Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O futuro não é o que costumava ser - O Espaço volta a ser uma fronteira

"Now, somehow, in some new way, the sky seemed almost alien."
- Lyndon B. Johnson


O que é que aconteceu na exploração espacial, depois do homem ir à Lua?
Pouco. Não voltámos sequer a aterrar na Lua desde o início dos anos setenta. Sonhámos durante décadas com uma expedição a Marte. Mas na prática, enviámos umas sondas, colocamos em órbita uns satélites e uns telescópios. Construímos a estação espacial.



Não vou dizer que a estação espacial não é impressionante. Mas os russos colocaram uma estação espacial em órbita há 30 anos. Não se pode dizer que seja uma inovação...
É estranho. 
Porque parámos? Porque é que o espaço saiu do nosso imaginário?

Bem, a resposta é porque não gera lucros no curto prazo. Só exploramos o espaço porque os EUA estavam envolvidos numa guerra (fria) com a URSS. Chamava-se a corrida espacial por um motivo. E foi este viajante que deu o sinal de partida. 


Os russos foram os primeiros a chegar ao espaço. Lançaram um míssil balístico intercontinental, que colocou um satélite em órbita - Sputnik (russo para fellow traveler). Mas o lugar deste passageiro foi criado para carregar uma ogiva nuclear. Os americanos entenderam aqui uma mensagem. A mensagem era que potencialmente, uma ogiva nuclear russa podia estar a passear por cima da cabeça deles.

''For space science, like nuclear science and all technology, has no conscience of its own. Whether it will become a force for good or ill depends on man, and only if the United States occupies a position of pre-eminence can we help decide whether this new ocean will be a sea of peace or a new terrifying theater of war.''
- John F. Kennedy

Sputnik lançado em 1957. NASA fundada em 1958. Foi o medo dos Russos que fez com que os Americanos se lançassem na exploração espacial. Em 1972, depois de se tornar claro que os Russos não tinham capacidade de ir à Lua, os Americanos, terminaram o programa Apollo. Os planos para ir a Marte foram postos na gaveta. O fim da Guerra Fria colocou mais um prego no caixão da exploração espacial. 




Uma ameaça à segurança é um excelente motivador para mobilizar uma nação por detrás de um objectivo. Normalmente esse objectivo é destruir a ameaça. No caso da Guerra fria, como o confronto directo era impossível (sem provocar o apocalipse), a guerra fez-se de feitos de engenharia e exploração, e de corrida a armamento.

Assim se explica que nos anos 60 quando um computador ocupava um armazém, uma nação conseguiu ir à Lua, e hoje, quando o meu smartphone me permite aceder a praticamente todo o conhecimento da humanidade, não enviamos naves tripuladas para mais longe do que a nossa órbita.

A guerra fria acabou. E depois disso, começamos a perguntar-nos se valia a pena gastar tanto dinheiro em foguetões.




Porquê ir ao espaço, quando há criancinhas a passar fome na terra?

Há outros argumentos, mas este é o principal. É irritante, porque podemos perguntar: ''Porquê fazer o que quer que seja, quando há criancinhas a passar fome na terra?''

Vocês têm sapatos calçados? Porquê? Se há criancinhas a passar fome?

Além de que muitos que avançaram este argumento, tinham dois pesos e duas medidas nestas questões...


Pois é. 

O 
preço do programa espacial Apollo, que colocou o homem na Lua, foi de 100 biliões de dólares (ajustados à inflação - em 1972 - 20 biliões). Em contraste, o preço da Guerra do Iraque (2003) foi mais de 2000 biliões de dólares. Sem falar das dezenas de milhares de mortos.

Pelo preço de uma guerra do Iraque, a humanidade poderia pagar 20 programas Apollo. Ou então uma carrada de cuecas de ouro.

Esta comparação não é inocente. No novo milénio, a exploração espacial já não serve para inspirar a humanidade. Depois do ano 2000, a exploração espacial tem como objectivo atirar areia para os olhos da humanidade. Cosmética. Conversa.

Andar na Lua foi um salto de gigante para a humanidade. Mas se não vamos voltar, nem vamos a mais lado nenhum, mais valia termos estado quietos. 

Então porque é que estou a escrever isto? Porque há boas notícias!

A SpaceX, uma empresa dirigida pelo empresário Elon Musk, tem sido responsável por avanços impressionantes em viagens de foguetão. Em 2010, tornou-se na primeira empresa a lançar um foguetão para reabastecer a estação espacial internacional, com sucesso.


A ideia dele era enviar ratos para Marte.


Há ideia mais fixe que esta?


Bom, os Russos não o levaram a sério, e Musk começou a planear construir um foguetão de raiz.


O falcon 9 é espectacular, mas o que trouxe de novo?

Um dos problemas com o voo em foguetão sempre foi o facto dos foguetões serem caros. E de utilização única. Imaginem construir o melhor avião que conseguem imaginar, usar uma vez, e depois deitar fora.

A NASA tinha tentado resolver este problema com o vaivém espacial.


Mas só conseguiu parcialmente. Estão a ver o foguetão laranja, que leva o vaivém? Não é reaproveitável, e é essencial para colocar o vaivém em órbita.

A regra de um foguetão = uma utilização, manteve-se até ao dia 21 de Dezembro de 2015. Depois de várias tentativas falhadas, a SpaceX conseguiu aterrar um foguetão.



Poucos meses depois, conseguiu aterrar um falcon 9 numa plataforma no meio do oceano.


Este avanço pode tornar as viagens para o espaço muito mais baratas. Possibilitar o turismo espacial, num futuro próximo. E segundo Elon Musk, facilitar a tarefa de levar ratos a Marte.

E seres humanos também.

Pode ser mais cedo do que nós pensamos. Este outono a SpaceX vai divulgar quão cedo.


Lembram-se dos vossos pais a descreverem o que estavam a fazer, e o que acontecia na vida deles quando o Homem foi à Lua? A incredulidade, o espanto e o fascínio que marcaram uma geração?

Pode ser que o momento que nós vamos contar aos nossos filhos aconteça na próxima década!


Now, wouldn't that be cool?
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quarta-feira, 11 de maio de 2016

A História das Mamas

Répteis que são Mamíferos? Mamíferos que não são Répteis? De onde é que vêm as mamas?

Vamos falar sobre isso



Acho que todos passámos pela fase em que aprendemos acerca da pré-história.

Quando eu tinha 6 anos e aprendi acerca da Pré-História, na minha cabeça esta estava populada por homens das cavernas e dinossauros que andavam em lutas épicas uns contra os outros.


Com o tempo percebi que isto era obviamente impossível, e implantou-se na minha cabeça a ideia de que primeiro tinham vindo os Dinossauros e depois os Mamíferos.

Até muito muito recentemente esta ideia de que os mamíferos teriam vindo só depois dos dinossauros esteve sub-repticiamente na minha cabeça, como se vê pelo meu artigo dos Tubos Com Dentes, onde eu digo que só depois dos dinossauros se extinguirem é que os animais começaram a experimentar outras coisas que não fossem lagartões.

A evolução, como habitualmente, é bem mais complicada e indefinida do que isso.


Na realidade a divisão entre mamíferos e répteis ocorreu muito antes de termos o quer que se parecesse sequer remotamente com os mamíferos e répteis que conhecemos hoje.

Foi há cerca de 312 milhões de anos, durante o fim do Período Carbonífero, quando a terra era dominada por densas florestas e insectos gigantes, que os anfíbios que por lá andavam se dividiram pela primeira vez em Sauropsides e Sinapsides.

Os Sauropsides viriam a dar origem a tudo o que era lagarto, crocodilo, dinossauro, tartaruga e pássaro que conhecemos hoje.

Os Sinapsides começariam a longa e tortuosa viagem evolutiva que culminaria eventualmente em macacos carecas com pretensões de viajar para as estrelas.

Claro que na altura esses bichos tinham um aspecto muito diferente.


Cotylorhyncus, Ophiacodon e Varanops - não são dinossauros, nem sequer são répteis
São Pelicosauros, antecessores dos mamíferos
Durante muitos milhões de anos, enquanto os Sauropsides andavam para lá a fazer a sua coisa e a planear dominar o planeta com lagartões gigantes, os Sinapsides passaram muito tempo sem se decidirem se queriam ser mamíferos ou répteis estranhos ou o que fosse. Estes Sinapsides primitivos chamavam-se Pelicosauros.

Havia o Edaphosaurus, que viveu durante o fim do Carbonífero e o início do Permiano, e que chegava a medir 3,5m e a pesar 300kg.

Edaphosaurus- 300-280 milhões de anos - NÃO era um réptil, mas também ainda não era um mamífero
Havia o Cotylorhincus, provavelmente um dos maiores animais do início do Permiano, com cerca de 3m de comprimento.
Cotylorhincus - 279-272 milhões de anos - um dos passos intermédios entre lagartões e ursinhos
Os Sinapsides foram provavelmente os maiores animais terrestres durante todo o Permiano, que durou entre 299 a 250 milhões de anos, período durante o qual estes híbridos répteis-mamíferos se passeavam pelo mega continente Pangaea.

Por esta altura, todos esses Pelicosauros, híbridos répteis-mamíferos, já tinham sido substituídos por uma versão mais sofisticada de Sinapsides chamada de Terapsides, que já se começavam a assemelhar um pouco mais a mamíferos.

Foram os Terapsides que inauguraram o estilo de andar com as pernas verticais, em vez das pernas esticadas para os lados dos lagartos e Pelicosauros.

Tetraceratops - um Terapside primitivo que viveu há 275 milhões de anos

Este período é dominado pelos Terapsides, enquanto que os Sauropsides, os répteis com sonhos de virem a ser dinosauros, têm um papel secundário na paisagem do Permiano.


Ou pelo menos até à Grande Morte, durante a extinção massiva no fim do Permiano e que fez a transição para o Triásico, na qual 70% de todas as espécies vertebradas terrestres se extinguiram, incluindo grande parte dos Terapsides.


Com a extinção de grande parte dos Terapsides, finalmente houve espaço para os répteis tomarem a dianteira.
Os períodos que se seguiram, o Triásico, o Jurássico e o Cretáceo, foram definitivamente dominados pelos Sauropsides que finalmente se transformaram em  lagartões gigantes e finalmente apanharam os proto-mamíferos.

Os Dinossauros dominariam o planeta terra por cerca de 135 milhões de anos
Dos Terapsides restaram apenas três grupos.

Os Terocefalianos, que duraram apenas 20 milhões de anos após a grande extinção, que incluiam o Moschorhinus, que provavelmente foi o maior predador do seu tempo.

Moschorhinus - 250-230 milhões de anos atrás
Os Dicinodontes, herbívoros com bico, dos quais um dos melhores exemplos foi o Kannemeyeria, que teria cerca de 3 metros e também não passou do meio do Triásico.

Kannemeyeria - também não durou muito tempo
E finalmente, parentes próximos dos Terocefalianos, os Cinodontes que são os verdadeiros heróis da nossa história, dos quais o Cynognathus foi um dos primeiros.

Cynognathus - agora sim, isto começa a ficar interessante
A grande vantagem dos Cinodontes em relação aos outros Terapsides foi que, enquanto que todos os outros animais à sua volta, nomeadamente os Dinossauros, foram ficando cada vez maiores, os Cinodontes foram ficando cada vez mais pequenos.


Durante o período do Jurássico e Cretáceo os Cinodontes foram ficando progressivamente mais pequenos desde o Repenomamus, que era do tamanho de um texugo e o Tritylodon que tinha cerca de 30cm.

Repenomamus
Tritylodon
Foram também os Cinodontes os primeiros a terem pêlo (que tenhamos a certeza). Por altura do Jurássico (199-145 milhões de anos atrás) não haviam Cinodontes maiores do que gatos, e eram na sua maioria herbívoros, necrófagos ou insectívoros, e largamente nocturnos.

Os Cinodontes vão-se diferenciando lentamente, escapando aos pés dos dinossauros, e constituindo o primeiro grupo de animais que já se consideram mamíferos, os Euterianos, há cerca de 160 milhões de anos.


Como já perceberam, não é possível dizer em que momento específico surgiram os mamíferos tal como os conhecemos hoje.

Tal é a natureza da evolução. Não é feita de saltos discretos, mas sim de transições graduais.

Os primeiros Monotrematos (grupo de mamíferos dos quais ainda hoje existem espécimes) surgem há 125 milhões de anos, com o Teinolophos.

Os Marsupiais surgem há 65 milhões de anos, e os Placentários há cerca de 66 milhões de anos.

O primeiro fóssil de um animal inequivocamente Placentário é o Protungulatum donnae.

Protungulatum donnae
O mamífero mais primitivo existente actualmente é o Solenodon Hispaniola que se terá separado dos outros mamíferos há 78 milhões de anos.

Solenodon Hispaniola
Ou seja, este mamíferozinho sobreviveu ao asteróide que extinguiu os lagartões gigantes, e provavelmente andou a correr pelo meio das pernas dos Tiranossauros Rex.

É à custa de toda esta história de evolução, e à custa destes ratinhos, que hoje existem mamas.







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quinta-feira, 5 de maio de 2016

O futuro não é o que costumava ser - O Fim do Emprego

Henry Ford II: ''Walter, how are you going to get those robots to pay your union dues?''
Walter Reuther: ''Henry, how are you going to get them to buy your cars?''

Let's get right to it.

Se a tecnologia ameaça automatizar 50% dos empregos existentes nas próximas décadas, é legítimo começarmos a tentar perceber que lugar é que vamos ocupar nesse admirável mundo novo.

Nós somos o nosso emprego. Somos o que fazemos. Somos administrativos, advogados, motoristas, vendedores, enfermeiros... O que é que vamos ser, se já não pudermos ser essas coisas? Ou melhor, o que vamos ser, quando uma alternativa melhor e mais barata nos vier substituir? E como nos vamos sentir? E, se não vamos ter emprego, nem salário, quem é que vai comprar os produtos que as máquinas fabricarem?


Esta é uma pergunta desagradável, e como muitas outras coisas desagradáveis, é abordada com negação e cepticismo. Argumentam que não vai acontecer, que é um falso problema.
Por vários motivos.

Primeiro, os seres humanos são fonte de uma ''criatividade visceral'' que os torna únicos e insubstituíveis. Somos todos flocos de neve...

Quem partilha desta opinião pode retratar os 'alarmistas do desemprego derivado da evolução tecnológica' como os ludistas dos século 21. A acusação parte de um paralelo histórico com um movimento contra a automatização do trabalho na Inglaterra do século 19, durante a revolução industrial. A ocupação dos ludistas era protestar, e tentar destruir à martelada as máquinas que os estavam a transformar em desempregados.


No entanto, no fim de contas, a revolução industrial deixou o nível de vida das populações muito melhor do que estava antes. E novos empregos, novas carreiras foram criadas com os avanços tecnológicos.

Logo, mesmo que a explosão tecnológica actual substitua 50% da força de trabalho, daqui a uns anos vão existir outros empregos, espectaculares e com nomes cheios de swag. Como engenheiro genético, nano técnico ou ''app developer''.

Mas será que vai ser mesmo assim?


Podemos contrapor a isto que não deve ser fácil ser responsável pelos programas de requalificação profissional que pretenderem transformar uma professora primária, um camionista ou um cozinheiro, num 'app developer'.


Este back and forth é interessante, mas o que é que está a acontecer na prática? Porque é que anda toda a gente em pânico com o facto de os computadores estarem a ficar mais avançados?

Isto já não aconteceu antes?

Bem... Não nesta escala...

Começando no carro automático. A tecnologia existe e já foi aperfeiçoada. Não é uma questão de se vai chegar à produção em massa. É uma questão de quando. E este quando pode ser muito antes do que muita gente está à espera... Pode acontecer antes de 2025...


O Google Car. Eu sei, é pouco impressionante. Estavam à espera disto?


Parece difícil de conceber, mas os milhões de pessoas cuja profissão é conduzir: taxistas, camionistas, motoristas pessoais, condutores de autocarros, instrutores de condução...

O futuro não inclui estes empregos. Pelo menos não para seres humanos.

What else? Bem, os call centers estão em vias de ser substituídos.

Há software que analisa as perguntas mais frequentes e complexas de uma determinada área de serviço ao cliente, ou de vendas, e começa a conseguir responder de maneira quase aceitável. E que está em melhoramento constante. O futuro não inclui estes empregos.


Não estão impressionados? E se disser que os jornalistas podem ser substituídos por software, no futuro? Disse no futuro? Queria dizer, os jornalistas já podem começar a ser substituídos por software.

O programa - 'wordsmith' pode ser comprado (neste momento, por qualquer pessoa) com a promessa da empresa que se alguém fornecer dados ao programa, o 'wordsmith' produz um artigo publicável. Quase instantaneamente. A tecnologia está em fase inicial, e só é eficaz em áreas restritas, mas não vai ficar por aqui.

Portanto, os jornalistas estão em risco de ser substituídos. Não todos, mas a maior parte.


De certeza que já começaram a ver sinais disto na vossa vida... Quando vamos ao supermercado e queremos pagar, podemos esperar na fila, ou interagir com 'isto':


Irrita-me sempre um bocado, porque me faz sentir como se eu tivesse sido contratado sem salário, para ser empregado do supermercado. ''Não queremos pagar a alguém para fazer a conta de quanto você nos deve, portanto, faça você a conta, diga-nos quanto é, e depois pague.'' (Humpf... otário)

E quem já não chamou nomes à senhora automática na portagem da autoestrada, que diz:'' Efectue, o pagamento''. E depois ''cartão não lido''.......''cartão não lido''........''cartão não lido''...... Aaaarhgg....

''Obrigado, e boa viagem.''

E que dizer sobre isto, que já está a funcionar?


Se os quiosques automáticos da Macdonald's substituem muitos empregados, o que é que este gajo vai fazer à força de trabalho?


Finalmente, em relação aos seres humanos como seres criativos e insubstituíveis:
- The Next Rembrandt


Uma equipa (programadores, engenheiros e historiadores de arte) digitalizou 300 pinturas de Rembrandt. Depois deram os dados a um computador, e criaram um algoritmo que seria capaz de imitar o 'estilo' de Rembrandt. O quadro acima, não foi pintado por Rembrandt. É um originar, produzido por um computador, através de uma impressora 3D, que sobrepôs 13 camadas de tinta.

Outra coisa. Provavelmente já sabem, mas os computadores já produzem música há muito tempo. Ouvintes humanos não a conseguem distinguir de músicas semelhantes compostas por seres humanos.

Neste video podemos ouvir música composta por um computador. Software a ''improvisar'' jazz.


Isto é cansativo.

Onde é que nós ficamos no meio disto tudo? Bem... nós construímos os robots, e programámos o software, pelo menos até os computadores se conseguirem programar a eles próprios.

O que é alguma coisa programar-se a si própria?

Bem, é aprender de maneira autónoma... Como vimos na semana passada, esta área teve avanços recentes, muito significativos....


Se admitirmos que corremos o risco de nos tornarmos obsoletos numa sociedade concebida cada vez menos por, e para nós, será que vale a pena perguntar como queremos que seja a sociedade do futuro?

E se não vai ser desenhada por nós, vai ser por quem? E para quê?

Mas que metafísico que ele está hoje. :)

Vamos dar-lhes o beneficio da dúvida, e assumir que de facto vão aparecer empregos novos e espectaculares, e que vão existir programas de formação adequados e disponíveis para a maioria da população. Será que vão ser suficientes? Provavelmente não.

Até porque nós vamos ser 10 biliões em 2050...

Acho que o futuro vai ser alguma coisa entre uma sociedade distópica de pobreza, ócio, marginalização e desemprego, e uma utopia, de abundância, criatividade, comunidade e partilha.
Ou seja, não faço ideia nenhuma, e queria acabar numa nota profunda.

Claro que o Skynet tomar conta da chafarica é sempre uma opção!


Para a semana, avanços recentes na reutilização de foguetões, a SpaceX, o Elon Musk, bombas termonucleares em Marte, e a última fronteira:

SSSSPPAAAAAAAACE!
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terça-feira, 3 de maio de 2016

Capitão América: Guerra Civil - a Crítica

Este filme é TÃO BOM!!! >>>SEM SPOILERS<<<

Vamos falar sobre isso.


Vamos fazer uma lista do que é que este filme se propõe fazer:
  • Explicar as consequências do que acontece nos filmes anteriores
  • Pôr o  Marvel Cinematic Universe (MCU) em conflito de maneira a iniciar a Fase 3
  • Pôr 12 (!!!) personagens famosas num filme ao mesmo tempo (duas das quais inéditas)
  • Terminar o arco narrativo da personagem do Captain America
  • Ser um blockbuster de Verão
Não é uma tarefa pequena. Não se esqueçam que o Age of Ultron também tentou fazer muita coisa ao mesmo tempo (mais do que o Civil War) e acabou por sofrer por causa disso.

O que é impressionante neste filme até nem é a qualidade excelente de tantos dos seus elementos, mas o facto de os conseguir fazer todos tão bem e ao mesmo tempo.


Uma das coisas que mais me impressiona neste filme é a qualidade da história que é contada.

A premissa do filme, de que os Avengers andam a agir como vigilantes, sem responsabilidade e provocando danos colaterais, está extremamente bem estabelecida ao início do filme. A história não só pega nos eventos de filmes anteriores como em coisas que acontecem no próprio filme para definir de forma muito clara, e sobretudo imparcial, o problema de que os Avengers precisam de alguém a supervisioná-los.

Esta imparcialidade da forma como o problema é apresentado é extremamente importante porque permite que a personalidade tanto do Steve Rogers (Chris Evans) como do Tony Stark (Robert Downey Jr.), e as suas histórias em filmes anteriores, se expresse de forma orgânica face ao problema, pondo-os num conflito que surge naturalmente.

As várias facetas da temática ideológica/política de liberdade e auto-determinação vs controlo e regulação vão sendo exploradas nas atitudes e decisões das personagens quando confrontadas com a necessidade de escolher um lado do problema. O conflito ideológico manifesta-se nas acções das personagens, e quase nunca é discutido abertamente.


Mas apesar deste conflito político/ideológico subjacente à narrativa, o filme nunca deixa de ser um filme do Captain America. Steve Rogers é mostrado de forma ainda mais humanizada e vêmo-lo cada vez mais perdido, cada vez mais desorientado num mundo que insiste em fazer compromissos morais.

Isto faz com que o Steve Rogers não tome sempre as melhores decisões, apesar de estar sempre a seguir o seu compasso moral. A sua amizade e lealdade para com Bucky Barnes (Sebastian Stan) põem-no em rota de colisão com Tony Stark, e o seu arco narrativo é levado até à sua conclusão lógica e, em retrospectiva, inevitável.

O próprio Tony Stark é muito desenvolvido neste filme. Percebemos imenso das suas motivações e inseguranças, o que justifica perfeitamente as suas atitudes durante o filme. Apesar da na maior parte das vezes ser o antagonista da história, é difícil discordar dele.

Este para-a-frente-e-para-trás de nos dar a perspectiva do Steve Rogers e do Tony Stark mexe com as nossas emoções, obriga-nos a voltar atrás sobre com quem concordamos, e essa manipulação emocional faz com que nos importemos imenso com estas personagens.


Por falar em personagens, este filme tem imensas, e todas tão boas.

É um tributo à capacidade de realização dos Irmãos Russo e dos argumentistas terem conseguido introduzir tantas personagens secundárias, e mesmo assim dar a cada uma delas um momento ao sol.
Todas as personagens têm excelentes momentos memoráveis, nenhuma delas é desperdiçada, a presença de todas é justificada, todas têm algo importante/útil a fazer eou a dizer durante o filme.

A continuação da história do Bucky está muito bem construída, e a sua relação com o Steve Rogers está perfeitamente expressa nas suas interacções durante o filme. Esta história é tanto a conclusão do arco narrativo do Bucky Barnes como do Steve Rogers.

Com tudo o que este filme faz, ainda consegue introduzir duas personagens novas ao MCU.

O Black Panther (Chadwick Boseman) é fantástico. O seu fato é espectacular, o seu estilo de luta é perfeitamente distinto do das outras personagens, tem imenso impacto na história, as suas motivações são fortes, e até possui um curto arco narrativo.

O Spider-Man é talvez uma das melhores coisas do filme, e definitivamente o melhor Spider-Man de sempre. Tom Holland transmite uma mistura de entusiasmo e inexperiência que retratam perfeitamente o que seria um adolescente genial com super-poderes.


Finalmente, temos Helmut Zemo.

Num filme com tanto conflito entre as personagens principais, o papel do vilão é complicado. Se for um vilão demasiado grande, acaba por ofuscar o conflito principal e desfocar a atenção da narrativa que realmente importa. Se for irrelevante, então está lá só a ocupar espaço.

Para mim, Daniel Brühl faz uma interpretação perfeita de um vilão que ocupa um papel narrativo complicado. Zemo acaba por funcionar como um desencadeador de eventos que mexem a narrativa para a frente de forma quase despercebida ao início, e cujas consequências vão crescendo.
Tem pouco tempo de ecrãn, e talvez pouco tempo para Daniel Brühl nos dar um vilão realmente carismático, mas eu diria que este filme tem exactamente o único vilão que poderia ter.

No meio de um enredo que consegue fazer malabarismo entre o conflito de ideologias políticas, crescimento de personagens, um mistério que se vai desvendando, a narrativa nunca se perde. Nunca perdemos noção de qual é o fio-narrativo que devemos seguir, e a história avança de forma entusiasmante e apelativa.

Resulta, no fim, numa história incrivelmente poderosa e emocional, que nos faz importar tanto com ideologias como com as decisões pessoais de personagens levadas ao limite.


Finalmente, e apesar de o filme conseguir ter momentos verdadeiramente pesados e emocionalmente intensos, nunca deixa de ser fantásticamente divertido.

As sequências de acção estão muito bem filmadas, apenas com alguns momentos de shaky-cam que ocasionalmente são confusos, mas com uma coreografia de lutas muito intensa e reminiscente do Winter Soldier. Há piadas na proporção perfeita, e que constroem as relações entre as personagens.

A sequência de acção no Aeroporto é das melhores cenas de acção que já vi no cinema, e a sua montagem parece música.

É um dos filmes mais entusiasmantes e divertidos que eu já vi.
Não é só o melhor filme de super-heróis já feito até hoje, é um dos melhores filmes que eu já vi.

É muito provável que, à semelhança do The Dark Knight (2008), o Captain America: Civil War venha a ser considerado a fasquia a partir do qual todos os outros filmes de super-heróis passam a ser julgados

Se gostam de filmes da Marvel vão adorar este filme. Se gostam de filmes de Super-heróis ou filmes de acção vão adorar este filme. Se são cinéfilos e apreciam boa escrita, boa realização e boa montagem vão adorar este filme!

Vão mas é ver o filme!

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