Pataniscas Satânicas

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

David Bowie, 1947-2016

Segunda feira esta semana acordámos com a notícia da morte de David Bowie.

Morreu um dos gigantes. Um daqueles que pela força imparável da sua imaginação, talento e criatividade, moldam a arte e a cultura à sua volta.

É uma perda irreparável.
Nunca mais haverá um David Bowie.


Nunca fui um fã de David Bowie.

Não no sentido em que tenha ouvido a sua música e tenha decidido que era algo de que não gostava, mas no sentido em que nunca investi a fundo na sua música e na sua obra. Mostraram-me outras coisas enquanto crescia (Beatles, sobretudo), e portanto o foco da minha atenção nunca recaiu especialmente sobre o Bowie.

Gosto muito da sua música e admiro imenso a sua produção artística, mas não sou um fã por respeito aos que podem de facto apelidar-se de fãs.

Mas apesar de nunca me ter debruçado especificamente sobre o Bowie, a verdade é que sempre soube que ele estava lá, e sempre o vi a aparecer por todo o lado.

A sua influência na música, na arte, na moda, e na cultura no geral foram tremendos e difíceis de quantificar.



Uma das maneiras mais engraçadas maneiras de medir o sucesso de uma figura pop é ver onde é que ela é referenciada na cultura pop.

Portanto, em jeito de tributo ao David Bowie, vamos ver onde é que, por força da figura que criou para si mesmo, acabou por ser referenciado noutros meios artísticos.

Por exemplo,

No jogo Metal gear Solid V: The Phantom Pain, existem os Diamond Dogs, a companhia militar privada fundada por Snake, cujo nome é uma referência directa a uma das canções de Bowie.

Toda a sequência de abertura do jogo é basicamente uma grande referência à letra da música Diamond Dogs, e era suposto ter sido acompanhado por essa mesma música.
No fim não foi usada a música Diamond Dogs, mas sim uma cover de outra canção de Bowie, The Man Who Sold the World.



Nas bandas desenhadas do Doctor Who, o companheiro do 11º Doctor, é John Jones, uma personagem directamente inspirada em Bowie.
Para além de partilharem o mesmo sobrenome, John Jones é um músico de Blues dos anos '60 sem sucesso que está fadado a tornar-se famoso como "Xavi Moonburst" e "The Tall Pale Earl", e muito do seu diálogo consiste de citações directas ou paródias às letras do Bowie


Em 1988 temos o filme Velvet Goldmine, realizado por Todd Haynes, que é sobre a ascenção meteórica à fama de uma estrela pop bisexual durante o movimento do Glam Rock dos anos '70. Não é decididamente um filme sobre David Bowie. O filme centra-se na personagem de Brian Slade, cujo alter-ego espacial, Maxwell Demon, não é o Ziggy Stardust. A sua banda, Venus in Furs, definitivamente não são os Spiders from Mars. Ao longo da sua vida, Slade apaixona-se por uma série de pessoas que de nenhuma forma se assemelham a Angie Bowie, Iggy Pop, Lou Reed, Mick Jagger ou Brian Eno.

Jonathan Rhys Meyers como Da- Brian Slade
No videoclip da música Dani California do album Stadium Arcadium dos Red Hot Chili Peppers, a banda veste-se de várias bandas rock, representando vários géneros musicais.
A determinada altura o Flea veste-se de Ziggy Stardust.




Ainda a propósito de bandas, os olhos de Murdoc, uma das personagens de Gorillaz, são directamente inspirados nos olhos assimétricos de David Bowie.


Na banda desenhada Sandman, escrita por Neil Gaiman, o aspecto da personagem Lucifer é directamente inspirado em David Bowie.


O visual de Lucifer na banda-desenhada homónima spinoff de Sandman, é inspirado num David Bowie correspondentemente mais maduro.


O grupo musical/cómico Flight of the Conchords tem vários vídeos onde David Bowie aparece em sonhos a uma das personagens, sempre com uma figura Gandalfiana.


Na série britânica Spitting Image, David Bowie é uma das muitas celebridadas transformada num boneco. Um dos sketches envolve Bowie e Mick Jagger a cantarem e dançarem juntos uma paródia do videoclip "Dancing in the Street"


No desenho animado Venture Bros. o líder da Guild of Calamitous Intent é o David Bowie, que tem a capacidade de alterar o seu aspecto físico.
Também na mesma série há uma sequência divertidíssima de tributo ao Space Oddity





Na curta metragem de Joss Whedon, Dr. Horrible's Sing-Along Blog, um dos vilões na Evil League of Evil chama-se Dead Bowie.



Finalmente, não posso deixar de referenciar uma das minhas preferidas, a versão que Chris Hadfield fez da canção Space Oddity, a bordo da Estação Espacial Internacional.




Though I'm past one hundred thousand miles
I'm feeling very still
And I think my spaceship knows which way to go
Tell my wife I love her very much, she knows
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sábado, 25 de julho de 2015

Tunes with Tangerine - Cream on Chrome, Ratatat



Cream on Chrome, by Ratatat

Chosen by Tangerine.

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sábado, 18 de julho de 2015

Tunes with Tangerine - Sun Structures, Temples


Sun Structures, by Temples

Chosen by Tangerine.


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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Space Walk - Lemon Jelly


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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Such is life

No recreio és um pesadelo
Atiras areia, puxas-lhe o cabelo
Mas os anos derretem o gelo
E atrás do bloco, à conversa
Um beijo de língua perversa,
O frio aperta na manhã submersa


Sentes calor nas entranhas,
Sorris lágrimas estranhas,
Chegas à terra prometida,
Não precisas de nada na vida.


Mas as toneladas dos anos
Mesmo sem guerras nem intrigas
Só o atrito entre seres humanos,
E as vossas discussões antigas.


Ela perde-se num labirinto
Onde tu só vês uma ruela
Sentido único de fogo extinto
E enquanto a cumplicidade gela
O copo meio vazio dela,
É o teu meio cheio de absinto.


Arranha-te as entranhas,
Arranca-te lágrimas estranhas,
Sentes a garganta ferida,
Enquanto ela sai da tua vida.
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sábado, 3 de janeiro de 2015

Cigarette Duet


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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

God Rest Ye Merry, Gentlemen

Na realidade a expressão original era "God Rest Ye Merry" no sentido de "Que Deus vos Deixe Felizes", e na canção o sentimento é desejado aos Gentlemen.
Não são os Gentlemen que são Merry.


Um dia destes tenho de fazer um post sobre os Jethro Tull. Ou dois. Ou Cinco.
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sábado, 15 de novembro de 2014



I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life.
Let's make some music, make some money, find some models for wives.
I'll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars.

This is our decision, to live fast and die young.
We've got the vision, now let's have some fun.
Yeah, it's overwhelming, but what else can we do.
Get jobs in offices, and wake up for the morning commute
.

Forget about our mothers and our friends
We're fated to pretend
To pretend
We're fated to pretend
To pretend

I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home
Yeah, I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone.

There's really nothing, nothing we can do
Love must be forgotten, life can always start up anew.
The models will have children, we'll get a divorce
We'll find some more models, everything must run it's course.

We'll choke on our vomit and that will be the end
We were fated to pretend
To pretend
We're fated to pretend
To pretend

Yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah
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sábado, 25 de outubro de 2014

Pikachu + acid = Progressive Rock


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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os Beatles são a melhor banda de sempre

São... quer dizer, isso está sequer em discussão? Como? De que maneira? 

Não podemos todos simplesmente concordar que os Beatles são a melhor banda de sempre e pronto?
Qualquer discussão sobre música e sobre bandas musicais tem de começar com a premissa de que os Beatles são os melhores, porque senão não há discussão possível.

E eu sei que há por aí snobs pretensiosos que gostam de parecer superiores e espertos dizendo mal de bandas globalmente aceites como sendo boas! Eu sei porque sou um deles!
Vejam:
Os Radiohead são uma banda monótona e desinteressante!

Mas tentar isso com os Beatles? Honestamente? É com os Beatles que vão tentar fazer isso? De todas as bandas com que isso poderia funcionar, vão escolher exactamente aquela com que não há discussão possível! A banda que obviamente é a melhor? É isso que decidiram que vos ia fazer parecer espertos?

Mais do que ser simplesmente sem-sentido, argumentar que os Beatles não são os melhores, só faz com que a pessoa que o diz pareça estúpida. 
Como aquela pessoa que não percebeu a piada, mas não percebeu que não a percebeu, e então diz de forma assertiva e incisiva algum comentário à piada que é tão ao lado que as pessoas à volta dela se sentem constrangidas com tamanha estupidez e têm vergonha de a corrigir porque explicar a piada só ia reforçar ainda mais a estupidez da pessoa.
É isso que acontece quando alguém tenta dizer mal dos Beatles.

Quer dizer... ouviram sequer as músicas deles? Dizer mal dos Beatles só chama a atenção para o quanto não percebem de música. Qualquer comentário musical que queiram fazer depois disso será sempre pontuado pelo facto de que disseram mal de Beatles.
Eu sei que estão a falar mas eu não estou a prestar atenção porque disseram mal de Beatles, e nesse caso que valor é que realmente pode ter o que quer que tenham para dizer?

Parvos: Ah, mas os Beatles não-
Eu: os Beatles são a melhor banda de sempre!
Parvos: não, mas-
Eu: Melhor.  Banda. De sempre!
Parvos: mas eles nunca-
Eu: em todos os aspectos! Não há nenhuma medida pela qual os Beatles não sejam a melhor banda de sempre!
Parvos: não, mas os Beatles-
Eu: Eleanor Rigby!!!

Até podem não gostar de Beatles! Podem preferir outras bandas! Não é isso que está aqui em discussão. O problema é não reconhecerem que os Beatles são os melhores.
É mais ou menos o mesmo que dizer "Ah, eu acho que o Mozart não era assim tão bom quanto isso, e o Van Gogh também era sobrevalorizado e não percebo porque é que toda a gente gosta assim tanto de Bacon!"

E não têm de perceber. As pessoas não têm todas de saber as mesmas coisas, não temos todos de compreender a fundo os mesmos temas! Eu não percebo nada de moda, ou de fotografia!
Aquilo que têm de pensar é o seguinte: "Se eu não percebo porque é que os Beatles são tão bons, então é porque não percebo nada de música. Vou guardar as minhas opiniões para mim mesmo, ficar caladinho, e ouvir as tretas de que gosto. Provavelmente Buraka Som Sistema."
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domingo, 31 de agosto de 2014

Strawberry Fields Forever




This is a song that onyrically takes you through the dream-like perspective of a person who's realized that people care way too much about mundane things.

Note that the song starts with "Let me take you down, cause i'm going to Strawberry Fields"
He's not taking you down to Strawberry Fields, he's taking you down, meaning taking you down a peg and getting you feeling low and blue (as in "i'm feeling down"), because he's going to Strawberry Fields.

Nothing is real, there are no really important things, it's all an illusion, a construct of our mind's attempt to make sense of it all and impose structure on events outside our control, There's really nothing to get hung about, because it's all strawberry fields forever.

Living is easy with eyes closed, if you obstinately refuse to see that it's all in the mind, if you refuse to see the real value of stuff, and making attributions and giving value to stuff that's really not worth all that much, misunderstanding all you see.

It's getting hard to be someone, to make a name for yourself, to make yourself feel and seem important in society, it's hard to be someone of note and importance, but you know what, it all works out either way.
It doesn't matter much to me, you know, all that running around trying to be someone.

No one i think is in my tree, not many people are with me on this or think the same way i do, because you can't have both, you can't care and not care, it must be high or low, you can't just tune in when you want to, you have to either know or not.

But it's alright if you don't. At least i think it's not too bad. Nothing really matters anyway.
So let me take you down, let me take your mind down, your expectations down, let me release you from that daily bustle, and just come with me to strawberry fields, because nothing is real, and there's really nothing to be hung up about, there's just endlessly stretching strawberry fields. It's all good, if you just learn to relax.

And i know you always think this is just me talking. Or rather, you sometimes think this is just me talking, there are moments where you do wonder if i'm right.
But you know what? I do know the difference between the rambling flow-of-thoughts that takes me down through these ideas, I know when it's a dream.
In all the confusion and absolute relativity of it all, all i can safely say is: i think that all these things i know, they mean a resounding "yes", it is all relative, it is all for show, you can let it down, you can not care that much.
But then again, it's all wrong, all of these things i'm saying could just be plain wrong.
But no, there's no right or wrong, you're not right and i'm not right. All i know is that i disagree with your worldview.

So let me take you down, cause i'm going down and i'm going to free-flow my thoughts, i'm going to listen to music and enjoy life and smoke drugs and release my mind, and go to that child-like fascination of the world, as if i'm just walking through endless fields of Strawberry Fields, just waiting to be picked, in immeasurable beauty, where nothing is real, and there's nothing to get hung up about.



from Wikipedia:
Strawberry Field was the name of a Salvation Army children's home just around the corner from Lennon's childhood home in Woolton, a suburb of Liverpool.[9] Lennon and his childhood friends Pete Shotton, Nigel Walley, and Ivan Vaughan used to play in the wooded garden behind the home.
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domingo, 10 de agosto de 2014

Animus Vox - The Glitch Mob

E desta forma o Pataniscas Satânicas se torna num blog de música.

Cheguei a estes gajos, os Glitch Mob, começando na banda sonora do Blade Runner, para a banda sonora do Deus Ex, para a banda sonora do Tron, para a banda sonora do Portal 2.



E já agora, porque descobri que era possível fazer isto, uma playlist de música Cyberpunk.

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

E agora para qualquer coisa completamente diferente - Hip Hop Introvertido

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sábado, 12 de julho de 2014

American Pie - Parte II

Continuando a minha interpretação pessoal, que não é definitivamente over-reading porque o texto suporta as interpretações e que não é uma interpretação dogmática como a que as professoras de português faziam do Gil Vicente >glares<

Se ainda não leram a Parte I, devem fazê-lo agora, a não ser que sejam o tipo de pessoas que gosta de ler as coisas fora da ordem prevista, e nesse caso estejam à vontade.




Helter skelter in a summer swelter
The birds flew off with a fallout shelter
Eight miles high and falling fast

A música remete-nos de seguida para as convulsões sociais que mexeram com a América no fim dos anos '60 e a grande desilusão dos anos '70.
"Helter Skelter" é uma expressão anglófona que significa confusão ou desordem, caracterizante dos verões quentes americanos marcados pelo movimento dos direitos civis e estudantis. Não por coincidência, é também uma das músicas mais atípicas dos Beatles, também famosa por ter sido referenciada por Charles Manson a propósito dos seus famosos assassinatos.
Os Byrds lançam em 1966 uma canção chamada Eight Miles High, que fazia referências não só a drogas (high), mas que neste contexto serve mais como referência a uma fuga à queda da esperança que tinha nascido nos anos '60, e que agora cai que nem uma bomba (McLean até o canta com um som de bomba a cair - faaaaaAAAAST)
It landed foul on the grass
The players tried for a forward pass
With the jester on the sidelines in a cast

A mistura de imagens americanas, agora com os desportos, continua um duplo sentido da palavra foul que significa simultâneamente algo grosseiramente ofensivo ou uma falta desportiva quando essa esperança cai no relvado.
Os players, podem ser interpretados como a força política/governamental/policial que tentou combater e controlar os movimentos civis, e levar a sua avante, enquanto que o ex-símbolo desses movimentos, o Bob Dylan, está parado nos camarotes com um gesso.
Now the half-time air was sweet perfume
Durante o intervalo do jogo o ar estava cheio do cheiro adocicado da marijuana a ser fumada
While sergeants played a marching tune 
Os Beatles (Sergeant Pepper's), tocavam uma melodia de marcha, de liderança
We all got up to dance

Toda a gente se levantou para dançar e para os seguir
Oh, but we never got the chance

Mas nunca tiveram essa hipótese
Cause the players tried to take the field

Porque as forças políciais tentaram controlar os campus universitários e os espaços de revolução
The marching band refused to yield
Mas ainda assim os Beatles e os movimentos recusaram-se a desistir.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

E o narrador urge a que nos lembremos da realidade feia que foi revelada quando a música e o espírito idílico e dourado dos anos cinquenta morreu com Buddy Holly.
We started singin'
[Chorus]



Oh, and there we were all in one place
A generation lost in space
With no time left to start again

McLean, o trovador, remete-nos agora para mais um evento específico que terá sido o culminar da morte do sonho americano e da sua música.
Portanto todos os jovens idealistas das estrofes anteriores estavam num único lugar (provavelmente Altamont devido a referências que vêem a seguir) perdidos nas suas drogas, e tendo já perdido a sua oportunidade.
So come on Jack be nimble, Jack be quick
Jack Flash sat on a candlestick
Cause fire is the devil's only friend

A música dos Rolling Stones, com um som mais agressivo e letras com um tom niilista e violento começa a ganhar peso. É paradigmática a canção Jumpin' Jack Flash, sobre brincar com o fogo, sendo fácil identificar Mick Jagger como o diabo nesta famosa fotografia dele no seu concerto em Altamont.

And as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage
No angel born in Hell
Could break that Satan's spell

As tensões eram grandes em Altamont, e o gang de motociclistas Hell's Angels tinham sido contratados para serem seguranças no concerto, se bem que fomentaram mais violência do que a que preveniram, tendo até violado mulheres.
O homem de chapéu branco que se vê na fotografia tinha em sua posse uma pistola, que revelou à medida que se aproximava do palco, enquanto Mick Jagger cantava. Foi rapidamente morto por uma facada de um membro dos Hell's Angels. Os Stones não se aperceberam e continuaram a cantar.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite

A imagética satânica e demoníaca, que contrasta com a imagética religiosa do início da canção, atinge assim o seu pico com a figura do sacrifício ritual (o homem de chapéu branco) envolto em chamas.
I saw Satan laughing with delight
The day the music died

Mick Jagger e a sua música personificam assim a antítese da ingenuidade doce da música dos anos '50, e riem-se enquanto esta morre finalmente.
He was singin'
[Chorus]


I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news
But she just smiled and turned away

A música no seu epílogo toma um tom mais triste, com o Narrador a ir procurar os últimos resquícios da música de que gostava.
Encontra uma rapariga que cantava blues, possivelmente Janis Joplin, e pergunta-lhe por boas notícias, mas ela sorri, e morre de uma overdose em 1970.
I went down to the sacred store
Where I'd heard the music years before
But the man there said the music wouldn't play

Retorna a imagética religioso/sagrada, equacionando as lojas de venda de discos a lugares sagrados. Mas, e no seguimento do resto da canção, o narrador descobre que a música já não é tocada.
And in the streets the children screamed
The lovers cried, and the poets dreamed
But not a word was spoken
The church bells all were broken

Apesar da perda da música, a vida continuou como normalmente, com as crianças a gritar e os poetas a sonhar. Mas a morte da música dos anos '50 fez com que o verdadeiro significado, aquele que inicialmente fazia as pessoas sentirem-se felizes e dançar, já não está presente. Os sinos da igreja, eventualmente os artistas originais dessa música, estão todos quebrados pela inexorável marcha do tempo.
And the three men I admire most-
the Father, Son, and the Holy Ghost-
They caught the last train for the coast
The day the music died

O narrador menciona mais uma vez os três grandes nomes da música dos anos '50, Buddy Holly, Ritchie Valens, e Tthe Big Bopper, equacionando-os directamente à Santíssima Trindade do catolicismo e pondo-os definitivamente num pedestal divino. Interessantemente não diz que eles morreram, mas que simplesmente se foram embora, no dia em que a música, o espírito, da idade dourada dos E.U.A. morreu.

And they were singing



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domingo, 20 de outubro de 2013

Musica para a alma

Existem momentos incoerentes. Momentos em que a mente divaga do mundo e se isola num local onde a dor não atinge, onde deixamos de ser sencientes. Existem lugares assim.
E existem músicas que nos acompanham nestes momentos. Esta música é baseada no Folk do século XVIII. Originalmente cantada, sobre um soldado que gastava o seu dinheiro em prostitutas e que morre de doença venérea. Eu voto em sífilis. Louis Amstrong reavivou-a nos anos 30 e tornou-a intemporal. Eu deixo a versão instrumental de Pete Fountain dos anos 60.

E sim, ando numa de revivalismo….


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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

America - Simon and Garfunkel, 1968


Sempre considerei o Paul Simon como sendo um dos grandes compositores da música americana contemporânea. Poucos outros compositores conseguiram simultâneamente compor uma tão grande quantidade de músicas de tal qualidade, com melodias verdadeiramente bonitas, bem como tocar temáticas invulgares, introspectivas e filosóficas.

Recentemente tenho ouvido com alguma frequência a canção America, que era a 3ª faixa do album Bookends de 1968, da dupla Simon and Garfunkel

O Bookends pretendia ser um album conceptual, na peugada de albuns como o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, que seguisse o percurso da vida, da infância até à velhice.

America é uma canção sobre a adolescência. Em 1968 a américa estava a passar a fase do Flower Power, o movimento hippie começava a dar mostras de ter falhado, 1969 seria o ano mais sangrento da guerra do Vietnam, as drogas começavam a perder a imagem de emancipadoras da mente para começarem a matar celebridades, e toda a sensação de optimismo que se tinha gerado no início dos anos '60 começava a dissipar-se.
Os jovens já não se reviam no surf-rock, já não dançavam ao som do Chuck Berry, do Buddy Holly ou do Ritchie Valens, já não queriam o Let me Hold Your Hand dos Beatles.
Os adolescentes sentiam-se perdidos numa América que começava a perder outra vez a identidade, com uma verdadeira quebra de gerações por causa da guerra do Vietnam, o Movimento dos Direitos Civis, o início de uma tentativa de massificação comercial.

America é uma canção acerca de adolescentes desiludidos e perdidos numa América que perdeu o rumo, e que um dia simplesmente saem de casa, metem-se num autocarro e vão em busca de si mesmos e da nação que lhes ensinaram que era a melhor do mundo.

Abre com um murmurar da melodia essencial da música, quase como overture, e depois entram os acordes de guitarra,

A canção junta imagens e diálogos dos dois adolescentes, o narrador e a sua companheira Kathy, com uma melodia suave e simples, que apenas acompanha a descrição/narrativa.

Começa com uma proposta "Let us be lovers we'll marry our fortunes together", que não implica que sejam realmente amantes ou que se casem, mas simplesmente que se vão amar e que vão unir os seus destinos durante algum tempo. O narrador admite que tem algum dinheiro, compram cigarros e símbolos americanos ("Mrs. Wagners pies"), só aquilo que precisam, e "walked off to look for America".

Viajam ao longo da América, de autocarro ou à boleia, parando fugazmente em vários lugares. Começam em Saginaw, no Estado do Michigan, à beira dos grandes lagos, a norte de Chicago, e aparentemente estão a apanhar um mítico autocarro Greyhound em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia, a leste de Michigan. Quem quer que já tenha feito viagens longas, com muitas paragens, reconhece a memória mais sensitiva do que concreta dos lugares por onde passou "Michigan seems like a dream to me now".

Os jovens divertem-se com as figuras que encontram no autocarro, as pessoas de quem vieram realmente à procura, os outros Americanos perdidos. "She said the man in the gabardine suit was a spy; I said "Be careful his bowtie is really a camera"

As conversas de pessoas que já não sabem o que dizer uma à outra, que começam a afastar-se, a isolar-se, a sentirem-se sozinhas, que é na realidade a única forma de se encontrarem mesmo, "Toss me a cigarette, I think there's one in my raincoat"; "We smoked the last one an hour ago" e uma imagem lindíssima de uma lua a nascer sobre aquilo que eu imagino sejam infindáveis campos de cultivo da típica abundância americana "And the moon rose over an open field".

No fim o narrador verbaliza o seu sofrimento. Mas não o faz à sua companheira, que provavelmente está perdida ela mesma. O narrador verbaliza e sintetiza o seu sofrimento para si mesmo, sabe que a sua companheira não o ouve, e fá-lo com o que parece ser quase surpresa.
"Kathy, I'm lost," I said, though I knew she was sleeping
I'm empty and aching and I don't know why
Olha para fora, conta a imensidade de carros no New Jersey Turnpike. Tendo começado em Michigan, passado por Pennsylvania e estando agora em New Jersey, é seguro assumir que vão em direcção a New York.
Vendo todas as pessoas nos carros da New Jersey Turnpike, o narrador não pode senão concluir que estão todos tão perdidos e desesperados como ele, e que, como ele, todos eles continuam à procura da América.
Nesta altura, a canção deixa o tom suave e calmo que tinha antes, e toma um tom magnânimo, quase um hino à juventude e à busca de identidade, com coros de vozes a entoar o melhor grito de guerra que podiam ter na altura: "All gone to look for America!".



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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Rishloo



Ando já há semanas para escrever sobre esta banda, mas o Harrison não tem deixado...

Ora,

Os Rishloo auto-identificam-se como uma banda de Rock Progressivo Experimental Psicadélico.
Se isto vos parecer muito pretensioso, é porque é mesmo.
Mas daí, qualquer banda de Rock Progressivo que se preze é pretensiosa. Aliás, se não fosse pretensioso não seria Rock Progressivo.

São de Seattle, porque diz que em Seattle chove muito e os adolescentes zangados têm pouco mais que fazer do que ficar em casa e fazer bandas de garagem. Também diz que isso já deu resultado.

Têm três discos (Terras Frames, 2004; Eidolon, 2007; Feathergun, 2009) apesar de ainda não estarem ligados a nenhuma discográfica.

De qualquer maneira, têm rigor técnico, composições extremamente complexas, variações melódicas e de ritmo dentro da mesma canção, músicas enormes, o típico do rock progressivo.

Fazem-me lembrar muito Dream Theater, só que em bom.

Não que Dream Theater não seja bom! É! Muito!
Mas nunca teve aquele oomph de que precisava para ser realmente bom. São tecnicamente perfeitos, composições do mais complicado e difícil que há. Mas assim de repente tenho dificuldade em lembrar-me de uma única melodia deles.

Foi nisso que os Rishloo me captaram a atenção. Têm melodias muito boas. São fortes, ficam no ouvido, conseguem ser muito simples e bonitas.

De qualquer modo, a minha especialidade é cinema, e na música vou mais pelo gosto-disto-e-o-resto-não-presta.

Façam vocês mesmos a vossa própria avaliação. Vale a pena ouvir.

Podem encontrar quase tudo aqui.

Deixo-vos esta:

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