Pataniscas Satânicas

Pataniscas Satânicas

domingo, 3 de janeiro de 2016

Arrefecimento Global e Baratas Gigantes

Florestas intermináveis no planeta Terra? Alterações climáticas opostas ao aquecimento global? Insectos gigantescos?

Vamos falar sobre isso.


Também já falámos sobre como esse carbono depois volta para a atmosfera (fomos nós que o pusemos lá).

Em 2011 minámos 7659 milhões de toneladas de carvão, e emitimos 14416 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Estima-se que até 2017 poderemos queimar mais 1,2 biliões de toneladas de carvão.

De onde é que vem este carvão todo?

Mina de Carvão de North Antellope, a maior do mundo
Vem do Período Carbonífero, que ocorreu há 360 a 300 milhões de anos atrás.

Para terem noção de há quanto tempo atrás isto foi, corresponde a um período no qual o mega-continente Pangaea ainda nem se tinha formado.

O continente Gondwana ainda estava para se chocar contra o continente Laurussia, gerando a Orogenia Varisca o evento geológico que criou montanhas em Portugal, Espanha, o Maciço do Reno, os Alpes, os Apalaches na América, as montanhas dos Urais e dos Pamirs na Ásia.

Demorariam ainda quase 200 milhões de anos até que se formassem continentes minimamente reconhecíveis.


Cadeias montanhosas originadas pelo choque dos super-continentes Gondwana e Laurussia
Aconteceram duas coisas.

A primeira foi que no início do Período Carbonífero o nível dos oceanos diminuiu, criando extensíssimas zonas pantanosas extremamente férteis, que levaram ao crescimento desenfreado de vida vegetal.

A segunda foi que pela primeira vez essas plantas evoluíram o polímero orgânico Lignina e o isolante natural Suberina. Por outras palavras as plantas evoluíram a capacidade de gerar madeira.
Neste período, os fungos e bactérias saprófitas, responsáveis por decomporem a matéria orgânica não tinham ainda evoluído as enzimas que seriam capazes de digerir a Lignina e a Suberina.

Isto fez com que as árvores mortas se acumulassem tempo suficiente para fossilizarem.


Imaginem.

Árvores, árvores e árvores, em florestas infindáveis, a cobrirem continentes inteiros. 
O planeta inteiro coberto por vegetação e florestas tropicais, quentes e húmidas.

Árvores a crescerem e a morrerem, e mais árvores a crescerem por cima dessas, e outras ainda por cima dessas.

Durante não um, não, dois, mas sessenta milhões de anos.

60 milhões de anos durante os quais as árvores do planeta capturaram dióxido de carbono atmosférico e enterraram-no na terra sob a forma de carvão.
De tal maneira que o dióxido de carbono atmosférico diminuiu de 1500 partes por milhão (ppm) no início do Período Carbonífero para cerca de 350 ppm no fim do Período.

Proporcionalmente a esta redução de dióxido de carbono, a temperatura global diminuiu de 20ºC para aproximadamente 10ºC.

Outra coisa que as árvores fazem bem, para além de sugarem todo o dióxido de carbono atmosférico, é expelir oxigénio.

Durante o Período Carbonífero a concentração atmosférica de oxigénio era de 35%, por oposição aos 21% que temos hoje.

Isto tem uma consequência engraçada, que é permitir que os animais da altura crescessem muito.

Dinossauros? Não, nem pensar!
Ainda demoraria mais de 50 milhões de anos até surgirem os primeiros dinossauros.

Por esta altura o que dominavam eram os anfíbios. Os animais com escamas que viriam a dar origem aos dinossauros ainda eram relativas novidades.

Nos pântanos intermináveis, repletos de plantas e árvores, dominava o Eryops. um anfíbio de 2-3 metros de comprimento, que era o predador de topo da altura, ocupando um nicho ecológico que hoje pertence aos crocodilos.



Mas os anfíbios cresceram até esse tamanho simplesmente porque não haviam outros predadores. Actualmente existe a Salamandra Gigante Chinesa, que atinge facilmente os 180cm de comprimento, e que não deve ter um aspecto muito diferente do que teria o Eryops.


O que era invulgar naquela altura eram os insectos.

Acontece que os insectos não respiram da mesma maneira que os outros animais.

Enquanto que os outros animais têm pulmões para onde o ar entra e o oxigénio se difunde para o sangue, que depois é transportado pelo sistema vascular para oxigenar os tecidos, os insectos não têm pulmões.
Em vez disso têm buracos espalhados ao longo do corpo por onde o ar entra, e o oxigénio difunde-se directamente para os tecidos,



Claro que neste sistema que depende da difusão directa do oxigénio do ar para as células, as células que estejam mais longe do ar recebem menos oxigénio.
Isso significa que não podem haver células muito longe dos buracos por onde entra o ar, o que implica que a maior parte dos insectos seja pequenino.
Há um limite de tamanho fisiológico determinado pela concentração mínima de oxigénio de que as células necessitam para viver, que os insectos não conseguem ultrapassar.

Mas o que é que acontece quando a concentração do oxigénio na atmosfera aumenta para 35%?


Esse limite de tamanho aumenta.

Muito.

Existiam libelinhas gigantes como a Meganeura, com uma envergadura de asas de 75cm, mais ou menos do tamanho de uma gaivota.



E que tal o escorpião gigante Pulmonoscorpius, que chegava a ter 70cm de comprimento, e que se acredita que poderá ter caçado anfíbios.



Ou, e esta é a preferida das multidões, a Arthropleura, um artrópode milípede que cehgava a atingir 2,3 metros de comprimento!



 Portanto sim...

Há cerca de 300 milhões de anos, a Terra estava coberta de pântanos e florestas tropicais gigantes, que se estendiam por continentes, onde viviam salamandras e insectos gigantes.

Durante milhões de anos foi isso a vida na Terra. Vagamente reconhecível, mas com exageros quase alienígenas ao que hoje conhecemos.


Toda essas árvores incontáveis morreram, e acumularam-se durante esses milhões de anos, e nós hoje passamos o tempo a desenterrá-las e a queimá-las.


Leiam mais acerca de aquecimento global e evidências do passado do planeta aqui:

5 comentários:


  1. ''Overhead the albatross hangs motionless upon the air
    And deep beneath the rolling waves in labyrinths of coral caves
    The echo of a distant tide
    Comes willowing across the sand
    And everything is green and submarine''

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    1. Isso faz-me lembrar que tenho de escrever sobre corais um dia destes...

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  2. Boa exposição. Não há dúvida que esta maçã está perfurada de locas bichosas executadas pelas formigas que imperam. Lhamon

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