Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Homofobia e o Papão

Cada vez que vejo que há pessoas genuinamente homofóbicas fico razoavelmente divertido.

É divertido de se testemunhar no mesmo sentido que era engraçado ver o racismo casual e semi-inocente da minha avó de 80 anos.
É um artefacto, um fóssil vivo de idades passadas. Já ninguém fala como a minha avó falava dos pretos
É chocante e antropologicamente fascinante ao mesmo tempo.



É isso que sinto em relação a pessoas homofóbicas. São estúpidas, e eu tenho sempre uma curiosidade mórbida em ver até onde chega a estupidez das pessoas.
Dou-lhes trela, não os critico. É uma homofobia quasi-inocente, com poucas consequências.
É como ver macacos a tirarem macacos do nariz.

Mas é fácil esquecer, ao olhar para os risíveis homofóbicos mongolóides, que o comportamento deles é motivado pelo Papão.
Porque o papão aparentemente não gosta que andem por aí tipos másculos a acariciarem-se mutuamente. É feio!

Costuma surgir a discussão (não faço sequer ideia como é que ainda há pessoas que sentem que esta é uma discussão que vale a pena ter) sobre se se nasce homossexual ou se a homossexualidade é uma escolha.



Porque era chato admitir que se pode nascer homossexual, porque nesse caso era o próprio Papão que estava a criar homossexuais, e o Papão nunca se pode contradizer.

Não, a homossexualidade, é uma escolha, balbuciam eles. Claramente aquele homem decidiu introduzir o seu pénis no esfíncter anal daquele outro homem. Foi uma escolha, uma decisão propositada e provavelmente premeditada.

As pessoas que têm dois dedos de testa replicam que não é sequer esse o cerne da discussão. Da mesma maneira que uma pessoa nasce a gostar da genitália do sexo oposto, há quem se interesse por genitália parecida à sua. É intrínseco e imutável.


Mas este argumento tem uma falha. Parte de uma suposição errada, que o deixa vácuo de sentido.
Este argumento assume que os homofóbicos são mais movidos pela estupidez do que pelo Papão.
Assume que os atrasados mentais não conseguiram perceber que os homossexuais já nascem daquela maneira e que por isso presumem que qualquer coisa em contrário só pode partir de uma escolha.

Não não. Os homofóbicos não têm problemas com que alguém nasça homossexual, isso é de somenos importância.

Mas que decidam agir de acordo com essa orientação sexual? Ah isso é que o Papão proibiu especificamente!


Os homofóbicos sabem que os homossexuais não podem simplesmente escolher ter interesses diferentes. Sabem-no perfeitamente. Mas também sabem que os homossexuais podem escolher fingir, e reprimir-se e abafar-se e não deixar transparecer que são quem são.

Qualquer comportamento é uma escolha.
Eu escolho levantar-me e ir trabalhar e ser simpático. É um comportamento que eu detesto, que remédio tenho eu senão comportar-me assim.

Os homofóbicos não se importam realmente que para os homossexuais seja doloroso reprimir-se. Ou se calhar até se importam.
Mas mais importante que isso é não desobedecer ao Papão!
Se é preciso sofrer para não desobedecer ao Papão, então que assim seja.

Os homofóbicos dirão aos homossexuais para se esconderem, mostram-lhes que independentemente do que sintam, não podem é demonstrar a sua homossexualidade, porque isso é mau.


E os homossexuais de facto decidem expressar-se naturalmente.
Decidem não se reprimir e escolhem ser quem são.

É uma escolha, e é essa escolha que irrita os homofóbicos.
Porque é uma escolha a favor do próprio e não do Papão.
Porque é uma escolha que vai directamente contra a vontade do Papão.

E isso é mau. É perigoso.

É por isso que os homofóbicos não são só estúpidos, também são más pessoas.
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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Space Walk - Lemon Jelly


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terça-feira, 9 de junho de 2015

2001: A Space Odyssey

Já me perguntaram, mais do que uma vez, afinal porque é que o 2001 é tão bom.
Eu fico chocado todas as vezes.
Não é óbvio? Não é imediatamente aparente que é um dos melhores filmes alguma vez feitos?

Então se é tão óbvio porque é que tenho sempre dificuldade em explicar porquê?

Porque esqueço-me que de facto o 2001 é um filme extremamente invulgar. É normal ver o filme e achar que é uma seca confusa. Foi o que eu achei da primeira vez que o vi.
O filme foge à estrutura narrativa habitual e tem poucas das pistas e características que estamos habituados a prestar atenção para julgar um filme.

Portanto vou tentar explicar porque é que o filme é tão bom.


Primeiro é preciso perceber o que era a ficção científica nos anos '60, quando o filme estreou.

Na televisão passavam o Star Trek (1966), o Lost in Space (1965) e o Thunderbirds (1965).


Basicamente, ninguém levava a Ficção Científica a sério.

E de repente vem o Stanley Kubrick, que por essa altura já era um autor e realizador conceituado, que toda a gente acharia ser superior à parvoíce de alienígenas com testas de borracha que era a ficção científica.
E o Kubrick pega no género da ficção científica, por quem ninguém dava nada, e constrói nele uma das obras-primas do cinema, que ainda hoje temos dificuldade em alcançar.

Uma pedrada no charco é uma metáfora demasiado fraquinha para o que aquilo foi.
Foi mais do que uma bomba, foi um salto quântico para uma forma de arte mais elevada (esta pode bem ser a frase mais snob que eu já escrevi na minha vida).

O 2001 não foi só uma inovação, não foi um passo em frente ou sequer uma progressão lógica do que se fazia na altura.
O 2001 foi um atalho para o melhor que se conseguia fazer em ficção cientifica sem passar por todos os passos intermédios. Esses passos intermédios foram todos os filmes que entretanto tem vindo a ser feitos.

O filme não só era muito sofisticado para o seu tempo, continua a ser muito sofisticado para o NOSSO tempo.
O que por si só explica porque é que há dificuldade em entendê-lo.

Para começar há algo a ser dito acerca da história.



Contrariamente ao que se pensa habitualmente, o filme não é uma adaptação do livro 2001: a Space Odysssey.

Na realidade o Stanley Kubrick e o Arthur C. Clarke juntaram-se e colaboraram na escrita do livro e do filme um do outro ao mesmo tempo. Na realidade a história é escrita pelos dois em conjunto, e depois um deles pegou na história e transformou-a em livro e o outro pegou nela e transformou-a em filme.

A magnitude da narrativa e o tamanho das ideias envolvidas na história é espantosa. É uma história sobre o início da inteligência nos humanos, sobre exploração espacial, inteligências artificiais, sobre vida extra-terrestre inimaginavelmente avançada e viagens inter-dimensionais.

São ideias muito complexas, com imenso pano para mangas. Qualquer uma delas seria difícil de explorar de forma precisa e interessante. E no entanto a história consegue pegar em todas esta ideias e misturá-las e concretizá-las numa narrativa que nunca é forçada ou desconexa.

Se essa narrativa fosse explicada de forma mais clássica, à custa de exposição ou diálogos, seria uma salganhada de texto denso e verborreico.
Isso tornaria o filme extremamente cerebral, exigindo imensa atenção aos diálogos.



Em vez disso a história é contada de forma extremamente minimalista, com pouquíssima exposição. O conteúdo da narrativa é suportado pelas imagens.
Há poucos diálogos, os planos de câmara e os enquadramentos são mantidos durante imenso tempo, o ritmo do filme respira lentamente, sem pressa para avançar.
O 2001 é sobretudo um filme sensorial. Os longos planos e o ritmo lento existem para nos integrar naquele mundo, para nos hipnotizar e para sentirmos o filme.

A quase ausência de diálogos permite prestar atenção a outras coisas, e se conseguirmos deixar de intelectualizar o filme e simplesmente deixar-nos levar pelo tom e beleza do filme, conseguimos ter uma experiência emocional igualmente complexa.

E o Stanley Kubrick consegue isto com um filme de ficção Científica.

E que ficção científica!




Basta dizer que o 2001 continua a ser uma das representações mais fidedignas e cientificamente correctas de exploração e tecnologia espacial.
Tanto do ponto de vista prático (não haver som no espaço, a maneira como a ausência de gravidade funciona), como do ponto de vista de futurismo (ao prever que tipo de tecnologia seria necessária) o 2001 é irrepreensível. Aparece sistematicamente em primeiro lugar em listas de filmes cientificamente correctos, à frente de filmes mais modernos como o Gravity e o Interstellar.

Na maior parte das vezes os filmes escolhem favorecer a qualidade narrativa em detrimento da precisão científica, e na maior parte das vezes essa é a decisão mais correcta.


Mas estamos a falar do Stanley Kubrick.
E o Kubrick consegue pegar numa cena de 5 minutos com uma nave espacial a alunar muito lentamente, como na realidade aconteceria, e preenche a cena com música clássica, criando uma sequência quase onírica.
E consegue pegar numa nave espacial com um anel a rodar para simular gravidade e consegue usar esse espaço dificílimo para filmar e construir sequências surreais e atmosféricas.



Isto vai de encontro ao que eu estava a dizer anteriormente acerca do 2001 ser um filme sensorial e de emoções. O Kubrick conta uma história de astronautas atrás de alienígenas traídos por uma inteligência artificial através de uma narrativa fluida, cheia de sequências musicais, coloridas quase oníricas que fazem um excelente trabalho de transmitir uma sensação emocional.
À medida que a narrativa progride, a tensão dramática, o suspense e a ameaça são aumentadas por este ambiente surreal, quase psicadélico.


O facto de que de metade do filme para a frente só há duas personagens, o Dave e o H.A.L. também é significativo.
Dave, o astronauta humano com quem o espectador se identifica, vê-se sozinho contra o H.A.L., uma inteligência artificial homicida. O isolamento de Dave, que vê os seus companheiros a serem mortos um a um e a lutar sozinho contra forças ameaçadoramente frias, cria no espectador uma sensação de insegurança e desesperança que são ecoadas pelo silêncio e aparente calma com que o conflito se desenrola.



A viagem de Dave (e do espectador) passa não só por lutar contra H.A.L. mas também aventurar-se no absoluto desconhecido do monólito, e entrar numa experiência que é simultâneamente psicadélica e aterrorizante.
A famosa sequência de quase 10 minutos de cores e luzes é o culminar de toda a experiência onírica e psicadélica que é o filme. Não esquecer que o filme estreia no pico do movimento hippie, conhecido pela utilização de substâncias alteradoras da mente.


No fim, a experiência emocional e sensitiva de medo, ameaça, insegurança, beleza, maravilhamento e até terror, é aquela que habitualmente se atribui à exploração espacial e que a maioria dos filmes de ficção científica tenta transmitir aos seus espectadores.



O 2001: A Space Odyssey consegue criar nos seus espectadores a experiência de ficção científica quase perfeita recorrendo às melhores ferramentas possíveis para criar directamente essas emoções.
Essas ferramentas são sobretudo visuais, sensoriais, atmosféricas e de ritmo, coisas muito mais emocionais do que as habituais ferramentas de escrita, diálogo e exposição da maioria dos filmes de ficção científica, que acabam por ser muito mais cerebrais.

Dessa maneira o 2001, para além de contar uma história de ficção científica extremamente complexa e com ideias enormes, consegue fazê-lo de forma a enfatizar e intensificar a experiência emocional da mesma.

E é por isso que o 2001 é um dos melhores filmes de ficção científica.

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domingo, 31 de maio de 2015

42

Existe uma coisa a que se pode chamar Alma!

Sim, exactamente. Uma Alma! Tudo o que você é, a essência de si, o seu espírito, o seu EU incorpóreo.



Existe! Isto não está aberto ao debate. A Alma existe, só que ainda não tínhamos percebido bem o que era, mas esteve lá o tempo todo.

E a Alma é mais do que a nossa consciência. Abrange-a completamente, e é definida por ela, mas não é a nossa consciência.

Pense...

Não, a sério, só isso.
Estava a Pensar.
A pensar, a ter ideias, a criar noções e a juntá-las umas às outras de maneira a questionar o seu ambiente e a tomar consciência de si mesmo.
E estas noções, auto-referenciais e em última análise auto-conscientes, estão a acontecer dentro do seu cérebro. Não existe nenhum outro lugar onde possam acontecer. E estão a acontecer nos muito físicos e muito orgânicos neurónios.




Milhões sobre milhões de neurónio, células eucarióticas altamente especializadas que evoluíram para receber, modular e enviar sinais. Estes sinais por acaso são de uma natureza electro-química, baseados em moléculas complexas chamadas neurotransmissores, mas nada disso realmente importa. O que importa é que os neurónios são células que transmitem informação.

Informação!
Informação é a propagação de causa e efeito dentro de um sistema.
Se a velocidade da luz é constante e impossível de ultrapassar, então o efeito vai sempre suceder-se à causa. A causalidade é a razão essencial pela qual tudo faz sentido. Não é uma pedra a ser puxada pela gravidade, nem a gravidade em si mesma. A informação não é uma coisa física, é o facto de que a pedra estava em cima e depois veio para baixo. É a passagem de escuro para luz, de quente para frio, é mudança de acordo com causalidade.



E os organismos aprenderam a usar a informação para seu proveito! Era um nicho evolutivo e valeu a pena investir nele.
Seres vivos orgânicos, tais como células, ao invés de estarem meramente sujeitos ao seu ambiente, adaptaram-se de maneira a alterar os seus comportamentos de acordo com estímulos. Fugir de oxigénio tóxico ou mover-se em direcção à luz.
Estes organismos encontraram maneiras de usar a informação de forma a sobreviver mais eficientemente.


Mas precisavam de interruptores, portões lógicos que fossem capazes de se ligar ou desligar de acordo com informação. Interruptores orgânicos que processassem a informação de luz ou escuro de um lugar para o outro e efectuassem algum tipo de mudança.
Um bocadinho de informação, um bit de informação. Luz ou escuro, 0 ou 1.


Esse foi o antecessor do primeiro neurónio. Uma célula que conseguia mudar o seu estado de acordo com estímulos, e ao fazê-lo, induzir alterações noutras células. A transmissão de informação por meios biológicos.
A comunicação entre dois neurónios chama-se sinapse. De forma simplista podemos dizer que 1 sinapse = 1 bit de informação.

E não demorou muito até que a evolução percebesse que ter MAIS neurónios era MELHOR!
E em pouco tempo tínhamos milhões de neurónios, todos interconectados entre si, a receber a modular e a enviar informação. Constantemente, sobretudo o que se passava à sua volta.

E conseguiam processar mais de que um único bit de informação.
Estima-se que ocorram entre 100.000.000.000.000 (cem triliões) e 20.000.000.000.000.000 (vinte quadriliões) de sinapses por segundo de actividade do cérebro.
Eu diria que isso parece ser um processador poderoso o suficiente para sustentar pensamentos complexos e para permitir que ideias se tornassem auto-referenciais e atingir a consciência.



Portanto, para resumir, a nossa consciência, maravilhosamente, elegantemente, diabolicamente bela e complexa, ocorre num sistema auto-referencial de informação baseado em portões de lógica neuro-químicos.

E a informação pode ser escrita. Pode ser visualizada. Vejam:

1+1=2.

"1" em si mesmo é absolutamente abstracto.
Não é 1 (uma) maçã, não é 1 (uma) cadeira. É meramente 1.
A noção e ideia de uma unidade singular de alguma coisa. Qualquer coisa, não interessa.
Uma coisa qualquer coisa mais uma coisa qualquer qualquer coisa vai sempre duas coisas qualquer. Não precisamos de saber o que quer que seja acerca qualquer coisa para saber, com certeza absoluta, que um mais um vai ser sempre dois.

Alguma vez olharam para um programa de computador em linguagem de programação?


Não é mais do que ideias. Simples ordens lógicas que iniciam e terminam e modulam processos lógicos. Não interessa que estas ordens e processos estejam a ocorrer num computador; em teoria podia-se programar com um ábaco, com sinais de fumo, com qualquer coisa que pudesse codificar informação.

E se a nossa consciência é informação, que aspecto teria se de alguma forma escrevêssemos o seu código?
Que linguagem seria usada? Quão comprida seria? Seria surpreendentemente complexa? Ou surpreendentemente simples?

E poderia ser representada visualmente. Se conseguíssemos medir cada uma das sinapses do cérebro, em tempo real, e a maneira como se relacionam entre si para formar ideias, estaríamos efectivamente a mapear a consciência. Poderíamos ver, de facto olhar, para a sua consciência a acontecer em tempo real.
Essa representação abstracta, em tempo real, seria inimaginavelmente complexa, mas seria também a representação perfeita da sua consciência nesse momento, do que é e de tudo o que poderia ser.


Isso seria apenas uma maneira de representar uma coisa que já está constantemente a acontecer. Essa rede complexa e abstracta de informação que é o código e o programa da sua consciência.
Só que não a conseguimos ver pelo que ela é.
Olhar para neurónios a dispararem seria tão informativo quanto olhar para linhas de 0s e 1s para tentar perceber o que faz um programa de computador.
Esse mapa de informação seria apenas uma representação abstracta de impulsos neuro-químicos a correr de um lado para o outro dentro do seu crânio.
Mas não é menos real por causa disso. Tão real, que a única coisa de que cada um de nós pode ter realmente a certeza é de que existe! Que a nossa consciência está a funcionar.

O que quer que essa rede inter-relacionada informação seja, é a nossa alma. Tudo o que somos ou podemos vir a ser, todas as ideias que temos ou que podíamos ter, todas as ferramentas cognitivas subconscientes de que não nos apercebemos, incorpóreas e perfeitas.
Seria perecível, baseada em hardware feito de carbono, oxigénio, hidrogénio e nitrogénio. Nada de sobrenatural acerca dela, mas seria uma alma.



E o que são o Carbono, Oxigénio, Hidrogénio e Nitrogénio senão blocos de construção do universo?

Energia transformada em matéria, feita e refeita no coração da estrelas, regida por leis que governam o próprio tempo. Hidrogénio a transformar-se em Hélio, libertando energia no processo.

Mas o oxigénio é um elemento bastante complexo, o carbono também, e o sódio e o cálcio e o ferro, e todas as outras coisas de que somos feitos.
Estes não são fruto do Big Bang, ou sequer das primeiras estrelas. 
Não não, os átomos dentro dos nossos corpos começaram como hidrogénio que passou por três forjas nucleares, sendo cozido e moldado no carbono e cálcio que vemos hoje. Estrelas nasceram e morreram para darem à luz o nosso Sol, uma estrela de segunda geração, que pudesse libertar os elementos começos que nos permitem existir.



E tudo isto, todos estes passos inimaginavelmente complexos e longos tiveram de ocorrer, inevitavelmente ocorreram, para que existissem moléculas para compor o seu cérebro e a sua consciência. 

A sua consciência é feita de pó de estrelas mortas.
A sua consciência é feita dos blocos de construção do Universo, de acordo com leis Universais. 
A consciência é feita de Universo.
O Universo tornou-se, pelo menos parcialmente, auto-consciente. 

Em si.



Você! 
Você faz parte da consciência do Universo. Você é o Universo a pensar e a questionar-se acerca de si mesmo. Você faz parte parte da alma do universo. Porque a sua alma emergiu do universo.
Isto parece espiritual, mas não é.
Isto é ciência, isto é facto, não está aberto a discussão mais do que a gravidade está aberta a discussão ou até 1+1=2.

E você é uma alma entre 7 biliões de outras almas.
Que conheçamos.




A vida parece ser uma consequência inescapável e mecanística do nosso universo. Da maneira que as leis da física funcionam, nunca poderia NÃO haver vida no nosso universo. E isso é o mesmo que dizer que a existência da nossa consciência era igualmente inevitável, e que é de facto um fenómeno de ocorrência natural do Universo.

Os mares têm ondas, os desertos têm dunas. É o que acontece se pusermos muitas pequenas moléculas redondas a interagir umas com as outras.
O Universo tem Almas. É tão inevitável quanto previsível.

E isto faz  da Alma nem mais nem menos preciosa que qualquer outro fenómeno no ùniverso. A nossa vida biológica e consciência têm o mesmo valor que pedras, gás, asteróides, estrelas, buracos negros, atómos de hidrogénio aleatórios a flutuar no espaço intergaláctico.

Somos só um fenómeno do nosso universo.

Somos a Alma do Universo.



...

E as pessoas preocupam-se em usar meias de cores iguais.


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domingo, 10 de maio de 2015

O Segredo

Ontem tive uma experiência que mudou a minha vida.
Slowly but surely, todos os dias mudam a nossa vida. Mudam tanto que um dia somos enterrados no solo, no jardim das tabuletas. Mas antes que isso aconteça, quero falar sobre uma epifania que eu tive, em que me apercebi, por acaso, de um dos segredos mais bem guardados da humanidade.

E não é como se fosse uma coisa desconhecida, é praticamente do senso comum, mas baseia-se em ferramentas fundamentais da nossa mente, que usamos diariamente, mas que não damos atenção suficiente. Quando vos contar o segredo, vão perceber que sempre o souberam. Mas há uma diferença entre ler um livro que está guardado na nossa biblioteca, e termos sublinhado o mais importante do texto, sabendo as nossas passagens preferidas de memória. O uso que lhe podemos dar, o impacto na nossa vida!

Mais do que isso, este é um segredo milenar, que pode bem ter sido parte essencial da base da construção da civilização humana como a conhecemos hoje. Acredito que o primeiro macaco que começou a usar deste segredo, começou uma reacção em cadeia que pode ter gerado impulsos humanos tão primordiais como o altruísmo e o egoísmo, conceitos tão negativos como a xenofobia e o racismo, coisas como o sentido de humor, e ajudou mesmo a moldar as artes do espectáculo moderno. Mas as implicações reais são inimagináveis.

O segredo é que se quiseres muito uma coisa ela vem ter contigo.


44 linguas, 21 milhões de cópias, 300 milhões em vendas (só do livro)

E agora dizer a quem não percebeu o segredo, que explicar-lho não ajudaria nada.
(ler o livro também não)
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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Such is life

No recreio és um pesadelo
Atiras areia, puxas-lhe o cabelo
Mas os anos derretem o gelo
E atrás do bloco, à conversa
Um beijo de língua perversa,
O frio aperta na manhã submersa


Sentes calor nas entranhas,
Sorris lágrimas estranhas,
Chegas à terra prometida,
Não precisas de nada na vida.


Mas as toneladas dos anos
Mesmo sem guerras nem intrigas
Só o atrito entre seres humanos,
E as vossas discussões antigas.


Ela perde-se num labirinto
Onde tu só vês uma ruela
Sentido único de fogo extinto
E enquanto a cumplicidade gela
O copo meio vazio dela,
É o teu meio cheio de absinto.


Arranha-te as entranhas,
Arranca-te lágrimas estranhas,
Sentes a garganta ferida,
Enquanto ela sai da tua vida.
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sábado, 2 de maio de 2015

Bolas

Imaginem um berlinde.


Um berlinde, daqueles com que se brincava em criança.
Eu lembro-me de brincar com berlindes. Eu tinha um berlinde preferido.


Ok, agora imaginem um berlinde de um centímetro.
Uma pequena esfera de vidro de 1cm de diâmetro.


Agora imaginem a Terra.
O planeta em que todos nós vivemos. Ah, sim, porque, caso isso vos tivesse momentâneamente escapado da mente, estamos todos a flutuar no espaço.

A Terra é muito grande. Mesmo mesmo muito grande. Tem 12.735m de diâmetro

A Terra é 100.000.000 (10^8, cem milhões) vezes maior que um berlinde.


Agora imaginem uma bola de bilhar. É bastante redondinha. Uma esfera quase perfeita.
A Associação Mundial de Bilhar afirma que uma bola de bilhar tem 5,715cm de diâmetro com uma tolerância de +/-0,0127cm.



Se a Terra (com um diâmetro médio de 12.735km) fosse do tamanho de uma bola de bilhar, e tivesse a mesma proporção de tolerância para o seu tamanho, isso permitir-lhe-ia picos (montanhas) ou buracos (fossas) com cerca de 27km de tamanho.

Dado que o Monte Everest mede 8,840km acima do nível do mar e a Fossa das Marianas mede 10,994km abaixo do nível do mar, então a Terra está bem dentro dos limites de tolerância e é uma esfera mais perfeita que uma bola de bilhar.

É assim tão grande que a terra é.

Voltem a pensar num berlinde. 1cm



Agora pensem numa bactéria. Um procariota.






Os procariotas do tipo Staphylococcus têm um tamanho médio de 1 micrómetro ou seja, 0,0001cm, um milésimo de um milímetro.

É a mesma proporção que um berlinde ao lado de, por exemplo, uma antena de radio-observatório de 10m de diâmetro.


Vamos saltar um bocado.

Imaginem um átomo.


Uma coisa tão pequena, que, apesar de sabermos que existe, temos dificuldade em representá-la sem ser por matemática.
Não é sequer de perto a coisa mais pequena que conseguimos imaginar, mas para os nossos propósitos vai funcionar.

Um átomo tem de diâmetro. Um Angstrom. 0,00000001 centímetros.


Um átomo é 100.000.000 (108, cem milhões) vezes mais pequeno que um berlinde.

A Terra é 100.000.000 (108, cem milhões) vezes maior que um berlinde.


Ou seja, em termos de proporções de tamanho, um berlinde está exactamente a meio caminho entre um átomo e a Terra.



O Sistema Solar é grande.


Muito grande.

A Terra, tínhamos visto, tinha 12,735km (quase treze quilómetros)
O Sistema Solar tem quase 7.500.000.000 km (sete mil e quinhentos milhões de quilómetros) de diâmetro.

Um berlinde está para a terra mais ou menos como a Terra está para o Sistema Solar.


Galáxias...


Um ano-luz é a distância que a luz (300.000Km/s) viaja durante um ano.
A luz do Sol demora 8 minutos-luz a chegar à terra.

Um ano-luz tem cerca de 9.460.528.400.000Km (9,46x1012 quilómetros).

A Via Láctea, a nossa galáxia tem 100.000 (cem mil) anos-luz de diâmetro.

O Universo Observável corresponde a uma esfera com 93 biliões de anos luz.







Por extenso, 93.000.000.000 anos luz.

E eu tenho de ir trabalhar na segunda-feira.
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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Avengers: Age of Ultron - A Crítica

Acabei de ver o Avengers: Age of Ultron, e ainda não me recompus.
Para todos os que estavam com medo, podem estar descansados, o filme é espectacular!!!

O Avengers: Age of Ultron é o culminar da Phase II da Marvel e o segundo filme realizado e escrito pelo Joss Whedon (que, nunca se esqueçam, começou a sua carreira a escrever a Buffy: Caçadora de Vampiros).

Este é provavelmente o maior filme Marvel até agora. O mais ambicioso, com maior dimensão, e isso sente-se.
O filme começa em grande, e depois só se vai tornando maior e maior e maior. O filme cresce continuamente, e só não se desmorona sob o seu próprio peso devido à escrita extremamente inteligente do Joss Whedon.

Vou agora tentar escrever uma crítica sem dar demasiados spoilers. Perdoem-me as pessoas que viveram debaixo de uma pedra durante o último ano (!!!) se eu deixar escapar alguma coisa.



Em primeiro lugar, as sequências de acção são fantásticas. A sério são mesmo boas.
Têm imensa energia, estão bem coreografadas e são genuinamente interessantes. Sem contar com a sequência final, a luta entre o Iron Man e o Hulk (vá não se queixem de spoilers, se viram o trailer sabiam que ia acontecer) é particularmente divertida e entusiasmante.

Talvez uma das poucas críticas que se possam fazer ao filme resida exactamente nas suas sequências de acção. São demasiado intensas. A maneira como estão filmadas por vezes torna-as difíceis de seguir, tornando-se confusas.
Nesse aspecto acho que o primeiro Avengers estava mais bem feito, no sentido em que as cenas de acção tinham mais espaço, tinham mais ar para respirar e por isso tornavam-se mais fáceis de admirar e apreciar.



A história é clássica mas boa. Não há aqui reviravoltas surpreendentes e a narrativa segue carris e preceitos que estamos fartos de conhecer. Não há nada de inovador ou desafiante na narrativa, mas esse nunca foi o objectivo dos filmes da Marvel. Os filmes da Marvel usam histórias sólidas e directas como fundação para mostrarem os heróis, e neste filme é exactamente isso que acontece.

A história progride de forma lógica e inexorável (previsível?) para o seu fim passando por todos os picos e vales normais e esperados da narrativa e não há eventos forçados, as coisas que acontecem fazem sentido.
O conflito é muito interessante, criando esse ímpeto que obriga a história a estar sempre a avançar. Senti-me muito na pele das personagens, sempre a lutar contra o relógio, sempre um passo atrás do problema, sempre a resolver as coisas quase no último momento.
Apesar dessa sensação de urgência, o filme nunca se torna cansativo, e é essa uma das forças do Whedon. Dentro de todo o filme, em variadíssimos momentos, há situações de escape onde essa tensão acumulada pode escapar um bocadinho para não ficarmos cansados com o filme.
Acreditem em mim que num filme onde acontece TANTA coisa, isso é algo extremamente difícil de conseguir.


As personagens são outro forte do filme.
Obviamente que temos as mesmas personagens centrais do costume (o Capitão América, o Homem de Ferro, o Thor, o Hulk, a Viúva Negra e o Hawkeye), que já estamos fartos de conhecer dos seus outros filmes individuais. Há personagens novas mas não posso falar delas porque spoilers.
Mas apesar disso com este filme fiquei a sentir que passei a conhecer estas personagens muito melhor do que antes. De forma paradoxal com o que disse antes, este filme tem momentos de calma e tranquilidade onde as personagens são exploradas sem pressa, e as suas inter-relações são aprofundadas de uma forma que ainda não tinha sido feita antes.
Os diálogos são muito cómicos, mesmo em momentos onde não o esperaríamos, e isso mais uma vez contribui para o ritmo da história, tornando-a mais fácil de apreciar, sem estarmos constantemente a ser assaltados por mais e mais acção. Mais uma coisa que podemos atribuir ao Whedon.



O Ultron.
O Ultron é tão bom! Definitivamente um dos melhores vilões do MCU até agora e, na minha opinião, só fica atrás do Loki (que, não por acaso, é o vilão principal do primeiro Avengers).
Como personagem tem uma génese extremamente interessante, tem motivações fortes e que fazem sentido, até tem um conflito interno (mais ou menos), e é muito divertido vê-lo a dar luta aos Avengers.
O James Spader faz uma interpretação brilhante da personagem. A voz é a ideal para a personagem e a interpretação vocal não podia ser melhor. É mesmo um dos pontos fortes do filme.
A animação da personagem também é brilhante, sendo que foi usada tecnologia de motion capture para captar a interpretação do James Spader. É impressionante a quantidade de expressão facial que acontece naquele robot.


Visualmente o filme é fantástico. O CGI é muito bom, e os cenários e localizações são visualmente interessantes e agradáveis ao olho. É um filme com uma paleta de cores mais limitada do que o primeiro Avengers, e por vezes quase que parece que existe demasiado contraste, mas isso são picuinhices de quem adorou o festival de cores que foi o Guardiões da Galáxia.

O filme sofre um pouco do síndrome do filme-do-meio. É claramente um filme de transição, que serve de ponte entre o início e o fim da story-line, e é difícil de o interpretar sem ser no contexto de todos os outros filmes do MCU que já saíram e ainda estão para sair.
É um pouco como o As Duas Torres do Senhor dos Anéis. O filme pega em pontas deixadas por filmes anteriores e deixa pontas soltas para filmes que venham a seguir.

O filme não é menos bom por causa disso. A produção podia simplesmente ter aproveitado a legião de fâs que já ganharam até agora, ter feito um filme preguiçoso e depois recuperar com tudo o que já têm preparado, mas não foi isso que aconteceu.
O filme está extremamente bem conseguido, é muito divertido e de certeza que vai deixar qualquer fã mais do que satisfeito.

Portanto vão ver o filme, é mesmo muito bom, e depois de já toda a gente o ter visto e já não me poderem acusar de fazer spoilers, então posso escrever uma análise!


Ps: o zinger (aquela cena que aparece depois dos créditos) é AWESOME!!!!!!!
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terça-feira, 21 de abril de 2015

Alone in the dark

37 tiros e uma explosão depois, ele estava a correr, sem se lembrar de ter dado ordem às pernas para se mexerem.

Engolia o ar frio às golfadas enquanto saltava por cima das ruínas metálicas da fábrica velha, ainda sem consciência que a explosão lhe tinha substituído os tímpanos por campainhas. Entrou num corredor escuro e continuou até uma pancada incrível na cabeça o deixar deitado de costas, a contorcer-se em pânico, agarrado à cabeça com as mãos ensopadas em sangue.

O pânico transformou-se em confusão, porque um tiro na cabeça não leva a muito pânico, ou sequer confusão. Quando conseguiu, olhou em todas as direções por entre os dedos.
A dor excruciante na têmpora direita só apareceu quando viu a conduta de ar pendente, suja de sangue. Depois de se levantar, entrou na primeira sala que que se ofereceu. Tinha corrido sem olhar para trás, e escondeu-se ofegante, sem saber onde.

Quanto tempo tinha passado? 2 minutos? Meia hora? Teria sido suficiente?
Claro que não. Ele próprio já tinha perseguido e morto vários desgraçados que tinham tentado fugir. Não se lembrava de algum ter escapado. ‘’Eles vêm aí…’’

Tinha imaginado o que sentiria se isto acontecesse, em fantasias tiradas de filmes de samurais. Gritos de guerra e cargas cegas, desesperadas, com o fogo na barriga da cavalaria britânica na batalha da balaclava.

‘’Half a league, half a league,
Half a league onward…’’

Estranho não sentir a raiva gloriosa dos últimos minutos de quem viveu com a honra ou a morte como únicas certezas. O fogo na barriga que sentia era a azia de quem não tinha comido hoje, que o fazia arrotar ácido de maneira não muito gloriosa. Vomitou o mais silenciosamente que conseguiu, até que uma irregularidade no silvo contínuo que tinha nos ouvidos desde a explosão que muito provavelmente tinha morto o irmão dele, retesou-lhe os músculos. Qualquer coisa a sussurrar nas sombras… O vento?

Estava frio. Outra vez. As memórias que ele tinha de estar quente e confortável estavam esbatidas. Mantinha a vaga ideia que algures, um dia, o mundo tinha sido um lugar seguro. Agora, sozinho no escuro, alerta, abraçado às pernas dormentes, encostado a uma viga gelada de aço cinzento, escutava. Apesar das náuseas e suores frios, a opressão do silêncio na sala ajudava um pouco a estancar o pânico.

‘’Eles vêm aí…. ‘’

O bater do coração precipitado, fez com que começasse a beber o ar em golos pequenos e irregulares.
‘’Calma… calma, calma….’’ Murmurou para si próprio, numa voz rouca pela garganta arranhada pelos vómitos. Não podia deixar o medo afogá-lo. Não agora.
Tinha treinado durante anos. Tinha morto pelo menos 3 deles no último quarto de hora…. Porque é que as mãos dele insistiam em tremer? Porque é que tinha aço nas mandíbulas?

Havia calor a espalhar-se pelo colo dele, que pingou numa poça pequena.

O desfecho provável dos próximos minutos deixavam-no aterrado, ao mesmo tempo que o último cartucho de munições na semiautomática tornava-o consciente da faca de mato no tornozelo.
’’Porque é que estão a demorar tanto tempo?’’… ‘’Será que passou assim tanto tempo?’’

Tornou a mostrar um olho cauteloso à paisagem. As sombras ondulavam por cima de um cadáver encostado à ombreira de outra porta que dava acesso aos fornos da fábrica. O sangue que lhe tinha brotado abundante do orifício supraciliar, estava agora reduzido a um fio rosado que nascia de um coágulo preto. ‘’Que sítio estúpido para morrer…’’

Finalmente ouviu qualquer coisa. Nada de especial, mas o suficiente. Eles estavam na sala, provavelmente atrás da primeira fornalha.
2… não 3, pelos passos. Ouviu uma troca de palavras sussurradas.
Pareciam assustados... Um deles recomendava extremo cuidado ao outro.
Será que tinham ouvido falar da reputação dele?

Talvez o desespero dele tenha sido prematuro. Um princípio de coragem parecia querer levantá-lo, disparam, matá-los, fugir para casa. Um cartucho era mais que suficiente, porra.

Para casa....

O efeito surpresa estava do seu lado. ‘’Os filhos da puta nem vão perceber…’’

‘’Forward, the light brigade!
Was there a man dismay’d?
Theirs not to make reply,
Their’s not to reason why,
Their’s but to do and die…’’

‘’FIlhos da putaaa….’’ Quando se levantou, o sangue ainda lhe pingava da testa, cheirava a vómito, tinha as pernas dormentes e a começar a ficar geladas do mijo… mas a mão…. A mão dele sempre foi rápida como um relâmpago.

Alguma coisa arrancou-lhe o ar dos pulmões, antes de ouvir a Mark 2 Lancer Assault Rifle trovejar em todo o esplendor do seu calibre 0.5. Pelo que sentiu, podia ter sido uma locomotiva.

 ‘’Into the valley of death,
Rode the sixhundred…’’

Deitado de costas viu que no tecto estava a moldura de uma conduta de ar, com uma escada que levava à superfície, ao alcance de um pequeno salto. Duas estrelas mortiças cintilavam lá em cima, cada vez mais desfocadas…
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As estrelas desfocadas foram obliteradas pela zona pélvica do primeiro locust que mal se aproximou começou imediatamente a baixar-se e a levantar-se por cima da cabeça dele, a despropósito e várias vezes, antes de se ler no ecrã: ‘’N00b!!! N00balhão!’’

‘’Carlos, a comida está na mesa! Vai ficar fria!’’
‘’Cala-te, já vou! Fizeste-me perder, mãe! Já disse que já vou!’’

‘’Deixa-te de parvoíces e despacha-te.’’
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