Pataniscas Satânicas

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domingo, 20 de dezembro de 2015

O Poder do Monomito - mais Star Wars!

Luke Skywalker e Jesus Cristo são a mesma personagem? Já notou que as aventuras são todas muito parecidas? Ainda não nos cansámos de falar de Star Wars?

Vamos falar sobre isso!


Um dia, quando Jesus Cristo rezava, os céus abriram-se, e o Espírito Santo, sob a forma de uma pomba, informa-o de que ele é o filho de Deus, iniciando assim o seu ministério terreno.
Um dia, quando Luke Skywalker reparava um pequeno dróide, encontra acidentalmente uma mensagem de uma princesa pedindo ajuda para derrotar o maléfico Império.

Jesus Cristo recebe a ajuda de João Baptista, e de outros discípulos na sua tentativa de espalhar a mensagem de Deus
Luke Skywalker recebe a ajuda de Obi-Wan Kenobi, e de outros companheiros, na sua demanda contra o Império.

Jesus Cristo passa por várias dificuldades e ultrapassa vários obstáculos, sendo inclusivamente tentado pelo Diabo no deserto
Luke Skywalker passa por várias dificuldades e ultrapassa vários obtáculos, sendo inclusivamente tentado pelo Lado Negro da Força numa gruta em Dagobah.

Finalmente, no momento mais crítico, Jesus Cristo é traído e crucificado, e no seu momento mais difícil, tudo aquilo em que acredita é posto à prova, e a sua fé é testada.
Finalmente, no momento mais crítico, Luke Skywalker é capturado e trazido frente ao Imperador, e no seu momento mais difícil, tudo aquilo em que acredita é posto à prova, e tem de lutar contra o seu Pai.

Vencida a sua prova mais dura, Jesus Cristo atinge o seu potencial máximo, e ascende à sua divindade plena, atingindo a imortalidade.
Vencida a sua prova mais dura, Luke Skywalker ating o seu potencial máximo, transformando-se finalmente num Cavaleiro Jedi.


Naturalmente que o Luke Skywalker não é o Jesus Cristo, mas os paralelismos nas suas histórias são demasiados para serem apenas uma coincidência.

O que é que explica então que a história de Jesus Cristo seja tão semelhante à de Luke Skywalker, apesar de estarem separadas por milénios?

Em 1949, Joseph Campbell publica o seu livro "The Hero with a Thousand Faces" no qual formaliza a sua teoria do Monomito.

De acordo com Campbell, (quase) todas as histórias têm por base uma estrutura comum, um conjunto de estadios pelos quais todos os heróis passam nas suas aventuras. Ou seja, um mito único, a partir do qual todas as histórias e narrativas derivam.

A teoria de Campbell já foi reformulada várias vezes, e a versão mais actual e mais consensual é a que contém 12 passos, e foi compilada em 1985 por Christopher Vogler, um executivo de Hollywood.

Os 12 passos são (resumidamente):

1 - O Mundo Comum - o Herói é apresentado no seu ambiente natural, habitualmente com algum tipo de desconforto, ambiguidade ou insatisfação acerca desse ambiente.
2 - O Chamamento à Aventura - alguma coisa altera a situação do Herói, seja um estímulo externo ou um conflito interno, com a qual o herói tem de lidar.
3 - Recusa do Chamamento - o Herói sente medo ou incerteza e tenta evitar a Aventura, mesmo que temporariamente.
4 - Encontro com o Mentor - o Herói encontra uma personagem viajada, experiente, que o treina ou lhe dá ferramentas ou conselhos que o ajudam na sua Aventura.
5 - Atravessar do Limiar - o Herói fica comprometido com o seu abandono do Mundo Comum, e entra num novo Mundo Especial ou condição com regras e valores desconhecidos.
6 - Testes, Aliados e Inimigos - o Herói é testado e define alianças ou inimizades no Mundo Especial.
7 - Aproximação - o Herói e os seus Aliados preparam-se para o principal desafio no Mundo Especial.
8 - A Prova - o Herói atinge o centro do Mundo Especial e confronta a morte ou enfrenta o seu maior medo. Desse momento com a morte vem uma nova vida.
9 - A Recompensa - o Herói toma possessão de um Tesouro ganho por enfrentar a morte. Pode haver celebração, mas há também o risco de perder o Tesouro de novo.
10 - O Caminho de Regresso - o Herói é compelido a terminar a Aventura, abandonando o Mundo Especial, e habitualmente uma perseguição mostra a urgência de trazer o Tesouro de volta ao Mundo Comum.
11 - A Ressurreição - no clímax, o Herói é severamente testado mais uma vez no limiar do Regresso. É purificado por outro sacrifício, outro momento de morte e renascimento, mas agora num nível mais completo. Pelas acções do Herói, as ambiguidades ou conflitos do início são finalmente resolvidas.
12 - Regresso com o Elixir - O Herói agora transformado pela sua viagem, usa o Elixir para mudar o Mundo Comum.


A estrutura narrativa do Monomito está presente de forma fiel em muitas das narrativas espirituais do mundo, no xamanismo, rituais de iniciação, e nas mitologias das principais religiões, incluindo as histórias de Gautama Buddha, Moisés ou Jesus Cristo.

Não significa que todos os passos tenham obrigatoriamente de estar presentes em todas as narrativas, ou que as narrativas tenham de ser construídas com base nesta estrutura, mas a inclusão destes passos numa narrativa quase que garante uma aventura satisfatória e divertida.

De tal maneira que, se começarmos a procurar este padrão, vêmo-lo por todo o lado!

Está presente na Odisseia de Ulisses, no Neo a descobrir que é o Escolhido e a lutar contra a Matrix, no Harry Potter a descobrir que é um feiticeiro, no Frodo Baggins e a sua demanda por destruir o Anel, e tantos, tantos outros.


Porque é que o Monomito é tão transversal a todas as culturas e uma ferramenta narrativa tão poderosa?

Essencialmente porque reflecte um fenómeno universal a todos os seres humanos, que é a maturação.

A nossa infância é reflectida pelo Mundo Comum, onde estabelecemos a nossa identidade, mas com a qual inevitavelmente nos sentimos insatisfeitos.

A adolescência é uma coisa assustadora, mas pela qual inevitavelmente todos passamos, são descobertas amizades e inimizades, e onde ocorre a luta para nos tornamos adultos, lidando com a autoridade dos adultos, a aceitação de responsabilidades, a exploração da sexualidade e encontramos um lugar no mundo.

Finalmente assentamos na idade adulta, com a construção de uma família e a tornando-nos pais nós mesmos.

O Monomito é extremamente apelativo à consciência humana porque inevitavelmente revemo-nos no percurso formativo do Herói.

É um caso de galinha e ovo, no qual o Monomito se torna tão prevalente por reflectir o crescimento por que todos passamos, e depois gostamos imenso do Monomito porque nos revemos nele.

Portanto o que é que acontece no Star Wars: The Force Awakens?


>>>>>>>>>>>>>> CUIDADO: HERE BE SPOILERS <<<<<<<<<<<<<<<<<<<


O Mundo Comum
Temos a Rey a viver em Jakku, insatisfeita com a sua situação, a sobreviver à custa da sua esperteza e habilidade, num ambiente hostil e agressivo.
É claramente demonstrado que apesar de Rey sonhar com sair de Jakku, está à espera de alguma coisa que a prende ao planeta.



O Chamamento à Aventura
Rey é abordada pelo BB-.8 e pelo Finn que lhe pedem ajuda para se esconderem da First Order.
BB-8 transporta consigo um mapa para a localização do mítico Luke Skywalker, desaparecido há décadas. Esse mapa deve ser devolvido à Resistência com toda a urgência.
Antes que possa aceitar o Chamamento à Aventura, a First Order ataca-os e Rey e Finn conseguem fazer o Millenium Falcon voar, e fogem de Jakku.



A Recusa do Chamamento
Após conseguirem escapar de Jakku e da First Order, Finn apela a Rey que fujam para fora do sistema, para escaparem à First Order.
Rey revela-se relutante em partir, dizendo que tem de ficar em Jakku à espera de algo ou alguém.

O Encontro com o Mentor
Felizmente surge Han Solo, que os ajuda a escaparem a mais algumas situações difíceis, e começa a guiá-los e a aconselhá-los.
Han Solo desenvolve uma relação particularmente próxima com Rey, que revela um conhecimento e aptidão para as reparações do Millenium Falcon, semelhante ao de Solo.
É particularmente ver Han Solo no papel de Mentor, que é a personagem sábia e experiente, quando antes Han Solo era o Rogue, impulsivo e irresponsável.
É Han Solo que leva Rey a Maz Kanata, que também a tenta guiar para o caminho da Força.



Atravessar do Limiar
Rey é capturada por Kylo Ren, e tenta ler a sua mente recorrendo à Força. À custa do contacto forçado com a Força, os poderes de Rey despertam e começa a experimentar com a Força.
O desenvolvimento dos seus poderes culmina na sua batalha de sabres de luz contra Kylo Ren. Rey, contra todas as expectativas, e recorrendo aos seus poderes nascentes na Força, consegue derrotar Kylo Ren, e é esse acto que representa o Limiar.


A partir desse momento, Rey aceita o seu destino, e compromete-se com a sua viagem de aventura. Mete-se numa nave e vai ao encontro de Luke Skywalker, para começar o seu treino e Testes na Força.

Estou extremamente curioso para saber como vão ser os próximos passos da Viagem do Herói de Rey, nos próximos episódios da Saga Star Wars

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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Fantasia e Star Wars

O Star Wars é mais fantasia do que ficção-científica? Estão fartos de saber isto? Toda a gente anda a capitalizar no novo Star Wars e nós não queremos ficar atrás?
Vamos falar sobre isso!


A saga (merecedora desse nome) do Star Wars já domina a imaginação de legiões de fãs desde 1977, e por vários motivos diferentes. 
É verdade que os efeitos especiais eram acima da média para a altura, foi um dos primeiros filmes de ficção científica a atingir notoriedade entre os críticos, e o George Lucas basicamente inventou o conceito de merchandising com os filmes.

Mas apesar disso tudo eu acho que a narrativa do filme é um dos principais factores que levou ao sucesso do filme.

Isto porque apesar das viagens interestelares, naves espaciais, robots falantes, os alienígenas, e os lasers, a narrativa do Star Wars é essencialmente uma história de fantasia clássica.

A literatura clássica está cheia de exemplos de Fantasia, mas o mais óbvio de todos é o Senhor dos Anéis, escrito pelo J.R.R. Tolkien, publicado em 1954, que usa abundantemente todos os tropes de fantasia.



Portanto vamos pegar nos tropes que definem a Fantasia e ver se o Star Wars encaixa (vamos analisar só os Episódios IV, V e VI).


Narrativa - O Bem contra o Mal (Black and White Morality)

O conflito do Bem contra o Mal é o tema principal da maioria das formas populares de fantasia.

É difícil que isto seja mais explícito: há os Jedi que são bons contra os Sith que são maus.


Temos também o Império contra os Rebeldes, num conflito que não é nada subtil, e ajuda que a maior parte dos vilões sejam Obviamente Maus.



Em muitas obras de Fantasia, sobretudo no estilo Sword and Sorcery, o Mal não é contrariado pelos inequivocamente bons, mas sim pelos moralmente incertos. Este trope está presente no Star Wars com a personagem do Han Solo, que é um rogue está do lado dos bons, mas teve de ser conquistado porque no início andava a disparar primeiro.

O Herói (The Hero)

Personagens heróicas são centrais às histórias de Fantasia, sobretudo em High Fantasy e Sword and Sorcery. Estas personagens são tipicamente mais capazes do que o humano comum, tanto fisicamente, moralmente, ou ambos.

O Luke Skywalker é o arquétipo do herói.



Ele é literalmente o Poster Boy da página do Tv Tropes do Herói,

Na Fantasia, o Herói ou outros protagonistas podem ser, apesar de o desconhecerem, de Sangue Real.

O Luke durante imenso tempo não sabe que pertence a uma família particularmente forte na Força, e que o seu Pai era um poderoso Jedi.
Com a sua irmã, Leia, há uma subversão do trope, na medida em que a Leia já é uma princesa ao início, mas ainda assim desconhece que afinal pertence à dinastia dos Jedi.


Tipicamente, na Fantasia, o Herói tem de crescer para assumir o papel que lhe é destinado. Este crescimento pode tomar a forma de maturação, que leva a personagem desde a sua infância ou adolescência até um estado de maior maturidade.

Luke Skywalker, destinado a ser um poderoso Jedi por causa do seu Pai, tem de fazer uma viagem de maturação, aprendendo e treinando os seus poderes na Força, até se tornar num verdadeiro Cavaleiro Jedi, para cumprir o seu papel e trazer equilíbrio de volta à Força


O Senhor das Trevas (Evil overlord)

Do lado das forças do mal está quase sempre o Senhor das Trevas.

Para além de possuir vastas habilidades mágicas, o Senhor das Trevas frequentemente controla grandes exércitos e pode ser representado com qualidades diabólicas. O Senhor das Trevas é habitualmente mostrado como sendo a derradeira personificação do Mal, como acontece com o Sauron, do Senhor dos Anéis.


A figura do Imperador Palpatine é o paradigma do Senhor das Trevas. É o derradeiro Big Bad de Star Wars, extremamente poderoso no lado negro da Força, maléfico e manipulador, Imperador do Império Galáctico, comandando forças militares capazes de esmagar qualquer voz discordante.


O seu aprendiz, Darth Vader, também encaixa quase perfeitamente na descrição do Senhor das Trevas, mas a sua relação com o Herói, a sua redenção final, e as suas intenções que até podem não ser tão maléficas quanto isso, põem-no mais no papel de Anti-Vilão Trágico.


A Demanda (The Quest)

A viagem em busca de um objectivo (descrita no Monomito), é o motor narrativo de muita da literatura clássica, e está proeminentemente representado na literatura de Fantasia.

A Demanda do Herói começa quase invariavelmente com o Herói a viver num mundo normal, e a ser chamado para partir em aventura. O Herói frequentemente está relutante em partir, mas é ajudado por um mentor místico.

No Star Wars o Luke Skywalker inicialmente sente que não pode partir em busca de aventura porque tem de ajudar com a colheita, mas Obi-Wan Kenobi, o Mestre Jedi vai ajudá-lo.


O Herói tem então de passar por várias complicações e dificuldades, sozinho ou com a assistência de outras personagens. Eventualmente chega ao fim da sua Demanda, na crise central da sua aventura, onde tem de ultrapassar "a prova", onde vence o principal obstáculo ou inimigo, e sofre uma apoteose, ganhando a sua recompensa e finalizando o seu crescimento.

O Objectivo da Demanda de Luke é muito obviamente o fim do Império Galáctico, para o qual ele tem de lutar em várias batalhas, sozinho ou acompanhado por Han Solo ou Leia, e finalmente confronta Darth Vader e o Imperador, vencendo-os, acabando com o Império e finalmente transformando-se num Mestre Cavaleiro Jedi.


Menos obviamente, podemos interpretar o Objectivo final da Demanda de Luke como sendo encontrar o seu Pai, resgatando-o do Lado negro da Força.


Em Fantasia, a Magia frequentemente tem uma presença preponderante, sendo muito mais decisiva na resolução de conflitos, do que outras ferramentas mais mundanas. Outra característica comum é que a habilidade de usar a magia é não só inata como também é rara.

A Força é a Magia em Star Wars.


A Força é definida como um campo de energia criado por todos os seres vivos, que rodeia e permeia os seres vivos e que mantém a galáxia coesa.
Nem todas as pessoas são sensíveis à Força, e só alguns nascem com essa habilidade.

Pela adesão a um conjunto de práticas e crenças espirituais e religiosas, aqueles que são sensíveis à força podem usá-la para realizarem feitos sobre-humanos, como a telecinese, telepatia, levitação, hipnose, empatia, reflexos e velocidade aumentados, e até precognição.


Outro aspecto típico na Magia em Fantasia é o Objecto Mágico, que proporciona ou aumenta as habilidades mágicas de quem o usa. Os mais comuns são os anéis e as espadas.

An elegant weapon, for a more civilized age
O Sabre de Luz é a arma preferida pelos Jedi. Tem um estatuto mítico mesmo dentro do universo de Star Wars, é capaz de cortar a maior parte dos materiais sem qualquer resistência, e é tão perigosa que só alguém com os reflexos aumentados pela Força seria capaz de a usar sem suster ferimentos graves.

Medievalismo (Medieval European Fantasy)

Muitas obras de fantasia históricas, desde "The Well at the World's End" de William Morris no século 19, até ao Lord of The Rings, estabelecem as suas histórias em mundos claramente inspirados em fontes medievais.

Apesar de no Star Wars o ambiente ser claramente um de Ficção Científica, há todo um léxico que nos reporta para esse ambiente Medieval Europeu.



Para começar temos toda  Ordem dos Cavaleiros Jedi, extremamente reminiscente dos Cavaleiros errantes medievais, frequentemente religiosos e que deambulavam pelo mundo a corrigir injustiças e a libertar os oprimidos, guiados por um código de honra rigoroso.

Há Imperadores, Lordes e Princesas por todo o lado, e toda a história é extremamente reminiscente da Lenda Arturiana.

Tanto Luke Skywalker como o Rei Artur são orfãos que se tornam heróis, ambos têm um mentor muito mais velho que os treina (Obi Wan, Merlin), Darth Vader, pai de Luke Skywalker, tem o seu equivalente no Uther Pendragon, pai de Artur. Até mesmo o triângulo amoroso que se forma entre Luke, Leia e Han Solo é reminiscente do triângulo amoroso entre Artur, Guinevere e Lancelot.


    Raças (Loads and Loads of Races)

    Um tema recorrente na literatura de fantasia é a existência de várias espécies de criaturas fantásticas, que podem ou não ser conscientes. Habitualmente quando são conscientes, são chamadas de Raças, e não Espécies.

    Tolkien estabeleceu firmemente o padrão dos Elfos, Anões, Orcos, Hobbits e Ents, e depois o Dungeons and Dragons expandiu grandemente essa lista.



    No Star Wars, temos espécies alienígenas.


    Muitas, muitas espécies diferentes de alienígenas.


    Desde o Chewbacca até ao Jabba the Hutt, o universo de Star Wars está populado por uma quantidade enorme de espécies alienígenas para todos os gostos, habitualmente com uma disposição orientação moral perfeitamente revelada pelo seu aspecto físico.

    Fofinho, bom
    Peganhento, mau
     Conclusão

    Portanto Star Wars é Ficção Científica ou Fantasia?

    Apesar de ser uma discussão que vai inflamar os geeks até ao fim dos tempos, a única resposta possível é que não importa na realidade.

    Star Wars conseguiu estabelecer o formato da Space Opera exactamente porque construiu um mundo de Ficção Científica com uma estrutura e regras vindas da Fantasia clássica, e isso tornou o género altamente reconhecível e apelativo para um público muito maior.


    O que me interessa imenso agora, com o Star Wars: The Force Awakens, é ver se alguns destes elementos de fantasia se transportam para o novo filme.

    Tenho especialmente curiosidade em ver de que maneira a estrutura narrativa deste novo Star Wars vai encaixar no Monomito (a Aventura clássica do Herói).

    A minha previsão é a seguinte:

    O Finn vai ser o Leader e a Rey vai ser o Lancer, o Han Solo vai ser o Mentor (que morre no fim deste primeiro filme), e o Luke Skywalker vai ser o Evil Overlord.

    Vou ver o Force Awakens depois de amanhã, portanto podem esperar qualquer coisa de mim na sexta provavelmente (porque tenho outras coisas para escrever entretanto, e este filme merece ser digerido com calma).


    PS: Podem encontrar uma análise muito engraçada e detalhada do Star Wars de acordo com o Monomito aqui.

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    terça-feira, 8 de dezembro de 2015

    Star Wars - A Conquista dos Brinquedos

    Como é que o George Lucas se tornou um dos mais importantes magnatas de Hollywood a vender brinquedos?
    Vamos falar sobre isso!


    Começou tudo muito modestamente.

    Depois do seu sucesso inicial com American Graffiti em 1973, o George Lucas queria fazer um Western passado no espaço.
    Como seria de esperar, foi recusado por vários estúdios, até que conseguiu convencer o Alan Ladd Jr., nessa altura presidente da 20th Century Fox a deixá-lo fazer o filme.

    Apesar disso, os outros membros executivos do estúdio não acreditavam que o filme fosse ter sucesso, e não queriam investir muito dinheiro no projecto.
    George Lucas negociou com eles, e prescindiu do seu pagamento de $500.000 dólares enquanto realizador e escritor do Star Wars, em troca dos direitos de merchandising e licenciamento do filme.



    Esta decisão viria a custar 20 BILIÕES de dólares aos estúdios em merchandising e brinquedos, e permitiriam ao George Lucas fundar o seu próprio estúdio (Skywalker Ranch), a sua própria empresa de efeitos especiais (Industrial Light and Magic) e o seu próprio estúdio de jogos de computador (Lucas Arts).

    Foi vendida uma quantidade impressionante de merchandising do Star Wars, e durante a minha infância e adolescência e idade adulta eu brinquei com vários (sim, eu continuo a brincar com brinquedos, e isso nem é assim tão surpreendente quanto possa parecer).

    Star Wars: Episode IV - A New Hope (1977)

    Eu cresci a ver o Star Wars, e antes de sequer começar a perceber bem que haviam 3 filmes, já os tinha visto todos.
    Lembro-me em particular que me fazia imensa confusão que o primeiro filme fosse o episódio 4, e chateava imenso o meu pai para ele me trazer do video-clube os primeiros episódios porque eu queria ver a história desde o início.

    Um dos primeiros jogos que me lembro de jogar foi o Droid Works, um jogo educativo da Lucas Arts, no qual se podiam construir vários dos Droids que se viam nos filmes, e até misturar-lhes as peças todas.


    O jogo pretendia ensinar às crianças conceitos simples de física e mecânica, e eu adorava o raio do jogo.


    Também dos primórdios dos

    Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back (1980)

    Este é talvez o Star Wars que eu me lembro melhor de ver. Provavelmente porque é o melhor dos filmes e o meu pai preferia sempre trazer este para casa do video-clube.

    A mim impressionava-me sempre imenso  a cena dos Snowspeeders a enrolarem as pernas dos AT-ATs, e as cenas passadas no pântano de Dagobah metiam-me sempre imenso medo.

    Lembro-me de brincar imenso com uns brinquedos de miniatura da Micro Machines, que eram cabeças de personagens do Star Wars que se abriam e que tinham lá dentro pequenos dioramas de cenas do filme.

    Eu tinha (e provavelmente ainda tenho num baú algures) o da cabeça do Darth Vader, que representava a famosa cena final do filme, em que o Han é congelado em Carbonite, e o Luke luta contra o Darth Vader.



    Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi (1983)

    O Return of the Jedi era definitivamente o meu preferido dos filmes. O filme tinha Ewoks e eu tinha 8 anos, portanto era inevitável.


    Há imensa gente que não gosta dos Ewoks, acusando-os de serem um cash-grab do Lucas para vender mais brinquedos, e passados tantos anos tenho de começar a dar razão a essa gente.

    Sobretudo porque quando me deram a escolher eu quis o diorama da Micro Machines (eu tinha, e ainda tenho, uma estranha fixação por miniaturas), que representava a luta dos Ewoks em Endor.



    Star Wars: Episode I - The Phantom Menace (1999)

    Lembro-me perfeitamente de ter 13 anos e descobrir pela primeira vez que ia ser feito mais um filme do Star Wars. Não cabia em mim de contente.
    Depois vi aquele smorgasbord de efeitos especiais e cores e alienígenas e ADOREI.

    Até gostei do Jar Jar Binks, para grande vergonha do snob de cinema que sou hoje.

    Houve pelo menos dois jogos directamente inspirados no Phantom Menace que eu joguei imenso.

    Um era o Star Wars Episode I: Racer, que era um jogo de corridas de pods como as que se viam no filme. Era possível competir em corridas nas mesmas pistas do filme, ganhar dinheiro, melhorar os pods e depois desbloquear mais condutores e pistas.


    Outro era o vídeo jogo oficial do Phantom Menace, que era discutivelmente quase tão mau quanto o próprio filme.

    A sério, revendo agora vídeos do jogo, é bem pior do que eu me lembrava. Vejam vocês mesmos.


    Star Wars: Episode II - Attack of the Clones (2002)

    Quando saiu o Episódio II eu já estava em Lisboa, a caminho de me tornar num snob de cinema, e portanto já não tive brinquedos de Star Wars.

    Mas não é que não quisesse porque foi por essa altura que os Legos de Star Wars começaram a ficar realmente interessantes, com algumas verdadeiras pérolas a saírem.

    Gostei particularmente da ideia de haver um mini-set de Lego, para crianças, representando a famosa cena na qual o Anakin Skywalker mata uma tribo de Tusken Raiders.




    Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith (2005)

    Em 2005 estreia o Episódio III e o snob que eu já era teve de admitir que sim, o filme até era bom!
    Certamente o melhor filme da nova trilogia, a grande força do Revenge of the Sith foi definitivamente o juntar das pontas todas e construir uma transição para o Episódio VI, sobretudo a nível visual e estético.

    Também para este houve alguns modelos muito engraçados de Lego, incluindo duas variantes do Imperador Palpatine, e inclusive a cena em que ele luta contra o Samuel L. Jackson Jedi.



    Finalmente, e como bónus, aqui ficam alguns outros brinquedos que eu encontrei enquanto vasculhava na internet para fazer este post.

    Polis Massan Medic
    Há um brinquedo particularmente estranho do Episódio III, que aparentemente é um médico Polis Massan, que se poderão lembrar, é quem está a fazer o parto da Rainha Amidala.




    Darth Vader/Death Star Transformer

    O Darth Vader é um Transformer que se transforma da Death Star! Como é que isto não foi mais popular é o que eu quero saber.



    George Lucas and Family

    Sempre quiseram brincar com o George Lucas e os seus filhos vestidos como personagens do Star Wars, agora podem!



    E finalmente, o meu preferido:

    Tauntaun with "Open Belly Rescue"

    Sim, a famosa cena do Empire Strikes Back, na qual o Han Solo salva o Luke Skywalker enfiando-o dentro das entranhas de um Tauntaun morto, disponível para as crianças brincarem!




    Portanto já sabem!

    Podem oferecer-me brinquedos de Star Wars no Natal, que eu fico contente...
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