Pataniscas Satânicas

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terça-feira, 29 de março de 2016

Precursores

Eu já ando hyped para o No Man's Sky há bastante tempo.

E sim, eu sei!

Não é bom ficar assim tão hyped. Não é bom criar tantas expectativas. Só leva a desilusão e lágrimas.

Mas vá lá!!!!

Olhem para esta imagem!!!


É um monolito!

No espaço!

E tem coisas escritas!

Quem é que as escreveu? Não sei!

Alienígenas, provavelmente.

Mas aquilo é um monolito com hieróglifos.

É uma ruína, parece saído de Stonehenge!

...

Alienígenas pré-históricos?


Vamos falar sobre isso.



Portanto está confirmado que no No Man's Sky haverá ruínas alienígenas para serem exploradas e cujos segredos podem ser desvendados pelo jogador.

E esta é uma ideia que me fascina mais do que eu consigo explicar.

A ideia de uma espécie de alienígenas ultra-poderosos, tão antigos que não se sabe nada acerca deles, que provavelmente estiveram envolvidos na origem de tudo e cujos artefactos estão espalhados pela galáxia e que continuam a desafiar as nossas capacidades para os entender.

É tão evocativo de mistério e exploração e descobrimento e aventura.

Estou extremamente entusiasmado por ser uma espécie de Indiana Jones espacial a devendar os mistérios dos precursores alienígenas e a coleccionar e a vender os seus artefactos. Se calhar até vai ser possível usar esses artefactos!!!


Porque é disso que estamos a falar. De Precursores.

É um trope, caso ainda não tenham percebido do que é que eu ia falar.

Uma raça antiga cuja cultura e conhecimento atingiu o seu pico numa época passada, mas que agora está extinta ou ascendeu a um plano superior de existência.
Em settings de ficção científica são habitualmente considerados a primeira raça a ter ganho consciência no universo ou na galáxia, dando-lhes uma óbvia vantagem sobre toda a gente.
Em settings de fantasia são habitualmente a espécie original, perfeita, criada pelos Deuses.

No seu pico, de acordo com os rumores, teriam sido capazes de fazer (e fizeram) quase tudo, incluindo criar espécies inteligentes e refazer mundos inteiros com um estalar de dedos, e qualquer mistério estranho ou persistente no universo é habitualmente atribuído a eles.

Podem ter sido suficientemente avançados, ou simplesmente muito melhores do que toda a gente com a sua tecnologia/magia, mas de qualquer forma deixaram marcas que se mantém até hoje.

E depois desapareceram no mito, deixando para trás nada a não ser ruínas tentadoras e raras, por vezes

São a civilização que criou o Monolito do 2001: A Space Odyssey (1968).


São os Celestials da Marvel.


É o Space Jockey do Alien (1979).


São os Forerunners de Halo.


São os Xel'Naga de Starcraft.


São os Eridians de Borderlands.



Muitas das vezes os Precursores serão benevolentes e de alguma forma garantiram que o futuro estaria garantido e que haveria alguma forma de proteger as espécies que viriam depois.

Como os Mondoshawans do The Fifth Element (1997) que estabelecem uma ordem secreta de monges na Terra para protegerem os elementos necessários para lutar contra o Ultimate Evil.


Ou como os Preservers de Star Trek, que transportam culturas raras em perigo para planetas seguros.


Claro que por vezes teremos azar e os Precursores não são simpáticos. Nesse caso temos Precursores Abusivos, que na maior parte das vezes ou estão selados num lugar que é suspeitamente fácil de abrir, ou ainda existem e andam a tornar a vida difícil a todas as outras espécies.

Se os Precursores Benevolentes e os Precursores Abusivos coexistirem, então provavelmente estão em guerra uns com os outros usando as espécies menores como peões num jogo.
Se os Precursores Benevolentes já tiverem ganho esta guerra então provavelmente ascenderam a um plano mais elevado de existência e transformaram-se em seres de energia, o que significa que é só uma questão de tempo até alguém soltar os Precursores Abusivos outra vez.

São os Engenheiros de Prometheus, que quando são acordados começam imediatamente a matar os humanos.


Em Star Trek são os Iconians, uma raça tão abusiva que todas as outras se juntaram para os destruir, e são conhecidos miticamente como os "Demónios de Ar e Escuridão"


Em Mass Effect temos os Reapers que deliberadamente deixam tecnologia por todo o lado para encorajar espécies futuras a fazerem inovações técnicas específicas, só para depois regressarem e colherem esses frutos tecnológicos. E fazem isto para se reproduzirem, criando mais Reapers dos milhões de seres colhidos.


E finalmente, como é que nos poderíamos esquecer do Cthulhu e companhia!
Os Elder Ones, que quase acidentalmente criaram o Universo e espalharam a vida pelos planetas, andam sempre a tentar voltar e comer tudo outra vez, criando insanidade em que quer que meramente olhe para eles.


De onde é que vem esta nossa fascinação por uma raça de seres superiores antigos, inimaginavelmente avançados, que entretanto desapareceram misteriosamente?

Bem, o Renascentismo é literalmente um período onde as pessoas andavam fascinadas com o Império Romano e com a cultura Grega, que consideravam serem superiores e os precursores da civilização.


O Humanismo Renascentista deriva da redescoberta da filosofia Grega clássica. Este tipo de pensamento manifestou-se na arte, na arquitectura, na política, ciência e literatura. É nesta altura que a arte volta a ter perspectiva e volta a ser usado o betão.

O Latim volta a estar na moda, e artistas como Michelangelo recriam estátuas realistas de figuras humanas em mármore branco, ao estilo Romano.


Mal sabia o Michelangelo que os Romanos pintavam as suas estátuas de cores garridas, e que o estilo de mármore branco atribuído aos romanos é um equívoco que advém do facto de essas tintas não terem sobrevivido aos séculos.


Mas mesmo os Romanos e os Gregos tinham os seus próprios precursores.

A ideia da Atlântida é proposta pela primeira vez por Platão nos seus Diálogos, escritos no ano 360 antes de Cristo, como uma sociedade utópica, com desenvolvimentos científicos extremamente avançados, que teria desaparecido misteriosamente debaixo das ondas séculos antes.


Portanto o meu desejo tremendo de ser um Indiana Jones espacial a explorar as ruínas de alienígenas desaparecidos há não sei quantos milhares ou milhões de anos, tentando desvendar o que eles seriam e o que fariam nasce de todo este fascínio que a cultura humana parece ter pela ideia de Precursores.

Ideia essa que vem sendo passada de geração em geração desde pelo menos os Gregos!

Mas agora pensem no seguinte.

Uma das possíveis explicações para o Paradoxo de Fermi (porque é que ainda não encontrámos alienígenas) é que os Humanos são dos primeiros seres inteligentes a surgirem no Universo.

O que faria de nós os Precursores!

Cool, huh?

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Estou em pulgas por isto sair!
      Já imagino tudo e mais alguma coisa no jogo, estou a preparar-me para uma desilusão :P

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  2. pois, ai está! muitas pessoas acham demasiado bom para ser verdade, ainda tens tb a parte técnica do jogo, porque é um universo tão grande os uploads etc levam a grandes discussões (pelo menos já na minha familia com pai e irmao) acho que não é um jogo para todo o tipo de pessoas, eu como não sou muito competitiva e gosto somente de farmar e explorar é um bom jogo para mim, já para outras pessoas que gostam de pvp's quests e objectivos finais super definidos, não vai funcionar! Eu estou a esperar para ver, mas acho que não vai ser decepção para mim porque "it's my kind of game"!

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    1. A minha grande expectativa para o jogo é que os mecanismos procedurais do jogo sejam de facto capazes de gerar situações suficientemente complexas para manter essa exploração e esse farming interessante o suficiente para dar ongevidade ao jogo.

      Imagino, só com base no que já foi anunciado, que se gerem conflitos entre facções de piratas que compliquem a quem é que vais vender as coisas que farmaste e a quem vais comprar recursos que precises.

      Também imagino que eles tenham criado uma árvore de desenvolvimento tecnológico que seja grande e complexa o suficiente e que tenha vantagens mecânicas suficientes para mover essa exploração e farming.

      Claro que isto gera uma espécie de gameplay que é um bocado circular. Farmar para desenvolver para poder farmar mais para poder desenvolver mais. E eu gosto disto, costumo divertir-me com este tipo de motor de jogabilidade.
      Mas a maior parte das pessoas, eu incluído, gostam de alguma forma de endgame, algum objectivo ao qual possam apontar e eventualmente dizer "pronto, cheguei".

      A maior genialidade deste jogo, para mim, é terem dado o objectivo vago de chegar ao centro da galáxia.
      Isso associado ao sistema procedural que eles já ameaçaram que vai gerando coisas cada vez maiores e mais bizarras à medida que te aproximas do centro.

      Leste o outro artigo que eu escrevi acerca disto?

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