Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

domingo, 24 de setembro de 2017

Cheesy

Esta é uma história sobre macacos, e as histórias e as mentiras que eles contam. :)

Durante milhões de anos, os nossos antepassados macacos andaram de árvore em árvore, até desenvolverem destreza manual suficiente para gesticular uns para os outros.


Quando desceram das árvores, os macacos que gesticulavam começaram a usar paus e pedras para fazer ferramentas. Os primeiros foram usados para caçar, cortar e preparar o jantar, e não passavam de pedras afiadas.

Muitos anos depois, os macacos começaram a grunhir uns para os outros, tentando transmitir significados. Ao longo de centenas de milhares de anos, os macacos grunhiram uns para os outros, até que lentamente, alguns macacos nalguns sítios, começaram a concordar com alguns significados específicos, para grunhidos específicos. 

Isto foi espectacular, e viria a dar imenso jeito. A linguagem melhorou brutalmente a comunicação entre os macacos, e permitiu todo o tipo de coisas novas.

Inclusive, viria a fazer com que os macacos se convencessem uns aos outros que tinham deixado de ser macacos, porque conseguiam falar. Mas nós sabemos a verdade. Os macacos gostam de mentir, neste caso, a eles próprios. :)


À medida que os macacos grunhiam uns para os outros a transmitir mensagens cada vez mais bem construídas, alguns macacos aperceberam-se que era extremamente útil transmitir mensagens que não eram verdade. Convencerem que não tinham roubado, ou morto alguém, ou insistir que tinham conseguido caçar um tigre dente-de-sabre do tamanho de um elefante, seria útil para impressionar um amigo, ou intimidar um rival.

Ainda hoje, toda a gente sabe que há 3 tipos de mentirosos. Os pequenos, os grandes, e os caçadores.


Portanto, à medidas que fomos ficando melhores a comunicar uns com os outros, fomos competindo uns com os outros. Sempre dos dois lados da barricada. Umas vezes, somos nós os macacos mentirosos. Outras, somos nós o macaco que desconfia que nos estão a mentir. Isto vem acompanhado de sentimentos de indignação justiceira. 'Como é que ele se atreve?'

Porque é que ficamos zangados, se todos mentimos? Os médicos sabem há muito tempo:


Por exemplo, este estudo da Universidade do Massachusets descobriu que 60% dos inquiridos mentiu 2 a 3 vezes numa conversa de 10 minutos.

Não dizer a verdade. Mentir. Uma das pequenas facada no contrato social que reprovamos nos outros, mas que por vezes somos obrigados pelas circunstâncias a fazer nós próprios. Porquê?

Por vezes o contrato social deixa-nos encurralados.

Uma treta muito comum acontece quando chegamos atrasados, ou faltamos ao emprego ou à escola. Quando falhamos um prazo, E é tão mais fácil inventar um transporte atrasado, um furo no carro, do que admitir que não somos perfeitos. Até porque admitir que não somos perfeitos pode levar a chumbar uma disciplina, ou a perder o emprego.


Porque a alternativa pode ser desnecessariamente cruel. Esta é uma das racionalizações que usamos.
''Eu não podia dizer a verdade, porque não queria que ele ficasse magoado...''

Quando um amigo nos mostra uma música, ou um vídeo, de que não gostamos, ou para o qual não temos paciência, que vamos fazer? Vamos ver o video, ouvir a música. Às vezes fartos, outras contrariados, mas no fim dizemos que gostámos. Que vamos ouvir o álbum. Que vamos ver um episódio da série. Porque a alternativa pode ser o nosso amigo deixar de nos mostrar coisas interessantes. E isso é cruel para ele, e estúpido para nós. Porque queremos que os nossos amigos continuem a mostrar-nos coisas.

Mas continuamos (e bem) a ensinar às crianças que mentir é muito feio. Esta teoria pode ter uma confrontação divertida com a realidade.


Quando chegamos a adolescência, e descobrimos que o mundo dos adultos, que julgávamos perfeito, está cheio de políticos mentirosos, corrupção, escândalos financeiros, ficamos zangados, e com um sentimento de que fomos traídos. Estivemos a respeitar regras que pessoas com mais experiência que nós, não respeitaram. E retiraram benefícios disso. Pensamos que somos macacos espertos por descobrir, e sentimos a indignação justiceira. Alguns de nós querem endireitar todos os males do mundo nesta fase da nossa vida. E ainda bem. A intervenção cívica deve ser incentivada.


Quando somos jovens, é fácil sentir que o mundo não presta. Ou pelo menos que não era aquilo que nos venderam quando fomos crianças. Isto pode ajudar a explicar a atitude cínica de muitos adolescentes. Que pode ser absolutamente superficial também. Está brilhantemente ridicularizada neste clip do Family Guy.

(No it's lame. Everything is lame...)

Esta ideia de lame - foleiro, piroso, fatela - aparece na adolescência, por oposição ao que é cool - fixe, porreiro, com nível. Cenas, tipo, boa onda. 
Não é necessariamente uma mentira, mas é alguma coisa não original, pouco autêntica. Por oposição ao fixe, original, verdadeiro.

Ao genuinamente fixe. :)

Cool (fixe) quer dizer por definição, fresco. Não muito quente, nem muito frio. Just right. 
E é completamente subjectivo, como não podia deixar de ser. 

Tem muito a ver com identidade de grupo. E com seguir tendências de artistas de referência. 

Queremos ser fixes e não foleiros. Para os nossos amigos gostarem de nós. Mas não conseguimos ser fixes só por querermos muito. Aliás, esta é uma maneira muito fácil de ser foleiro. Não há nada mais foleiro do que alguém que tenta muito ser fixe. Passar agressivamente a impressão do que somos mais fixes do que na realidade somos. É uma maneira de mentir, de manipular. Isso é foleiro.


E se ser foleiro é mau (por algum motivo), ser lamechas ou piegas é pior. Cool, não quer dizer só autêntico, quer também dizer distante emocionalmente.

Mas os seres humanos têm emoções fortes. Muitas. Como vimos antes, são dos principais motivos que levam as pessoas a mentir. Não querer perturbar o nosso autoconceito. Não querer magoar as emoções dos outros. Mas não queremos criar um meio onde seja sempre inapropriado expressar certas emoções. Agora, como expressar emoções da maneira cool - distante emocionalmente?
Porra, a vida na adolescência não é nada fácil...

Uma das coisas a que somos todos sensíveis, é à lisonja. Alguém que diz bem de nós, deve ser esperto. Deve ser cool :). Mas desde que somos adolescentes ouvimos a nossa mãe a dizer bem de nós, e sabemos que ela definitivamente não é cool. Alguém que expressa emoções fortes acerca do nós é facilmente catalogado como inautêntico, não original, foleiro, piegas. 
Alguém que está a tentar demasiado.

Provavelmente está a manipular-nos cinicamente...

Because it's lame, everything is lame. Like totally, whatever. :)


Que se conclui daqui? Nada. It's an ongoing debate. Uma luta entre mentirosos e mentidos, entre adolescentes cool e lame, uma luta entre piroso e autêntico. E estamos todos, à vez, de ambos os lados da barricada, sendo que a definição dos conceitos é sempre participada pelos dois lados envolvidos na comunicação. E todos os dias os conceitos aperfeiçoam-se.

Os macacos continuam a mentir, a lisonjear, a desconfiar e a dissimular. E também a expressar emoções verdadeiras, a comunicar de maneira pungente, a desenvolver cumplicidade e vínculos significativos.

Finalmente, em relação às emoções fortes, suponho que um ''boa regra de polegar'' é procuramos dentro de nós próprios porque é que estamos a expressá-las.

Se nascem de um lugar de insegurança, de raiva ou de necessidade de fazer mover os outros numa certa direcção através das nossas palavras bonitas, então se calhar é melhor ter cuidado

Se nascem de um momento positivo, de euforia desinteressada, porque não?

O que é o pior que pode acontecer? Sermos vistos como lame?

Oh, grow up.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Hinos e Festivais de Verão

''Eternal Father strong to save,
Whose arm hath bound the restless wave,
Who bidd'st the mighty ocean deep,
Its own appointed limits keep;
Oh, hear us when we cry to Thee,
For those in peril on the sea...''

                  -Naval hymns - Eternal Father strong to save



Um dia, num passado não muito distante, estive em Londres a passar férias. Como não tinha dinheiro, acabei por ficar no Hostel mais barato que encontrei. A casa Baden-Powell, chamada assim em homenagem ao pai do Escutismo.

Não me lembro de muito da estadia. Mas lembro-me que num domingo, depois de descer a Cromwell Road a caminho do Hostel, cansado por várias incursões em atracções turísticas, ouvi um burburinho na distância.

O som cresceu de intensidade quando me aproximei do ginásio do Hostel. Percebi que se tratava de um cântico arrastado, litúrgico. Abri a porta, e deparei-me com muitas dezenas de Ingleses a cantar uma música que não conhecia.

''Eternal Father, strong to save...''

A cena era hipnótica. Senti os pêlos dos braços a eriçarem-se, o coração a acelerar no peito, e um revolver eléctrico na barriga. Um misto de reverência e de solenidade. Aqueles minutos de um hino sincero, fizeram mais pelo meu entendimento sobre a fé católica do que vários anos de catequese.

A minha memória transformou aquele ginásio despido numa Catedral majestosa, onde o eco daquele hino histórico reverberava em paredes de mármore com centenas de ingleses de peito erguido e cabeça curvada, cantando a Deus em uníssono com os tubos colossais de um órgão cerimonial.


O objectivo da música era que Deus, na sua misericórdia infinita, ajudasse e protegesse os filhos de Inglaterra quando eles estivessem no mar. E o revolver eléctrico que eu sentia na barriga deixava poucas dúvidas que o hino devia estar a funcionar na perfeição.

É difícil encontrar músicas contemporâneas, que provoquem emoções semelhantes.
Talvez ouvir o hino nacional antes da final do europeu de futebol entre Portugal e França.


Toda a gente no café olha fixamente a televisão. Pousam as mesmas garrafas de Sagres que acabaram de aparecer no spot publicitário imediatamente antes, alguns crentes põem a mão no peito e até os pratos de lombinhos descansam uns minutos, enquanto as câmaras percorrem os rostos dos jogadores que cantam a Portuguesa. Queremos que eles sintam o revolver eléctrico na barriga, e se algum deles não canta o hino, ou parece distraído, vai ser alvo de comentários depreciativos após o estádio explodir em aplauso.

Os hinos nacionais aclamam o nosso passado comum. Comum é a palavra chave aqui. A celebração do que partilhamos, a nossa herança colectiva. Não interessa muito o que está a ser celebrado. Qualquer povo, as emoções são as mesmas.

Em sociologia, há uma teoria que defende que os nossos auto conceitos pessoais, têm uma parte em comum. A parte em que acreditamos/percepcionamos que pertencemos a um grupo social relevante, com um conjunto de características mais ou menos bem definidas.

Chama-se a teoria de identidade social. Quando cantamos hinos, estamos a celebrar a parte do nosso auto conceito que percepcionamos como tendo em comum com todos os portugueses, ou com todos os benfiquistas, ou ou hino das crianças que estão a espera do início dos desenhos animados nos os anos 90.


Esta sensação de euforia solene, é uma qualidade de algumas músicas que mais ou menos formalmente vai aparecendo em várias músicas, hinos nacionais ou músicas pop/rock.

Por exemplo, em 1982, Sylvester Stallone pediu aos Queen para usar a música ''Another one bites the dust'', como música temática no filme Rocky III. Os Queen recusaram, e Stallone pediu ao grupo Survivor, para escrever uma música para o filme. O resultado vive na nossa memória colectiva como um dos melhores hinos desportivos, ainda ouvidos em muitos ginásios, e por quem quer que se queira motivar para atingir um objectivo.


A música celebra o individualismo, o sacrifício em nome da perseguição de um objectivo pessoal, contra todas as hipóteses, contra todas as dificuldades. Uma crença cega de que somos capazes de chegar lá, de concretizarmos os nossos sonhos, de sermos o que aspiramos. Sentimos um revolver na barriga, e corremos mais depressa, vamos mais longe.

Crença cega de que somos capazes. Outra maneira de dizer fé em nós próprios. Fé. Como os ingleses, que cantavam a fé em Deus para proteger os filhos de Inglaterra no mar.

Agora, porque é que Stallone queria usar uma música dos Queen no filme Rocky III? Talvez porque em 1977, um Freddie Mercury em cuecas andava a fazer isto pelos palcos do mundo.


Uma a seguir a outra, We will rock you, e We are the champions. Músicas eternas e geniais, que tocaram no fim dos torneios de muitos desportos durante décadas.

A percussão de 'We will rock you', cria a impressão que muitas pessoas dão força à música, e isso faz sentido, se pensarmos que a música foi inspirada num momento, em Birmingham, quando a plateia cantou o hino 'You will never walk alone', em resposta ao encore que os Queen tinham acabado de fazer.

Estes hinos dos anos 70 e 80 glorificam a busca individual de objectivos, mas também a força que temos juntos, o poder das emoções humanas. No entanto, mesmo quando descrevem a busca individual de objectivos, descrevem de maneira vaga o suficiente para poder ser sentida por qualquer pessoa. Não há uma música sobre um jovem que quer ser especialista em caranguejos-violinistas. Isso é um interesse de nicho. Mas um jovem que quer ser especialista em caranguejos violinistas, pode treinar para ter o melhor 'eye of the tiger' a descortinar quelípodos.


Ou coiso.

''Isso era bonito nos anos oitenta, mas e qualquer coisa mais recente? Toda a gente sabe que a música perdeu qualidade ao longo dos anos, e que hoje somos muito mais misantrópicos.''

Sei lá...



''I'm gonna fight'em off,
A seven nation army couldn't hold me back.
They're gonna rip it off,
Taking their time right behind my back.
And I'm talkin' to myself at night because I can't forget,
Back and forth through my mind,
Behind a cigarette''

Esta música energética dos White Stripes tem a força de um hino.

Não foi por acaso que durante o festival de verão inglês Glastonbury em 2017, que hordas de jovens ingleses começaram a cantar o nome do socialista, líder da oposição, e principal adversário de Theresa May.


O quê?!? Jovens de férias em países de primeiro mundo, a interromperem concertos das suas bandas favoritas para cantar o nome de um político ao ritmo da música Seven Nation Army dos White Stripes?

Was it Opposite Day?

Aconteceu num festival de verão.

Milhares de pessoas a assistirem a música ao vivo, a cantarem em uníssono, a dançarem como se ninguém estivesse a ver. A multidão ondula ao som da música energética, aplaude em sintonia os ritmos ou levantam os isqueiros a acompanhar as músicas que os levaram a gostar da banda.

Porque será que isto:


Quase que faz lembrar isto:


O palco esta iluminado a meia luz, a banda está em transe ofuscado por cortinas de fumo, e quando a música acelera, as luzes coloridas varrem a multidão que salta. Os amigos dançam abraçados, os casais beijam-se apaixonadamente.

A noite está morna da euforia contagiante que levou milhares de jovens a deixarem as suas casas em peregrinação a das grandes cidades até à periferia.

Aproveitem os hinos e o verão. Daqui a pouco faltam 3 meses para o Inverno.

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

As Geringonças do Diabo - Estátuas Vivas

...''Las tumbas son para los muertos
Las flores para sentirse bien
La vida es para gozarla
La vida es para vivirla mejor
Calaveras e diablitos
Invaden mi corazón...''

Los Fabulosos Cadillacs - Calaveras e Diablitos

Turistas....

Quando tinha 16 anos, o meu filme preferido foi o Fight Club. Um filme em que Edward Norton contracenava com Tyler Durden (Brad Pitt), como duas personalidades da mesma pessoa que reagia de maneira agressivamente esquizofrénica contra o estilo de vida imposto à classe média americana pela sociedade de consumo. Foi o tema de um dos primeiros textos que escrevi nas Pataniscas.

Nas primeira meia hora do filme,  a personagem de Edward Norton infiltra-se em grupos de apoio a doentes com doenças malignas, onde conhece Marla Singer (Helena Bonham Carter).

Marla é outra infiltrada saudável, ou como ele lhe chama - 'A grande turista'.


That is unnerving.

Eles são turistas no meio de pessoas com doenças graves, para usufruir do que consideram interacção humanas genuína. Provavelmente porque quem está às portas da morte tem uma perspectiva elevada do que é verdadeiramente importante na vida.


Há alguma coisa que soa de falso, de pejorativo no conceito de turista. Alguém que não é de cá, que não conhece os costumes e a cultura, e que ainda por cima está de férias. Talvez por isso a hospitalidade é um sólido princípio católico_ ser amável para estranhos, que provavelmente nunca terão a possibilidade de reciprocar a gentileza.

Reajo de modo ambivalente aos turistas. Gosto de ver a rua cheia de gente meio perdida, com aspecto que está a participar num jogo de pista que exige uso de óculos escuros, mas por outro lado irritam-me quando estão a entupir os restaurantes, ou a olhar de maneira interrogativa para a máquina que vende bilhetes no metro

Provavelmente é inveja.

No caminho para o trabalho tenho que atravessar o Terreiro do Paço e a Baixa, e é impossível não lhes invejar o passo lânguido, o olhar panorâmico, a t-shirt casual. Estão por todo o lado. De mochila às costas, nas ruelas da mouraria,  sentados nas fontes do Rossio, reclinados nas cadeias das esplanadas a empunhar copos de vinho caro numa mão e pasteis de bacalhau recheados com queijo da serra na outra. Comem descontraidamente, enquanto enchem de gordura as páginas da última edição do lonely planet.

Nos últimos anos as caixas multibanco têm brotado na Baixa. Peço desculpa, não são caixas multibanco, são ''ATM's''. Que é estrangeiro para caixa multibanco que cobra comissões pouco simpáticas. E os turistas fazem fila atrás delas para sacar euros às centenas, a gastar nas lojas de souvenirs e nos pastéis de nata.


Toda a gente sabe que se os turistas gastarem dinheiro na economia local, isso é bom para o consumo, o que leva a crescimento e cria empregos. Mais procura ao longo do tempo leva à necessidade de criação de mais oferta. E a preços mais elevados. Mas será que isso é assim tão simples e sem efeitos adversos?

Já se os salários dos locais aumentarem, e forem eles a gastar dinheiro na economia, isso já não é bom (por algum motivo...), e vem aí o papão da Dívida, da Troika e o Diabo.

Não faço ideia o porquê destes dois pesos e duas medidas. Será que as notas dos turistas estão a vir directamente do Banco Central Europeu, enquanto as nossas vêm de um tabuleiro do monopólio edição Belzebu? Em vez de cartas da sorte, temos cartas da danação eterna da gentrificação, e provavelmente a autarquia demoníaca emite multas de estacionamento em barda e mete-as directamente na caixa da comunidade. Porque como as coisas estão, prefiro uma tarde a tomar banho no lago de fogo, a deixar o carro no parque dos Restauradores.


Será que é esse o significado dos estacionamentos na ''zona vermelha'' da cidade? A confirmar-se, os parquímetros deviam ser pintados de vermelho vivo e ter cornos compridos.


Acabo a tarde a dar a volta à Rua Augusta e a parar à beira de duas estátuas vivas, pintadas de bronze. As estátuas estão vestidas de fadista e de guitarrista, e suam debaixo do calor de julho por meia dúzia de moedas que casais de meia idade lhes deixam cair no chapéu, depois de lhes tirarem fotografias. A metáfora perfeita para o mercado de trabalho no período pós Troika.


As estátuas vivas fazem vénias delicadas, depois de uma fazer cócegas a um simulacro de guitarra portuguesa, a outra com um esgar de quem está a sentir uma Casa Portuguesa a correr-lhe nas veias, se não a vibrar-lhe nos lábios, com certeza. O fado mudo das estátuas vivas na Rua Augusta soa-me a ecos do ano distante de 2011.

Consigo ouvir comentadores que segregam frases enlatadas do enclave ideológico a que pertenciam quase todos. Entre segmentos noticiosos sobre a dívida pública e mudanças ao código de trabalho, um desempregado, deitado no sofá, absorve as palavras de idiotas engravatados no telejornal, que orientam a vidinha tentando agradar ao poder dominante. Pelo menos na altura... hoje as coisas estão menos certas para os Camilos Lourenços do mundo.

''Temos que empobrecer. Sair da zona de conforto. Criar o próprio emprego. Aproveitar o que o nosso país tem de melhor. Temos que promover a marca Portugal, fomentar o turismo. Está na hora de pôr em prática soluções criativas.''


Hum... Passado poucos anos, somos todos estátuas vivas num mercado de trabalho cada vez mais desregulado e global. 

O governo do PSD/CDS foi para a gaveta, e deu lugar a outro governo de compromisso. O que o centro e a esquerda têm em comum parece maior, depois de estarmos todos sujeitos ao terrorismo psicológico do governo dos bons alunos da Troika. Se provas faltassem que o alarmismo e o medo ainda dominam o pensamento da direita, basta ouvir Passos Coelho na oposição em 2016, com ameaças vagas de que vem aí o Diabo. 


A confiar nas sondagens, parece que a população atirou o Diabo pela escada abaixo, e ele ainda não deu todos os trambolhões que pode dar em direção à cave da mudança de liderança. 

Não veio o Diabo, mas nós estamos na encruzilhada a ver caminhos bloqueados à nossa frente. Parou (ou pelo menos desacelerou) a degradação da nossa vida operada por aqueles que acreditam que o Estado Português teve que resgatar uma série de bancos porque ''a culpa da crise é de todos'', e os bancos faliram porque a população ''gastou acima das suas possibilidades''.

Continuamos, no entanto, como estátuas vivas que fazem vénias delicadas e cantam fados mudos, tudo por meia dúzia de trocos que nascem de uma fresta de concórdia entre o centro e a esquerda.
Estamos melhor do que há 2 anos os fanáticos satânicos nos queriam fazer acreditar que estaríamos, por isso não me quero queixar demasiado. Às vezes uma fresta, uns trocos, umas mexidas no salário mínimo, é o que chega para imaginar uma luz ao fundo do túnel...


As luzes ao fundo do túnel têm o condão de poderem conter tudo o que se lhes quiser atribuir. Enquanto uns acreditam que a saída de uma situação de aperto está perto, outros têm uma perspectiva mais pessimista.


Depende de que narrativa se está mais habituado a acreditar.  

Mas se a esquerda acha que a luz ao fundo do túnel é a salvação da pátria, enquanto a direita diz que o demónio vem com um segundo resgate para nos espetar mais dívida no lombo, tenho que confessar que não faço ideia do que significa a luz ao fundo do túnel. 

Só sei continuo a ouvir falar estrangeiro na Terreiro do Paço.

Os russos e os ingleses param em frente às estátuas vivas, e vêm em duas cores: anemia pálida e vermelho caranguejo.

Passeiam pelas ruas da baixa com malas Prada a tiracolo, onde guardam a espada de dois gumes que é um poder de compra muito superior ao nosso. Por um lado, aumenta o consumo e o emprego na economia local. Por outro, a gentrificação que produz queima-nos os bolsos, como vingança irónica pelo nosso sol que lhes queima as costas. E não há Ambre Solaire factor 50 que nos valha contra o aumento dos preços das rendas dos imóveis e de alguns produtos de primeira necessidade.


Os turistas deambulam nos Restauradores e cruzam-se com velhotas de passo incerto, a caminho do sítio para onde todas as velhotas estão a ir.

Para outro sítio.

Porque os senhorios demoraram 27 segundos a perceber que podiam arrendar um apartamento por meia dúzia de tostões por mês a um casal de reformados com uma pensão média, ou meter um anúncio no  AirBnB e arrendar à segunda a suecos, à quinta a australianas e ao domingo a chineses.


Os senhorios com mais visão reaproveitam os bibelots e as loiças das senhoras idosas, e dão retoques na decoração retro/vintage nos quartos a alugar aos turistas do Air BnB.

É assim que um dálmata de loiça se encontra finalmente com um sofá Ektorp do IKEA, ou que uma máquina da costura se transforma numa mesa de apoio, onde se descansa um televisor LED da Samsung de 30 polegadas. 


É um admirável mundo novo, este que se ergue das cinzas do antigo. Mas será que se pode chamar a isto uma luz ao fundo do túnel? 

Não interessa muito... Como as coisas estão, esse futuro é tão fácil de parar como a rotação da Terra à volta do Sol. Seremos nós que teremos que nos adaptar à nova realidade.


Martin Ron (arte de rua) - ''A morte do bairro''
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ozymandias

Século 19. A Marinha inglesa é a melhor e mais competente à face da terra e o pilar que sustenta o império britânico. Tal como a superioridade aérea permitiu a hegemonia Americana no século 20, a superioridade naval foi a base do império de sua Majestade no século anterior.

Nenhuma batalha demonstrou melhor a superioridade militar dos britânicos do que a batalha de Trafalgar, quando derrotaram as forças navais napoleónicas, e acabaram com a ameaça de uma invasão militar directa na Grã- Bretanha. Em 1805, trinta e três navios comandados pelo Almirante Horatio Nelson destruíram uma frota de 41, comandados pelo Almirante francês Pierre Charles Villenueve.


Nunca ninguém ouviu falar de Pierre Charles. Mas Lord Nelson, que morreu durante a batalha, contou com o eterno agradecimento de sua Majestade e tem uma estátua no centro de Londres. 
Na Trafalgar Square. Afinal, se não fosse ele, hoje em dia o Francês podia muito bem ser a língua oficial em Inglaterra.

O tamanho da coluna é proporcional à importância da vitória. 

Lord Nelson era veterano de várias batalhas, e não avesso a correr riscos. Num ataque a Tenerife perdeu o braço direito, e um olho numa batalha na Corsega.

Numa altura em que a ortodoxia das batalhas navais exigia que os navios se mantivessem em linhas paralelas, para maximizar a capacidade de concentrar o fogo dos canhões, e coordenar o movimento dos navios, Nelson dividiu a sua frota em duas linhas perpendiculares, e avançou a toda a vela contra os franceses.


Isto permitiu-lhe dividir os navios franceses em 3 grupos, e cercar o grupo do meio. Conseguiu obter uma vitória definitiva, numa época em que muitas batalhas navais acabavam em disputas sangrentas, com ambas as frotas desfeitas e os vencedores muito enfraquecidos.

A mensagem que o seu navio - HMS Victory - passou para o resto da frota antes da batalha, foi imortalizada nos livros de história e na cultura popular.


Além de que serviu de inspiração para as forças armadas (e para os civis) em conflitos posteriores.


No fim da batalha de Trafalgar, Lord Nelson morreu atingido por um atirador furtivo francês. Isto transformou-o num herói nacional instantâneo.

Depois da derrota em Trafalgar, o bloqueio/embargo comercial, surgiu como estratégia de recurso a Napoleão. O embargo não foi eficaz. Três países continuaram com trocas comerciais em grande escala com Inglaterra: Portugal, Espanha e a Rússia. 

Napoleão invadiu esses países como retaliação. Todos nos lembramos como isso correu. 
Cá, e na Rússia.

Portugal foi invadido pelo general francês Jean-Andoche Junot com cerca de 50.000 soldados. Napoleão invadiu a Rússia com mais de 600.000. O exército francês - Le Grand Armée - era o exército terrestre mais poderoso e eficaz do mundo.


Lisboa foi ocupada por Junot em 1807 (o Rei fugiu para o Brasil), e Moscovo foi ocupada por Napoleão em 1812. Os Portugueses revoltaram-se nos anos a seguir e expulsaram os Franceses com o apoio do general Inglês Wellington (o mesmo que iria acabar com todas as esperanças de Napoleão em Waterloo). Os Russos... Incendiaram a cidade de Moscovo e deixaram cinzas e gelo para Napoleão passar o Inverno. Ganharam a guerra depois de derrotados no campo de batalha. 

Se Napoleão fosse esperto, tinha evitado ir passar o Inverno à Rússia.


Se Napoleão fosse esperto, sabia que ninguém se mete com a marinha Inglesa.


Mas talvez a memória histórica do Inverno russo e a marinha inglesa tenha sido moldada pelas derrotas infligidas a Napoleão. 

Talvez Napoleão tenha perdido a guerra porque declarou guerra a demasiada gente. Talvez a Europa fosse demasiado grande e com demasiados povos, para aceitar um Imperador.

Não interessa. Não interessa mesmo.

Anos antes, em 1798, durante as campanhas Napoleónicas no Egipto, os soldados de Napoleão encontraram um fragmento de uma estátua enterrada na areia, do maior e mais poderoso faraó que o Egipto conheceu - Ramesses II. As suas campanhas militares e obras arquitectónicas foram reconhecidas pela história como impressionantes. Os seus exércitos de cerca de 100.000 soldados, tornavam o Egipto numa das maiores potências militar da época.


Os Franceses tentaram transportar a Estátua para França, mas pesava várias toneladas, e não conseguiram.

Depois da derrota de Napoleão em Waterloo (1815), os Ingleses começaram a tentar obter a Estátua de Ramesses II. Contrataram o Indiana Jones da época, um aventureiro chamado Geovanni Belzoni, que conseguiu enviar a estátua de 7 toneladas para Londres. Ainda hoje em 2016, podemos ver Ramesses II numa das alas do British Museum.

O buraco no peito, à direita, foi feito pelos homens de Napoleão, que tentaram arrancar a estátua às areias do Egipto

No ano em que o British Museum anunciou a chegada da estátua, um poeta - Percy Shelley- escreveu um poema que tinha como título o nome grego de Ramesses II - Ozymandias.

''I met a traveller from an antique land,
Who said: Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them, on the sand,
Half sunk, a shattered visage lies, whose frown,
And wrinkled lip, and sneer of cold command,
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamped on these lifeless things,
The hand that mocked them and the heart that fed:
And on the pedestal these words appear:
'My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye Mighty, and despair!'
Nothing beside remains. Round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare
The lone and level sands stretch far away.''


(trad)
Conheci um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundado, jaz um rosto partido, cuja expressão
Lábios franzidos em escárnio e comando frio
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias planas e solitárias estendem-se na distância.

Todas as conquistas de Ramesses II reduzidas a cacos dispersos na areia a serem pilhados por exércitos 3000 anos depois. O tempo arrasa todos os Impérios. Ramesses, Napoleão, o Rei George III, memórias distantes metidas em livros cobertos de pó.

Mas a cultura... os memes, as ideias... essas coisas têm uma maneira de sobreviver, de se aperfeiçoar, de inspirar outros seres humanos a produzirem cultura. De reaparecer quando menos esperamos. 


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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quem vê Caras

Porque é que temos cara? Porque é que os presidente são bonitos? O que fazer para fugir ao Big Brother?

Vamos falar sobre isso!


Todos os dias estamos rodeados por pessoas, olhamos para elas, olhamos para as suas caras, mas para além dos mínimos essenciais para a comunicação, não olhamos realmente para elas.

Da próxima vez que estiverem com alguém que conhecem bem (os vossos pais, os vossos irmãos ou irmãs, namorados ou namoradas) olhem para as caras dessas pessoas como se fosse a primeira vez que a vêem. Reparem na forma do nariz, no arco das sobrancelhas. Desconstruam a cara.

É estranho.

Cria uma sensação de jamais-vu muito desconfortável.


Porque é que sequer temos caras?

As plantas não têm caras e safam-se bem. As esponjas, que não se esqueçam que são animais, também não têm caras e são dos animais que sobrevivem inalterados há mais tempo.

Então porque é que temos caras?

Basicamente porque a determinada altura os animais conseguiram dar o grande passo em frente de ter uma boca e um rabo que não fossem a mesma coisa.

Lembram-se quando falei das alforrecas e expliquei que o único simples orifício por onde entrava a comida era também o mesmo orifício por onde saíam os dejectos? Foi um grande avanço evolutivo ter dois buracos separados para comer e para cagar.


Se somos essencialmente tubos com dentes, com um buraco por onde entra comida, então faz sentido pôr os orgãos dos sentidos perto desse buraco por onde entra comida.

E se os orgãos dos sentidos estão lá, então mais vale pôr o cérebro lá perto para a informação dos sentidos não ter de viajar muito.

Depois o facto de sermos mamíferos e termos de mamar deu-nos músculos faciais fortes e ágeis que permitem uma enorme variedade de expressões faciais.

As principais zonas do cérebro responsáveis por reconhecer caras são a Área Facial Fusiforme, a Área Facial Occipital e o Sulco Temporal Superior.

Área Facial Fusiforme

São estas zonas as responsáveis pela Pareidolia, aquele fenómeno que nos faz ver caras nas nuvens, nas carpetes e nas torradas.


Quando há lesões nestas zonas, ocorre uma condição chamada Prosopagnosia, que é a incapacidade de reconhecer caras.

Crianças com Prosopagnosia frequentemente confundem membros da família, preferem desenhos animados porque as personagens vestem sempre as mesmas coisas, e têm dificuldade em reconhecer pessoas conhecidas em contextos diferentes (a professora na mercearia).

Crianças com doenças do espectro do Autismo também frequentemente têm dificuldade em reconhecer caras ou expressões faciais.

Pessoas famosas com Prosopagnosia são o Stephen Wozniak (co-fundador da Apple) o Stephen Fry (comediante) e a Jane Goodal (a que estudava macacos).


Por sua vez, a diminuição da expressividade facial é um sintoma típico de várias doenças.

Não só várias lesões directas ao Sistema Nervoso Central podem provocar vários tipos de paralisia facial, mas também doenças neurodegenerativas como o Parkinson levam a redução da expressividade.


Uma expressividade facial diminuída também está frequentemente presente em doenças do espectro do Autismo, na Esquizofrenia e na Psicopatia.


A expressividade facial é dos aspectos mais importantes na comunicação não-verbal humana. O contacto visual e micro-expressões conduzem imensa informação acerca das intenções, emoções e até mesmo o sentido daquilo que está a ser dito verbalmente.


Mais interessante ainda do que isso, bébés de 2-3 e 6-8 meses já demonstram um interesse inato por caras atraentes, demonstrando que os nossos padrões de beleza e atractividade são pelo menos em parte determinados evolutivamente.


A atractividade facial pode ser medida, e determinou-se que as características consideradas mais atraentes nas caras femininas são a simetria, lábios cheios, uma testa alta, cara larga, nariz pequeno, queixo pequeno, mandíbula estreita e recta, maçãs do rosto elevadas e olhos grandes ligeiramente afastados. 
Para os homens as características consideradas mais atraentes são a simetria, uma testa larga, parte inferior da cara relativamente mais longa, sobrancelhas e queixo proeminente, mandíbula forte e maçãs do rosto bem definidas.



Isto da atractividade não é só importante para nos ajudar a escolher com quem é que vamos fazer os bébés mais saudáveis.

Sistematicamente votamos nos líderes com as mesmas características faciais. Mandíbulas grandes, sobrancelhas e maçãs de rosto pronunciadas e testas altas são prevalentes em líderes eleitos.

Isto provavelmente terá mais uma vez a ver com robustez e saúde física. Em distritos com maior incidência de doença, os candidatos atraentes tinham o dobro da probabilidade de ganhar do que os candidatos menos atraentres.

Só como exemplo, o último presidente americano careca foi Dwight D. Eisenhower. Depois dele, e começando com o debate entre Nixon e Kennedy, todos os principais debates presidenciais foram filmados para a televisão, e desde então não houve mais nenhum presidente careca.



A tecnologia de reconhecimento facial tem evoluído imenso, e usa exactamente estas características faciais de que temos falado.

As distâncias entre os dois olhos, entre os olhos e o nariz, o comprimento do nariz, a relação do nariz com a boca, e outras características podem ser medidas automaticamente por software programado para o fazer, e depois comparadas a uma base de dados biométricos, possibilitando o reconhecimento automático e eficaz de caras.

Esta tecnologia têm evoluído imenso nos últimos anos e actualmente já são usadas técnicas de reconhecimento tridimensional (não é afectado por diferenças de luz nem pelo ângulo em que a cara é vista) e reconhecimento térmico (ignora óculos ou outros adereços)



Já usaram filtros do Snapchat, certo? Claro que sim. Aqueles que vos põem a parecer um cãozinho ou a chorar, ou o que seja. Horas e horas de divertimento.

O que o programa faz é essencialmente mapear a vossa cara e depois sobre esse mapa aplicar os filtros pré-definidos.


Então e aquela teoria de conspiração, de acordo com a qual o Snapchat estaria na realidade a criar uma base de dados gigantesca de caras de gente de todo o mundo (criminosos ou não) que depois pode vender ou dar a quem quiser que esteja interessado em seguir pessoas?

Uma boa maneira de escapar ao software de reconhecimento de caras é usar tatuagens, que interferem com o processo.

Até já existem tipos de tatuagens específicos foram desenhados para disromper o mais possível os programas de reconhecimento facial.

Futuro cyberpunk distópico, aqui vamos nós!






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