Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

The Dark Side of the Rainbow

Porque é que a face da lua nos é tão familiar?
(Banda sonora sugerida para ouvir enquanto se lê o post)


É sempre a mesma... Mais ou menos iluminada, tem sempre os mesmos acidentes geográficos virados para nós. A testa escura em cima. Aquela cicatriz ao pé do queixo que parece uma borbulha espremida por um adolescente teimoso.

Se já pensaram que a Lua parece que tem uma cara, não estão sozinhos. Durante a História, muita gente afirmou que conseguia ver um ''homem da lua'', que teria estes pontos de referência:


Eu sei, parece que foi desenhado por uma criança de 5 anos. O facto é que o homem da Lua, não é mais do que uma pareidolia, resultado de, durante séculos, a humanidade não dispor de iluminação artificial, nem de programação em horário nobre. Querem ver o 'homem do relógio'?


Este ''homem da lua'' sempre nos estimulou a imaginação. O suficiente para, nas nossas fantasias, o alvejarmos no olho, numa tentativa de viajar até lá.


O filme é de 1902... mais de um século depois, continuamos a fantasiar com o homem da lua.


Não sei justificar isto. Mas um facto curioso, é que na Inglaterra da idade média, acreditava-se que o homem da lua era um bêbado. Talvez porque só os bêbados o conseguiam ver...

''Our man in the moon drinks clarret,
With powder-beef, turnep, and carret.
If he doth so, why should not you

Drink until the sky looks blew?''    

Ok, isto é tudo muito giro. Mas porque é que a Lua tem sempre o mesmo aspecto? Não roda sobre si mesma? Não devíamos ver a Lua de outros ângulos? Não. Porque a Lua está em 'rotação síncrona' com a Terra.


Como se pode ver na imagem da esquerda, a Lua tem um movimento de rotação completo, no mesmo tempo em que dá uma volta completa à Terra. Isto faz com que tenha sempre o mesmo lado virado para cá. Ao contrário do que se vê na imagem da direita.

Mas porque é que isto acontece?

Bem, a resposta a esta pergunta é um ovo de Colombo. Literalmente.

A gravidade da Terra é forte o suficiente para deformar a Lua numa forma discretamente ovóide. E isto faz com que a protuberância mais ''gorda'' da Lua, fique eternamente virada para a Terra.


O 'lado negro da Lua', não é verdadeiramente escuro. É tão iluminado como o que conhecemos. Mas nunca estará virado para a Terra. Nunca vamos ver a ''nuca'' da lua. É ''escuro'', no sentido que não o conhecemos.

O 'lado negro da Lua', ou o outro lado da Lua, tem este aspecto:


Engraçado, não é? Especialmente porque esta não é uma foto da Lua. É uma foto de Caronte, a Lua de Plutão. O facto de vocês não terem reparado imediatamente nisso, diz muito sobre a nossa falta de familiaridade com o outro lado da Lua, que na realidade, tem este aspecto:


Estranho. É uma foto de um astro que podemos ver quase todos os dias, e no entanto, não podia ser menos familiar. Uma coisa que esteve sempre lá. Não conseguimos ver uma cara aqui, tínhamos que beber umas cervejas, por isso, acho que esta é uma foto da nuca da Lua.

Mas o lado negro da lua tem fotografias mais reconhecíveis:


''And if the cloud bursts thunder in your ear 
You shout and no one seems to hear.
And if the band you're in starts playing different tunes,
 I'll see you on the dark side of the moon.''

Eu sei que é cliché dizer isto, mas este álbum é genial. Não consigo dizer isto vezes suficientes.

Se seguiram a minha sugestão musical no início do post devem ter percebido que a música é sobre doença mental. Inspirada no que aconteceu a Syd Barrett, o primeiro vocalista dos Pink Floyd, e provavelmente esquizofrénico. O que talvez não saibam é que no ''Wish you were here'', a música ''Shine on you crazy diamond'', é dedicada a ele.
E foi ele que deu o nome Pink Floyd à banda.


Querem saber uma coisa estranha sobre o Dark Side of the moon?

Se ouvirem o álbum enquanto vêm o ''Feiticeiro de Oz'' sem som, não podem deixar de reparar que há muitas coincidências temáticas. Desde a capa do álbum, com o prisma a decompor a luz a simbolizar a passagem do filme a preto e branco no Kansas, para as cores da terra de Oz, passando pelas transições entre músicas corresponderem a transições entre cenas no filme. As mudanças de ritmo correspondem a transições com personagens a dançar, entre outras coisas.

Para ver o efeito completo é preciso fazer a experiência . Mas aqui vai uma amostra:


O filme e o álbum não estão relacionados de maneira nenhuma. Mas as coincidências são mesmo muitas.

O Dark Side of The Moon e o Feiticeiro de Oz estão para nós, como o homem da lua estava para os Ingleses da idade média. É outra pareidolia.

Muita coisa mudou desde a idade média.

Mas continuamos seres humanos à procura de padrões no caos.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Quando o Papão vem visitar

Temos de lidar com o Papão quase diariamente, mas a verdade é que se formos seguindo as regras  dele, passamos despercebidos.

Isto é importante.

Afinal, um dos preceitos nos quais o Papão se baseia é "mantém-te dentro das linhas", e é razoavelmente coerente a recompensar ou a punir de acordo com a obediência a essa ideia.

A maior parte das pessoas nem se apercebe bem da existência das linhas, porque foram criadas de maneira a aceitar as linhas como leis da natureza.

Para os de nós que conseguem ver as linhas, não é difícil perceber onde é que estão, e que são largamente arbitrárias.
Isto pode ser irritante, porque ser capaz de ver as linhas costuma correlacionar-se com não gostar da imposição de andar dentro das linhas.

Há duas maneiras de lidar com isto.

Podem tornar-se no Herói Trágico.



O Herói Trágico revolta-se contra a existência das linhas, e é incapaz de viver em paz com o facto de as outras pessoas todas terem de andar dentro delas, recusa-se a andar dentro das linhas e então decide lutar contra o Papão.

Isto é um erro.

Não se ganha contra o Papão.

Na maior parte das vezes os Heróis Trágicos que lutam contra o Papão fazem-no porque albergam alguma forma de idealismo moral, crenças de coerência e rigor ideológico, altruísmo ou de valor do sacrifício-em-prol-do-bem-comum, que os faz acreditar que têm uma hipótese, por remota que seja, de vencer contra o Papão.

Essas crenças morais ou ideológicas, invariavelmente idealistas que promovem o auto-sacrifício foram lá postas em primeiro lugar pelo próprio Papão. Os heróis que por vezes surgem, inflamados por essas crenças, são um efeito secundário perfeitamente previsível, esperado e facilmente resolvido.

O Papão inventou o jogo, escreveu as regras, e previu não só o surgimento de Heróis Trágicos, como pôs em prática ferramentas para lidar com eles à medida que surgem.


O único acto de resistência contra o Papão que pode trazer algum tipo de ganho é enganá-lo.

Porque, apesar de todo o seu poder, o Papão nem é muito esperto, e muito menos é omnisciente.
Aqui surge a segunda maneira de lidar com as linhas do Papão.

Podem tornar-se no Espertalhão Preguiçoso.



O Espertalhão Preguiçoso vê as linhas do Papão, mas aceita-as como um facto inescapável da vida, decidindo não lutar contra elas, mas sim arranjar estratagemas para esconder o facto de que nem sempre anda dentro delas.

Se o Papão não reparar em nós, conseguimo-nos safar com uma data de coisas. Desde que não demos muito nas vistas, se não fizermos muito barulho, sobretudo se não falarmos muito do Papão, ele deixa-nos sozinhos para fazermos mais ou menos o que quisermos.

Não é particularmente difícil enganar o Papão, desde que não se seja muito óbvio. É preciso escolher os logros, investir apenas naqueles com boa probabilidade de sucesso e poucas consequências se falharem.

Enganar o Papão é entusiasmante. Dissimular uma transgressão dá uma sensação de liberdade que é intoxicante, e cria a ilusão de que há controlo sobre o Papão e as suas linhas.

Esta sensação de liberdade intoxicante pode fazer com que o Espertalhão Preguiçoso se comece a esticar nas suas transgressões. A ganância é o maior erro do Espertalhão Preguiçoso. É preciso saber muito bem onde é que estão as linhas, e quais nunca podem ser ultrapassadas.

Obviamente que se começarmos a fazer ondas, a dizer palavras de que o Papão não gosta, a picar o papão com um pau, ou, pior que tudo, chamar a atenção para o facto de o Papão existir, aí o Papão repara em nós e a nossa vida piora significativamente.

Chatear o Papão é mau, porque depois ele vem em toda a sua fúria, fogo, e burocracia e torna a nossa vida num inferno kafkiano que nos vai fazer desejar não ter nascido.



Mas se formos espertos, não tivermos complexos de heroísmo ou martírio, e soubermos dizer as coisas evitando as palavras proibidas, até é possível safarmo-nos durante a maior parte do tempo.

Infelizmente o Papão também previu a existência do Espertalhão Preguiçoso.

Contrariamente ao Herói Trágico que anuncia a sua existência e que vai ter com o Papão para ser sumariamente esmagado, o Espertalhão Preguiçoso é mais difícil de apanhar.

Portanto o Papão vem visitar uma vez por ano, quase como o Pai Natal.

É a altura do ano em que o Papão vem espreitar por cima do ombro do Espertalhão Preguiçoso para ver se ele se está a manter dentro das linhas.
Vem fiscalizar, auditar, avaliar, examinar, ver se as contas estão pagas, se os requerimentos foram todos preenchidos em triplicado, ver se os feijões foram todos adequadamente contados.

Esta é a pior altura para o Espertalhão Preguiçoso, porque contrariamente ao que se poderia pensar, custa mais ao Espertalhão Preguiçoso andar dentro das linhas do que ao Herói Trágico.

Mas quando o Papão vem visitar, o Espertalhão Preguiçoso tem de baixar a cabeça, contar os feijõezinhos todos, andar certinho dentro das linhas.


Não dura muito tempo, habitualmente, mas as consequências de falhar à visita do Papão são grandes, e é difícil esconder os atalhos às linhas. 
Como a maioria das coisas que o Papão exige, nem é sequer extremamente difícil sobreviver à visita do Papão, mas exige trabalho árduo, auto-sacrifício e abnegação. Tudo coisas que o Preguiçoso Espertalhão detesta.
A visita do Papão serve mais para meter medo ao  Espertalhão Preguiçoso, e para o relembrar que o Papão não desapareceu. Para lhe relembrar que as linhas estão lá e que ele não se pode esticar nos atalhos.

Sobretudo para o o Espertalhão Preguiçoso não começar a dar ideias às outras pessoas, fazendo-as reparar nas linhas pela maneira como não as segue.

É uma forma de controlo.

Porque no fim de contas, os Espertalhões Preguiçosos são muito mais perigosos para o Papão do que os Heróis Trágicos.
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domingo, 29 de novembro de 2015

Sometimes when you fall... - Part VII

Crackling light and ozone.

He holds on to the bow mast of the Endeavour as the Imperial Hunters swarm around him. He can see the cannon hatches opening on their hulls. He shouts an order to the pilot, a friend of his from the College of Natural Philosophy he had rescued from prison just before they took on the mission. The Endeavour banks sharply to the left, just as the Imperial cannons roar, and avoids most of the shots.

The clouds and the rain pelt his face as the Magnetrolyte-powered airship falls through the sky, evading its chasers, and he has never felt as excited in his life.

The Master at Arms scrambles up to him and tells him the Hunters are coming back for another round. He cracks a smile and says he’s got it all under control.

He reaches out his arm into the storm. The Electro-Capacitor Gauntlet is his own design, and the spark plugs lighten up as it begins to bottle in energy from the lightnings.

The Hunters buzz back, their green lights illuminating the Imperial Crest on their side. The dials and gauges in the Gauntlet are all in the red. He presses his thumb and the blue crystal in his palm lights up.


Lightning arcs out to the hunters and they explode in metallic pieces. 
He laughs.


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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Burnout

Burnout é um tipo de stress psicológico no trabalho, que se manifesta por exaustão, falta de entusiasmo e motivação. Se se mantiver durante tempo suficiente, o empregado torna-se cínico, frustrado, conflituoso.


É um problema que aparece nos empregos que incluem tensão emocional mantida durante muito tempo, e volume de trabalho elevado. Está especialmente em risco quem tem expectativas elevadas em relação ao trabalho e a si próprio.

As pessoas não percebem que o problema é trabalho a mais, em más condições, e atribuem a culpa do próprio estado emocional aos outros, e a sua falta de eficácia a si próprias. Para tentar remediar esta falta de eficácia e motivação, o empregado vai trabalhar mais, e o trabalho invade a sua vida pessoal.


A maneira como isto é descrito, parece que o trabalho metastiza para a vida do empregado.

Gosto de imaginar alguém que estuda estas coisas do burnout durante anos, sob pressão de bolsa de estudo insuficiente, necessidade de cumprir prazos, conciliar outro emprego (os investigadores raramente fazem só investigação), agradar a superiores, começar a sentir ineficácia e cinismo em relação ao seu trabalho.
Verificar que se farta de dar palestras e escrever artigos, mas fica tudo um bocado na mesma... O que pode acontecer em ambientes hipercompetitivos com condições de precariedade laboral, onde ninguém quer ser o elo mais fraco.



Talvez a solução seja escrever artigos sobre Metaburnout!
Tudo menos ir de férias. Isso é estúpido, e para preguiçosos.

Acho que o mínimo, era não fazerem alguém estudar os motivos pelos quais está exausto. Pelo menos sem dar a escolher entre isso e pregar partes da sua anatomia ao tampo de uma mesa.

acho que vou dormir...
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Adseculofobia

As fobias são complicadas, variadas, há uma para todos os gostos, e eu não quero ficar para trás!

Vamos falar sobre isso.

só porque esta foi a imagem mais bizarra com cabides que eu encontrei na net
Uma Fobia é um tipo de Perturbação de Ansiedade, habitualmente definida como um medo persistente de um objecto ou situação, que a pessoa que sofre da fobia evita com grande esforço e premeditação, habitualmente de forma desproporcional ao risco real. Esse medo normalmente é entendido como sendo irracional.

Toda a gente sabe, e está farta de ver exemplos na cultura popular, da a claustrofobia (medo de espaços fechados), da agorafobia (medo de espaços abertos), aracnofobia (medo de aranhas) ou até mesmo da coulrophobia (medo de palhaços).

Para ser honesto, os palhaços são de facto assustadores
Fobias é coisa que não falta, e é divertido passar pela lista e rirmo-nos das coisas que provocam sofrimento às outras pessoas.

Estou a falar disto tudo porque recentemente cruzei-me na vida real com alguém com medo de botões.

Podem ir procurar à lista, mas garanto-vos que está lá.

A fobia de botões chama-se Koumpounofobia e não é difícil de definir.
É simplesmente o medo irracional e persistente a botões (isolados ou na roupa). É relativamente rara, (1/75000 pessoas) mas pode ter a mesma intensidade de qualquer outra fobia, provocando ataques de pânico nas pessoas que sofrem dela, quando vêem um botão.

Para ser honesto, os botões são de facto assustadores
A Koumpounofobia pode fazer com que as pessoas que sofrem dela não queiram ir a eventos onde pessoas podem estar a usar roupas com botões, ou podem ter algum tipo de selectividade na sua fobia, evitando apenas botões de plástico ou de alguma cor específica.

As pessoas que sofrem de fobia a botões por vezes não descrevem necessariamente medo ou ansiedade, mas sim uma sensação de nojo, repulsa, náusea ou vómitos perante a imagem de botões.

Corre o rumor de que o Steve Jobs sofria de Koumpounofobia, daí a sua predilecção por turtlenecks e a sua aversão a telemóveis com botões.

Para ser honesto, o Steve Jobs é de facto assustador
Ora, eu não sou menos que o Steve Jobs, e também quero uma fobia que me torne um excêntrico que as pessoas possam admirar à distância e atribuir-me qualidades que não tenho.

Eu tenho fobia a cabides.

Podem ir procurar à lista, garanto-vos que não está lá.

Para ser honesto, o cabide... não, não funciona desta vez

Não é que eu tenha medo de cabides. É só que não gosto deles.

Como disse, há pessoas com Fobia a botões que não têm exactamente medo de botões, mas ao invés disso sentem repulsa ou nojo dos botões.

Os cabides irritam-me.

Quando vejo um cabide tenho imediatamente vontade de insultar a mãe dele.

Chateia-me estar na mesma sala que um cabide, não porque tenha medo dele, mas porque ele não MERECE partilhar o mesmo espaço que eu.

Sinto-me automaticamente ofendido quando vejo um cabide.

Não tenho nenhuma razão racional para isto.

Pode ser por terem um centro de gravidade que está fora da sua estrutura física, pode ser por caírem com facilidade no armário, ou por nunca segurarem os casacos à primeira, e quando os vou pendurar outra vez caem os outros todos e acabo a pôr a roupa em gavetas.


Eu até admito que os cabides tenham a sua utilidade. Percebo que tenham direito a existir.

Mas para mim um cabide é como uma torradeira que quando faz saltar o pão, também me levanta o dedo do meio.

É um design irritante, sem-sentido, e não acredito que não possa existir uma solução melhor.
Iria até mais longe dizendo que quero que a minha fobia seja reconhecida oficialmente, e que sejam postas em prática leis que me protejam dos cabides!

Mas poderão contra-argumentar dizendo:

"Mas isso não é uma fobia! Você simplesmente embirra com cabides por nenhuma razão válida, e quer que os outros acomodem os seus gostos pessoais!"

Então e os homofóbicos? Huh?

Também não vêem os homofóbicos a terem ataques de pânico quando vêem dois homens a acariciarem-se, ou a hiperventilarem quando vêem duas mulheres a beijarem-se.*

E os homofóbicos exigem que as suas particularidades pessoais sejam respeitadas! Que os seus gostos sejam tidos em conta, e que hajam leis a protegê-los!



Portanto juntem-se a mim, todos vocês que embirram com cabides e querem ver alguma coisa feita acerca disso!

Até temos um nome, que eu inventei agora, para o nosso problema!

Adseculofobia - do latim adseculo, para cabide

Unamo-nos, Adseculofóbicos! Vamos fazer petições ao governo, vamo-nos manifestar em frente ao Parlamento!

Não aos cabides!!!



* - admito que haja muita gente que hiperventile quando vê duas mulheres a beijarem-se
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domingo, 22 de novembro de 2015

Sometimes when you fall... - Part VI

Something. 

He had forgotten. Or maybe he hadn’t, but thought he could still do it in time. Or maybe he had always known it would fail, and the desperate weight of that certainty was what he had been feeling.

His boss had talked to him, in the disappointed tone of those who had seen it coming miles away. He had failed, not enormously, just rather humiliatingly. Unsurprisingly.

He felt dejected. His feeling of self-loathing intensified, but he had no time to lick his wounds. There were more clients to see, more deadlines to make. Always more.

Always more to do. A never-ending stream of dull duties and obligations. 
And for what? To keep himself alive? And for what?



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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sob Pressão

Eles esperam de ti. As pessoas esperam coisas de ti. Os teus pais, professores, superiores, chefes, até divindades. Não interessa o quê. Se és novo, é melhor que metas mãos à obra. Não se é considerado gente se não tentarmos agradar ao que está por cima de nós. Muitas vezes, o que está acima de nós, é quem estava cá antes de nós. A idade é um posto, e quem está nesse posto espera que os mais novos os impressionem.

''Não gostas? É a vida. Quando eu tinha a tua idade... trabalhava o dobro, e queixava-me metade!'' Eu sei, as coisas eram muito mais difíceis e havia muita solidariedade, e nós somos é uma cambada de mal agradecidos lamurientos, que não sabe aproveitar o que tem.

''Afinal, hoje em dia, o que é que vocês não fazem?! Com as internetes aprendem tudo! Têm a informação toda, e não têm juízo nenhum... No meu tempo não havia nada disso. Agora vocês podem fazer tudo! Não querem trabalhar, só querem sair à noite e embebedar-se!''
Está bem, já percebemos que o senhor está nostálgico, e pior do que isso, invejoso. Você gostava de ser mais novo, e saber o que sabe agora. Ou pelo menos ser mais novo, mesmo que estúpido como eu. Todos sabemos como a minha geração inventou a embriaguez.

Eu sei. também já fui mais novo. E há dez anos as coisas eram tão boas e espectaculares. Se houvesse Tinder há dez anos, vocês não sabem nem metade do que eu tinha feito! Ui, ui... hoje é que é tudo fácil! Porque no meu tempo, se queriam enganar uma miúda, tinham que aprender os gostos dela no Hi5, e andar a bater coro durante paí 15 dias.

Mas estes putos de agora... tsc.... têm tudo, sem esforço nenhum.

Não há por aí ninguém mais novo que eu, para ouvir as minha balelas? Tenho que esperar porque não posso mandar o senhor mais velho ir dar banho ao cão. Não fica bem dizer isso ao professor/chefe/superior. Tenho que o aturar, e achar natural ser perfeitamente evidente que ele se está a borrifar para o que eu possa ter como opinião. O que é que eu sei? Tenho menos 20 anos que ele! Só isso dá para preencher dois atestados de estupidez, com o meu nome no cabeçalho.

Bem, muito provavelmente, na minha idade, você era um tosco desorientado que não sabia 3 coisas sobre como aproveitar a vida.
A diferença, é que você sabe mais sobre o que acontece no filme da sua vida que eu sei sobre o meu. E pensa que está em boa posição para dar conselhos. Mas uma coisa são conselhos, outra é menorização da experiência actual de uma geração diferente. E mesmo os conselhos, são baseados na sua experiência, única e irrepetível.

''Não quero saber. Se eu fosse mais novo, ainda me preocupava, mas assim, vão-se lixar.''
''Nós fizemos o 25 de Abril! A vossa geração não fez nada, a não ser crescer a jogar o computador, enquanto se enchem de batatas fritas e coca-cola.''

Certo...
Sabe que este ainda é o seu tempo? Faça qualquer coisa com a sua vida. O governo adiou a idade da reforma para os 67 anos, e eu só o oiço queixar-se sobre isso. Aproveite para fazer outra coisa que não seja julgar idiotas mais novos que você.

Além que, de certeza que há dois ou três velhotes de 102 anos que raparam fome na primeira  guerra mundial, e eles acham que você é um mal agradecido, do alto dos seus vigorosos cinquenta ou sessenta anos, armado em rebelde, que não gosta de trabalhar, e não se sabe divertir.

Em 1913 é que era! Bons tempos...


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terça-feira, 17 de novembro de 2015

La Guerre... la Guerre ne change jamais

O terrorismo é complicado.

É particularmente difícil de aceitar, é difícil de controlar, mas é sobretudo difícil de compreender.

Para começar é preciso compreender que o Terrorismo já existe há muito tempo.

Sem sequer entrar em aspectos mais antigos, basta saber que o termo Terrorismo surge pela primeira vez em França, em 1793 depois da Revolução Francesa, durante o Reino de Terror. Durante este período o Governo Francês guilhotinou ou executou sumariamente dezenas de milhares de pessoas, sob o pretexto de que eram de alguma forma contra as convicções ideológicas do governo.

Em 1896 Sergey Nechayev, fundador do grupo revolucionário "Retribuição do Povo" que acreditava que a revolução devia ser conseguida a qualquer custo, incluindo a violência contra inocentes, descrever-se ia a si mesmo como um "Terrorista".
É dele que vem a concepção que temos actualmente do Terrorismo como o assassinato de inocentes, com um fim político, de uma maneira que crie um espectáculo mediático.

Espectáculo Mediático
No Sábado, 14 de Novembro, Paris foi alvo de um dos maiores ataques terroristas em solo Europeu na última década. O Grupo ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria) declarou-se responsável pelos ataques.

Enquanto via, estupefacto, cada vez mais notícias a virem de Paris, à medida que via o número de mortos a subir, enquanto lia os testemunhos da violência e do terror que aquelas pessoas tinham vivido, os meus sentimentos de tristeza misturavam-se com a revolta face a esta matança sem sentido.

É tão estúpido. Tão incompreensível.

Questionei-me várias vezes porquê.

Porque é que o ISIS faria isto? Porquê atacar uma capital europeia?

Sabemos que o fanatismo religioso, a ignorância e as péssimas condições sócio económicas na Síria e no Iraque estão na base destes ataques, mas qual é o objectivo? O que é que a ISIS tem a ganhar, perguntava-me eu.

O que é que eles têm a ganhar?


Porque tanto quanto eu conseguia perceber, a única coisa que tinham conseguido era pintar um enorme alvo nas suas próprias costas!

Porque quando morrem estupidamente pessoas inocentes em ataques violentos, a reacção normal é a raiva! A reacção emocional imediata vai ser de agredir de volta!

É normal! É naturalmente humano. Foi o que eu senti!
É uma reacção fácil de compreender, de justificar e de defender.

É absolutamente expectável e previsível.

E foi exactamente o que aconteceu.

Aviões franceses a partirem da base nos Emiratos Árabes Unidos
Menos de 48 horas após o ataque em Paris, França retaliou bombardeando Raqqa, a capital do ISIS na Síria. 

Absolutamente expectável e previsível.

Agora, o ISIS pode ser muitas coisas, e já lhes chamaram muitas coisas, mas Estúpidos não tem sido uma delas.

Se era previsível para nós, era previsível para o ISIS.

E se era previsível para o ISIS, isso significa que não teriam planeado o ataque em primeiro lugar se não estivessem a contar com isso.

Que mais é que é previsível? Mais bombardeamentos, mais tropas em terreno difícil a travar uma guerra de guerrilha sangrenta, milhares de Euros e Dólares gastos, tensão política e social.

É este o objectivo do Terrorismo.

Espectáculo Mediático
É por isso que eles se filmam a si mesmos a cortarem cabeças e depois põem os vídeos na internet! Para nos provocarem à acção emocional, súbita, violenta e sobretudo dispendiosa. 

Para nos obrigarem a gastar recursos e a cometer crimes contra a humanidade. Para nos desestabilizarem e para criarem conflito social.

Há Mesquitas a serem atacadas na América e na Europa.

Depois do ataque ao Charlie Hebdo, França implementou leis de vigilância que lhes permitiam ouvir chamadas telefónicas e ler e-mails sem permissão dos tribunais, com o intuito de prevenir ataques terroristas.
Claramente não funcionou.

França tem a segunda maior população islâmica da europa, e tinha concordado em receber 24 000 refugiados Sírios durante os próximos 2 anos. Agora, com a descoberta de que um dos terroristas entrou na Europa juntamente com os refugiados, pela grécia, em Outbro, a Polónia já disse que não aceita mais refugiados.

Basta verem no facebook as discussões comezinhas sobre se é válido ou não pôr uma bandeira francesa por cima do perfil ou não.

Medo e pânico a provocarem desestabilização social, limitações às liberdades individuais, a promoverem crimes contra a humanidade.

Tudo previsível.



Bombas a caírem no Médio Oriente fazem parte do plano do ISIS. Não vão mudar nada.

De que maneira é que bombardear a Síria agora é diferente de bombardear a Síria há 1 um mês atrás?


O plano do Terrorismo é obrigar-nos a reagir violentamente, de maneira a que essa violência seja a nossa auto-destruição.

O Terrorismo é complicado.

Se pensarmos de maneira fria, a Europa está a preparar-se para receber dezenas de milhares de migrantes do Médio Oriente, e começava a parecer às populações Islâmicas que fogem da guerra, um destino possível, uma zona de paz, pluralista e tolerante, uma alternativa ao Islão radical e à guerra permanente.

Estes atentados parecem inúteis, mas servem o propósito de arrefecer muito o entusiasmo da Europa na recepção aos migrantes (Isto aconteceu em setembro. Acham que uma coisa semelhante seria possível hoje ou amanhã?), ao mesmo tempo que lembram aos migrantes que a Europa Ocidental pode ser sanguinária a um ponto comparável ao ISIS.

Ou acham que há uma grande diferença, para alguém que perdeu um membro da família, se essa pessoa foi morta por um jihadista de kalashnikov ou por uma bomba francesa? Podemos argumentar que a intenção das bombas francesas não é matar inocentes, mas sabemos que isso acontece. Os americanos enganaram-se, e bombardearam um hospital dos médicos sem fronteiras no Afeganistão. O mês passado! As vítimas inocentes do Terrorismo intencional estão tão mortas como os vítimas acidentais, mas inocentes, dos bombardeamentos. E são surdas às nossas distinções semânticas e declarações de intenção, em como só queríamos matar Terroristas.

Eu não sei o que motiva uma pessoa a matar o máximo de inocentes antes de morrer uma morte certa, mas imagino que perder a família num bombardeamento possa ser, pelo menos, um factor de risco.
Assim, os nossos bombardeamentos podem ser uma boa campanha para reforçar a base de apoio ao ISIS na região. O ISIS quer mostrar que a Europa não é uma alternativa, é o Inimigo.

Se não formos espertos, eles vão conseguir.

Eu sei, não é fácil... não podemos ficar de braços cruzados, mas as acções mais imediatas são claramente auto-destrutivas e contraproducentes.

Não tenho nenhuma solução para isto. Eu é mais bolos, não percebo o suficiente de estratégia militar, geo-política e sociologia para dizer qual é a melhor solução.

Mas cheira-me que matar mais pessoas não uma delas.



Nota: eu gostava de ser muito esperto, mas não sou, e muitas das opiniões neste post são directamente inspiradas no podcast do Dan Carlin sobre este assunto, que podem ouvir aqui.
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domingo, 15 de novembro de 2015

Sometimes when you fall... - Part V

Herb scented smoke.

He inhales deeply of the sacred herb. He keeps a pouch of it with him always, as well as his sculpted sea-shell pipe. He holds in the smoke in and feels a wave of joy rush out from his lungs and through his mind. Thoughts become fluid.

He buries his toes in the warm sand, feeling the setting sun wash over him like a blanket. He adjusts his blue robes around his waist, and the straps around his shoulders.


The elder speaks.

He follows the old turtle, with the holy face carved on its shell along the white sanded beach. His search for guidance has not been in vain.

The message enters his mind not as sounds but as images. The elder speaks of the past, and the future. He speaks of little things of tremendous brilliance, and of big things with subtle effects. He speaks of the coming darkness.

The turtle slips back into the surf and he is left on the sand, trying to piece together all that he was told, holding on to the fleeting thoughts before they become lost forever.

He uses his old swordspear as a cane, and the mystical runes carved into the ironwood glow. 

He will need to inform the Council. He will travel to the Monastery tonight, and as the children sing the hymns of longing, and as they eat a plentiful meal of raw fish wrapped in seaweed and vinegared rice, basking in red lamp-light, he will tell them of the preparations they’ve been instructed to make.


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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Sobre Arte

A definição de é que mais gosto de Arte é aquela que diz que a Arte é algo que comunica uma emoção específica.

O objectivo da arte é criar uma emoção específica na pessoa que a experiencia. Essa emoção será tanto mais específica ou claramente predeterminada quanto melhor for o artista.
Pode ser uma emoção simples e directa, como raiva ou amor transmitidas por uma pintura poderosa, pode ser algo tão complexo como a sequência específica de emoções de excitação, antecipação, suspense, desilusão, medo que estão presentes na narrativa de um livro ou de um filme, ou até numa composição musical.

O meio artístico é importante, a técnica artística também, e podem ser analisados até ao fim dos tempos, mas o que mais importa e o que define a arte é esse produto final da emoção no espectador.

De acordo com esta lógica, a mais flagrante marca de falhanço numa peça de arte é a indiferença do espectador perante a mesma.

Quando alguém olha para um objecto de arte e fica simplesmente a pensar "Meh", então algo falhou. Também pode acontecer que o espectador seja o errado para aquela arte específica, ou que não tenha as suas sensibilidades desenvolvidas.

A arte acompanha-nos desde sempre. A apreciação estética e artística de objectos já existia em pequenas conchas de caracol esculpidas em cavernas sul-africanas há 75 000 anos, e recipientes provavelmente usados para conter tintas com 100 000 anos foram encontrados.


Na Babilónia, um dos berços da civilização, há 4300 anos, eles andavam a imaginar e a esculpir esfinges, que punham à entrada dos templos!
Imaginem, por momentos, que tipo de cultura é que evolui ao ponto de inventar uma coisa tão específica como uma criatura meio leão, meio águia, meio humano, que é inescrutavelmente inteligente e que se diverte a inventar adivinhas para testar as pessoas, e as que não acertarem são comidas.


É inegável o impacto emocional, inescapável e incontornável da Nona Sinfonia do Beethoven


Ou esse génio, brilhante, divinamente inspirado, que foi o Bach, que, lendariamente, compôs a Oferenda Musical de improviso, para impressionar o imperador, e que é quase inatingível na sua complexidade e beleza.


Recentemente, em 2008, um artista achou que a melhor obra de arte que podia fazer era encontrar capas de jornal do New York Post que tivessem a cara do Saddam Hussein, masturbar-se para cima delas, cobrindo-as com o seu esperma, e sobre as quais espalhou depois glitter colorido, criando um padrão interessante quando secasse.
Sim, isto aconteceu.


Inegavelmente é arte. Relutantemente.

Cria uma emoção específica. Pode ser uma emoção de confusão e nojo, mas não obstante, uma emoção. E suficientemente forte para eu não me esquecer disto, anos depois de ter sabido que existia. É essa a sua medida de sucesso.


Recentemente estava no Barreiro (God knows why...) e deparei-me com arte.

Numa parede, em letras grandes, escritas com uma lata de spray branco, e demonstrando alguma displicência técnica, favorecendo um estilo informal, estava o seguinte:

"Quero cona branca"

Foi uma frase que me impressionou. Não só pela sua coragem despudorada, mas pela profundidade da sua mensagem. 

É a mensagem de alguém que sabe o que quer e não tem medo de o anunciar ao mundo! 

Mensagem essa, aliás, da qual eu nem discordo, estritamente falando. A um nível muito básico, eu e esta pessoa queremos a mesma coisa. 

Depois de ter feito estas reflexões todas e sentido estas emoções todas (entre as quais a repulsa era a mais importante) decidi sair rapidamente daquele bairro, e nem sequer foi só por estar no Barreiro.

Eu não fiquei indiferente àquele fulgurante exemplo de escrita urbana. Pelo contrário, marcou-me de uma forma forte, tendo elicitado um conjunto de emoções específicas que eu não costumo sentir. 
Não foram necessariamente emoções agradáveis! Mas foram fortes o suficiente para eu estar a escrever sobre elas. 

É arte, de acordo com todos os preceitos que já estive onanisticamente a explanar.

Portanto façam sempre um esforço por procurar a arte escondida onde menos a esperam, mesmo que estejam no Barreiro.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tunes with Tangerine - laughing and not being normal



laughing and not being normal, Grimes

Chosen by Tangerine.

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domingo, 8 de novembro de 2015

Sometimes when you fall... - Part IV

He talks to the client in front of him, and suddenly realizes it is not the same one he was talking to seconds ago. His mind wandered off again, and he has no idea what this person in front of him is getting so agitated about. Something important, surely, but what? He wonders if he can piece it together without asking the client to repeat himself.

They’re all the same, even though they’re not. They all have the same complaints, the same questions and attitude after a while. They blend into each other in an endless procession of faces and requests, none very different from the other.

And yet he doesn’t feel any more relaxed, always afraid he’s going to fail at something. He couldn’t tell you what, if you asked him. But something.


He constantly feels like he’s just hanging on to the threads of his life to prevent it from unraveling. Always just barely making deadlines, constantly being reminded quite by accident of very important things he should be doing. He constantly feels like he’s missing something crucial, and that it will be his undoing.


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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Ciência do Toque da Morte

Dentro do top 5 das coisas fixes que nós gostávamos que fossem verdadeiras e reprodutíveis, está  o toque da morte, ou o ''five point palm exploding heart technique''.

(eu sei, isto é outro filme)

A ideia de que é possível fazer alguém falecer, com apenas um golpe, ou combinação de golpes, desferido à velocidade de um relâmpago, enquanto se guincha sons nasalados para dar efeito dramático, suponho.

Em teoria, um monge shaolin, ou uma loira que gosta de espadas japonesas sobe à montanha, e fica em retiro durante meses, a treinar com um lendário e exigente mestre, que gosta de carapaus.  O mestre diz coisas vagas e profundas, ao início provocadoras e escarnece do aprendiz enquanto este luta contra um boneco de madeira, ou se equilibra só com um pé em cima de troncos de árvore cortados. Ao fim de muito tentar, e quando está quase a desistir, o mestre toca na sensibilidade do aprendiz e permite-lhe ver o que esteve sempre à sua frente.


Que normalmente é uma treta puxada do rabo da psicologia positiva.
E o aprendiz, mais maduro depois de muito penar, está agora apto a desempenhar melhor uma arte milenar, tornada obsoleta por essa maravilha moderna da tecnologia que é o pau afiado.

O que vocês provavelmente não sabiam, é que o toque da morte não só é possível, como é cientificamente possível! O melhor tipo de possível! Como ficará totalmente demonstrado, depois de meia dúzia de palavrões científicos complicados em latim, e duas ou três referências à Wikipedia e ao Medscape. Isso chega, certo?

Chama-se Commotio Cordis. Um trauma seco, aplicado sobre o coração, pode matar. Caso a pancada aconteça durante a chamada ''primeira fase da repolarização ventricular'', ou a ''fase ascendente da onda T'', no electrocardiograma.


É uma janela temporal de apenas 20 milisegundos, e exige uma pancada de 50 joules no mínimo, mas é uma causa de morte súbita reconhecida em desportos que incluam projécteis, como o hóquei ou o baseball. 
O nosso aprendiz pode de facto aprender o toque da morte! Tem é que fazer um electrocardiograma à vítima, e aproveitar bem aqueles 20 milisegundos. O que pode ser pouco conveniente.

Claro que pode também tentar dar meia dúzia de murros ao outro, e por sorte acertar aleatoriamente no momento certo. Mas isso é estúpido.


É estúpido, ao contrário de tudo o que este post descreve, que são ideias muuuuito bem ponderadas....

Paradoxalmente, é também verdade cristalina que umas murraças-parte-costelas, podem constituir um tratamento médico convencional, usado nos melhores hospitais. Claro que os médicos não lhes chamam murraças-parte-costelas. Chamam-lhe ''murro precordial''. Ah, mas que bem! Um murro cordial! Quase que parece um cumprimento formal, mas a um senhor que, para todos os efeitos, está pré-falecido.



É usado em doentes em fibrilhação ventricular, monitorizado, quando não há desfibrilhador (ou seja, quase nunca, até porque a taxa de sucesso do murro precordial é baixíssima).

NO! NO! LIVE! LIVE! LIVE, GODDAMMIT!!!!! (O murro dado no lado esquerdo é ligeiramente mais eficaz...)

Quem é que disse que a violência não resolve nada?

Acaba por ser divertido, isto de fazer parar e recomeçar o batimento cardíaco aos murros. É como a amnésia. É sabedoria médica convencional que, se levarmos um porradão na cabeça, perdemos a memória. E depois só a recuperamos se levarmos outro porradão na cabeça.
Vi nos filmes, portanto deve ser verdade. Daí a importância de levar sempre porradões na cabeça em número par, para prevenir a amnésia. O mesmo acontece com porradões no peito, que param o coração. Science!


Se és uma criança a ler isto, por favor pergunta aos teus pais se seguir as orientações deste blog é boa ideia. Se eles disserem que sim, confirma com estes senhores: apav.sede@apav.pt


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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Advogado do Papão

O que é que o Papão alguma vez fez por nós?

Vamos descobrir.


Já falámos várias vezes acerca do Papão neste blog. É um dos nossos temas preferidos.
Não é difícil perceber que não somos fãs do Papão.

É razoável afirmar que o Papão anda a chatear-nos a todos há muito tempo.

Mesmo hoje, quando temos tanta internet com tanta pornografia e outras coisas divertidas para fazer, anda por aí o papão a dizer "Nãooo... não se toquem tanto".

Quando penso que posso descansar um bocadinho, relaxar e escrever coisas parvas no blog, lá vem o papão espreitar por cima do meu ombro para ver se eu estou a trabalhar o suficiente.

Ele vem e diz-me "Olha, agora tens de passar mais 3 meses a contar feijões".

"Mas passar 3 meses a contar feijões é uma grande perda de tempo e não beneficia ninguém!" replico eu, de forma razoável.

"Bem, o objectivo não é realmente esse, pois não?" diz o Papão, ao mesmo tempo que cria complexos de culpa e crenças de obrigação e dever em crianças da primária.

E eu passo 3 meses a contar feijões, porque não se ganha contra o Papão.


Não deixa de ser curiosa esta fixação por contar feijões porque essas são exactamente as duas coisas mais importantes que o Papão nos deu.

Primeiro o Papão convenceu uma data de homens das cavernas caçadores recolectores a pararem quietos num lugar durante tempo suficiente para plantarem coisas e fazerem crescer feijões.

O medo da fome e o desejo de segurança levaram os nossos antepassados a abandonar o nomadismo e a caça para se focarem no trabalho árduo, repetitivo e aborrecido da agricultura.


A segunda coisa, imediatamente decorrente da primeira, foi a invenção da escrita.
Já que tínhamos feito crescer tantos feijões, agora não os íamos perder! E para não os perder tínhamos de saber quantos tínhamos, e para isso tínhamos de inventar números e escrevê-los numa pedra.

Foi o início da escrita.

Inscrições Sumérias, 2600 AC
E pronto, as duas coisas mais importantes para a civilização humana como a conhecemos.
A agricultura e a escrita.

Só para relembrar, fomos humanos durante cerca de 190 000 anos até que estas duas coisas se desenvolvessem.

Quando a agricultura e a escrita foram dominadas, as civilizações começaram a crescer por todo o lado como cogumelos.


Não vamos discutir agora se foi uma boa ideia ou não, mas podemos definitivamente concordar que é infinitamente mais confortável.

Mas houve outra coisa extremamente importante que o Papão deu às pessoas que decidiram obedecer ao Papão: protecção de todas as outras pessoas que decidiram não obedecer ao Papão.

Pensavam que toda a gente decidiu obedecer ao Papão? Se nem hoje gostamos de obedecer ao Papão, na altura isso era uma ideia ainda mais complicada de aceitar.

Portanto todas as pessoas que acharam que ficar paradas e fazer crescer feijões e depois contá-los não era para elas, continuaram simplesmente a ser nómadas.

E do que é que tribos nómadas habituadas a caçar gostam mais?

Ora, de pessoas que se juntam quietinhas num lugar a acumular recursos.


Foram os Povos do Mar para os Egípcios,

Os Arameus, os Suteus e os Caldeus para a Babilónia.

Uma lista infindável de tribos germânicas deitaram abaixo o Império Romano.

E quem é que se pode esquecer dos Mongóis e dos seus tsunamis de destruição e pilhagem.

Mongóis a matarem Polacos aos montes, 1241
Não é que as tribos nómadas tenham alguma coisa de pessoal contra a civilização, é só que as civilizações são presas tão fáceis.

É uma relação normal de predador e presa.
Os bisontes ficam quietinhos num lugar a comer e a engordar, e depois vêm os leões e comem-nos.

Só que os nossos antepassados tinham o Papão do lado deles.

É óbvio quem é que ganhou esse conflito.

Ciganos a serem expulsos de um acampamento, em França
Os nómadas continuam por aí.

Continuam a tentar predar as civilizações, e a conseguir fazê-lo com relativo sucesso. Mas nada como antes.
O Papão tornou-se demasiado poderoso, demasiado organizado. Trata-os como parasitas e ressente-se do seu nomadismo e da sua rejeição das regras.

São muito menos, apenas 30-40 milhões, e são na maior parte das vezes relegados para as franjas da sociedade. Têm dificuldade em integrar-se.

Nós somos descendentes dos que decidiram obedecer ao Papão. Eles ainda não se convenceram que a isso seja uma boa ideia.

Há vantagens e desvantagens de obedecer ao Papão.

Por um lado temos a segurança e conforto da civilização, por outro lado eu tenho de passar 3 meses a contar feijões.

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domingo, 1 de novembro de 2015

Sometimes when you fall... - Part III

Bone dry wind

He stands in the middle of the street, and tries to protect his neck from the biting gusts with his makeshift poncho, and yet his right hand never strays far from the holster.

The street is quiet now. No carriages, no hammerfalls from the blacksmith, no sound from the saloon.

Slowly, three figures walk up to the middle of the road, a few dozen yards away from him. One of them is slightly round around the edges, the other thin as a wire and with an evil twitch in the mouth, the third wears a black coat, and a black hat. 
They stand side by side, the black hat in the middle.

The folks in town had asked for his help. No one else they could ask. He had walked countless miles to get here, and he had countless more ahead of him. But he was honour-bound by the old code into helping as he could. So he did.

The strangers had shown up months ago, brought an ill wind and ill omens with them. Devil-dancers, the people called them, when they started killing. 
Now here they stood.


He cleared his mind and readied his hand. It would all be over in a matter of seconds.


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