Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas
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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Porque é que os Profissionais de Saúde devem usar os telemóveis pessoais no local de trabalho


Deixem-me explicar-vos de que maneira isto não é estúpido.

Uma coisa que me irrita é quando as pessoas olham para as decisões do governo (reduzir pensões, cortar subsídios, diminuir férias, aumentar impostos) e o comentário que fazem é "Esta decisão não faz sentido, estes políticos devem ser estúpidos ".
Os políticos são muitas coisas, mas estúpidos geralmente não é uma delas. As decisões que tomam até fazem muito sentido se assumirmos que NÃO estão a ser tomadas para nos beneficiar.


Esta decisão de retirar os telefones aos centros de saúde é mais uma que corre o risco de ser vista como "uma estupidez".

Na prática o que acontece é que os telefones dos gabinetes médicos e dos enfermeiros deixam de ser capazes de fazer chamadas para o exterior, e para um médico usar o telefone tem primeiro de conectar-se à secretaria para lhe fazerem a chamada.

Esta medida de contenção de custos parte de dois pressupostos:

1 - Os custos de telefone são altos;
2 - Os enfermeiros e médicos usam os telefones do centro de saúde para fins pessoais;


Na realidade, devido a um erro administrativo,
todos os telefones são encastrados a ouro e diamantes.

Pegando por exemplo na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, podemos ver que quem lhes trata dos telefones é a MEO. Ora a MEO fornece chamadas sem limite grátis nacionais com um custo mensal fixo de 4€.

Mesmo assumindo que o Ministério da saúde não consegue um negócio melhor com a MEO, o custo mensal em chamadas telefónicas não depende do número de chamadas nem da duração das mesmas.

Portanto nem os custos de telefone são altos, nem dependem das chamadas que são feitas, o que invalida o pressuposto 1 e significa que esta medida não vai poupar nada.

Retirar os telefones aos médicos e enfermeiros na prática só vai criar mais um obstáculo ao normal funcionamento do dia-a-dia, irritando-os, aumentando a frustração ainda mais e fazendo com que estes profissionais não queiram trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS).


O pressuposto 2 parece saído de um filme de comédia americano dos anos '90, nos quais os pais de uma rapariga adolescente a impedem de fazer chamadas porque ela está sempre a falar com as amigas.

Virtualmente todos os profissionais de saúde têm, hoje em dia, um telemóvel pessoal. Muitas vezes comprado com o dinheiro que o estado lhes paga ao fim do mês, pela sorte de poderem trabalhar no paraíso que é um centro de saúde português.

Ninguém pensa, de facto, que os tempos de espera e custos associados ao SNS acontecem porque os médicos usam os telefones dos seus gabinetes para mexericar acerca do novo suplemento vitamínico que a Dona Clotilde está a usar esta semana.

Era DESTE tamanho!
Ou pelo menos não pensavam até ter saído esta notícia.

Como é sugerido pelas notícias, isto de telefonar às pessoas custa dinheiro. E os profissionais de saúde, como funcionários públicos que são, gostam de ''exercer a sua actividade profissional''. Ou, em linguagem reconhecida pelos jornalistas do Correio da Manhã, gostam de ''esfolar o contribuinte''.

Mesmo que esta medida não fosse aplicada, de tão ridícula e inútil que é, já tinha servido o seu propósito que é colocar na mente colectiva da população que os médicos são uns calões e que o SNS não presta.

Ou seja, esta medida não é estúpida, nem é sem-sentido.

Esta medida não é mais do que propaganda que tem por objectivo descredibilizar a classe médica e facilitar ao governo a tarefa de desmantelar o SNS.

Alguém andou a ler o meu guia de como Destruir o Serviço Nacional de Saúde para Tótós.


Na realidade eu devia era estar contente com esta medida.

Os médicos e enfermeiros, às vezes, tentam ligar aos doentes para recordar questões relacionadas com a saúde dos mesmos, assim como para os convocar para consultas. Estas questões ocupam tempo valioso dos profissionais, que poderiam estar a consultar calmamente o facebook no seu telemóvel pessoal. A consulta do facebook resulta em diminuição do stress dos profissionais, e prevenção do burnout. 

Ligar à Dona Clotilde, que metade das vezes não atende o telefone, e quando atende, é surda que nem uma porta, desgasta os profissionais. Fazer like no post do facebook da filha da D Clotilde, quando ela se queixa do tempo que perde nas Urgências com a mãe, é muito menos desgastante! E mais barato também!
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domingo, 10 de maio de 2015

O Segredo

Ontem tive uma experiência que mudou a minha vida.
Slowly but surely, todos os dias mudam a nossa vida. Mudam tanto que um dia somos enterrados no solo, no jardim das tabuletas. Mas antes que isso aconteça, quero falar sobre uma epifania que eu tive, em que me apercebi, por acaso, de um dos segredos mais bem guardados da humanidade.

E não é como se fosse uma coisa desconhecida, é praticamente do senso comum, mas baseia-se em ferramentas fundamentais da nossa mente, que usamos diariamente, mas que não damos atenção suficiente. Quando vos contar o segredo, vão perceber que sempre o souberam. Mas há uma diferença entre ler um livro que está guardado na nossa biblioteca, e termos sublinhado o mais importante do texto, sabendo as nossas passagens preferidas de memória. O uso que lhe podemos dar, o impacto na nossa vida!

Mais do que isso, este é um segredo milenar, que pode bem ter sido parte essencial da base da construção da civilização humana como a conhecemos hoje. Acredito que o primeiro macaco que começou a usar deste segredo, começou uma reacção em cadeia que pode ter gerado impulsos humanos tão primordiais como o altruísmo e o egoísmo, conceitos tão negativos como a xenofobia e o racismo, coisas como o sentido de humor, e ajudou mesmo a moldar as artes do espectáculo moderno. Mas as implicações reais são inimagináveis.

O segredo é que se quiseres muito uma coisa ela vem ter contigo.


44 linguas, 21 milhões de cópias, 300 milhões em vendas (só do livro)

E agora dizer a quem não percebeu o segredo, que explicar-lho não ajudaria nada.
(ler o livro também não)
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quinta-feira, 19 de março de 2015

Destruir o Serviço Nacional de Saúde para Tótós

Imagine que é o governante corrupto de uma república das bananas à beira mar plantada.
Como governante corrupto, o seu objectivo não é governar, mas sim roubar para si e para os seus amigos. Isto é importante. Não se ponha com conversas ou pretensões de moralidade, se você foi para o governo foi com o único proposito de roubar a maior quantidade de dinheiro possível.

Um dos lugares onde pode roubar mais é no Serviço Nacional de Saúde, com o benefício adicional de ajudar os seus amigos e o bónus de fragilizar ainda mais a população.

Vou agora explicar-lhe como o pode fazer em 6 passos simples, e só precisa de uma crise económica global para culpar e para mascarar a sua estratégia.


Passo 1 - desestabilizar os cuidados de saúde primários

Os cuidados de saúde primários são a mais importante componente de um serviço nacional de saúde, portanto são claramente o nosso ponto de partida.

Cada vez que um médico de família se reformar, em vez de abrir uma vaga para o substituir, passe os seus doentes para os outros médicos, aumentando as suas listas de 1500 para 1900 doentes. Não só paga menos salários, como sobrecarrega os médicos que restam, e aumenta os doentes sem médico.
Pode ainda atribuir mais tarefas burocráticas (como atestados para cartas de condução) aos médicos de família, para reduzir ainda mais a sua capacidade de resposta.



Passo 2 - desestabilizar os cuidados de saúde secundários

Pensava que nos íamos ficar pelos primários? Não, vamos destruir tudo!

Já que os cuidados de saúde primários estão com resposta insuficiente, as pessoas vão começar a recorrer mais aos cuidados hospitalares, sobretudo às urgências.
Portanto vai tirar médicos das enfermarias e dos seus trabalhos especializados para tratar de problemas e urgências que podiam ser tratados nos centros de saúde. 
Isto aumenta os custos de saúde obviamente, mas isso é uma coisa boa, como veremos mais à frente.
Pode aproveitar e ainda reduzir as comparticipações dos tratamentos hospitalares e aumentar o custo de acesso às urgências.

Entretanto os idosos internados nas enfermarias morrem, o que não é mau porque assim há menos reformas para pagar. 



Passo 3 - fortalecer os cuidados de saúde privados

As pessoas queixam-se que os hospitais não funcionam bem, que os cuidados nas enfermarias são maus os tempos de espera nas urgências são demasiado grandes, o Serviço Nacional de Saúde tem fama de ser demasiado dispendioso. 

Tudo isto são problemas que você mesmo criou em primeiro lugar e que agora lhe permitem fazer várias coisas.

Como as pessoas estão insatisfeitas com os serviços de saúde públicos, vão recorrer às clínicas e hospitais privados (dos amigos).
Como há pessoas que não querem ou não podem ir ao privado, e o Serviço Nacional de Saúde é insuficiente e tem fama de ser dispendioso, pode fazer contratos (pagos com os impostos das pessoas) para as pessoas irem ter cuidados de saúde a hospitais privados (dos amigos).

Não interessa que estas estratégias sejam mais dispendiosas para o país a curto e longo prazo. Lembre-se, o seu objectivo é roubar, não é ser coerente. 



Passo 4 - enfraquecer a classe médica

Um problema com os médicos é que têm a mania que são alguma coisa de especial, que são importantes para as pessoas e que prestam um serviço essencial ao país.
Adicionalmente enquanto está dependente de um número limitado de médicos para prestar cuidados de saúde, tem pouca margem de manobra e tem de ceder com mais facilidade às exigências desses poucos médicos.
Estas coisas são problemáticas porque de vez em quando os médicos chateiam-se e fazem greves e isso é chato porque aparece nas notícias, e as pessoa zangam-se e você tem de roubar um bocadinho menos durante algum tempo. 
Portanto é importante enfraquecer a classe médica. 

Se tiver os media no seu bolso (e que raio de governante corrupto é você se não tiver?) pode tomar medidas que na prática têm pouco ou nenhum impacto, mas que quando aparecem nas notícias transmitem uma ideia errónea que as pessoas não têm a informação necessária para distinguir da realidade


"os médicos agora tem de trabalhar 40 horas por semana" quando na realidade a vasta maioria já o fazia, e o que as pessoas pensam é que os médicos não querem trabalhar.
"todas as ofertas aos médicos têm de ser declaradas nos impostos" quando na realidade de vez em quando recebiam uns ovos de um doente e umas canetas feias, e o que as pessoas pensam é que os médicos andavam todos a receber carros por debaixo da mesa.
"Os médicos recebem fortunas para trabalhar nas urgências" e às vezes nem sequer querem aceitar esse dinheiro, quando na realidade esse dinheiro está a ser pago às empresas privadas (dos amigos) que os contratam com a mesma remuneração de sempre.

Pode ainda incomodar os médicos e dificultar-lhes a vida implementando controlo biométrico de assiduidade (mesmo em Unidades de Saúde Familiar, que funcionam por objectivos e não à hora). Pode poupar dinheiro (que pode depois roubar) em programas informáticos que funcionam mal para lhes atrasar as consultas e fazê-los parecer incompetentes em frente aos doentes.
Até lhes pode começar a baixar os salários, com a desculpa de que estão a perder eficiência (quando na realidade essa eficiência é medida por fasquias que você mesmo impõe de maneira a serem impossíveis de atingir).



Tudo isto com o objectivo, naturalmente, de dificultar o trabalho dos médicos no SNS e para os obrigar a reformarem-se ou a mudarem-se para o privado (que, mais uma vez, de certeza que vai dar um cabeçalho espectacularmente enviesado "Médicos recusam trabalhar no SNS").

Outra coisa inteligente que pode fazer é transformar os médicos num recurso abundante e, portanto, sem poder reivindicativo. Como é que faz isto?

Aumentando o número de faculdades de medicina e não regulando de todo o número de vagas, de maneira a produzir mais recém-licenciados em medicina do que o que sabe fazer com eles.
Até pode, se quiser, e sempre sob a desculpa de que existe falta de médicos (problema que você mesmo criou), abrir faculdades de medicina privadas (dos amigos).
Desta maneira, daqui a uns 4-5 anos quando todos estes internos se especializarem, você mantém o número de vagas de trabalho reduzidas, e assim pode ter imensos médicos à procura de emprego. Nessa altura você pode começar impôr toda e qualquer restrição que queira, porque a procura é muita e a oferta pouca, e nessa situação o poder está do lado de quem oferece.



Passo 5 - Criar uma nova classe de médicos

Finalmente pode construir toda uma nova classe de médicos formatados e treinados para servirem os seus propósitos.
Dado que o seu objectivo é ter o menor número de médicos possíveis a fazer o maior número possível de consultas, precisa de médicos com uma enorme capacidade de fazer consultas e de trabalhar para os números. Não importam na realidade os cuidados preventivos, o planeamento familiar, a saúde materna, a saúde infantil, o seguimento de doenças crónicas. O que você quer é que as pessoas não fiquem em casa muito tempo constipados e que vão trabalhar o mais depressa possível.

Pode então alterar a formação dos médicos de família de maneira a pôr de lado um treino virado para a compreensão inteligente e cuidados de qualidade, focando ao invés disso o trabalho direccionado por números e de decoranço.

Desta maneira não só estimula ainda mais médicos a irem para o privado, como garante que os que ficam são os autómatos que precisa para verem doentes a metro.



Passo 6 - Colher os benefícios

Portanto o que é que conseguiu atingir com esta estratégia?

Desorganizou completamente a estrutura do Serviço Nacional de Saúde, reduzindo a capacidade de resposta tanto de hospitais como de centros de saúde, de maneira a que os centros de saúde se tornaram em repartições públicas e os hospitais estão focalizados no tratamento urgente de problemas pouco graves.
Isto faz com que as pessoas deixem de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e passem a recorrer aos hospitais privados dos seus amigos.
Conseguiu também cortar as comparticipações nas despesas de saúde dos doentes, ao mesmo tempo que direcciona os seus impostos para dar dinheiro aos hospitais privados dos seus amigos.
Por causa destes problemas todos e da desorganização completa da saúde, as pessoas têm de recorrer a seguros de saúde (das seguradoras dos amigos).
Conseguiu afastar os médicos dos empregos seguros do estado e direccionou-os para a precaridade do trabalho privado (dos amigos), e reduziu enormemente a influência que pudessem ter na população.
Até conseguiu dar faculdades de medicina privadas para os seus amigos.

As pessoas começam a morrer imenso, mas pode pôr a culpa no tempo.

A cereja em cima do bolo é que uma população com menos saúde, mais preocupada com as doenças dos filhos e dos idosos, não sai tanto à rua para se manifestar!



Portanto resta tanto dinheiro para si e para os seus amigos que pode agora viver o resto da sua vida a subsistir exclusivamente numa dieta de lagosta recheada de lagosta, cocaína e prostitutas.

Não perca ainda os nossos outros guias práticos:
"Destruir o Ensino em Portugal para Tótós"
"Destruir a Indústria Nacional e Mercado de Trabalho para Tótós"
"Vender o País à China e fugir para um Paraíso Fiscal para Tótós"


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Testículos

Podem não saber isto, ou nem sequer alguma vez terem pensado nisso, o que não seria de todo estranho dado que também não é algo em que eu quereria pensar.
Mas por vezes o meu dia de trabalho começa com a possibilidade de afagar os testículos de outro homem.

Não é que seja incrivelmente frequente, porque até nem é. Mas para mim já aconteceu vezes demais. Ou seja, mais do que uma.
Não gosto particularmente de tocar nos testículos de homens estranhos! Acho que é razoável.



Não tenho nada contra testículos, ou sequer contra tocar em testículos (aliás é uma coisa que recomendo), e nem sequer contra o gosto de tocar em testículos.
Sabe Deus que eu já andei a mexer nos meus! "Que é  isto? Isto é muito estranho! Mas é bom de uma maneira que não me parece certa. Olha olha! O escroto esta a mexer-se sozinho" com Deus ao meu lado, a ver (porque está em todo o lado).

Não, a mim o que me incomoda é ter de mexer nos tomates de estranhos. Logo pela manhã. Não sei se à tarde seria melhor, mas não consigo deixar de achar que de manhã é pior.


É embaraçoso para o doente, é chato para mim que tenho de ir buscar uma luva e andar a enfiar o dedo no escroto de outro homem.
Sabem como é o exame objectivo de uma hérnia inguinal, sabem? Não é agradável para ninguém envolvido!

Não é que me incomode de sobremaneira! Até já fiz coisas piores. Mas afagar os tomatinhos de um obeso logo a seguir ao pequeno almoço... eh pá...


Porque nem sequer é preciso a maioria das vezes! Nunca apanhei uma torção testicular aguda, nunca apanhei um tumor que ia destruir a vida do homem se eu não o diagnosticasse cedo.

Já meti o dedo no cu de muita gente, mas também já apanhei massas rectais suspeitas, hemorragias activas, próstatas pétreas, etc. Pude pensar: "Enfiar o meu dedo no cu de outra pessoa valeu a pena! Foi uma acção válida, com valor social e médico comprovado, e merecedora do meu tempo"



Nem sequer consigo ter o mesmo sentimento minimamente compensador em relação a mexer nos tomates de outro homem. A única coisa que me passa pela cabeça é "OH MEU DEUS PORQUE É QUE EU TENHO DE FAZER ISTO!?".

O que eu apanho quando faço palpações testiculares são homens de meia idade, geralmente bem aprumados, a quem disseram quando eram mais novos que era feio tocarem em si mesmos, e então quando chegam a uma idade em que já não têm sexo com a mulher que têm há vinte anos e começam a dedicar-se à nobre arte da masturbação é que notam "Olha! Há aqui para baixo coisas que eu nunca tinha reparado!"



E pensam em cancro. É claro que pensam em cancro! Porquê pensar em qualquer outra coisa quando se pode pensar em cancro? Porquê passar pelas preocupações de "estará inflamado?", "se calhar magoei sem dar por isso", "será uma infecção?", quando se pode perfeitamente atalhar directamente para "É cancro!"?
Ninguém vai ao médico com medo de ter uma gonorreia. Vão quando estão a urinar pus e sangue.
Mas vão ao médico com medo de cancro. Ninguém se imagina a ter gonorreia, apesar de ser mais prevalente que o cancro testicular.

Não, se vão ter uma doença, é cancro!



E é engraçado ver homens com medo de cancro! As mulheres com medo de cancro lidam com esse medo, pegam nele, assumem-no, expõem-no sem hesitação. Porque estão habituadas a ligar com emoções intensas. Porque têm um medo muito saudável e real do cancro! Cancro da mama, cancro do colo do útero! Sabem que estas coisas existem, que são frequentes e que merecem cautela e medo!

Mas os homens entram sem saber o que fazer ao seu medo "Eu, huh, pois... tenho aqui, quer dizer, sinto uma coisa... Acho que é uma emoção. E é forte. Acho que é medo. Não sei bem o que fazer com isto, mas lembrei-me que como você é médico talvez me possa ajudar com isto"

E lá tenho eu de empatizar com o homem, e reflectir as emoções dele para estabelecer uma ligação terapêutica, para lhe poder dizer de uma maneira que não o deixe mais desconfortável ou a sentir que eu não o levei a sério ou, pior ainda, que saia preocupado à mesma, que eles não só não tem nada como aquilo que ele sente é uma parte da anatomia normal deles na qual simplesmente nunca repararam.



Obviamente que ficam contentes por não terem cancro! Mas quando isso passa ficam ali com os tomates na mão a sentirem-ser embaraçados porque os vieram mostrar a um estranho!

E eu penso para mim mesmo "vá, são só uns testículos, é só anatomia, tens uma luva, sê profissional, aparenta estares aborrecido" mas a verdade é que nunca consigo estar indiferente.

E vou para casa a pensar nisso durante uns dias. E no fim penso se o doente também pensa em mim da mesma maneira...


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je Suis Charlie


Porque lutamos contra o Papão.

Porque nos rimos do Papão.

Porque noutras circunstâncias podíamos ser nós.




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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Collected ramblings of a madman

''Isto é algo que as pessoas precisam de saber. Alucinar não é ver gafanhotos gigantes a passearem de mão dada com elefantes cor de rosa. É muito mais pessoal. É perceber que o teu nariz é a coisa mais estranha da tua cara. É interpretar alguma coisa que esteve à tua frente a vida toda, hoje está totalmente diferente. Ver que os teus dedos são curtos demais em relação à memória que tens deles, que a explicação e os porquê se esvai entre eles. Alguma coisa que sentes. Não é necessariamente alguma coisa que vês.

Dizes que alucinar é uma percepção sem objecto, que me refiro distorções de percepção/pensamento. Digo-te que essa divisão é artificial, as experiências sensoriais são integrais com a percepção. Porque têm apenas um observador.

The shadows flicker a lot more than usual, for a sun that has been shining all day. A luz à qual observas as tuas emoções também é diferente. Mais viva e carregada. 'Sentes' as tuas emoções como se elas não te pertencessem. Porque sentir alegria/elação/euforia, altera a maneira como te vês a ti próprio e o mundo que te rodeia. Se alguma coisa te tirar do centro dessa relação, consegues aperceber-te das mudanças subtis que as emoções operam na tua percepção de estímulos.
All the dials and levers working. Sentes-te como se tivesses sido alexitímico a vida toda. E também que apenas começaste a entender isto. Por isso não percas demasiado tempo com a luz. É apenas a luz da mesa de cabeceira, numa noite estranha, em que acordaste desgrenhado, fora de ti.
Levanta-te e anda. Anda ver o nascer do sol. Os raios laranjas a rasgas e a colorir as nuvens, os cirros coloridos de tons violáceos.

Dizes que falo de cortinas de fumo, de crenças sobrevalorizadas. Nada palpável. Mas não estou a fingir que sei do que estou a falar. Tento descrever impressões subjectivas. Só quero chamar à atenção que a periferia das tuas percepções encaixa de maneira cada vez mais aberrante na realidade. Um termo cuja substância se dilui numa poça, de onde nasce um arco íris. Se fechares os olhos, as cores aparecem.
E isto é só o princípio.''

''Consigo perceber o pânico de alguém que vê a sua cara pela primeira vez ao espelho, como se pelos olhos de outra pessoa. Produz um sentimento análogo a ouvir a minha voz numa gravação. Mas mais bizarro. Tenho que fazer a barba... Nós somos feios em comparação com a ideia que temos de nós próprios, metida atrás dos nossos olhos.''

''Quebra de continuidade. Ao longe o outono faz as árvores restolharem. O vento desenha caminhos por entre os arbustos e as ervas rasteiras, os gatos brincam uns com os outros num recanto. Subitamente percebes que tens dificuldade em evocar palavras. Linguagem.  Não é que as palavras não venham, se encurraladas, é só que se tornaram desnecessárias. As emoções são suficientes para interpretar o mundo à tua volta, com toda a complexidade e reactividade que a linguagem permite.
Não penso, mas sinto. Será que existi naquele momento? Será que interessa?''
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terça-feira, 19 de março de 2013

Divagações sobre Peixe

Estava a pensar em queijo...

Não!

Peixe!

Sim, peixe, era isso.

É raro as pessoas gostarem de peixe. A maioria das pessoas gosta de carne.
Mas agora que penso nisso, a maioria das pessoas não gosta realmente de carne. A maioria das pessoas gosta de hamburgers do McDonalds e de bifes bem passados, isso não é gostar de carne.


Carne bem passada sabe a sal e a gordura e o hamburger do McDonald's sabe a madeira.
Isto é um bife:


Mas estamos aqui para falar de peixe.

Ora peixe.

A maioria das pessoas prefere a carne ao peixe, e porquê, pergunto eu?
Porque o peixe não sabe a nada!

Vamos fazer aqui um parêntesis e assumir que estamos a falar da maioria das receitas normais que por aí andam. A maioria das pessoas que cozinha carne ou peixe, cozinha-os ao ponto em que deixam de ter sabor, e depois substitui o sabor natural da carne ou do peixe pelos temperos.
Pela minha vida nunca compreenderei porque é que as pessoas cozem carne até ela ficar cinzenta:


Mas peixe.

O peixe, quando cozinhado, sabe a muito pouco, e no geral não tem uma textura lá muito boa.
É ligeiramente esponjoso, molhado e gorduroso.
Não admira que as pessoas não gostem.

Mas toda a gente se sente na obrigação de comer peixe. Porque é Saudável!
E obrigam as crianças a comerem peixe, outra vez porque é Saudável!
Mas o peixe saudável não sabe a nada! Parece esferovite cozida!

E depois nasce toda uma indústria cujo único objectivo é fritar o peixe cozido, de maneira a que as crianças o comam, porque as crianças comem o que quer que seja, se estiver frito.


E os paizinhos ficam todos de consciência tranquila porque os filhos estão a comer peixe, que é Saudável, mesmo que tenha sido coberto em pão, gordura e depois frito.

Mas não foi sempre assim...
Lá muito para trás, quando éramos todos homens das cavernas e pescávamos, sabem o que é que comíamos?
Isto:


Este peixe tem sabor! Este peixe tem textura!
Quando éramos primitivos comíamos o peixe cru! E gostávamos!

Onde é que nos perdemos pelo caminho?
Aposto que houve um padre qualquer que achou que o peixe era demasiado saboroso, e que tínhamos demasiado prazer com o peixe, e então obrigou-nos a cozer o peixe para o tornar "saudável".

Mas não tenham medo, porque podemos recuperar o peixe!



Sushi!
Sim, sushi!

O Peixe Cru deixou de ser uma coisa normal para passar a ser uma iguaria! E é uma iguaria exótica! Vinda do oriente!
No sushi a textura e o sabor do peixe são realçados pelo sabor suave e subtil do arroz, com um toque ligeiramente salgado do molho de soja e o paladar indescritível do wasabi.
>salivação<

E o sushi é uma iguaria tão alienígena! É o que eu imaginaria diplomatas alienígenas a comerem, enquanto discutem planos para invadir a terra!


E não se esqueçam de ovas e caviar.
São, de facto, células reprodutoras de peixe, gâmetas de peixe.
É uma noção tão estranha! Comemos gâmetas de peixe.
Como é que se obtêm gâmetas de peixe?
Há pessoas cuja profissão é arranjar gâmetas de peixe. Que fazem a vida disso.

- Qual é a sua profissão?
- Eu masturbo peixes e depois recolho as suas células reprodutoras para você comer.

E se pensam que ele o faz de maneira aborrecida, com umas luvas de borracha azuis, não...
Ele fá-lo com carinho...

...

That's it, crossed the line, i'm out!
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pensamentos sobre Epidemiologia

Estou a ter um curso de epidemiologia.

Eu devia gostar de epidemiologia.

Gosto de ciência, e a epidemiologia é uma meta-ciência.
É uma ciência que estuda ciência. Procura padrões, sistemas, erros.

Devia ser interessante.

No entanto quando estou a ter aulas de epidemiologia sinto que alguém pôs a minha alma numa prensa e está lentamente a esmagá-la enquanto me falam de reversões lineares qui-quadráticas em testes de wald com valores-p pouco significativos.

Porque, e isto é interessante, a Epidemiologia não devia existir.

E não digo que não deva existir, acho muito bem que exista. Mas é estranho que continue a existir.

Um tema, à medida que sabemos mais acerca dele, à medida que o estudamos, tende a suscitar mais interesse acerca dele mesmo. O interesse que gera é uma medida de sobrevivência da ideia.
Uma ideia mais interessogénica tem mais probabilidade de sobreviver ao longo do tempo do que uma ideia menos interessogénica.

A Epidemiologia é interessolítica.

Não me interpretem mal! Eu acho que a Epidemiologia é de suprema importância, extremamente útil e essencial para o avanço do conhecimento humano.

Mas existe um limiar de interesse que qualquer ideia tem de ultrapassar para se manter viva. E a maioria das ideias tem tendência a aumentar lentamente o seu interesse e assim manter-se acima desse limiar.

A Epidemiologia é das poucas ideias que de facto activamente diminui o seu próprio interesse abaixo do limiar de interesse.
É uma ideia auto-destrutiva.

Daí surpreender-me que continue a existir.

E existem pessoas que gostam!!! Como!?

Mais uma vez, estas pessoas são extremamente inteligentes, determinadas, zelosas do seu trabalho, investidas. Tenho a certeza que se as conhecesse melhor ia descobrir que são pessoas maravilhosas e de todo não tão aborrecidas como imagino que só possam ser.

Mas o problema é que a Epidemiologia É interessante...

Tenho uma relação de amor/tédio-destruidor-da-mente com a Epidemiologia.
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segunda-feira, 21 de março de 2011

I wanna look good naked

Como tantos outros IAC, comecei a ir ao Ginásio. Pareceu-me boa ideia. Mexer-me um bocado. Prevenir doenças cardiovasculares. Ver umas meninas a trabalharem os adutores. Vários motivos. Todos válidos.
Mas os ginásios não são o que eu me lembro... pelo menos no que diz respeito ao ambiente.
No primeiro dia que lá fui, estive com um rapaz muito simpático, que sabia menos de fisiologia que o animal de estimação médio, que me explicou muitas coisas sobre a minha massa gorda. Lembro-me de pensar que aquela conversa devia funcionar espectacularmente com as gajas. Depois fomos para a passadeira rolante, onde tivemos a fazer conversa de café, sobre o tempo. E depois de testar várias máquinas ele deu-me um cartãozinho com o que eu devia fazer para ''hipertrofiar''. Que aparentemente é um verbo pessoal, aplicável a um qualquer vulgar cidadão.
E assim comecei a ''hipertrofiar''.
Coisas que me divertem enquanto hipertrofio:

- Raparigas esqueléticas a maltratarem a eliptica, enquanto umas gordas ficam no café, à entrada do ginásio, a comer folhados mistos.

- Raparigas gordas que de facto vão ao ginásio, e escolhem fatos justos para acentuarem as suas pregas, ficando com um aspecto parecido ao do boneco da michelin. Mais divertido, só quando elas se sentam naquelas bolas gigantes de pilates, e me fazem lembram bonecos de neve. Quase que dá vontade de lhes pôr uma cartola e um cachecol, e cantar Frosty the snowman.

- Mastodontes injectados de esteróides a levantarem pesos horizontais, com máscaras distorcidas por um misto de raiva e esforço. As veias do pescoço destes meninos são da espessura de dedos. Eles divertem-me, porque tem pernas iguais às minhas, que parecem canetas. Quando caem de costas têm dificuldade em retomar o ortoestatismo. É o problema do hipertrofiânço assimétrico, e um flagelo ocupacional de muitos porteiros de discoteca do nosso país.

-Raparigas boazonas que olham em todas as direcções enquanto as suas glândulas baloiçam em roupas que pouco deixam à imaginação. Só para depois fazerem olhares reprovadores e ofendidos quando algum coitado de facto olha para aquela armadilha bamboleante.

- Grupos de amigos a discutirem qual o produto mais impressionante em termos de ganho de massa muscular. Adjectivando-se de ''inchado que nem um porco'', para descreverem o objectivo a almejar. Acho que a nandrolona é o último grito.

- Jovens que depois do banho se secam em frente ao espelho. Epa, evitem isto. Se há coisa que eu dispenso é usar um lavatório ao lado de um Narciso que esfrega a genitalia, enquanto contempla o seu próprio reflexo, com um olhar embevecido. Não aprecio. São gostos, que se há-de fazer...

- Treinadores amigos que me vêm explicar como devo fazer abdominais. São como os vendedores que te vêm perguntar se precisas de ajuda, quando só queres estar em sossego a ler contracapas de livros que não valem o preço marcado. Não me chateiem. Chateiem a miuda gorda, que ela ainda rebenta a bola de pilates.
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Obsoleto

Costumo dizer que a minha é uma geração privilegiada (não deixamos de ser a geração à rasca, estou a falar de uma coisa diferente).

Eu, e os outros como eu, que nasceram na década de '80, vimos o surgimento dos computadores. Somos a última geração que poderá lembrar-se de uma altura em que não havia computadores em casa!

Crescemos com computadores, aprendemos a linguagem dos computadores.
E por linguagem não digo necessariamente programação, que é outro bicho completamente diferente. Digo saber mexer num computador, perceber se um problema vem da falta de RAM, ou de um programa mal instalado, só pela maneira como o computador se comporta.
É como aprender línguas estrangeiras ou música. Ou se aprende desde uma idade precoce e fica realmente integrada, ou nunca será mais que colado com cuspo no córtex pré-frontal.



É por isso que os nossos pais (ou qualquer geração anterior à nossa) tem imensa dificuldade em lidar com computadores.
Nunca aprenderam a linguagem de computadores, e tudo o que sabem foi decorado foneticamente, por assim dizer.
Imensas, imensas vezes uma tia minha, ou o meu pai, ou a minha mãe, vêm pedir-me para lhes ensinar a apagar as mensagens do telemóvel 3310, ou abrir o e-mail, ou pôr imagens no Word. Eu também não sei como se faz! Mas ando por ali a mexer e chego a uma solução.
Digo-lhes "é intuitivo!!!" mas só é intuitivo para mim, que aprendi a linguagem. Para eles é uma barreira intransponível.

Eu pensava que isto não ia mudar. Pensava que era privilegiado, e que nunca ia deixar de perceber intuitivamente de computadores.

Ah, the folly of youth...



Uma amiga minha arranjou um iPod Touch, e tinha aquilo cheio de aplicações, e queria livrar-se de algumas.
Andei eu, com ela, a vermos as definições to iPod, a tentar descobrir como se apagavam as apps, mas sem nenhum tipo de sucesso.
Finalmente desistimos, fomos ao google procurar como se fazia.

Encontrámos o seguinte.

Carrega-se no icon da aplicação, segura-se o dedo, e aparece uma cruzinha para apagar.
Tão simples como isso.

Qualquer puto de 15 anos teria lá chegado "intuitivamente".
Eu não cheguei lá. Fui ultrapassado.

Estou obsoleto.

Estou velho...
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O país das alforrecas

À medida que o tempo passa fico mais surpreendido com os adultos. Os seniores, if you will. Estou cansado de ouvir conversas de café sobre o quão mal isto está. Porque não haja dúvidas, o quão mal isto está já destronou há anos a meteorologia como tema mais debatido em ascensores, cafés, e à mesa do jantar. O quão mal isto está, ou o já viste onde isto chegou.

Isto realmente já chegou a um ponto que... estou farto desta treta. Parece moda andarem de um lado para o outro a lamuriarem-se sobre coisas. Porra. Calem-se. Isto está mal. Já sei. O governo não presta. Vem aí o FMI. A oposição é pior. Estão a cortar-nos o salário. Estão a cortar-nos os apoios. Os impostos estão a subir. O desemprego está a aumentar. Não há condições de trabalho. estão a destruir a saúde e a educação. As crianças estão mais estúpidas. O Benfica não está a jogar nada.

Esta é uma excelente época para lamúrias.
Eu não tenho problema nenhum com lamurientos. Tenho problemas com frustrados lamurientos. É verdade que muitas coisas não estão brilhantes... Por exemplo, no barreiro, hospital distrital, não há hemoculturas para anaeróbios. Por exemplo. É uma coisa básica que falta. Mas isto não incomoda muita gente, excepto os desgraçados que tiverem sepsis por anaeróbios. E esses normalmente estão calados. E depois é só uma questão de uma pessoa ter sepsis pelo bicho certo. Também não é assim tão dificil...
O que incomoda, e com toda a justiça, é a baixa de salários, a desvalorização das horas extraordinárias, é a carga de trabalho para lá do razoável, são os bancos de 24 h sem saída de banco, é a falta de comodidade no trabalho.

Isso é que mobiliza as pessoas para fazer reuniões para discutir maneiras de lutar contra a situação. Foi isso que aconteceu a semana passada, no meu local de trabalho. Fez-se a reunião, e decidiu-se que era melhor não fazer nada. Porque as horas extraordinárias podiam estar a ser mal pagas, mas as pessoas têm que pagar contas... e manter um determinado estilo de vida. Por isso é melhor não enfrentar administrações. Greves então, nem pensar. Fazem azia. Sindicatos, vade retro. Nunca na vida. Que nojo. Esses charlatões não querem é trabalhar.

Assim, ontem tive o prazer de ver as coisas voltarem ao que deviam ser. Fomos todos almoçar, e dizer mal do governo, da administração, dos MGF's, dos doentes e do vizinho do lado. Bandidos. Querem é roubar. Chupistas.

Fazer alguma coisa... epa, o que é que nós podemos fazer?
Nada, claro. Nós somos alforrecas. As alforrecas não reclamam. As alforrecas ficam na areia a secar ao sol, até que vem um puto de 5 anos, obeso, espetá-las com canivetes que apanhou da areia.
As alforrecas são bichos simpáticos que habitam em cada um de nós.

Lembro-me de duas frases: ''a democracia é o único sistema que garante que nenhum povo tenha um governo melhor do que merece'', e outra, dita por um espanhol radicado em Portugal, que trabalha comigo: ''Mijam-nos em cima, e temos que acreditar que chove.''

Vivam as lamúrias.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Primum Non Nocere

Existe este princípio ético que nos é inculcado durante todo o curso de medicina, que é o primum non nocere, que significa, basicamente "em primeiro lugar, não fazer mal".
É o princípio da não-maleficiência, de acordo com o qual a primeira preocupação para um médico será nunca prejudicar o seu doente.

Se pensarem bem no assunto, há qualquer coisa de perturbador nesta ideia.

Estão a dizer aos alunos de medicina, com muita veemência e muito ênfase, "Não façam mal aos doentes!!! Sobretudo não lhes façam mal! Preocupem-se sempre se não lhes estão a fazer mais mal que bem!"

Não deviam estar a dizer aos alunos de medicina: "Melhorem a vida dos vossos doentes! Ponham-nos melhores ainda do que estavam antes de ficarem doentes!"?

Eu sei que isto pode parecer idealista, mas consegue ser melhor que o realismo deprimente que é "Ao menos tentem não matar os vossos doentes!".

É como se um oficina de mecânicos, em vez de publicitar que "Pomos o seu carro como novo!", anunciasse orgulhosamente, com um sorriso e um piscar de olho, que "Prometemos que tentamos não destruir o seu carro!"

Que um mecânico não nos põe o carro pior do que estava está subentendido. A expectativa básica é que ele o conserte, o ideal é que o deixe melhor do que estava.

Anunciar, à partida, que não nos vão destruir o carro, não me parece uma boa estratégia publicitária.

É como os cartazes publicitários da Câmara Municipal de Lisboa que eu tenho visto pelas ruas ultimamente, que anunciam orgulhosamente que já não há esgotos não-tratados a desaguar directamente para o rio Tejo.

Ora se eu estivesse na Câmara Municipal de Lisboa e tivesse conseguido finalmente fazer com que não houvesse esgotos não-tratados a desaguar para o Tejo, o que eu definitivamente não fazia era anunciá-lo como se isso fosse o melhor do mundo! Calava-me muito bem caladinho com esperança que ninguém notasse que só agora é que isso tinha sido conseguido, e se alguém me perguntasse, respondia que não, nunca tinha havido esgotos não-tratados para o Tejo.

Se sentem necessidade de enfatizar Primum Non Nocere, isso dá a entender que acontece tantas, mas tantas vezes, um médico fazer mais mal que bem a um doente, que de facto se justifica fazer do Primum Non Nocere um dos pricípios éticos da medicina, e não o "Deixem o doente ainda melhor do que estava".

E isto não é especulação...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Epilogo - Vemo-nos em Tokyo

Segundo dia depois do Harrison. E consigo ver o dia acabar sem pensar em nada de especial.
A vida costumava ser assim.

Lembro-me do dia em que acabamos medicina 2 na gastro. Saímos do hospital eufóricos metemo-nos no carro e eu conduzi furiosamente até carcavelos para enfiar os dedos dos pés na areia. Acabou. No caminho fizemos um epilogo para cada um de nós. Como se o filme tivesse acabado, e estivesse na altura de dizer ao espectador brevemente o que aconteceu a cada personagem.

He walks into the curve, waves back, and fades, in an Autumn afternoon...

Já me sentia a desaparecer há algum tempo. Nos dias em que estive sozinho na fml a estudar rodeado de crianças a fazer trabalhos, a contornarem-me como se eu já lá não estivesse, a ignorarem os meus olhares reprovadores ao barulho que estavam a fazer. Já não pertencíamos ali. Éramos como emigrantes retornados à terra 40 anos depois, sem contactos pelo meio. Estava tudo ali, mas era como se nada fosse o mesmo. O mesmo que começou a aplicar-se às olimpíadas, meses antes.

Claro que sei que este não é o fim da linha, mas é o fim de alguma coisa. O início do fim de uma infância/adolescência demorada, sem dúvida. Ano a ano, o mundo torna-se cada vez mais real. As nossas personalidades estão cada vez mais cristalizadas. Nós vamos ser assim.
Ontem, no juramento oficializaram a coisa. Parabéns, disseram-nos. Vocês já não são o futuro.
Ninguém pode viver para sempre na Terra do Nunca.

Agora deixo de ser o sidekick ao lado do doutor que põe em causa cada decisão que ele toma, para começar a tomar eu mais decisões. E fazer as minhas asneiras, de certeza.
I'm sure we'll have fun.

Pelo meio ficaram milhares de memórias. Umas mais interessantes, a maioria aborrecida. As minhas, as nossas memórias. Isso é que interessa.
O que interessa é que cantámos o white rabbit e o american pie, nos intervalos da chuva.
E conseguimos ver a letra.

.
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domingo, 21 de novembro de 2010

Prioridades


Só para despachar as coisas importantes, o meta-Deus Héh Rhy-Söhn foi mais uma vez aplacado com o sacrifício de centenas de almas, e provavelmente não come o nosso universo durante mais um ano.

...

Imaginem um jovem. Um rapaz ou uma rapariga de uma determinada idade, entre os 10 e os 18 anos.
Este indivíduo jovem, no início da vida, tem imensas qualidades e características e idiossincrasias, mas para este exercício de pensamento basta-nos saber duas: é razoavelmente inteligente e razoavelmente bom a memorizar coisas.

Agora imaginemos que por qualquer razão este jovem se dedica aos estudos. Uma razão qualquer... seja porque os outros meninos foram cruéis com ele e ele decidiu que preferia ficar a estudar em vez de ir brincar, seja porque a mãe o sobre-protegia e ele ficava mais tempo em casa ou simplesmente porque era míope e por não conseguir ver tão bem à distância não era bom a jogar à bola e por isso preferia ficar em casa a estudar.

"Um bom empreendimento" pensará o leitor "ao menos não se meteu nas drogas!".

Este jovem dedica-se aos estudos, é inteligente, lê coisas, tem interesses mais intelectuais e eruditos que a média. Tem boas notas, tem sucesso na escola, os professores dizem boas coisas dele, os pais ficam todos orgulhosos e encorajam-no, a família fica orgulhosa e com uma ponta de inveja, porque os seus próprios filhos querem é jogar computador e jogar à bola e fumar umas ganzas.

O nosso jovem não, o nosso jovem é trabalhador e dedicado. Durante toda a adolescência vai investindo tempo no estudo, que podia ser usado a socializar, a aprender a relacionar-se com os outros, a explorar as suas emoções, a aprender a empatizar, ou muito simplesmente a masturbar-se (até isso seria mais saudável).

Entra na faculdade, para um qualquer curso de topo, prestigiante e com estatuto. Do tipo de curso onde nas primeiras aulas do ano, os professores dizem coisas como "vocês são a elite do país" e outras parvoíces do género.

Na faculdade o trabalho é mais exigente, é preciso dispender mais tempo e energia, fazer mais cedências das coisas de que se gosta. Talvez o nosso jovem gostasse de ver filmes, ou ler livros, ou tirar fotografias, ou sair à noite, ou masturbar-se.
Mas agora está na faculdade e tem de trabalhar e essas coisas pode fazê-las depois, porque agora o importante é estudar.

Até porque à volta dele há tantos outros como ele que trabalham tanto ou mais que ele, e estudam tanto ou mais que ele e que até (gasp!) têm notas melhores que as dele! Ele agora tem mesmo de estudar.

Há uma coisa engraçada acerca dos interesses... toda a gente pensa que os passatempos e os gostos e o divertimento é uma coisa na qual se cai naturalmente se não nos disciplinarmos a trabalhar.
Mas isso não é verdade. Os gostos e os interesses precisam de dedicação e amor e carinho como qualquer outra coisa. Se não os tiverem... definham, ressecam-se e depois morrem.

Quando o nosso jovem um dia chega a casa e já trabalhou tudo e já estudou tudo, e finalmente hoje tem tempo livre pode então... hum... pode... nada.
Descobre, talvez sem grande surpresa e com uma ponta de tristeza que não tem realmente nada para fazer. Já não têm interesses. Já não tem coisas que o entusiasmem.
Então o que é que vai fazer? Vai estudar um pouco mais! Assim até pode ter melhor nota!!!

E então o nosso jovem acaba o seu curso! Acaba-o com uma grande média, não tem dificuldade nenhuma em encontrar emprego e vai para um lugar de renome e estatuto.
E lá encontra outros como ele, ainda mais competitivos.
O que é que ele faz? Vai dedicar-se ainda mais ao trabalho, até porque não tem nada de mais interessante para fazer.

E este homem (entretanto já cresceu) é completamente vazio. Não tem interesses, não tem paixões, não tem personalidade.
E no entanto por ser excelente no que faz é considerado um exemplo para a sua geração. As mulheres querem-no e os homens querem ser como ele.


Digo-vos... como este exemplo eu conheço dezenas. Pessoas a sério, da minha faculdade. Tipos vazios, desinteressantes, frios, que não sabem o que é que andam cá a fazer. Mortos por dentro.

É triste, a sério que é.

E será que alguma vez tiveram escolha? Será que era tão simples como alguém se ter apercebido que o puto era míope e terem-lhe arranjado uns óculos para ele poder ir jogar à bola?

O que houve definitivamente foi um momento em que se lhes deparou a escolha entre priorizarem o divertimento e priorizarem o trabalho.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Isto não está morto!!!

O blog não está morto!

O mesmo não se pode dizer dos seus escritores, que por esta altura daqui a duas noites estarão prontos a comer cérebros.
Provavelmente os seus, mas quem é que está a prestar atenção.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Rei dos Cognomes

Creio que não abria o jornal Metro há meses para ler… Mas sim, este jornal traz-me recordações. Seja porque quando o lia mais foi na altura em que passava os dia na sala de alunos a jogar Magic e pôr musica, ou porque me faz recordar o Pedro Azevedo, que assinava sempre o jornal depois de preencher as palavras-cruzadas.

Mas há pouco voltei à minha bela prática, porque o tédio tomou conta de mim e as Tardes da Júlia matam mais o meu ser que o Goucha. Descobri então que já existe sucessão para Kim jong-il na Coreia do Norte. Nem vou discutir toda a parte politica e dos direitos humanos referente a este país, porque seria só uma repetição de tudo o que toda a gente diz (mesmo a que não faz ideia do que fala).

O que achei insultuoso (sim, insultuoso) foi descobrir que o sucessor, filho do actual líder, tem 1200 cognomes só porque sim. Imaginam o que demora a arranjar uma boa alcunha para alguém? O quanto se tem que observar e prestar atenção aos momentos? Foi fácil chegar ao nome Morsa ou Bichaninho Fofo? Quantas pessoas tive eu que activamente maltratar para me chamarem de Elaine?

E agora este palhaço só porque vai ser um líder coreano já tem 1200 cognomes cada um melhor que o outro. É óbvio que muitos deles são para pura compensação, pois ninguém me convence que quem tem como cognome “Eterno seio do amor ardente” não sofre de uma perturbação qualquer sexual. Agora eu também queria ser o “Divino guardião do planeta” e a “Estrela polar do século XXI”.

Quanto custará derrubar um país e tornar-me o seu “amado” líder?

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

fluxos misantrópicos (ah, mas que bem...)

Sim, acabei de abrir o word, para poder ir à procura de sinónimos à medida que escrevo...
é esse tipo de post... e o primeiro, by the way...

O dia acabou e sentes que te lixaram. Reformataram-te. Converteram-te. Catequizaram-te. Dizes a ti mesmo que tem que ser. Não queres. Mas tem que ser... e, claro, o espírito é forte, mas a carne é fraca, e a procrastinação está na ordem do dia, e ahahahah, enquanto lês mais uma piada do phd. No entanto, quando acabas, o espírito corre com a carne aos pontapés corredor fora, manda sentar a escara na cadeira da cozinha, e continuas a ler. a resublinhar. a fazer setinhas para a margem já cheia de apontamentos ilegíveis. a recitar de olhos fechados o que já leste. a ensandecer.

Nós faziamos piadas...acerca das pessoas estúpidas. ficavamos na conversa até tarde, e diziamos que iamos fundar uma religião. o culto do heh-rrhi-sohn, ou lá o que era. a virgem maria a ter sexo com um buda bonacheirão, e um pássaro empertigado a ver, num peitoril de uma janela de um mosteiro, enquanto a música se arrastava.
Lembro-me do primeiro dia em que pensei que não era assim tão descabido um ser humano perder o juizo depois de passar 80% do seu dia a decorar pergaminhos sagrados sob stress intenso. Falamos sobre isso. Rimos sobre isso.

E parece que descobri areia no deserto - A religião ja existia! toda a gente tem que prestar tributo diário, ou sente-se culpado de pecar contra a entidade no imediato, e será a longo prazo condenado ao inferno de MGF, a ser assado em lume brando com uma maça na boca por um bando de papalvos de fato que vêm anunciar a banha que a cobra deu o mês passado, não- a semana passada! e que estudos recentes controlados, randomizados, duplamente cegos, mas a espreitarem por baixo das vendas, mostram cada vez que um dos decrépitos do burgo não toma um dos feijões mágicos que eles vendem, um cachorrinho derrama uma lágrima... e és tu o responsável pelas lágrimas dos cachorrinhos! Mas tu queres que os cachorrinhos parem de chorar, mas não consegues mexer-te porque estás atado a um pau, nem gritar por causa da maça que te puseram na boca! enquanto isto tudo acontece perante os teus olhos, vem uma velha muito chata com uma forquilha e pica-te o rabo repetidamente, enquanto se queixa das artroses e te berra aos ouvidos que quer um TACO por causa das diabetes!!!!
AAAAAAAAAHHhhh!! Belzabu! Vade retro! livra-te do inferno de MGF.

benze-te 3 vezes. lê três páginas. faz três perguntas.

aceita que não podes controlar tudo. rende a tua vontade própria ao juri de exame. aceita que nenhum método é perfeito. Só a entidade. os métodos são terrenos. a entidade é imaterial. ela é espírito puro.
Que nunca seja derrotado o peregrino que argumenta com as palavras textuais da entidade. Amén. Que seja fulminado por mil raios o cão impuro que começar qualquer frase com:
''Mas aqui neste outro capitulo, diz que...''

benze-te 3 vezes. lê três páginas. faz três perguntas.

ah, e acerca dos sinónimos e o tolstoi e o dostoievski, faziam o mesmo! Sacanas, abriam o word, e iam á procura dos ismos mais cismadores que davam às suas cogitações o semblante mais arguto do neorealismo cosmopolita rock progressivo-burguês. e depois diziam que eles é que se lembrado daquela porra toda... exacto... originais
a minha pequena piada aos ladrões do fogo... quero dizer, às pataniscas satânicas. :)
Agora tenho que me ir vargastar enquanto recito salmos.
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Incompetência vs Ditadura



Eu costumo queixar-me que a maioria dos funcionários da função pública (sobretudo os políticos) é extremamente incompetente.
Também já disse muitas vezes que enquanto não se resolver o problema da corrupção, qualquer outra medida de reforma social ou legal é completamente inútil.

No entanto apercebi-me há pouco tempo que é exactamente a ganância e incompetência dos nossos governantes que nos garante que dificilmente cairemos num estado ditatorial ou totalitarista.

Uma ditadura dá muito trabalho a organizar. Custa dinheiro e tempo e recursos.

Porquê fazer uma ditadura quando é muito mais fácil simplesmente chegar ao governo, aproveitar a incompetência e desorganização gerais, e sem grande dificuldade roubar tudo o que se quiser?

Não vale a pena ser-se totalitarista! Isso só dá dores de cabeça.

Quando aparecem pessoas com mania de controlo e organização, que querem pôr ordem nisto tudo, é que surgem as ditaduras.

Portanto eu digo que venha a corrupção e a desorganização! Mais ainda!

Se já vimos que governantes honestos e liberais são impossíveis de acordo com as leis da física (assim como viajar mais depressa que a luz), então prefiro governantes gananciosos e incompetentes qualquer dia da semana, se a alternativa são governantes totalitaristas!
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domingo, 29 de agosto de 2010

Um Blog Novo!!!!

E porquê um blog novo?

Porque eu nunca tive um blog só meu!

E aparentemente ainda não é desta, porque este é partilhado com mais duas pessoas!

Pessoas essas que eu espero que se dignem a aparecer por aqui em pouco tempo para começarem a postar coisas, para não ser sempre eu sozinho a escrever aqui!

E porquê escrever de todo?

A maioria dos outros bloguistas provavelmente dirá que tem algo de válido a dizer, algo de útil a contribuir, algo de interessante a partilhar com o mundo.

Eu estou aqui pelos lulz!

Portanto despedi-me oficialmente do outro blog e agora vou passar a escrever aqui permanentemente!

Que a insanidade comece!!!
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