When the zombie apocalypse starts, go to the graveyard to play the best game of whack-a-mole ever!
Pataniscas Satânicas
sábado, 25 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Porque é que os Profissionais de Saúde devem usar os telemóveis pessoais no local de trabalho
Deixem-me explicar-vos de que maneira isto não é estúpido.
Uma coisa que me irrita é quando as pessoas olham para as decisões do governo (reduzir pensões, cortar subsídios, diminuir férias, aumentar impostos) e o comentário que fazem é "Esta decisão não faz sentido, estes políticos devem ser estúpidos ".
Os políticos são muitas coisas, mas estúpidos geralmente não é uma delas. As decisões que tomam até fazem muito sentido se assumirmos que NÃO estão a ser tomadas para nos beneficiar.
Esta decisão de retirar os telefones aos centros de saúde é mais uma que corre o risco de ser vista como "uma estupidez".
Na prática o que acontece é que os telefones dos gabinetes médicos e dos enfermeiros deixam de ser capazes de fazer chamadas para o exterior, e para um médico usar o telefone tem primeiro de conectar-se à secretaria para lhe fazerem a chamada.
Esta medida de contenção de custos parte de dois pressupostos:
1 - Os custos de telefone são altos;
2 - Os enfermeiros e médicos usam os telefones do centro de saúde para fins pessoais;
Pegando por exemplo na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, podemos ver que quem lhes trata dos telefones é a MEO. Ora a MEO fornece chamadas sem limite grátis nacionais com um custo mensal fixo de 4€.
Mesmo assumindo que o Ministério da saúde não consegue um negócio melhor com a MEO, o custo mensal em chamadas telefónicas não depende do número de chamadas nem da duração das mesmas.
Portanto nem os custos de telefone são altos, nem dependem das chamadas que são feitas, o que invalida o pressuposto 1 e significa que esta medida não vai poupar nada.
Retirar os telefones aos médicos e enfermeiros na prática só vai criar mais um obstáculo ao normal funcionamento do dia-a-dia, irritando-os, aumentando a frustração ainda mais e fazendo com que estes profissionais não queiram trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O pressuposto 2 parece saído de um filme de comédia americano dos anos '90, nos quais os pais de uma rapariga adolescente a impedem de fazer chamadas porque ela está sempre a falar com as amigas.
Virtualmente todos os profissionais de saúde têm, hoje em dia, um telemóvel pessoal. Muitas vezes comprado com o dinheiro que o estado lhes paga ao fim do mês, pela sorte de poderem trabalhar no paraíso que é um centro de saúde português.
Ninguém pensa, de facto, que os tempos de espera e custos associados ao SNS acontecem porque os médicos usam os telefones dos seus gabinetes para mexericar acerca do novo suplemento vitamínico que a Dona Clotilde está a usar esta semana.
Ou pelo menos não pensavam até ter saído esta notícia.
Na realidade, devido a um erro administrativo, todos os telefones são encastrados a ouro e diamantes. |
Pegando por exemplo na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, podemos ver que quem lhes trata dos telefones é a MEO. Ora a MEO fornece chamadas sem limite grátis nacionais com um custo mensal fixo de 4€.
Mesmo assumindo que o Ministério da saúde não consegue um negócio melhor com a MEO, o custo mensal em chamadas telefónicas não depende do número de chamadas nem da duração das mesmas.
Portanto nem os custos de telefone são altos, nem dependem das chamadas que são feitas, o que invalida o pressuposto 1 e significa que esta medida não vai poupar nada.
Retirar os telefones aos médicos e enfermeiros na prática só vai criar mais um obstáculo ao normal funcionamento do dia-a-dia, irritando-os, aumentando a frustração ainda mais e fazendo com que estes profissionais não queiram trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O pressuposto 2 parece saído de um filme de comédia americano dos anos '90, nos quais os pais de uma rapariga adolescente a impedem de fazer chamadas porque ela está sempre a falar com as amigas.
Virtualmente todos os profissionais de saúde têm, hoje em dia, um telemóvel pessoal. Muitas vezes comprado com o dinheiro que o estado lhes paga ao fim do mês, pela sorte de poderem trabalhar no paraíso que é um centro de saúde português.
Ninguém pensa, de facto, que os tempos de espera e custos associados ao SNS acontecem porque os médicos usam os telefones dos seus gabinetes para mexericar acerca do novo suplemento vitamínico que a Dona Clotilde está a usar esta semana.
![]() |
Era DESTE tamanho! |
Como é sugerido pelas notícias, isto de telefonar às pessoas custa dinheiro. E os profissionais de saúde, como funcionários públicos que são, gostam de ''exercer a sua actividade profissional''. Ou, em linguagem reconhecida pelos jornalistas do Correio da Manhã, gostam de ''esfolar o contribuinte''.
Mesmo que esta medida não fosse aplicada, de tão ridícula e inútil que é, já tinha servido o seu propósito que é colocar na mente colectiva da população que os médicos são uns calões e que o SNS não presta.
Ou seja, esta medida não é estúpida, nem é sem-sentido.
Esta medida não é mais do que propaganda que tem por objectivo descredibilizar a classe médica e facilitar ao governo a tarefa de desmantelar o SNS.
Alguém andou a ler o meu guia de como Destruir o Serviço Nacional de Saúde para Tótós.
Na realidade eu devia era estar contente com esta medida.
Mesmo que esta medida não fosse aplicada, de tão ridícula e inútil que é, já tinha servido o seu propósito que é colocar na mente colectiva da população que os médicos são uns calões e que o SNS não presta.
Ou seja, esta medida não é estúpida, nem é sem-sentido.
Esta medida não é mais do que propaganda que tem por objectivo descredibilizar a classe médica e facilitar ao governo a tarefa de desmantelar o SNS.
Alguém andou a ler o meu guia de como Destruir o Serviço Nacional de Saúde para Tótós.
Na realidade eu devia era estar contente com esta medida.
Os médicos e enfermeiros, às vezes, tentam ligar aos doentes para recordar questões relacionadas com a saúde dos mesmos, assim como para os convocar para consultas. Estas questões ocupam tempo valioso dos profissionais, que poderiam estar a consultar calmamente o facebook no seu telemóvel pessoal. A consulta do facebook resulta em diminuição do stress dos profissionais, e prevenção do burnout.
Ligar à Dona Clotilde, que metade das vezes não atende o telefone, e quando atende, é surda que nem uma porta, desgasta os profissionais. Fazer like no post do facebook da filha da D Clotilde, quando ela se queixa do tempo que perde nas Urgências com a mãe, é muito menos desgastante! E mais barato também!
Publicada por
Gui
às
19:26:00
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medicina,
rant
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
O Padrinho do Harry Potter mora com a irmã no nosso bairro
Nós não fomos feitos para avaliar distâncias até à lua. 384 mil km é de difícil de conceber. Lidamos melhor com distância que de facto percorremos. 'Até Lisboa', 'até ao Algarve', 'até aos EUA'.
Da terra à lua, são 30 diâmetros terrestres. Conseguimos entendê-los abstractamente, da mesma maneira que tentamos imaginar outros números muito mais substanciais...
A distância da terra ao sol, 11.000 diâmetros terrestres, é um número muito maior. Mas qual é a diferença entre eles? Incluem-se os dois numa categoria que vamos chamar ''mesmo muito longe''.
A distância do sol à próxima estrela, Proxima Centauri, é de 4,22 anos luz. Por esta altura, as distâncias são tamanhas, que temos que começar a usar como unidade de medida, a distância que a luz percorre num ano. Que são 9.460.528.400.000 km...
As estrelas estão todas mesmo muito longe. A distância a Proxima Centauri e a distância à galáxia de Andrómeda, são ambas ''mesmo muito longe''. Mas são diferentes por muitas ordens de grandeza. Talvez por isso, a grande maioria de nós não tem ideia da localização geográfica relativa de um punhado de estrelas no nosso ''bairro''.
Este mapa tem grandes expectativas em relação à minha capacidade de imaginar coisas no espaço... e de decorar símbolos que não me dizem nada...
Vamos tentar mudar isso...? Como? Tentando ligar uma reacção emocional a duas ou três estrelas. Que era o método dos antigos. Nós não esquecemos algo a que associamos uma história.
No topo esquerdo da imagem acima, temos Procyon, ou Alpha Canis Minoris. Fica ''apenas'' a 12 anos luz, é uma estrela branca e fácil de encontrar, no triângulo de inverno:
O Triângulo de Inverno fica por cima de Orion, o quadrado com 3 estrelas no meio e Canis Major.
Procyon é a estrela alpha da constelação Canis Minor.
É uma cadela branca, pequena, que faz parte do triângulo de inverno, como o irmão mais velho, Canis Major, da qual faz parte Sirius, ou Alpha Canis Majoris, a estrela mais brilhante do céu nocturno. Sirius também mora no nosso bairro, a ''apenas'' 8,6 anos-luz.
Nesta imagem de Canis Major, tentem imaginar que Sirius é o olho do cão, a estrela à sua direita o focinho, e o triângulo abaixo, as patas. Sirus... onde é que eu já ouvi isto?...
Nesta imagem podemos ver o triângulo de inverno, com os dois cães do céu, Canis Major e Canis Minor:
No meio dos cães e de Orion, temos a constelação Monoceros - O unicórnio. Sim, há um unicórnio no céu, por baixo de Canis Minor. Terei que falar disso noutra altura... porque há uma cadela branca pequena, nossa vizinha, a andar de unicórnio no céu...
.
Se observamos Canis Minor do telescópio, percebemos que Procyon tem um cãozinho pequeno com ela, Procyon B, uma anã branca. Juntas, formam um sistema binário.
Procyon - 12 anos-luz do Sol
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Da terra à lua, são 30 diâmetros terrestres. Conseguimos entendê-los abstractamente, da mesma maneira que tentamos imaginar outros números muito mais substanciais...
A distância da terra ao sol, 11.000 diâmetros terrestres, é um número muito maior. Mas qual é a diferença entre eles? Incluem-se os dois numa categoria que vamos chamar ''mesmo muito longe''.
A distância do sol à próxima estrela, Proxima Centauri, é de 4,22 anos luz. Por esta altura, as distâncias são tamanhas, que temos que começar a usar como unidade de medida, a distância que a luz percorre num ano. Que são 9.460.528.400.000 km...
As estrelas estão todas mesmo muito longe. A distância a Proxima Centauri e a distância à galáxia de Andrómeda, são ambas ''mesmo muito longe''. Mas são diferentes por muitas ordens de grandeza. Talvez por isso, a grande maioria de nós não tem ideia da localização geográfica relativa de um punhado de estrelas no nosso ''bairro''.
Este mapa tem grandes expectativas em relação à minha capacidade de imaginar coisas no espaço... e de decorar símbolos que não me dizem nada...
Vamos tentar mudar isso...? Como? Tentando ligar uma reacção emocional a duas ou três estrelas. Que era o método dos antigos. Nós não esquecemos algo a que associamos uma história.
No topo esquerdo da imagem acima, temos Procyon, ou Alpha Canis Minoris. Fica ''apenas'' a 12 anos luz, é uma estrela branca e fácil de encontrar, no triângulo de inverno:
O Triângulo de Inverno fica por cima de Orion, o quadrado com 3 estrelas no meio e Canis Major.
Procyon é a estrela alpha da constelação Canis Minor.
Nesta imagem de Canis Major, tentem imaginar que Sirius é o olho do cão, a estrela à sua direita o focinho, e o triângulo abaixo, as patas. Sirus... onde é que eu já ouvi isto?...
Nesta imagem podemos ver o triângulo de inverno, com os dois cães do céu, Canis Major e Canis Minor:
No meio dos cães e de Orion, temos a constelação Monoceros - O unicórnio. Sim, há um unicórnio no céu, por baixo de Canis Minor. Terei que falar disso noutra altura... porque há uma cadela branca pequena, nossa vizinha, a andar de unicórnio no céu...
.
Se observamos Canis Minor do telescópio, percebemos que Procyon tem um cãozinho pequeno com ela, Procyon B, uma anã branca. Juntas, formam um sistema binário.
Procyon - 12 anos-luz do Sol
Se sabiam que Sirius Black era padrinho do Harry Potter, agora ficam a saber que antes disso, já era irmão de Procyon, uma estrela nossa vizinha, que gosta de andar de unicórnio. Também é por isso que o Animagus dele no livro é um cão preto.
Sirius A - 85 anos luz da terra, 2,5 vezes a massa do sol
Sirius Black
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ricardo
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Astronomia,
Science
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
THERE IS NO GAME
Shhhh…. “There is no game”, por isso vá… vão à vossa vida. Preencho esta página porque ando
cansada de ler sobre política e coisas absurdas que os outros 2 arranjam. Já
viram o vídeo? Uma miséria, por isso chegou a altura de preencher este espaço
com um não-jogo.
É estranhíssimo ser eu a abordar uma temática como jogo. Não porque não aprecie, mas mais porque o Gui sabe bem mais que eu sobre o assunto. Hoje decidi que quero falar disto, porque posso.
Este é um não-jogo
com um sabor a retro, onde é essencial explorar e experimentar tudo. Toca a
clicar e arrastar em tudo insistentemente, porque o narrador não vos vai ajudar
muito. Prometo! Na realidade ele vai ser bastante insistente para se irem
embora. Vai mesmo mostrar-te que só estas a estorvar e que apreciaria muito que
mudasses de página da net. O áudio é essencial neste não-jogo. O narrador torna
tudo fantástico. É inevitável passar o jogo a sorrir.
Funciona por
tentativa e erro, apesar do narrador fazer sugestões caso passado algum tempo
não consigam orientar-se na progressão do não-jogo. Nem sempre será fácil compreender
exatamente o que é esperado de vocês. Como não existem grandes indicações ou
regras, aconselho a experimentarem tudo o que se lembrarem. Caso não fiquem
presos numa etapa, é bastante curto, tendo uma duração de cerca de 15 minutos.
Experimentem, e
caso consigam façam os 2 finais disponíveis, apesar de ter apreciado mais um
que outro. Experimentem! É grátis e está disponível na internet.
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Miss Cathy
às
21:35:00
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jogos de computador
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sábado, 18 de julho de 2015
Tunes with Tangerine - Sun Structures, Temples
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Pataniscas Satânicas
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22:26:00
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Música,
Tangerine
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sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Ant-Man - Impressões iniciais (Spoiler Free)
Portanto acabei de ver o Ant-Man, o mais recente filme da Marvel.
É muito divertido! Não é o melhor filme da Marvel, mas é quase incensurável.
(nota: este texto não contém spoilers)
Acho que este filme só vem mostrar o quanto os Estúdios Marvel, o Kevin Feige e o realizador Peyton Reed compreendem o género.
Antigamente um dos géneros de filme que existia era o filme de Super-Herói, a par dos filmes de Acção, dos Dramas, dos Thrillers, das Comédias, etc.
O que a Marvel tem feito de forma inteligente para expandir o seu género e aumentar o seu público é transformar o filme de Super-Herói numa categoria em si mesmo.
Passam a haver filmes de Super-Heróis de Acção (Avengers), Super-Heróis de Ficção Científica (Guardians of the Galaxy), Super-Heróis Noir (Daredevil), Super-Heróis Pulp (Agent Carter), etc.
O Ant-Man é um Super-Heróis Heist Movie.
Heist Movies são filmes de roubos e assaltos, nos quais vemos personagens centrais muito carismáticas, divertidas, curiosas, a planearem assaltos desnecessariamente complexos contra probabilidades impossíveis para roubarem algo de imensa importância, apenas para que o plano corra mal de maneira inesperada mas inevitável e o herói se safa miraculosamente porque é assim tão bom!
É isso que é um Heist-Movie.
O Ant-Man não pretende ser mais do que isso. Não pretende ser um Blockbuster de Verão, não pretende ser um filme intenso e dramático, não pretende ser revolucionário.
Tenta ser um Heist-Movie divertido e satisfatório e consegue-o perfeitamente bem.
O que para mim é interessante é que a Marvel está a reinventar a Silly Season de verão, que deixa de ser o repositório de todos os filmes com um orçamento inversamente proporcional ao talento envolvido, para a encher de filmes Marvel igualmente tolos e divertidos, mas com imensa qualidade.
O Paul Rudd está óptimo como Scott Lang, cria uma personagem genuinamente gostável e na qual consigo acreditar enquanto herói. A interpretação do Rudd está impecável, e só tenho pena de não o ver ainda mais à solta.
O Michael Douglas vende a personagem do Hank Pym muito bem, e consegue vender a ideia de um velho insuportável de quem é dificílimo gostar.
A Evangeline Lilly como Hope Van Dyne também faz muito bem a sua personagem, e deixa-me genuinamente entusiasmado por vê-la em mais coisas (wink wink).
Tive pena em relação ao Vilão, Corey Stoll como Yellowjacket, porque começou por ser um Vilão interessante, com conflitos, mas que vai ficando progressivamente mais desinteressante.
A história do filme é sólida mas previsível (como qualquer bom Heist Movie), mas consegue ser sempre divertida, e há vários tie-ins muito engraçados com o Marvel Cinematic Universe.
O humor está muito bom! Há menos piadas do que eu imaginava, mas as piadas que há são excelentes. Não são auto-referenciais ou quebram a 4ª Parede, mas mostram que o filme não se leva a si mesmo assim muito a sério!
Os efeitos especiais são muito muito giros, com as cenas da perspectiva do Ant-Man quando está do tamanho de uma formiga sendo particularmente impressionantes e mesmo de tirar o fôlego!
A banda sonora alterna entre o que estamos habituados para músicas de filmes de acção da Marvel, misturada com algumas escolhas muito inesperadas, quase ao estilo do Guardians of the Galaxy.
Aquela cena. Oh meu deus, aquela cena! Se viram o filme sabem do que estou a falar!
Mas aquela cena, a sério! Uau!
Portanto vejam o filme para se divertirem, não vão à espera de nada transcendente. É só mais um filme dentro do Universo Marvel, não têm de ser todos gigantescos e espalhafatosos, e este é competente e bem feito onde importa.
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É muito divertido! Não é o melhor filme da Marvel, mas é quase incensurável.
(nota: este texto não contém spoilers)
Acho que este filme só vem mostrar o quanto os Estúdios Marvel, o Kevin Feige e o realizador Peyton Reed compreendem o género.
Antigamente um dos géneros de filme que existia era o filme de Super-Herói, a par dos filmes de Acção, dos Dramas, dos Thrillers, das Comédias, etc.
O que a Marvel tem feito de forma inteligente para expandir o seu género e aumentar o seu público é transformar o filme de Super-Herói numa categoria em si mesmo.
Passam a haver filmes de Super-Heróis de Acção (Avengers), Super-Heróis de Ficção Científica (Guardians of the Galaxy), Super-Heróis Noir (Daredevil), Super-Heróis Pulp (Agent Carter), etc.
O Ant-Man é um Super-Heróis Heist Movie.
Heist Movies são filmes de roubos e assaltos, nos quais vemos personagens centrais muito carismáticas, divertidas, curiosas, a planearem assaltos desnecessariamente complexos contra probabilidades impossíveis para roubarem algo de imensa importância, apenas para que o plano corra mal de maneira inesperada mas inevitável e o herói se safa miraculosamente porque é assim tão bom!
É isso que é um Heist-Movie.
O Ant-Man não pretende ser mais do que isso. Não pretende ser um Blockbuster de Verão, não pretende ser um filme intenso e dramático, não pretende ser revolucionário.
Tenta ser um Heist-Movie divertido e satisfatório e consegue-o perfeitamente bem.
O que para mim é interessante é que a Marvel está a reinventar a Silly Season de verão, que deixa de ser o repositório de todos os filmes com um orçamento inversamente proporcional ao talento envolvido, para a encher de filmes Marvel igualmente tolos e divertidos, mas com imensa qualidade.
O Paul Rudd está óptimo como Scott Lang, cria uma personagem genuinamente gostável e na qual consigo acreditar enquanto herói. A interpretação do Rudd está impecável, e só tenho pena de não o ver ainda mais à solta.
O Michael Douglas vende a personagem do Hank Pym muito bem, e consegue vender a ideia de um velho insuportável de quem é dificílimo gostar.
A Evangeline Lilly como Hope Van Dyne também faz muito bem a sua personagem, e deixa-me genuinamente entusiasmado por vê-la em mais coisas (wink wink).
Tive pena em relação ao Vilão, Corey Stoll como Yellowjacket, porque começou por ser um Vilão interessante, com conflitos, mas que vai ficando progressivamente mais desinteressante.
A história do filme é sólida mas previsível (como qualquer bom Heist Movie), mas consegue ser sempre divertida, e há vários tie-ins muito engraçados com o Marvel Cinematic Universe.
O humor está muito bom! Há menos piadas do que eu imaginava, mas as piadas que há são excelentes. Não são auto-referenciais ou quebram a 4ª Parede, mas mostram que o filme não se leva a si mesmo assim muito a sério!
Os efeitos especiais são muito muito giros, com as cenas da perspectiva do Ant-Man quando está do tamanho de uma formiga sendo particularmente impressionantes e mesmo de tirar o fôlego!
A banda sonora alterna entre o que estamos habituados para músicas de filmes de acção da Marvel, misturada com algumas escolhas muito inesperadas, quase ao estilo do Guardians of the Galaxy.
Aquela cena. Oh meu deus, aquela cena! Se viram o filme sabem do que estou a falar!
Mas aquela cena, a sério! Uau!
Portanto vejam o filme para se divertirem, não vão à espera de nada transcendente. É só mais um filme dentro do Universo Marvel, não têm de ser todos gigantescos e espalhafatosos, e este é competente e bem feito onde importa.
Publicada por
Gui
às
23:26:00
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Cinema
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
O Papão vem do Norte - Parte I
A série de televisão Game of Thrones é uma metáfora da crise sócio-económica actual!
Deixem-me explicar-vos porquê.
Já falei do poder da narrativa, e de como a nossa cultura/sociedade é reflectida pelas histórias que contamos acerca de nós mesmos.
Também já falei várias vezes do poder do Papão, e de como foi instrumental no início da civilização e da espécie humana.
Como é natural as histórias que contamos acerca do Papão dizem muito acerca do nosso passado e da maneira como interpretamos o mundo actualmente.
Um trope particularmente importante neste contexto, é o Grim Up North.
The Frozen Legion |
O Trope caracteriza-se por uma associação directa entre os Poderes do Mal e as terras frias, escuras, remotas e inóspitas de onde ele vem, geralmente chamadas simplesmente "O Norte".
O Dark Lord tem sempre uma fortaleza no Norte, de onde várias raças maléficas imunes ao frio, geralmente mortos-vivos, saem para estragar a vida aos homens, elfos e anões das terras quentes do sul.
Este trope, e a sua associação entre o Norte, o frio e a morte, está presente na nossa cultura de muitas maneiras
- na banda desenhada 30 Days of Night, os vampiros são frios e imunes ao frio, como em imensas outras representações de vampiros
- nos livros do Tolkien, o Deus do Mal, Morgoth, tem fortalezas no norte gelado, Angband e Utumno.
- no jogo de computador Warcraft III/World of War os principais vilões são a Frozen Legion, um exército de mortos-vivos que vivem no Norte Gelado
- no universo do Game of Thrones o Norte é particularmente importante, sendo de onde vem os White Walkers, que reanimam os corpos dos mortos para destruir o mundo
Utumno, fortaleza de Morgoth |
E muitos outros exemplos de que de certeza se lembram.
Porquê?
Porque é que esta associação entre o Mal e o Norte Gelado é tão transversal à nossa cultura?
Em primeiro lugar há a associação imediata entre o calor de um corpo vivo e o frio de um corpo morto.
Depois, como também já expliquei, a Civilização nasceu à custa da Agricultura, e nessas sociedades agrícolas primitivas a Primavera e o Verão correspondiam a períodos de produtividade, colheita e abundância, aos quais se seguiam os meses de frio do Outono e do Inverno nos quais havia escuridão, frio, fome, doença e morte.
Também importante, e intimamente relacionado com isso, é o facto de que essas sociedades agrícolas primitivas só podiam desenvolver-se em locais particularmente férteis onde conseguissem fazer crescer as suas plantas. Isso implica necessariamente que as primeiras civilizações surgiriam sobretudo para o sul, onde é mais quente, e próximo da água.
E de facto os primeiros lugares onde a agricultura foi inventada foram exactamente o Egipto, a Mesopotâmia e a Suméria, todas ali no quentinho do sul, próximo do mediterrâneo
Durante os séculos que se seguiram o padrão foi-se mantendo sempre mais ou menos o mesmo, com as sociedades humanas mais avançadas a localizarem-se à volta do Mediterrâneo, onde é quentinho e há muita água.
De todas estas civilizações mediterrânicas os Gregos e os Romanos foram quem mais influenciou a nossa cultura ocidental actual. Muitas coisas que hoje consideramos as bases da nossa sociedade vieram dos gregos e dos romanos, desde a democracia, legislação que trata todos os cidadãos de forma igual, a filosofia que deu origem à ciência moderna, a arquitectura e a engenharia civil, tácticas militares e a ideia de um exército profissional, segurança e saúde pública, tribunais, aqueductos, até mesmo a narrativa das suas obras literárias, poéticas e teatrais.
Os Romanos, no seu melhor, eram a civilização mais sofisticada e avançada que o mundo já tinha visto na história da humanidade.
É seguro dizer que aquilo que hoje consideramos a nossa sociedade foi largamente herdado dos Romanos e dos Gregos. Não seria de espantar então, que também tivéssemos herdado os seus medos.
E de que é que os Romanos (mais recentes que os Gregos), tinham medo?
Dos Bárbaros.
Os Bárbaros, para os Romanos e para os Gregos, eram os povos não-civilizados, que não falavam latim, e que sistematicamente e regularmente atacavam para roubar, pilhar, violar e matar.
Foram um dos principais problemas do Império Romano Ocidental, e um dos principais factores que levaram à sua queda.
E de onde é que vinham os Bárbaros?
Vinham do Norte!
Eram os Germanos, os Alamanos, os Visigodos, os Gauleses, os Anglos, os Saxões, os Francos, os Pictos, os Godos, os Lombardos, uma multitude interminável de tribos bárbaras, sujas, feias, selvagens, indisciplinadas que vinham do norte da Europa, aterrorizar os Romanos vestidos de toga, acabados de sair de um banho público.
Durante séculos, o Império Romano foi atacado por esta ameaça bárbara que vinha do Norte Gelado, e esse medo ficou profundamente enraízado nessa cultura que nós herdámos!
Mesmo depois da queda de Roma, quase cinco séculos depois, quando Carlos Magno é coroado o primeiro Santo Imperador Romano e consegue trazer alguma forma de civilização de volta à Europa, volta a ter problemas com tribos bárbaras vindas do norte, desta vez os Eslavos, os Pictos, os Danos e outros Vikings que tais.
As civilizações do Sul sempre tiveram medo das Ameaças do Norte. Quando os pais romanos queriam meter medo aos filhos, falavam-lhe do Papão vindo do Norte que os ia matar se eles não comessem a sopa.
Mas como é que o Papão dos Romanos se transformou disto:
Nisto:
Não percam a Parte II de O Papão vem do Norte.
Publicada por
Gui
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20:00:00
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História,
Papão,
Tropes
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Grécia, não sou eu, és tu...
A Grécia, com os bancos fechados, a liquidez a diminuir, acabou por aceitar a maior parte das medidas propostas pelos credores (leia-se Alemanha), sem qualquer hipótese de reestruturação da dívida.
O FMI já veio dizer que estas medidas não levam a nenhum lado, a longo prazo. Mas o que é que eles sabem....
A solução começa com Schauble, Ministro das Finanças Alemão. Um senhor divertido, que apesar de reconhecer que a dívida grega tem que ser aliviada, para se tornar pagável, diz que tal não é possível, por causa das regras.... ah, azar....
Numa jogada política inteligente, o ministro das finanças alemão, explicou à Grécia, que ou aceita as condições, ou é expulsa do euro. Expulsa não, o euro iria ''dar um tempo à grécia''. Um período de 'breakup', onde suponho, ambas as partes podiam: 'conhecer pessoas novas'.
O tempo jogava contra a Grécia. Porque claramente, a Grécia é uma mandriona, que nunca quis trabalhar na vida. Há uns anos, começou a usar o cartão de crédito da marido às escondidas, e o marido agora descobriu e ficou lixado.
O marido, que é um bávaro gordo, quer que a Grécia comece a vender os vestidos, e a almoçar sempre em casa, e só dia-sim dia-não. O objectivo não é muito claro... A Grécia achou injusto, e foi perguntar aos filhos a opinião deles. 61% dos filhos disseram que o que o pai exigia já tinha sido tentado com resultados de merda, sendo que tentar novamente não fazia muito sentido prático (nalgumas versões, noutras os filhos são orgulhosos, preguiçosos, e gostam é de mama).
À medida que o tempo passa, os problemas não se resolvem, as pessoas começam a cegar e isto torna-se cada vez mais actual e importante:
Vale a pena perguntar: Será que o sacrifício da Grécia ajuda em alguma coisa?
O problema é a dívida. A dívida grega não é sustentável. Mas o que é que isto quer dizer?
Apesar do governo grego estar a gastar menos do que recolhe em impostos, o peso do serviço da dívida (o dinheiro que é pago por ano em juros + amortizações) obriga a um défice muito significativo (1.3 biliões janeiro-maio). A única maneira de resolver este problema sem alívio da dívida/haircut, é aumentado o endividamento (que não resolve nada, só adia e atola), ou fazendo mais cortes em despesas públicas. Que é o que tem sido feito até agora, com resultados que estão à vista.
Outra maneira, seria com crescimento económico, aumento do PIB. O que infelizmente não pode ser decretado, e não depende tanto quanto pensamos do governo. O governo pode apenas dificultar ou facilitar o crescimento. Como é que as medidas postas em prática até agora têm funcionado?
Bem, o PIB diminuiu mais de 25% desde 2008. Porque os gregos ''não querem trabalhar, são preguiçosos, e fogem aos impostos''... claro.
Isto adicionado a uma dívida de mais de 200 biliões, e a crescer, dá um valor de dívida para PIB nestas linhas:
180% do pib em dívida! E a solução agora está à vista!
Mais 86 biliões de euros em dívida! Peço desculpa, 86 biliões em ''ajuda''. Um terceiro resgate. Porque à terceira é de vez, toda a gente sabe.
Isso e aumento do IVA, aumento de outros impostos, cortes nas pensões, facilitação de despedimentos colectivos (chama-se ''modernizar'' os contratos laborais), assim como começar a vender propriedade do estado, com o objectivo de gerar 50 biliões de euros (25 biliões serão para recapitalizar os bancos).
Tudo para ajudar ao crescimento económico, e para reduzir o desemprego. Gente santa no Eurogrupo. Às vezes um pouco incompreendidos, mas é gente que sabe mesmo pensar fora da caixa, quando os seus interesses estão em jogo...
Ainda assim, está muita gente triste com o facto do Primeiro Ministro Grego andar a lamuriar-se que este não era o acordo que queria.
Acho que foi um problema de comunicação.
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O FMI já veio dizer que estas medidas não levam a nenhum lado, a longo prazo. Mas o que é que eles sabem....
A solução começa com Schauble, Ministro das Finanças Alemão. Um senhor divertido, que apesar de reconhecer que a dívida grega tem que ser aliviada, para se tornar pagável, diz que tal não é possível, por causa das regras.... ah, azar....
Numa jogada política inteligente, o ministro das finanças alemão, explicou à Grécia, que ou aceita as condições, ou é expulsa do euro. Expulsa não, o euro iria ''dar um tempo à grécia''. Um período de 'breakup', onde suponho, ambas as partes podiam: 'conhecer pessoas novas'.
O tempo jogava contra a Grécia. Porque claramente, a Grécia é uma mandriona, que nunca quis trabalhar na vida. Há uns anos, começou a usar o cartão de crédito da marido às escondidas, e o marido agora descobriu e ficou lixado.
O marido, que é um bávaro gordo, quer que a Grécia comece a vender os vestidos, e a almoçar sempre em casa, e só dia-sim dia-não. O objectivo não é muito claro... A Grécia achou injusto, e foi perguntar aos filhos a opinião deles. 61% dos filhos disseram que o que o pai exigia já tinha sido tentado com resultados de merda, sendo que tentar novamente não fazia muito sentido prático (nalgumas versões, noutras os filhos são orgulhosos, preguiçosos, e gostam é de mama).
À medida que o tempo passa, os problemas não se resolvem, as pessoas começam a cegar e isto torna-se cada vez mais actual e importante:
O problema é a dívida. A dívida grega não é sustentável. Mas o que é que isto quer dizer?
Apesar do governo grego estar a gastar menos do que recolhe em impostos, o peso do serviço da dívida (o dinheiro que é pago por ano em juros + amortizações) obriga a um défice muito significativo (1.3 biliões janeiro-maio). A única maneira de resolver este problema sem alívio da dívida/haircut, é aumentado o endividamento (que não resolve nada, só adia e atola), ou fazendo mais cortes em despesas públicas. Que é o que tem sido feito até agora, com resultados que estão à vista.
Outra maneira, seria com crescimento económico, aumento do PIB. O que infelizmente não pode ser decretado, e não depende tanto quanto pensamos do governo. O governo pode apenas dificultar ou facilitar o crescimento. Como é que as medidas postas em prática até agora têm funcionado?
Bem, o PIB diminuiu mais de 25% desde 2008. Porque os gregos ''não querem trabalhar, são preguiçosos, e fogem aos impostos''... claro.
Isto adicionado a uma dívida de mais de 200 biliões, e a crescer, dá um valor de dívida para PIB nestas linhas:
Mais 86 biliões de euros em dívida! Peço desculpa, 86 biliões em ''ajuda''. Um terceiro resgate. Porque à terceira é de vez, toda a gente sabe.
Isso e aumento do IVA, aumento de outros impostos, cortes nas pensões, facilitação de despedimentos colectivos (chama-se ''modernizar'' os contratos laborais), assim como começar a vender propriedade do estado, com o objectivo de gerar 50 biliões de euros (25 biliões serão para recapitalizar os bancos).
Tudo para ajudar ao crescimento económico, e para reduzir o desemprego. Gente santa no Eurogrupo. Às vezes um pouco incompreendidos, mas é gente que sabe mesmo pensar fora da caixa, quando os seus interesses estão em jogo...
Ainda assim, está muita gente triste com o facto do Primeiro Ministro Grego andar a lamuriar-se que este não era o acordo que queria.
Acho que foi um problema de comunicação.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Plutão
A nave espacial New Horizons chegou hoje a Plutão.
Já alguma vez tinham visto uma fotografia de Plutão?
Não.
Nem vocês nem ninguém na história da espécie humana.
É a primeira vez que temos uma sonda próximo o suficiente do planeta para termos imagens da sua superfície!
A sonda viajou durante 9 anos e meio e atravessou 4,8 mil milhões de quilómetros.
Somos os primeiros seres humanos a ver estas imagens.
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Já alguma vez tinham visto uma fotografia de Plutão?
Não.
Nem vocês nem ninguém na história da espécie humana.
É a primeira vez que temos uma sonda próximo o suficiente do planeta para termos imagens da sua superfície!
A sonda viajou durante 9 anos e meio e atravessou 4,8 mil milhões de quilómetros.
Somos os primeiros seres humanos a ver estas imagens.
Publicada por
Gui
às
14:09:00
4
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Science
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sábado, 11 de julho de 2015
Neandertal
Temos uma percepção estranha do tempo.
Tudo o que não aconteceu ontem, aconteceu há tempos inimaginavelmente longínquos.
Para o que nos importa, a Cleópatra e as Pirâmides são tudo a mesma coisa, por exemplo. Quando na realidade passou-se mais tempo entre as Pirâmides e a Cleópatra do que entre a Cleópatra e nós.
Temos exactamente o mesmo tipo de percepção no que toca aos nossos antepassados hominídeos.
É tudo a mesma coisa. São tudo homens das cavernas. Todos lá muito para trás.
Austrolopitecos e Neandertais são tudo a mesma coisa.
Quando na realidade estão separados por cerca de 3 milhões de anos.
A isto acresce outro problema.
Um problema de que já falei, e que se resume a esta imagem.
Temos sempre a impressão que a evolução é uma sucessão de espécies que se substituem umas às outras com versões progressivamente melhores e mais evoluídas.
Isto é errado.
A evolução é meramente um processo de diferenciação de organismos que se vão tornando cada vez mais adaptados a sobreviver em determinadas circunstâncias.
Não há nada de sequencial. Não podemos dizer que uma espécie seja mais evoluída que outra. São todas igualmente evoluídas.
O que se torna interessante quando pensamos que os Humanos surgiram há 200.000 (duzentos mil) anos e os Neandertais só se extinguiram há 50.000 (cinquenta mil) anos.
Os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis coexistiram durante cerca de cento e cinquenta mil anos, tendo coabitado e interagido durante cerca de quinze mil.
Os Neandertais não são nossos antepassados. Os Neandertais não se transformaram em Humanos, cedendo-lhes o seu lugar na escada evolutiva.
Eram simplemente outros Humanos que por aí andavam. Ligeiramente diferentes de nós. Uma espécie diferente de Humanos.
Nós os Homo sapiens, eles os Homo neanderthalensis.
Os Neandertais não eram nem mais nem menos evoluídos do que nós. Eram igualmente evoluídos. Tinham tanto direito ao título de Humano como nós temos.
Eram Humanos diferentes, mas tão humanos como nós somos.
Pensem nisto:
Os Neandertais tinham ferramentas.
Os Neandertais faziam arte.
Enterravam os seus mortos em cerimónias, com flores e oferendas.
Tecnologia, Arte e Religião. Os Neandertais estavam a fazer tecnologia arte e religião ao mesmo tempo que nós a fazíamos. Não eram mais atrasados do que nós, estavam a fazer as coisas ao mesmo tempo, razoavelmente da mesma maneira.
O fim da idade do gelo determinou que os seus campos de caça se tornassem cada vez mais restritos e que os nossos se alargassem.
Entrámos em contacto com eles.
E o que é que fizemos quando entrámos em contacto com eles?
Filhos, aparentemente.
Os Humanos actuais de origem europeia têm no seu código genético cerca de 4% de genes que pertenciam aos Neandertais, o que significa que houve muito fornicanço entre neanderthalensis e sapiens, durante aqueles quinze mil anos que conviveram juntos.
No fim morreram todos. Desapareceram.
Por causa do clima, por causa de nós, as teorias abundam.
Resta-nos esta ideia: desde que existimos, já vimos uma espécie de Humanos extinguir-se.
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Tudo o que não aconteceu ontem, aconteceu há tempos inimaginavelmente longínquos.
Para o que nos importa, a Cleópatra e as Pirâmides são tudo a mesma coisa, por exemplo. Quando na realidade passou-se mais tempo entre as Pirâmides e a Cleópatra do que entre a Cleópatra e nós.
Temos exactamente o mesmo tipo de percepção no que toca aos nossos antepassados hominídeos.
É tudo a mesma coisa. São tudo homens das cavernas. Todos lá muito para trás.
Austrolopitecos e Neandertais são tudo a mesma coisa.
Quando na realidade estão separados por cerca de 3 milhões de anos.
A isto acresce outro problema.
Um problema de que já falei, e que se resume a esta imagem.
Temos sempre a impressão que a evolução é uma sucessão de espécies que se substituem umas às outras com versões progressivamente melhores e mais evoluídas.
Isto é errado.
A evolução é meramente um processo de diferenciação de organismos que se vão tornando cada vez mais adaptados a sobreviver em determinadas circunstâncias.
Não há nada de sequencial. Não podemos dizer que uma espécie seja mais evoluída que outra. São todas igualmente evoluídas.
O que se torna interessante quando pensamos que os Humanos surgiram há 200.000 (duzentos mil) anos e os Neandertais só se extinguiram há 50.000 (cinquenta mil) anos.
Os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis coexistiram durante cerca de cento e cinquenta mil anos, tendo coabitado e interagido durante cerca de quinze mil.
Os Neandertais não são nossos antepassados. Os Neandertais não se transformaram em Humanos, cedendo-lhes o seu lugar na escada evolutiva.
Eram simplemente outros Humanos que por aí andavam. Ligeiramente diferentes de nós. Uma espécie diferente de Humanos.
Nós os Homo sapiens, eles os Homo neanderthalensis.
Os Neandertais não eram nem mais nem menos evoluídos do que nós. Eram igualmente evoluídos. Tinham tanto direito ao título de Humano como nós temos.
Eram Humanos diferentes, mas tão humanos como nós somos.
Pensem nisto:
Os Neandertais tinham ferramentas.
Os Neandertais faziam arte.
Enterravam os seus mortos em cerimónias, com flores e oferendas.
Tecnologia, Arte e Religião. Os Neandertais estavam a fazer tecnologia arte e religião ao mesmo tempo que nós a fazíamos. Não eram mais atrasados do que nós, estavam a fazer as coisas ao mesmo tempo, razoavelmente da mesma maneira.
O fim da idade do gelo determinou que os seus campos de caça se tornassem cada vez mais restritos e que os nossos se alargassem.
Entrámos em contacto com eles.
E o que é que fizemos quando entrámos em contacto com eles?
Filhos, aparentemente.
Os Humanos actuais de origem europeia têm no seu código genético cerca de 4% de genes que pertenciam aos Neandertais, o que significa que houve muito fornicanço entre neanderthalensis e sapiens, durante aqueles quinze mil anos que conviveram juntos.
No fim morreram todos. Desapareceram.
Por causa do clima, por causa de nós, as teorias abundam.
Resta-nos esta ideia: desde que existimos, já vimos uma espécie de Humanos extinguir-se.
Publicada por
Gui
às
23:29:00
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História,
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