conservadora, muito solidária. Fazem lembrar os Amish sem a componente religiosa. 

Esta rapariga não se sente bem dentro da comunidade Abnegation, porque sente presa pelas regras rígidas (é proibido olhar ao espelho durante mais do que uns segundos porque rejeitam a vaidade) e porque sente necessidade de lutar contra as injustiças que vê à sua volta.

Por causa disso quer juntar-se aos Dauntless, ou seja ao exército, mesmo que isso signifique não voltar a ver a família.

Ou seja, uma rapariga não se enquadra com a sua família tradicional porque quer lutar contra as injustiças à sua volta, então a melhor solução que encontra (porque a única alternativa permitida pela sociedade é tornar-se factionless/sem-abrigo) é juntar-se ao exército.



Entretanto os Abnegation estão a ser acusados pelos Erudite (os cientistas e intelectuais) de corrupção e de estarem a usar o seu lugar no governo para desviar fundos e comida para a sua própria facção.

A rapariga então faz um teste que lhe diz que afinal não ser enquadra em nenhuma facção e que por isso é "divergente" e isso torna-a muito especial e diferente e perigosa para a sociedade.

Apesar disso ela decide ir para o Exército, deixando pasta trás a sua família. Ela lá faz o treino militar que é particularmente violento tanto fisicamente quanto emocionalmente e que nunca é criticado, sendo apresentado como "assim é que deve ser".

Depois descobre que os Erudite (cientistas) estão a conspirar um golpe militar para depor o governo Abnegation (governo dos valores tradicionais).
Estão a fazer lavagens cerebrais aos Dauntless (exército) de maneira a controlá-los e usá-los para atacar os Abnegation.

Portanto é uma história sobre como a classe intelectual de cientistas quer atacar o governo baseado em valores tradicionais, e para isso vai manipular o exército  para o fazer.



Está perfeitamente em linha com a política anti-ciência dos movimentos políticos republicanos/conservadores americanos que são contra o ensino da evolução, negam o aquecimento global, etc, e que se esforçam imenso por desacreditar os cientistas.
É, portanto, um filme de propaganda Republicana.

Propaganda dirigida a quem? Não vale a pena pregar aos convertidos, portanto a propaganda será sempre dirigida a quem possa discordar. 

Basta olharmos para a personagem principal, com quem o público alvo é suposto identificar-se.
A personagem principal é uma personagem feminina, forte, indignada con as injustiças sociais à sua volta e que é "divergente", ou seja não se enquadra no sistema de classes sociais rígidas, pensa de maneira diferente e não se sente bem dentro da sua família tradicional de origem.
Ou seja o protótipo do jovem que à  partida estará contra os valores conservadores/republicanos. Nem vale a pena entrar a fundo nas conotações LGBT do cunho "divergente".

E o que é  que o filme diz a estes jovens revoltados, rebeliosos e que se sentem afastados dos valores republicanos?
Ora a personagem principal (com quem é suposto identificarem-se) junta-se ao exército para defender a família tradicional e o governo dos malvados dos cientistas que querem controlar toda a gente.
Ora aí está uma ideia agradavelmente republicana para os jovens impressionáveis adoptarem, imitando os seus heróis do cinema.



O mais surpreendente acerca deste filme é que é um bom filme! Como eu disse inicialmente, do ponto vista técnico e artístico o filme é até bastante bom! Para além disso a história está bem construída, tem um bom ritmo, e as ferramentas narrativas estão extremamente bem aplicadas. Eles até usam a estrutura de conflito de facções desenvolvida por Magic, garantida que tem sucesso. 

Eu gostei do filme! É divertido!

Na realidade qualquer narrativa que use bem as ferramentas narrativas certas vai ser boa. Há simplesmente combinações de elementos numa história que a tornam uma boa história! Uma personagem principal identificável e que supera dificuldades, um conflito pessoal bem integrado no mundo, vilões aparentemente invencíveis mas fundamentalmente errados. Quase não interessa qual é o conteúdo da história, desde que seja construída neste formato vai dar uma boa história.

É como um hambúrguer. Pão, carne, queijo, bacon, molhos. É impossível não se gostar. Mesmo que seja uma porcaria como o MacDonalds, desde que tenha esses elementos, 99% das pessoas vão gostar.

Portanto a genialidade deste filme é ser capaz de usar excelentes ferramentas narrativas perfeitamente adequadas ao seu público alvo de maneira a transmitir um conteúdo carregado da mensagem pró-conservadora, anti-ciência dos republicanos.

É impossível não admirar a escrita deste filme!


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quinta-feira, 19 de março de 2015

Destruir o Serviço Nacional de Saúde para Tótós

Imagine que é o governante corrupto de uma república das bananas à beira mar plantada.
Como governante corrupto, o seu objectivo não é governar, mas sim roubar para si e para os seus amigos. Isto é importante. Não se ponha com conversas ou pretensões de moralidade, se você foi para o governo foi com o único proposito de roubar a maior quantidade de dinheiro possível.

Um dos lugares onde pode roubar mais é no Serviço Nacional de Saúde, com o benefício adicional de ajudar os seus amigos e o bónus de fragilizar ainda mais a população.

Vou agora explicar-lhe como o pode fazer em 6 passos simples, e só precisa de uma crise económica global para culpar e para mascarar a sua estratégia.


Passo 1 - desestabilizar os cuidados de saúde primários

Os cuidados de saúde primários são a mais importante componente de um serviço nacional de saúde, portanto são claramente o nosso ponto de partida.

Cada vez que um médico de família se reformar, em vez de abrir uma vaga para o substituir, passe os seus doentes para os outros médicos, aumentando as suas listas de 1500 para 1900 doentes. Não só paga menos salários, como sobrecarrega os médicos que restam, e aumenta os doentes sem médico.
Pode ainda atribuir mais tarefas burocráticas (como atestados para cartas de condução) aos médicos de família, para reduzir ainda mais a sua capacidade de resposta.



Passo 2 - desestabilizar os cuidados de saúde secundários

Pensava que nos íamos ficar pelos primários? Não, vamos destruir tudo!

Já que os cuidados de saúde primários estão com resposta insuficiente, as pessoas vão começar a recorrer mais aos cuidados hospitalares, sobretudo às urgências.
Portanto vai tirar médicos das enfermarias e dos seus trabalhos especializados para tratar de problemas e urgências que podiam ser tratados nos centros de saúde. 
Isto aumenta os custos de saúde obviamente, mas isso é uma coisa boa, como veremos mais à frente.
Pode aproveitar e ainda reduzir as comparticipações dos tratamentos hospitalares e aumentar o custo de acesso às urgências.

Entretanto os idosos internados nas enfermarias morrem, o que não é mau porque assim há menos reformas para pagar. 



Passo 3 - fortalecer os cuidados de saúde privados

As pessoas queixam-se que os hospitais não funcionam bem, que os cuidados nas enfermarias são maus os tempos de espera nas urgências são demasiado grandes, o Serviço Nacional de Saúde tem fama de ser demasiado dispendioso. 

Tudo isto são problemas que você mesmo criou em primeiro lugar e que agora lhe permitem fazer várias coisas.

Como as pessoas estão insatisfeitas com os serviços de saúde públicos, vão recorrer às clínicas e hospitais privados (dos amigos).
Como há pessoas que não querem ou não podem ir ao privado, e o Serviço Nacional de Saúde é insuficiente e tem fama de ser dispendioso, pode fazer contratos (pagos com os impostos das pessoas) para as pessoas irem ter cuidados de saúde a hospitais privados (dos amigos).

Não interessa que estas estratégias sejam mais dispendiosas para o país a curto e longo prazo. Lembre-se, o seu objectivo é roubar, não é ser coerente. 



Passo 4 - enfraquecer a classe médica

Um problema com os médicos é que têm a mania que são alguma coisa de especial, que são importantes para as pessoas e que prestam um serviço essencial ao país.
Adicionalmente enquanto está dependente de um número limitado de médicos para prestar cuidados de saúde, tem pouca margem de manobra e tem de ceder com mais facilidade às exigências desses poucos médicos.
Estas coisas são problemáticas porque de vez em quando os médicos chateiam-se e fazem greves e isso é chato porque aparece nas notícias, e as pessoa zangam-se e você tem de roubar um bocadinho menos durante algum tempo. 
Portanto é importante enfraquecer a classe médica. 

Se tiver os media no seu bolso (e que raio de governante corrupto é você se não tiver?) pode tomar medidas que na prática têm pouco ou nenhum impacto, mas que quando aparecem nas notícias transmitem uma ideia errónea que as pessoas não têm a informação necessária para distinguir da realidade


"os médicos agora tem de trabalhar 40 horas por semana" quando na realidade a vasta maioria já o fazia, e o que as pessoas pensam é que os médicos não querem trabalhar.
"todas as ofertas aos médicos têm de ser declaradas nos impostos" quando na realidade de vez em quando recebiam uns ovos de um doente e umas canetas feias, e o que as pessoas pensam é que os médicos andavam todos a receber carros por debaixo da mesa.
"Os médicos recebem fortunas para trabalhar nas urgências" e às vezes nem sequer querem aceitar esse dinheiro, quando na realidade esse dinheiro está a ser pago às empresas privadas (dos amigos) que os contratam com a mesma remuneração de sempre.

Pode ainda incomodar os médicos e dificultar-lhes a vida implementando controlo biométrico de assiduidade (mesmo em Unidades de Saúde Familiar, que funcionam por objectivos e não à hora). Pode poupar dinheiro (que pode depois roubar) em programas informáticos que funcionam mal para lhes atrasar as consultas e fazê-los parecer incompetentes em frente aos doentes.
Até lhes pode começar a baixar os salários, com a desculpa de que estão a perder eficiência (quando na realidade essa eficiência é medida por fasquias que você mesmo impõe de maneira a serem impossíveis de atingir).



Tudo isto com o objectivo, naturalmente, de dificultar o trabalho dos médicos no SNS e para os obrigar a reformarem-se ou a mudarem-se para o privado (que, mais uma vez, de certeza que vai dar um cabeçalho espectacularmente enviesado "Médicos recusam trabalhar no SNS").

Outra coisa inteligente que pode fazer é transformar os médicos num recurso abundante e, portanto, sem poder reivindicativo. Como é que faz isto?

Aumentando o número de faculdades de medicina e não regulando de todo o número de vagas, de maneira a produzir mais recém-licenciados em medicina do que o que sabe fazer com eles.
Até pode, se quiser, e sempre sob a desculpa de que existe falta de médicos (problema que você mesmo criou), abrir faculdades de medicina privadas (dos amigos).
Desta maneira, daqui a uns 4-5 anos quando todos estes internos se especializarem, você mantém o número de vagas de trabalho reduzidas, e assim pode ter imensos médicos à procura de emprego. Nessa altura você pode começar impôr toda e qualquer restrição que queira, porque a procura é muita e a oferta pouca, e nessa situação o poder está do lado de quem oferece.



Passo 5 - Criar uma nova classe de médicos

Finalmente pode construir toda uma nova classe de médicos formatados e treinados para servirem os seus propósitos.
Dado que o seu objectivo é ter o menor número de médicos possíveis a fazer o maior número possível de consultas, precisa de médicos com uma enorme capacidade de fazer consultas e de trabalhar para os números. Não importam na realidade os cuidados preventivos, o planeamento familiar, a saúde materna, a saúde infantil, o seguimento de doenças crónicas. O que você quer é que as pessoas não fiquem em casa muito tempo constipados e que vão trabalhar o mais depressa possível.

Pode então alterar a formação dos médicos de família de maneira a pôr de lado um treino virado para a compreensão inteligente e cuidados de qualidade, focando ao invés disso o trabalho direccionado por números e de decoranço.

Desta maneira não só estimula ainda mais médicos a irem para o privado, como garante que os que ficam são os autómatos que precisa para verem doentes a metro.



Passo 6 - Colher os benefícios

Portanto o que é que conseguiu atingir com esta estratégia?

Desorganizou completamente a estrutura do Serviço Nacional de Saúde, reduzindo a capacidade de resposta tanto de hospitais como de centros de saúde, de maneira a que os centros de saúde se tornaram em repartições públicas e os hospitais estão focalizados no tratamento urgente de problemas pouco graves.
Isto faz com que as pessoas deixem de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e passem a recorrer aos hospitais privados dos seus amigos.
Conseguiu também cortar as comparticipações nas despesas de saúde dos doentes, ao mesmo tempo que direcciona os seus impostos para dar dinheiro aos hospitais privados dos seus amigos.
Por causa destes problemas todos e da desorganização completa da saúde, as pessoas têm de recorrer a seguros de saúde (das seguradoras dos amigos).
Conseguiu afastar os médicos dos empregos seguros do estado e direccionou-os para a precaridade do trabalho privado (dos amigos), e reduziu enormemente a influência que pudessem ter na população.
Até conseguiu dar faculdades de medicina privadas para os seus amigos.

As pessoas começam a morrer imenso, mas pode pôr a culpa no tempo.

A cereja em cima do bolo é que uma população com menos saúde, mais preocupada com as doenças dos filhos e dos idosos, não sai tanto à rua para se manifestar!



Portanto resta tanto dinheiro para si e para os seus amigos que pode agora viver o resto da sua vida a subsistir exclusivamente numa dieta de lagosta recheada de lagosta, cocaína e prostitutas.

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